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Leila e seu marido Muhammad
Leila ao lado de seu marido, Muhammad Jabarin (Foto: David Vaaknin / The Washington Post)

A Muçulmana, antes Judia, que sobreviveu ao Holocausto

  • Leila Jabarin nasceu em uma família judia que foi perseguida pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. 
  • Ela conseguiu escapar da morte graças a um médico do campo de concentração que salvou a vida de sua família. 
  • Anos após o fim da guerra, Leila se mudou para Israel, se casou com Muhammad Jabarin, com quem teve sete filhos, e se converteu ao Islam.

Esta história foi narrada pelo jornal americano The Washington Post, que revelou que as marcas do holocausto não estão somente entre as pessoas que carregam a fé judaica. Leila Jabarin, de 78 anos, é mãe e avó de uma família palestina, na cidade de Umm Al- Fahm, em Israel, onde os árabes predominam.

No entanto, a história desta mulher não possui nenhuma origem ligada aos palestinos, mas sim aos judeus que foram perseguidos na Europa pelos nazistas durante o período da Segunda Guerra Mundial.

Não se sabe ao certo se os pais de Leila estavam na Áustria ou na Hungria quando ela nasceu. Sobre data estimada do nascimento dela, sabe-se apenas que foi entre os anos de 1942 e 1943. Sua mãe era húngara, seu pai era russo judeu e o seu nome de registro era outro – Helene Berschatzky.

Como ela sobreviveu

Leila e sua família contaram com uma ajuda muito especial para conseguir escapar da morte durante o holocausto, quando ela ainda era um bebê. O médico que trabalhava no campo de concentração escondeu-os no porão de sua casa, onde a recém-nascida viveu até a libertação do campo, ocorrida em 1945.

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Apesar do pouco tempo de vida que tinha nesse momento, sua memória preservou algumas lembranças tristes, como seu pijama listrado e seu esconderijo escuro. Ela também se recorda de ter visto várias bolas, que anos mais tarde entendeu que se tratavam de caveiras. “Eu decidi deixar a dor ficar na minha cabeça”, disse Leila.

Quando tudo finalmente acabou, ela viveu por algum tempo em um campo de transição na Iugoslávia e, em 1948, entrou com seus pais em um barco e a família se mudou para a cidade de Tel Aviv, em Israel. 

Como Helene virou Leila

Anos mais tarde, em sua nova terra, Leila conheceu um operário palestino que trabalhava perto de sua casa, e o rapaz lhe chamou a atenção. “Ele trabalhava duro”, disse ela, “dei a ele bastante água”. O homem era Muhammad Jabarin, que se encantou pela gentileza daquela mulher. 

Leila quis se casar com o rapaz, mas sabia que teria que enfrentar várias barreiras para ficar ao lado de Muhammad. O pai da jovem, embora não fosse religioso, queria que ela se casasse com um homem judeu. “Se você for com ele, será como voltar para Hitler”, teria dito seu pai, na ocasião. 

As reclamações do pai de Leila não causaram o efeito que ele esperava, e em 1960, ela se casou com Muhammad. No entanto, ela não abraçou o Islam naquele momento; a mudança de religião veio apenas em 1973, quando teve seu primeiro filho.

O passado revelado

Leila e seu netos
Leila Jabarin ao lado de seus netos (Foto: David Vaaknin / The Washington Post)

Leila sempre demonstrou curiosidade por assuntos relacionados ao Holocausto, mas nunca revelou a história de seu sofrimento para a sua família. No entanto, no ano de 2012, enquanto participava de uma reunião para aposentados que tinham direito a um benefício do governo, a funcionária que a atendia notou que ela falava o hebreu muito bem. 

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A funcionária se surpreendeu ao saber que Leila era de origem judaica e se impressionou ainda mais com o fato de ela ser uma sobrevivente do holocausto. Então, seu caso foi investigado e Leila entrou para um programa de sobreviventes do governo de Israel.

Depois de revelar sua história, Leila finalmente decidiu contar a seus filhos a respeito de seu passado. “Foi muito difícil ouvir a história dela”, disse seu filho Nadar. “Fiz muitas perguntas sobre a guerra e o Holocausto.”

Neste ano, em que o mundo relembra o 75º aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz, Leila contou a sua história para o fotógrafo Erez Kaganovitz, responsável pelo projeto Humans Of Holocaust, que relata com depoimentos e imagens as histórias dos sobreviventes do massacre cometido pelos nazistas, na intenção de não deixar que a vida das vítimas se torne apenas uma estatística. 

A importância do depoimento de Leila

As histórias das vítimas do holocausto são registros que, dentro de algum tempo, não se somarão mais a novos relatos, pois as pessoas que foram perseguidas já têm uma idade avançada. Por isso, é importante colher seus depoimentos, que têm tanto valor histórico.

No caso de Leila, em especial, há um fator que se destaca dos demais: “Primeiro fui perseguida por ser judia, agora sou perseguida por ser muçulmana”, afirma.

Ela assiste assustada o aumento do anti-semitismo e da violência contra muçulmanos, que motivaram, por exemplo, os tiroteios na sinagoga em Pittsburgh, nos Estados Unidos, e os recentes ataques contra a mesquita de Christchurch, na Nova Zelândia.

Em um mundo onde o ódio tem crescido constantemente, histórias como a de Leila mostram a importância de combater a intolerância. “Todo mundo deveria saber o que aconteceu com os judeus, porque poderia acontecer com os árabes.”

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