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Atentados Terroristas ignorados contra Muçulmanos

Os muçulmanos são constantemente estigmatizados como terroristas, mas há violência em outros meios que são igualmente cruéis, porém ignoradas.

Há um grande esforço de diversos setores da sociedade para mostrar os muçulmanos como figuras violentas, que cometem atentados ou que os apoiam de forma unânime.

É comum encontrar pessoas que associam o Islam imediatamente ao terrorismo quando falam no assunto.

No entanto, é frequentemente ignorado que os atentados terroristas e massacres cometidos por pessoas de outras religiões é bastante frequente, mesmo assim, essas pessoas não sofrem dos mesmos estereótipos que os muçulmanos.

Neste texto apresentamos uma série de atentados cometidos contra muçulmanos. Todos os casos retratados resultaram em vítimas fatais.

Seria impossível citar todos os casos de terrorismo e violência contra muçulmanos, mas trouxemos uma grande variedade de casos para mostrar que isso é comum e frequente em todas as partes do mundo.

Massacre de Christchurch (Nova Zelândia)

O Massacre de Christchurch ocorreu em 15 de março de 2019, quando um atirador realizou ataques coordenados em duas mesquitas na cidade de Christchurch, Nova Zelândia, durante as orações de sexta-feira. 

O atirador, um extremista de direita chamado Brenton Tarrant, transmitiu ao vivo parte do ataque nas redes sociais e deixou um manifesto que expressava suas crenças anti-imigrantes e anti-muçulmanas.

Os ataques resultaram na morte de 51 pessoas e ferimentos em outras 49. As vítimas eram principalmente imigrantes ou refugiados de países como Paquistão, Índia, Malásia, Indonésia, Turquia, Somália, Afeganistão e Bangladesh. 

Este foi o ataque mais mortal na história moderna da Nova Zelândia e chocou o país, bem como a comunidade internacional.

Tiroteio na mesquita do Quebec (Canadá)

O tiroteio na mesquita de Quebec aconteceu em 29 de janeiro de 2017, quando um atirador invadiu o Centro Cultural Islâmico de Quebec durante a oração da noite e abriu fogo contra os fiéis. 

Esse trágico evento resultou na morte de seis pessoas e deixou outras 19 feridas. O atirador, um estudante universitário local chamado Alexandre Bissonnette, foi preso logo após o ataque.

Bissonnette, que tinha uma história de expressar opiniões anti-imigrantes e de direita nas redes sociais, foi posteriormente acusado de seis contagens de homicídio em primeiro grau e seis contagens de tentativa de homicídio. 

Em 2018, ele se declarou culpado de todas as acusações e foi condenado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional por 40 anos.

Homem atropela e mata família muçulmana (Canadá)

O ataque de caminhão em Ontário, mais especificamente em London, ocorreu em 6 de junho de 2021. 

Nathaniel Veltman, então com 20 anos, dirigiu uma picape e atropelou deliberadamente uma família muçulmana enquanto caminhavam em uma calçada. 

O ataque resultou na morte de quatro membros da família Afzaal e deixou gravemente ferido um menino de nove anos.

Veltman foi preso pouco após o incidente, e a polícia classificou o ato como um crime de ódio premeditado. 

Ele enfrentou acusações de quatro homicídios em primeiro grau e uma tentativa de homicídio. 

Segundo relatos, ele planejou o ataque com a intenção de atingir muçulmanos, o que foi evidenciado pela seleção deliberada de suas vítimas com base em sua fé.

Atentado ao consulado argelino (França)

O atentado ao consulado da Argélia em Marselha ocorreu em 15 de setembro de 1973. 

Nesse ataque, terroristas detonaram uma bomba no consulado da Argélia na cidade francesa de Marselha, resultando na morte de quatro pessoas e ferindo outras várias.

Este ataque foi parte de uma série de tensões e violência que marcaram as relações franco-argelinas na época, especialmente após a Guerra da Argélia e a independência deste país em 1962.

Série de ataques contra a comunidade turca (Alemanha)

Os assassinatos em série no Bósforo, também conhecidos como os assassinatos do NSU (Célula Nacional Socialista), foram uma série de ataques cometidos por um grupo neonazista contra imigrantes, principalmente turcos, na Alemanha entre os anos 2000 e 2007.

Este grupo, conhecido como Nationalsozialistischer Untergrund (NSU), foi responsável pelo assassinato de oito turcos, um grego e uma policial alemã durante esse período.

Os ataques foram inicialmente considerados crimes isolados ou relacionados à criminalidade organizada, devido à falta de evidências que conectassem os casos ao extremismo de direita. 

No entanto, em 2011, após a descoberta de evidências ligando os crimes ao NSU, ficou claro que os assassinatos eram, de fato, motivados por racismo e xenofobia.

Os membros do NSU, Beate Zschäpe, Uwe Mundlos e Uwe Böhnhardt, viviam juntos e compartilhavam uma ideologia neonazista radical.

Eles acreditavam que ao atacar imigrantes poderiam incitar um conflito racial na Alemanha. Os dois Uwes cometeram suicídio quando estavam prestes a ser capturados pela polícia em 201. 

Beate Zschäpe posteriormente foi julgada e condenada por sua participação nos crimes, incluindo os assassinatos e dois atentados a bomba.

Tiroteios de Hanau (Alemanha)

Os tiroteios em Hanau, Alemanha, ocorreram na noite de 19 de fevereiro de 2020, e foram um ataque terrorista de motivação racista. 

Um atirador, Tobias Rathjen, abriu fogo em dois bares de narguilé (shisha), matando nove pessoas e ferindo várias outras antes de matar sua mãe e cometer suicídio. A maioria das vítimas tinha origens imigrantes, incluindo pessoas de origem turca, búlgara, romena e bósnia.

Rathjen deixou um manifesto e vídeos que expressavam crenças de extrema-direita, teorias da conspiração e visões claramente xenófobas. 

Ele criticava a imigração e afirmava que certos povos deveriam ser completamente destruídos. 

Os ataques foram amplamente interpretados como um ato de terrorismo de extrema-direita, destacando os perigos do crescimento do nacionalismo xenófobo na Europa.

Tiroteio de Munique (Alemanha)

O tiroteio em Munique em 2016 ocorreu em 22 de julho, quando um atirador solitário abriu fogo em um centro comercial, o Olympia-Einkaufszentrum, e depois em uma área próxima. 

O ataque resultou em 9 mortos e 36 feridos. O atirador, um jovem de 18 anos chamado David Sonboly, era de dupla nacionalidade germano-iraniana e posteriormente cometeu suicídio.

Sonboly planejou o ataque meticulosamente e escolheu o quinto aniversário dos ataques na Noruega por Anders Breivik, um extremista de direita que matou 77 pessoas em 2011. 

Investigações revelaram que Sonboly era obcecado por tiroteios em massa e tinha um interesse particular em questões de identidade e raça, embora as autoridades tenham hesitado em rotular o ataque explicitamente como um ato de terrorismo de extrema-direita. 

Ele havia atraído suas vítimas para o McDonald's próximo ao shopping através de uma conta falsa no Facebook, onde prometeu dar comida grátis.

Ataque incendiário em Solingen (Alemanha)

O ataque incendiário em Solingen em 1993 foi um dos episódios mais trágicos e marcantes de violência xenófoba na Alemanha pós-reunificação. 

Na madrugada de 29 de maio de 1993, quatro jovens extremistas de direita lançaram coquetéis molotov na casa de uma família turca em Solingen, uma cidade no oeste da Alemanha.

O incêndio resultante foi devastador e levou à morte de cinco pessoas: três meninas e duas mulheres, todas membros da família Genç, que viviam na casa. Além das mortes, vários outros membros da família ficaram gravemente feridos. 

O ataque causou comoção nacional e internacional, gerando protestos em toda a Alemanha e chamando a atenção para o crescimento do racismo e da xenofobia no país.

Os perpetradores, que eram associados a grupos neonazistas, foram rapidamente identificados, julgados e condenados. 

O ataque em Solingen foi um dos vários incidentes violentos na Alemanha nos anos 90 que visavam comunidades de imigrantes, destacando problemas significativos de integração e tensão social.

Massacre da Caverna dos Patriarcas (Palestina)

O Massacre da Caverna dos Patriarcas ocorreu em 25 de fevereiro de 1994, na cidade de Hebron, localizada na Cisjordânia. 

Este trágico evento envolveu Baruch Goldstein, um colono judeu de origem americana, que entrou armado na Caverna dos Patriarcas, também conhecida como Mesquita de Ibrahim, um local sagrado tanto para muçulmanos quanto para judeus.

Durante a oração da manhã no mês sagrado do Ramadan, Goldstein abriu fogo contra os fiéis muçulmanos com uma arma automática, matando 29 pessoas e ferindo mais de 125 antes de ser dominado e morto pela multidão. 

Goldstein era membro de um movimento extremista judeu e sua ação foi amplamente condenada em Israel e internacionalmente, embora tenha recebido algum apoio de setores extremistas.

O massacre da família Dawabsheh (Palestina)

O atentado contra a família Dawabsheh foi um trágico e chocante ataque incendiário que ocorreu em 31 de julho de 2015, na vila palestina de Duma, localizada na Cisjordânia.

 Extremistas judeus foram responsáveis por lançar coquetéis molotov dentro da casa da família Dawabsheh enquanto eles dormiam.

O ataque resultou na morte imediata de Ali Dawabsheh, um bebê de 18 meses, que foi queimado vivo. 

Seus pais, Saad e Riham Dawabsheh, sofreram graves queimaduras e morreram posteriormente devido aos ferimentos.

O único sobrevivente foi Ahmad Dawabsheh, o irmão mais velho de Ali, que também sofreu queimaduras graves, mas conseguiu sobreviver após um longo período de tratamento médico intensivo.

O massacre da escola Walisongo (Indonésia)

O Massacre na Escola Walisongo ocorreu em 28 de maio de 2000 em Poso, na ilha de Sulawesi, Indonésia

No massacre, um grupo de militantes cristãos armados atacou a escola Walisongo, que era um internato islâmico. 

Eles mataram pelo menos 165 pessoas, a maioria estudantes, que foram brutalmente assassinados. 

Os atacantes incendiaram os dormitórios e bloquearam as saídas para impedir que os estudantes escapassem das chamas. Além de usar armas de fogo, os agressores também utilizaram machados e facas no ataque.

Este ato de violência foi um dos muitos incidentes durante o conflito de Poso, que foi caracterizado por uma divisão sectária aguda e frequentemente violenta entre comunidades muçulmanas e cristãs. 

A violência em Poso levou a várias ondas de ataques, massacres e deslocamentos forçados de comunidades inteiras.

Ataque no mercado de Cherkizovsky (Rússia)

O atentado no mercado de Moscou em 2006 foi um ataque terrorista ocorrido em 21 de agosto na feira de Cherkizovsky, um dos maiores e mais movimentados mercados de Moscou, Rússia. O atentado resultou na morte de 13 pessoas e ferimentos em mais de 40.

O ataque foi realizado com uma bomba caseira, que foi detonada em uma área do mercado frequentada principalmente por comerciantes de origens caucasiana e asiática central, sugerindo que o alvo era a população de imigrantes. 

Muitos dos trabalhadores e comerciantes no mercado eram de ex-repúblicas soviéticas, como Uzbequistão, Tajiquistão e Azerbaijão, que são países majoritariamente islâmicos.

Investigações subsequentes revelaram que o atentado foi perpetrado por membros de um grupo extremista nacionalista russo, que possuíam motivações xenófobas e racistas. 

Esses grupos opunham-se à presença de não-eslavos na Rússia e estavam envolvidos em várias outras atividades violentas contra imigrantes e minorias.

Vídeo de dois muçulmanos decapitados (Rússia)

Em 2007, um vídeo chocante de decapitação foi divulgado na internet pelo Partido Nacional Socialista Russo, um grupo extremista de extrema-direita. 

O vídeo perturbador mostrava o assassinato brutal de dois homens da Ásia Central e do Cáucaso, áreas cujos imigrantes frequentemente enfrentam discriminação e violência racial na Rússia. 

As vítimas foram apresentadas como sendo do Tadjiquistão e do Daguestão, dois locais de maioria islâmica

O vídeo foi intitulado "Execução de um Tajique e um Dagestani" e começava com cenas das vítimas ajoelhadas com a boca amordaçada, seguido de cenas extremamente gráficas de decapitação. 

Os assassinos, vestidos em trajes de camuflagem e máscaras, executaram os homens friamente, enviando uma mensagem de ódio racial. Antes do ato final, uma bandeira com uma suástica foi exibida, simbolizando a ideologia neonazista do grupo.

Tiroteios em Malmö (Suécia)

Os tiroteios em Malmö durante 2009 e 2010 foram uma série de ataques violentos que ocorreram na cidade de Malmö, na Suécia, e que estavam aparentemente motivados por racismo. 

Estes incidentes ficaram conhecidos como os "tiroteios de Malmö" e envolveram o ataque a indivíduos de origens imigrantes, especialmente aqueles com aparência do Oriente Médio ou da África.

Os ataques foram perpetrados por Peter Mangs, que usou uma arma para disparar aleatoriamente contra pessoas na rua, atingindo suas vítimas enquanto estavam dentro de carros, em ônibus ou simplesmente andando. 

Ao todo, três pessoas foram mortas e várias outras ficaram feridas nesses ataques. A série de tiroteios criou um clima de medo e tensão na cidade, especialmente entre as comunidades de imigrantes.

Mangs foi preso em novembro de 2010 e julgado em 2012. Durante o julgamento, ficou evidente que ele tinha motivações xenófobas e que escolhia suas vítimas baseado em sua origem étnica. 

Ele foi condenado por dois assassinatos, várias tentativas de assassinato e um caso de tentativa de homicídio grave. Mangs foi sentenciado à prisão perpétua.

Ataque em Finsbury Park (Inglaterra)

O ataque em Finsbury Park ocorreu em 19 de junho de 2017, quando um homem dirigiu uma van contra uma multidão de fiéis muçulmanos que saíam da mesquita de Finsbury Park em Londres, após as orações da noite durante o mês sagrado do Ramadã. O ataque resultou em uma morte e cerca de uma dúzia de feridos.

O motorista da van, Darren Osborne, um homem galês de 47 anos, foi rapidamente contido e detido pelas pessoas presentes no local até a chegada da polícia. 

Ele foi posteriormente condenado por homicídio e tentativa de homicídio. Investigações revelaram que Osborne foi motivado por ódio anti-muçulmano e que ele havia se radicalizado rapidamente ao consumir propaganda de extrema-direita online.

Tiroteio em Chapel Hill (Estados Unidos)

O tiroteio em Chapel Hill ocorreu em 10 de fevereiro de 2015, em Chapel Hill, Carolina do Norte, EUA. Três jovens muçulmanos — Deah Shaddy Barakat, sua esposa Yusor Mohammad Abu-Salha, e sua irmã Razan Mohammad Abu-Salha — foram mortos a tiros em seu apartamento pelo vizinho, Craig Stephen Hicks.

Hicks, que se entregou à polícia pouco depois do incidente, enfrentou acusações de três homicídios em primeiro grau. 

Ele alegou que o motivo do tiroteio foi uma disputa por vagas de estacionamento no condomínio, mas as famílias das vítimas e muitos membros da comunidade acreditavam que o crime foi motivado por ódio anti-muçulmano. 

As vítimas eram todas estudantes universitários e ativamente envolvidas em trabalhos humanitários e de caridade, sendo bem quistas na comunidade.

Outros ataques terroristas contra muçulmanos

 

Ataque 

Número de mortos

Massacre da mesquita de Kattankudy (Sri Lanka)

147

Massacre de Palliyagodella (Sri Lanka)

285

Massacre de Polonnaruwa (Sri Lanka)

157

Massacre de Malisbong (Filipinas)

+1000

Massacre de Gujarat (Índia)

790 mortos e 2500 feridos

Motins de 2020 em Deli (Índia)

53 mortos e cerca de 200 feridos

Massacre de Ogossagou (Mali)

+160

Motins anti-muçulmanos em Taungoo (Mianmar)

88

Motins no estado de Rakhine em 2012 (Mianmar)

+200

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