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Zul Hijjah: Um guia sobre o 12º mês do calendário islâmico

Zul Hijjah é o mês da peregrinação à Meca, da festa da imolação do Profeta Ismael. Veja quais são as sunas e datas históricas deste período.
  • Dois eventos marcam o décimo segundo mês do calendário islâmico: o Hajj e o Eid al Adha.
  • Os dez primeiros dias do mês são datas em que Deus recompensa ainda mais os atos de adoração.
  • A revelação do Alcorão foi concluída durante o mês de Zul Hijjah.

O mês de Zul Hijjah é o décimo segundo do calendário islâmico, um dos meses mais importantes do ano. Durante este período, ocorre anualmente a grande peregrinação islâmica à cidade sagrada de Meca, que em árabe é chamada de Hajj

Neste mês, também também é celebrada a festa do Eid al Adha, uma das principais festas islâmicas, comemorada em diversas partes do mundo. Muitos dos países onde os muçulmanos são a maioria da população, a data é considerada um feriado.

Por ter datas tão importantes, o mês conta com muitas sunas e práticas religiosas voltadas especialmente para essas celebrações. Além disso, alguns eventos de grande importância para a história islâmica foram registrados durante este período.

Sunas do mês

Jejum e boas ações

Os dez primeiros dias do mês são o período no qual ocorre a grande peregrinação à Meca. Uma prática muito recomendável para aqueles que não participam do Hajj é jejuar nos nove primeiros dias do mês.

Relatos do Profeta Muhammad mostram que os atos de adoração durante este período são especialmente recompensados, mesmo que o muçulmano não esteja peregrinando. Portanto, se esforçar em boas ações, na caridade e no jejum é bastante recomendado.

“Abu Hurayrah relatou que o Mensageiro de Deus disse: “Em nenhum dia a adoração a Allah é desejada mais do que nos (primeiros) dez dias de Zul Hijjah. O jejum de cada um estes dias são iguais ao jejum de um ano inteiro, e a adoração de cada uma dessas noites é igual a adoração de Laylatul Qadr.” (Tirmidhi)

Ainda assim, se por alguma razão o fiel não puder jejuar por nove dias consecutivos, ainda é recomendado que ele faça isso pelo menos no nono dia do mês. Este é o dia mais importante do Hajj, quando os peregrinos estão no Monte Arafat clamando para que Deus tenha misericórdia no Dia do Juízo Final. Para aqueles que não estão em Meca, o jejum neste dia é a forma mais próxima de fazer este mesmo exercício. 

Comemore

No décimo dia de Zul Hijjah, ocorre o Eid al Adha, a festa que relembra o sacrifício do Profeta Ismael ofertado a Deus pelo Profeta Abraão. Este momento serve para a recordação e a prática religiosa, mas também é um período que Allah oferece para a comemoração.

É importante participar das orações em comunidade neste dia, no caso das pessoas que tiverem esta oportunidade. Tome um banho ritual, escolha suas melhores roupas e vá para o local da prece em jejum, recitando “Allahu Akbar” (Deus é Maior) repetidamente. Após a reza, celebre, participe da ceia, visite parentes e amigos e agradeça a Deus por oferecer um momento de tanto prazer. 

A comida é um presente que Deus dá a suas criaturas, portanto, é sempre bom dividir a fartura com aqueles que não têm o que comer. Neste dia, é comum abater um animal para a ceia e muitos muçulmanos costumam doar um terço desta carne aos necessitados.

Continue dizendo “Allahu Akbar” após o fim de todas as orações durante os três dias seguintes após o Eid al Adha. Neste mesmo período, o fiel deve se abster do jejum, pois a adoração do dia da festa deve se prolongar. No quarto dia, após a oração da alvorada (Fajr), ele pode retomar à sua rotina normalmente. 

Datas históricas

Alcorão
Alcorão (Foto: Wallpaperflare)

O sermão da despedida

Um dos momentos mais comoventes da história do Islam acontece no décimo ano após a Hégira, quando o Profeta Muhammad realiza o Hajj acompanhado de seus companheiros, e ali ele faz seu famoso Sermão da Despedida. Esta é a última vez que ele dirige sua palavra para todos que o acompanhavam. 

Em suas palavras, o Mensageiro de Allah sintetiza os ensinamentos de Deus que ele transmitiu. E, pela última vez, Deus entregou uma revelação do Alcorão:

“…Hoje, completei a religião para vós, completei Meu Favor sobre vós e escolhi o Islam como religião para vós…” (Alcorão 5:3)

Clique aqui para ler o sermão na íntegra.

Conquista do Egito

Uma das expansões mais notáveis da história islâmica ocorreu durante o califado de Omar ibn al Khattab, companheiro do Profeta Muhammad. Durante os anos 639 e 646 da era cristã, as tropas leais ao Califa venceram importantes batalhas contra o Império Bizantino, resultando na conquista do território egípcio.

Sucessão do Califado

O mês de Zul Hijjah remete ao Califado Rashidun, que teve duas de suas três sucessões neste período. A primeira foi após a morte de Omar ibn al Khattab, que foi sucedido por Uthman bin Affan.  

Ele foi nomeado como califa durante o mês de Zul Hijjah. Seu governo foi marcado por repressão a rebeliões e expansão territorial. 

Por sua vez, Uthman foi responsável pela produção e distribuição de várias cópias escritas do Alcorão, o que contribuiu para que o Livro Sagrado do Islam chegasse aos dias atuais sem nenhuma adulteração.

Ironicamente, Uthman foi assassinado de maneira brutal justamente no mês de Zul Hijjah, pelas mãos dos rebeldes. Outro companheiro do Profeta Muhammad, Ali ibn Abu Talib, sucedeu o governo.

Casamento de Ali e Fátima 

Um dos casamentos mais notáveis entre companheiros e familiares do Profeta foi o casamento de sua filha Fátima com Ali ibn Abu Talib, que era seu sobrinho. A moça havia sido pedida em casamento por outros homens, mas o Mensageiro de Allah cedeu a mão dela a este que foi um de seus mais nobres companheiros. 

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