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O Islam e Muçulmanos odeiam os Judeus?

Devido a alguns conflitos, muitos pensam que as fontes sagradas do Islam ensinam os muçulmanos a odiarem os judeus, mas a realidade é bem diferente.
  • Segundo o Islam, os judeus são um dos “Povos do Livro” e receberam a mensagem de Deus por meio de profetas, entre eles Moisés.
  • O Profeta Muhammad admirou vários gestos de judeus e ensinou aos muçulmanos que devem respeitá-los.
  • Apesar dos acontecimentos históricos, antigos e recentes, judeus e muçulmanos não são inimigos naturais.

Atualmente, algumas pessoas pensam que os muçulmanos odeiam judeus, usando como argumento os conflitos envolvendo Israel e a Palestina. Mas esta guerra diz respeito a um conflito político, e não necessariamente religioso.

Outras utilizam o preconceito contra muçulmanos, dizendo que são uma ameaça aos judeus, e procuram apoiar seu argumento no Alcorão e na Sunnah do Profeta Muhammad.

Porém, boa parte desses argumentos são distorcidos e equivocados, feitos propositalmente para passar a impressão de que muçulmanos são pessoas cruéis e que a religião seguida por eles defende o preconceito e a perseguição.

Como o Alcorão vê os judeus

O Islam considera muitos profetas do povo de Israel como verdadeiros mensageiros de Deus. Homens como Abraão, José e Moisés fazem parte da legítima revelação divina. 

Os judeus são considerados pelo Alcorão um dos Povos do Livro (que receberam um dos livros de Deus, no caso, a Torá). Eles pertencem a uma grande comunidade que crê no Deus único, assim como os cristãos. Entretanto, muitas vezes, o Alcorão alerta sobre erros teológicos cometidos por essas religiões. Portanto, elas são advertidas para acreditarem na mensagem transmitida pelo último mensageiro de Allah – o Profeta Muhammad.

Uma mensagem fundamental a respeito dos filhos de Israel aparece na segunda surata do Alcorão: 

“Os crentes, os judeus, os cristãos e os sabeus, enfim, todos os que crêem em Allah e praticam o bem, no Dia do Juízo Final, receberão a sua recompensa do seu Senhor e não serão presas do temor, nem se angustiarão.” (Alcorão 2:62)

Ao longo das outras suratas, o Alcorão também se refere a tribos judaicas que viviam na Arábia e a alguns indivíduos judeus e repreende aquilo que, na visão islâmica, é considerado um erro teológico.

Ao se referir aos judeus, o Alcorão, em muitos momentos, fala daqueles que não guardaram os mandamentos dados ao Profeta Moisés e dos que se aliaram aos idólatras na Arábia. Isto era um alerta para os muçulmanos daquele tempo, quando era perigoso se aproximar de tribos judaicas próximas dos pagãos que se opunham ao Profeta Muhammad. Porém, o Alcorão não impede a coexistência pacífica com nenhuma religião.

“Ó Senhor nosso! Perdoe a nós e nossos irmãos que nos precederam na fé. Não instale em nossos corações ressentimentos para com os crentes. Nosso Senhor! Vós sois Compassivo e Misericordioso.” (Alcorão 59:10)

Aliás, o Alcorão concede aos homens muçulmanos o direito de se casarem com mulheres judias, respeitando o direito delas de praticarem sua religião. 

“Está-vos permitido casardes com as castas, dentre as crentes, e com as castas dentre aquelas que receberam o Livro antes de vós” (Alcorão 5:5)

Como o Profeta Muhammad lidava com os judeus

Muitos costumes judaicos eram vistos com admiração pelo Profeta Muhammad e alguns foram confirmados por ele, sendo inseridos nos hábitos islâmicos, como a celebração do Yom Kippur, que para os muçulmanos se tornou o jejum no dia de Ashura, dia em que o Profeta Moisés liberta os israelitas do Faraó, e que o Profeta Noé deixa a Arca. Também é relatado por algumas fontes que este é o dia em que o Profeta Muhammad chega em Medina, fugindo de Meca

“Quando o Profeta (Muhammad) chegou em Medina, encontrou judeus fazendo o jejum no décimo dia de Muharram e perguntou-lhes por que jejuavam. Eles disseram: este é um dia abençoado. Neste dia, Allah salvou os filhos de Israel dos seus inimigos (no Egito), então o Profeta Moisés jejuou para agradecer a Allah.”

O Profeta Muhammad, como forma de comparar seu êxodo de anos de perseguição em Meca ao êxodo de Moisés da opressão do Egito, disse:

“Nós estamos mais próximos de Moisés do que vocês.” Portanto, ele jejuou naquele dia e ordenou aos muçulmanos que também jejuassem. (Bukhari

Muitas pessoas que acusam os muçulmanos de serem anti-semitas costumam citar a execução dos homens da tribo dos Banu Quarayza, dizendo que o Profeta odiava os judeus, mas esta história possui um contexto que precisa ser entendido.

Quando os muçulmanos se estabeleceram em Medina após a Hégira, o Profeta Muhammad fez um tratado de paz com os judeus e estabeleceu na Constituição de Medina que eles tinham direito de exercer sua religião livremente. 

Este acordo foi feito para que os muçulmanos tivessem proteção e não fossem massacrados pelos coraixitas, a tribo pagã de Meca que, naquela época, perseguia-os.

O tratado com os judeus de Medina consistia em estabelecer lealdade entre judeus e muçulmanos. Mas ele não foi respeitado pelas tribos judaicas e os adeptos do Islam foram entregues aos seus opressores.

Os muçulmanos conseguiram vencer os coraixitas. Os judeus que participaram daquela conspiração foram julgados e punidos com a morte, com base nas leis da Torá. Isso aconteceu porque traíram o acordo que fizeram, e não porque seguiam outra religião.

“Porém, se ela não fizer paz contigo, mas antes te fizer guerra, então a sitiarás. E o Senhor teu Deus a dará na tua mão; e todo homem que houver nela passarás ao fio da espada. Porém, as mulheres, as crianças, e os animais, e tudo que houver na cidade, todo o seu despojo, tomarás para ti; e comerás o despojo dos teus inimigos, que te deu o Senhor teu Deus.” (Deuteronômio 20:12-14)

Aliás, Rabi Mukhayrik, um rabino da tribo Banu Nadir, lutou junto com os muçulmanos contra o exército dos coraixitas e legou toda sua riqueza ao Profeta Muhammad. Mais tarde, o Mensageiro de Deus o chamou de “O melhor dos judeus”.

O Profeta sempre teve consideração por outras religiões. Durante o cortejo fúnebre de um judeu, ele ensinou aos muçulmanos a mostrarem respeito por pessoas de todas as crenças:

“Um cortejo fúnebre passou na frente do Profeta e ele se levantou. Quando lhe disseram que era o caixão de um judeu, ele disse: “Não é (a alma de) um ser vivo?” (Bukhari)

Ele também proibiu que os muçulmanos fizessem agressões a pessoas de outras religiões.

“Quem prejudicar um não-muçulmano em paz conosco nunca vai sentir a fragrância do Paraíso, embora essa possa ser sentida a uma distância de quarenta anos de viagem” (Bukhari).

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