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Por que o Feminismo é Anti-Islâmico

Por que o Feminismo é Anti-Islâmico

Uma das principais feministas muçulmanas escreveu uma vez que os muçulmanos precisam se sentir confortáveis em dizer “não” ao Alcorão. Bem, é hora dos muçulmanos se sentirem à vontade em dizer “não” ao feminismo.

Eu conheci minha esposa quando éramos estudantes universitários em Harvard. Nos considerávamos ambos feministas quando éramos jovens adultos, porque vimos em primeira mão e ouvimos falar dos danos causados pelo abuso doméstico contra as mulheres.

Ambos sentimos um forte desejo de lutar contra esse abuso e impedir que outras mulheres se machucassem, seja emocional ou fisicamente. Sentimos um forte desejo de trabalhar por um mundo onde mulheres e meninas vivessem com respeito, bondade, amor, apoio e com toda a medida de direitos que todas as pessoas merecem. Ainda nos sentimos assim. Ainda sentimos esse desejo urgente.

Da nossa perspectiva, então, o feminismo parecia ser o melhor caminho para esse mundo. Entretanto, a cada ano que passava, percebíamos que ele não era uma solução, sendo, na verdade, parte de um problema muito maior.

Os problemas da filosofia feminista são imensos. Desde o início, o feminismo começou como um movimento anti-religioso e anti-família. Não é apenas uma de suas vertente que é corrosiva para a fé islâmica. Por mais difícil que seja para alguns muçulmanos ouvir isto, são todas as vertentes.

Para perceber isso, basta ler os escritos de todas as teóricas feministas mais notáveis da história, da “primeira onda” do feminismo até a “terceira onda”, e essa conclusão é inegável (veja exemplos mais abaixo).

Os muçulmanos precisam entender os problemas do feminismo, porque muitos deles hoje se consideram feministas, em sua maioria pelas mesmas razões pelas quais minha esposa e eu adotamos uma identidade feminista em nossa juventude.

Isso é perigoso porque, como eu e minha esposa descobrimos, o feminismo contém muitas coisas que são opostas ao Islam e colocam em risco a fé islâmica. Existem conflitos superficiais entre o Islam e o feminismo, e também existem contradições mais profundas.

É necessário detalhar meticulosamente esses problemas, mas, no que diz respeito aos muçulmanos, podemos começar simplesmente julgando uma árvore por seus frutos. Temos que nos perguntar: por que tantas feministas muçulmanas acabam deixando o Islam?

Os Números

As mulheres que se identificam como feministas têm muito menos probabilidade de serem religiosas do que a população feminina em geral. [1] Na população em geral, cerca de 7 em 10 mulheres dizem ser filiadas a uma religião organizada, como Judaísmo, Cristianismo, Islam, etc. Entre as mulheres feministas, no entanto, apenas 1 em cada 10 relata tal afiliação. [2]

Isso indica uma tendência de abandono da fé pelas mulheres devido ao feminismo? Outras estatísticas dão suporte a esta afirmação: por exemplo, entre 1993 e 2013, o número de mulheres não-religiosas triplicou nos EUA. [3]

A quantidade de pessoas não religiosas em geral também aumentou nesse intervalo de tempo, mas o que é particularmente revelador é que o crescimento demográfico das mulheres não religiosas superou o aumento geral. Em 1993, 16% dos ateus e agnósticos eram mulheres, mas em 20 anos esse número quase triplicou para 43%. [4]

Os analistas afirmam que é a disseminação da ideologia feminista e secular através da mídia de massas e, cada vez mais, a internet e redes sociais, as responsáveis por esse aumento na irreligiosidade. [5]

Além das estatísticas, muitos de nós já vimos essas tendências à nossa volta na comunidade muçulmana, ao ponto de se tornar um clichê. Hoje em dia, mulheres e homens que deixaram o Islam estão escrevendo exatamente o que os levou à sua apostasia. Assim sendo, nem precisamos especular sobre as causas. [6]

Eles falam explicitamente: o Islam, o Alcorão e o Profeta ﷺ facilitam o patriarcado e a opressão. Em outras palavras, o Islam não é feminista; portanto, como uma feminista poderia ser muçulmana?

Repercussão

Os auto-intitulados muçulmanos feministas contestam fortemente que seu feminismo os colocou no caminho da apostasia. E, para ser claro, não estou afirmando que todo mundo que se considera feminista muçulmano hoje acabará apostatando. Repito: não estou afirmando que todos que hoje se consideram feministas muçulmanos acabarão apostatando.

Dito isto, nem todo mundo que é jogado em águas infestadas de tubarões será vítima de tubarões, mas as chances não são favoráveis. Os nadadores mais fortes podem sair da água machucados e ensanguentados, embora ainda respirando, mas todo o resto é comida de tubarão.

O feminismo também devorou faixas inteiras da comunidade muçulmana. Se nos preocupamos com o iman (fé) em geral e da próxima geração em particular, não podemos mais ignorar esse movimento.

Para resolver um problema, é preciso primeiro reconhecer que ele existe. Essa tem sido a minha frustração e a dos outros. A comunidade muçulmana, especialmente nos EUA, não quer reconhecer que o feminismo é nocivo e uma ameaça direta à fé.

Isso ocorre porque dizer tudo isso é politicamente incorreto, a tal ponto que ativistas desviados atacam com fúria qualquer um que não seguir satisfatoriamente a linha do movimento.

Todavia, por mais desconfortável que seja, devemos enfrentar os agressores. O silêncio deve ser quebrado, e é responsabilidade dos líderes religiosos, imames e sábios começarem a dar nome aos bois. Os riscos são muito altos e o resultado do mal-estar feminista de hoje não será plenamente percebido até mais tarde. Em dez anos ou talvez até cinco, iremos olhar para trás e questionar o que deu errado, mas será tarde demais. É preciso agir agora.

Meu objetivo neste ensaio é comprovar que o feminismo é um caminho para a apostasia. A esperança é que, se os muçulmanos entenderem esse caminho, eles o reconhecerão quando o virem à sua volta (ou dentro de si) e serão inspirados a se manifestar contra ele (ou a reconsiderar seu próprio caminho, assim como minha esposa e eu fizemos muitos anos atrás).

Sem mais delongas, eis a trajetória que leva do feminismo islâmico até a apostasia.

Estágio 1

Tudo começa com queixas legítimas sobre a maneira como alguns muçulmanos tratam algumas muçulmanas. Há abuso doméstico em nossa comunidade, tanto físico quanto emocional. Existem mesquitas e instituições islâmicas que ignoram as necessidades e preocupações das mulheres.

Em algumas das culturas de países muçulmanos ao redor do mundo, as meninas são submetidas a padrões desiguais em relação aos meninos, de maneira profundamente injusta. O que mais dói é que às vezes as partes responsáveis, de forma egoísta e ignorante, procuram justificar suas práticas de abuso e negligência citando o Alcorão ou certos Hadiths (ditos do Profeta ﷺ).

A solução para esses problemas não é o feminismo. A solução está em substituir a ignorância pelo verdadeiro conhecimento islâmico. Esse é o conhecimento que vem dos verdadeiros estudiosos (ulemá), ou seja, aqueles ulemá que não estão sob a influência sufocante do modernismo, do libertarianismo e do próprio feminismo.

Infelizmente, porém, é difícil encontrar o verdadeiro conhecimento, de modo que mulheres (e homens) muçulmanos se voltaram para o feminismo como um veículo para expressar sua frustração e seu trauma. É assim que os muçulmanos entram no caminho feminista, e os resultados foram um desastre absoluto.

Se o abuso de mulheres é uma doença, os preceitos e a ética islâmicos são a cura natural, “orgânica” e saudável, enquanto o feminismo é um tratamento químico tóxico, que pode até se livrar da doença, mas quase leva o paciente a óbito e cria dez outras doenças em seu lugar.

Como o feminismo entende o abuso doméstico, a negligência nas mesquitas etc.? Gritando: “Patriarcado!”. Dizem-nos que o problema são os homens em conjunto (assim como as mulheres que “internalizaram” o patriarcado). São os homens “como categoria”, dizem-nos, que querem dominar as mulheres, abusá-las e tirar vantagem delas.

Isso é uma linguagem ilegítima usada para resolver um problema legítimo. Mas, então, essa linguagem aos poucos vai assumindo o controle…

Estágio 2

No Estágio 1, o problema eram os abusos reais de certos homens (e mulheres). No estágio 2, os problemas se tornam mais abstratos e conceituais.

  • Por que o painel da conferência islâmica não inclui nenhuma mulher?
  • Por que o pôster do evento tem fotos dos oradores masculinos, mas apenas ícones genéricos para representar as oradoras femininas?
  • Por que um imam, homem, está falando sobre o hijab e sobre o que as mulheres devem vestir?
  • Por que os muçulmanos estão preocupados com o que as mulheres vestem?
  • Por que os homens e as mulheres têm de ficar separados nas mesquitas?
  • Por que a separação de gênero (também conhecida como “apartheid de gênero”) ainda é pertinente nos dias de hoje?
  • Por que os homens muçulmanos não admitem seus privilégios masculinos?
  • Por que a modéstia é tão importante assim?
  • Como os homens podem se atrever a falar sobre os problemas das mulheres?
  • Como os homens podem se atrever a opinar sobre o feminismo? (Já que o feminismo acusa os homens de oprimir sistematicamente metade da população, se poderia pensar que os acusados deveriam ter a oportunidade de se defender de acusações tão graves – mas não, isso seria “mansplaining“!), etc., etc.
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A resposta automática para todas essas perguntas é, obviamente, a mesma do Estágio 1: “Patriarcado!”.

Diferentemente do Estágio 1, os problemas do Estágio 2 não são definidos por uma compreensão engessada do Islam e de sua tradição normativa. Eles são definidos e colocados pelo discurso feminista e liberal ocidental.

Isso é evidente pelo fato de que os feministas muçulmanos do estágio 2 se opõem a coisas que têm bases sólidas na lei islâmica e na tradição dos estudiosos, como separação de gênero, modéstia, códigos de vestimenta, a limitação da visibilidade das mulheres e de sua interação com homens não mahram (que não possuem parentesco direto com elas), etc.

Mas, geralmente, os feministas do Estágio 2 ignoram todos esses aspectos da erudição islâmica tradicional; e, quando são informados de que essas práticas estão firmemente enraizadas na erudição islâmica, acabam progredindo para o…

Estágio 3

No Estágio 3, é a própria erudição islâmica que é alvo de críticas. No Estágio 2, as queixas eram sobre as práticas e atitudes dos muçulmanos contemporâneos. Mas, agora, essa ira se estende aos muçulmanos do passado, especificamente aos ulemás.

Se o patriarcado, sendo um sistema abrangente, é a fonte de tanta opressão das mulheres hoje, imagina o feminista, então é lógico que essa opressão existia da mesma maneira, se não maior, no passado. Em outras palavras, o feminista nesse estágio se pergunta: Quem garante que os estudiosos do Islam ao longo da história não tenham trabalhado com base nessas mesmas suposições e por meio dos mesmos modos misóginos de pensamento que vemos nos eruditos de hoje?

E quando olhamos para os escritos dos gigantes da erudição islâmica, eles de fato estão cheios do tipo de material que o feminismo considera representativo do mais vil patriarcado e da misoginia. Por esse motivo, você encontrará muitas muçulmanas no Estágio 3 que começaram com entusiasmo a buscar o conhecimento sagrado (ilm) com os ulemás ou nas matérias de estudos islâmicos na universidade, e, depois que se depararam com esses textos, ficaram a tal ponto horrorizadas com eles que acabaram perdendo o encanto pela erudição islâmica, passando a considerar que ela está toda contaminada pelo patriarcado nauseante.

Nesse estágio, o feminista muçulmano se contenta com a ideia de que somente o Alcorão e os Hadiths proféticos são confiáveis, porque “essas são as únicas coisas não contaminadas e não filtradas pelas horríveis distorções dos homens”. Mas então, até o Alcorão e os Hadiths começam a ficar ameaçados…

Estágio 4

Alcorão, 4:34. Alcorão, 2:228. Duas testemunhas. Herança. Menos aql (capacidade intelectual), menos din (religião). A maioria das pessoas do fogo. “Se eu pudesse ordenar às pessoas que se prostrassem diante de um ser humano” – e por aí vai.

Como o feminista muçulmano pode reconciliar tudo isso? Como a revelação de Allah pode conter não uma ou duas, mas diversas expressões aparentes de misoginia? Essa ideia se torna uma fonte de ilusão, à medida que o feminista na transição do Estágio 3 para o Estágio 4 procura soluções:

  • “Bem, talvez essas coisas tenham sido mal interpretadas.”
  • “Talvez se dobrarmos, contorcermos e ampliarmos o alcance do texto, possamos explicar este versículo ou este hadith.”
  • “Talvez possamos reconciliar a revelação que foi vista e entendida como o auge da eloquência, da sabedoria e da justiça pelas pessoas do século 7 (e 8 e 9 e 10 e…) com as divagações incoerentes dos professores de estudos seculares de gênero dos séculos 20 e 21.”Talvez, talvez! Tudo é possível!

Essa atitude ingênua só pode ser sustentada por algum tempo e apenas por conta da ignorância da enorme quantidade de versículos do Alcorão e hadith que cospem na face do feminismo moderno. Quanto mais ciente desses versículos e hadiths for o feminista muçulmano, maior a probabilidade de ele prosseguir para o Estágio 4.

O feminista muçulmano do Estágio 4 percebe que a única maneira de fazer a quadratura do o círculo e reconciliar absolutamente o feminismo com a totalidade do Islam é negar a divindade do Alcorão e negar a aplicabilidade da Sunnah Profética.

No Estágio 4, você encontrará reformadores muçulmanos que dizem coisas como: “Devemos dizer não ao Alcorão”. Encontrará reformadores que chegam ao ponto de insultar os profetas e chamá-los de nomes desprezíveis. Tudo isso porque… você adivinhou: “Patriarcado!”

No Estágio 4, torna-se possível proferir blasfêmias casualmente. Também se torna possível defender coisas como mulheres liderarem uma congregação mista em oração, mulheres muçulmanas poderem se casar com homens não-muçulmanos, a permissão de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, a aceitação do transgenerismo, a permissibilidade do adultério e da fornicação (zina) – e assim por diante.

Isso ocorre porque as pessoas que estão no Estágio 4 não apenas renunciaram a todo e qualquer precedente erudito, mas também não acreditam que existam uma Sharia ou Sunnah objetivas e dotadas de autoridade que possam ditar o comportamento de um muçulmano.

Qualquer um que pretenda falar com autoridade sobre “O que Allah ordena” é imediatamente denunciado como um opressor patriarcal (“autoridade” é um conceito patriarcal de qualquer maneira, de acordo com eles).

No entanto, não há muitos feministas muçulmanos que ficam no Estágio 4, porque torna-se praticamente impossível justificar todas essas coisas e ainda se considerar muçulmano. O nível de dissonância cognitiva necessária para manter essa identidade é incapacitante, e o fato de a comunidade muçulmana em geral também ser (com razão) antagônica à blasfêmia e não acreditar nas manifestações exteriores de Islam provenientes desses indivíduos os torna cada vez mais amargos por serem muçulmanos. E assim que chegamos ao…

Estágio 5

A angústia mental e o tormento do Estágio 5 são insuportáveis, e não é preciso muito neste momento para empurrar a pessoa além do limite.

Se Allah é igualitário em matéria de gênero, por que se refere a si mesmo como “Ele” na revelação, em vez de “Ela”? Por que o primeiro ser humano foi homem e não mulher? Por que a maioria das narrativas históricas do Alcorão é sobre homens e não mulheres? Por que o último Profeta de Allah foi homem e não mulher? Por que a revelação de Allah veio até nós através de um homem e não de uma mulher?

Essa enxurrada de perguntas simples, mas enlouquecedoras, leva essas pessoas à beira do penhasco do kufr (incredulidade) e da irtidad (apostasia). Então o mesmo pensamento que os conduziu ao longo de todo esse caminho lhes dá um empurrão final no abismo:

Por que Allah permite que o patriarcado exista? Ele não se importa com a subjugação e o estupro de bilhões de mulheres inocentes ao longo dos milênios?

A única resposta que o feminismo pode fornecer nesse estágio é a única resposta que poderia fornecer em qualquer estágio: a religião inteira não passa de uma mentira inventada pelos homens para controlar as mulheres.

Fim

O perigo do feminismo é o efeito dominó. Quando uma pessoa começa a explicar tudo em termos de “patriarcado!”, o resto é apenas uma questão de tempo.

Isso ocorre porque a lógica de analisar toda injustiça invocando o patriarcado é muito generalizante (mas não menos imprecisa, enganosa e destrutiva).

Os feministas no Estágio 5 são simplesmente mais honestos, mais coerentes intelectualmente do que os feministas nos Estágios 1, 2, 3 e 4. Os do Estágio 5 descobriram todas as implicações do feminismo e tiveram a coragem de seguir em frente até o amargo fim.

Desde sua primeira Onda

O leitor pode perguntar: “Qual ramo, nível ou definição de feminismo é realmente o problema aqui?”. A verdade é que é o próprio feminismo, em sua essência, em sua generalidade, é que é o problema. Para fazer uma analogia, a maioria de nós reconhece que o racismo é um problema e que o racismo contra pessoas de uma determinada cor ou etnia é tóxico para a fé.

Na realidade, no entanto, o racismo dentro da ideologia do KKK não é exatamente o mesmo que o racismo dentro da ideologia dos neonazistas ou da “Alt-Right”. Há nuances. Mas isso realmente importa quando a ideia central do racismo é compartilhada entre todos os grupos díspares?

Para deixar claro, meu argumento não é que o feminismo é problemático por ser uma ideologia racista. O problema – ou um dos problemas, entre muitos outros – é simplesmente que, de maneira regular e sistemática, a adoção de uma visão feminista leva os muçulmanos a crises de fé e abandonar o Islam por completo.

Isso não é uma coincidência ou uma anomalia estatística. Quando entendemos o processo dos muçulmanos que progridem do Estágio 1 ao Estágio 5, fica claro como isso acontece. E se ainda não estamos convencidos, podemos olhar para as raízes do próprio feminismo, expressas por algumas de suas figuras mais notáveis ao longo da história.

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O feminismo foi contrário à religião desde o início. De fato, as figuras mais proeminentes de cada onda do feminismo eram violentamente anti-religiosas.

Desde seu início no século XIX, quando era um movimento social pelo sufrágio feminino, o feminismo, em sua “primeira onda”, teve como alvo a religião tradicional, entendida como fonte da subjugação das mulheres. As primeiras pensadoras feministas acreditavam que as instituições religiosas não apenas contribuíam para enfraquecer os direitos das mulheres, mas também eram a fonte original da qual emergiram as crenças e práticas anti-mulheres.

Susan B. Anthony, uma das figuras centrais do movimento pelo sufrágio feminino, observou: “O pior inimigo que as mulheres têm está no púlpito.” [7]. Anthony criticava frequentemente a religião tradicional e era considerada agnóstica por quem a conhecia pessoalmente.

Entre suas declarações sobre religião inclui-se a seguinte: “Que criatura terrível o Deus deles deve ser, para continuar enviando ao mundo bocas famintas enquanto nega o pão para enchê-las!” [8]. Sobre a ideia da religião organizada em particular, Anthony declarou: “Não consigo imaginar um Deus do universo que fique feliz por eu me ajoelhar e chamá-lo de grandioso. ” [9]

Outra feminista da “primeira onda” do século XIX, Helen H. Gardener, escreveu longamente sobre os “crimes” e os “abusos” da Bíblia e do cristianismo no tratamento das mulheres:

“Esta religião e a Bíblia exigem da mulher tudo e não lhe dão nada. Eles pedem seu apoio e seu amor e a retribuem com desprezo e opressão […] Toda injustiça que já foi feita às mulheres em um país cristão foi ‘autorizada pela Bíblia’ e rebitada e perpetuada pelos púlpitos.” [10]

O desprezo de Gardener pela religião, no entanto, não era limitado ao Cristianismo. Ela comenta em seu livro Homens, Mulheres e Deuses:

“Mesmo que uma religião reivindique uma origem sobre-humana – e acredito que todas reivindicam isso –, ela deve ser verificada pela razão humana, e se nossos sentimentos morais mais elevados se revoltarem contra qualquer um de seus ditames, esses ditames devem ser excluídos, pois a única coisa boa de qualquer religião é sua moralidade, e a moralidade não tem nada a ver com a fé. Uma tem a ver com ações corretas neste mundo, a outra com quantidades desconhecidas no próximo. Uma é uma necessidade do tempo; a outra, um sonho da Eternidade. A moralidade depende da evolução universal. A fé depende de uma ‘revelação’ especial, e nenhuma mulher pode se dar ao luxo de aceitar qualquer “revelação” que já tenha sido oferecida a este mundo.”

“Que Moisés ou Confúcio, Muhammad ou Paulo, Abraão ou Brigham Young afirmem que seu dogma específico veio diretamente de Deus e que ele era uma comunicação pessoal para um ou todos esses indivíduos favorecidos, é um fato que não pode ter poder algum sobre nós, a menos que seus ensinamentos estejam em harmonia com nossos pensamentos mais elevados, nossos propósitos mais nobres e nossa mais pura concepção de vida. Qual deles pode suportar o teste? Nenhuma ‘revelação’ conhecida hoje pelo homem pode olhar para o século XIX e dizer: ‘sou correspondente ao seu desenvolvimento mais rico; ainda lidero o seu pensamento mais elevado; nenhum dos meus ensinamentos choca seu senso de justiça.” [11]

Podemos encontrar essa animosidade em relação à religião nos escritos e discursos de muitas das feministas mais importantes da primeira onda, entre as quais Elizabeth Cady Stanton, que comandou a redação da subversiva “Bíblia das Mulheres”.

Se os feministas muçulmanos de hoje escrevessem “O Alcorão das Mulheres”, estariam alcançando as feministas de mais de 100 anos atrás que fizeram parte da primeira onda, que era supostamente a menos radical e a menos objetável das ondas feministas.

Porém, o ânimo anti-religioso não termina aí. Considere a chamada “segunda onda”. A filósofa que diz ter introduzido essa onda gloriosa é Simone de Beauvoir, que expressou sua oposição à religião da seguinte maneira:

“O homem desfruta da grande vantagem de ter um deus endossando o código que escreve; e, como o homem exerce uma autoridade soberana sobre as mulheres, é especialmente afortunado pelo fato de essa autoridade ter sido investida nele pelo Ser Supremo. Para os judeus, maometanos e cristãos, entre outros, o homem é mestre por direito divino; portanto, o temor de Deus reprimirá qualquer impulso à revolta na mulher oprimida.” [12]

Sobre religião, a proeminente feminista da segunda onda, Gloria Steinem, afirma: “É um trabalho incrivelmente canalha, quando você pensa nisso, acreditar em algo agora (nesta vida) como barganha para a vida após a morte. Nem as empresas, com todos os seus sistemas de recompensa, tentam oferecer ganhos póstumos.” [13]

Em uma entrevista recente, Steinem foi questionada: “Qual você acha que é o maior problema do feminismo hoje?” “Um assunto sobre o qual não falamos o suficiente é religião. Eu acho que a espiritualidade é uma coisa, mas a religião é apenas política no céu. Acho que realmente precisamos conversar sobre isso, porque ela ganha poder com o silêncio.” [14]

Com a terceira onda, a animosidade em relação à religião organizada só se intensifica, mas assume formas diversas, entre as quais a forma de devoção à “religião alternativa” e à “espiritualidade não-denominacional”.

Professora da disciplina de Mulheres, Gênero e Sexualidade, Susan Shaw argumenta que, à luz de instituições religiosas tradicionais como a Igreja, a Mesquita e a Sinagoga, “o patriarcado é a religião predominante no planeta”, e diz:

“O mundo tem um problema de gênero de proporções religiosas. Precisamos de uma reforma, talvez uma revolução, para derrubar os altares do poder masculino e reconstruir um santuário global de inclusão, igualdade, justiça, paz e amor.” [15]

A filósofa feminista lésbica radical Mary Daly acreditava que a religião era intrinsecamente opressora para com as mulheres, e caracterizou isso dizendo: “A mulher pedindo igualdade na Igreja seria comparável a um negro pedindo igualdade na Ku Klux Klan”. [16]

Daly também observou em seu provocativo ensaio “Sin Big” (Peque Grande ou Peque Muito em tradução direta): “A palavra ‘pecado’ deriva da raiz indo-européia ‘es-,’ que significa ‘ser’. Quando descobri essa etimologia, compreendi intuitivamente que, para uma [pessoa] presa no patriarcado, que é a religião do planeta inteiro, ‘ser’ no sentido mais amplo é ‘pecar’.” [17]

No ensaio, Daly incentiva as mulheres a terem “coragem de pecar”; o pecado, no sentido religioso, é concebido como a forma mais alta de protesto contra o patriarcado. A subversão do patriarcado anda de mãos dadas com a subversão das normas religiosas. De fato, não existe distinção entre os dois, já que religião é patriarcado e patriarcado é religião. Destruir um é destruir o outro.

O cânone feminista está saturado de visões igualmente subversivas, o suficiente para preencher vários volumes. É claro que essa subversão religiosa e blasfema se refletem nos próprios feministas muçulmanos (especialmente os do estágio 5). A pessoa aprende com seus os professores, mesmo ferindo a si mesma.

Dada a onipresença do sentimento causticamente anti-religioso em todas as vertentes do pensamento feminista ao longo da história, como imaginar que a adoção de tal ideologia, sob qualquer configuração ou forma, poderia deixar de deteriorar a fé de um muçulmano?

Um outro caminho

Mais uma vez digo: minha esposa e eu nos consideramos feministas em certo momento de nossa vida, mas louvado seja Allah, rapidamente percebemos para onde leva o caminho feminista. Ainda assim, abandonar o feminismo não representou uma solução completa, dada a realidade de que algumas mulheres sofrem severas injustiças na vida.

Além disso, como o fato de a lei islâmica ter disposições diferentes para os dois sexos pode ser reconciliado com um senso geral de justiça e igualitarismo? Essas foram perguntas que nos incomodaram, mas o início da resposta veio quando percebemos que talvez precisássemos reconfigurar nosso senso de justiça e igualitarismo. E que melhor maneira de reconfigurar senão com a Fonte da Justiça e da Misericórdia, em Suas próprias palavras?

“Ó Senhor nosso, de fato ouvimos um apregoador chamando à fé, [dizendo]: ‘Acredite em seu Senhor’, e assim cremos. Ó Senhor nosso, perdoa então nossos pecados, remove de nós nossas faltas e nos faz morrer com os corretos. Ó Senhor nosso, concede-nos o que prometeste através de Teus mensageiros e não nos desonres no Dia da Ressurreição. De fato, Tu não falhas na [Tua] promessa.” E o Senhor lhes respondeu:“ Nunca permitirei que se perca a obra de [qualquer] obreiro entre vós, seja homem ou mulher; vós provindes uns dos outros. Portanto, aqueles que migraram, ou foram despejados de suas casas, ou foram prejudicados por Minha causa, lutaram ou foram mortos – certamente removerei deles seus malfeitos e certamente os admitirei em jardins sob os quais correm os rios, como recompensa de Allah, e Allah tem com Ele a melhor recompensa.” Não te deixes enganar pelo movimento [desinibido] dos descrentes em toda a terra. [É apenas] um pequeno prazer; então seu refúgio [final] é o inferno, um miserável local de descanso.” [18]

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Além disso, Allah diz: “Em verdade, te revelamos, [ó Muhammad], o Livro, confirmando as Escrituras que o precederam e como critério para elas. Portanto, julga entre eles com o que Allah revelou e não sigas as inclinações deles, afastando-te do que te chegou da verdade. Para cada um de vós prescrevemos uma lei e um método. Se Allah quisesse, teria feito de vós uma única nação [unida na religião], mas pretende testá-los com o que Ele lhes deu; correi, pois, para [tudo que é] bom. A Allah retornareis todos, e Ele [então] vos informará sobre aquilo quanto a que costumáveis diferir.” [19]

Allah não desperdiçará o trabalho de ninguém, seja homem ou mulher, e só nos julgará por aquilo com o que Ele nos testou, nada mais, nada menos. As mulheres não serão julgadas de acordo com o que os homens receberam e os homens não serão julgados de acordo com o que as mulheres receberam.

Este é o padrão de justiça de gênero que Allah nos dá no Alcorão. Não é o caso de homens e mulheres estarem sujeitos à mesmíssima lei prescrita. Não é o caso de homens e mulheres serem encarregados das mesmíssimas responsabilidades. E não é o caso que homens e mulheres são dotados das mesmíssimas características.

Assim como Allah criou diferentes variedades de seres – anjos, gênios, nuvens, montanhas, animais, etc. – e atribuiu a cada classe de seres sua própria posição e papel na Criação, da mesma forma Ele criou homens e mulheres de maneira diferente, mas que ainda “provêm uns dos outros” (ba dukum min bad). Muçulmanos e muçulmanas devem se apoiar mutuamente nestes tempos difíceis e confusos.

Além disso, todos os tipos de abusos e maus-tratos aos quais mulheres do Estágio 1 estão reagindo podem ser totalmente resolvidos pelas normas e diretrizes islâmicas estabelecidas pelo Alcorão e pela Sunnah. O Profeta ﷺ resume essas diretrizes em sua declaração: “Os melhores dentre vós são os melhores para suas esposas, e eu sou o melhor dentre vós com minhas esposas.” [20]

Em relação ao abuso físico, o Profeta ﷺ observou especificamente: “Muitas mulheres foram à família de Muhammad reclamando de seus maridos. Aqueles que fazem isso, ou seja, aqueles que batem em suas esposas, não são os melhores entre vós.” [21]

Porém, o abuso que muitas mulheres sofrem não se limita ao físico. Abuso emocional e negligência podem ser ainda mais devastadores do que os golpes físicos. Muitas muçulmanas não se sentem valorizadas por seus maridos, muito menos respeitadas. Algumas sentem que não passam de empregadas domésticas em suas próprias casas. No entanto, no Alcorão, na Surata al-Mujadila, o próprio Allah diz que: “Certamente [Ele] ouviu o discurso daquela que argumentou contigo [ó Muhammad] a respeito do marido e que dirigia sua queixa a Allah”. [22]

Allah, Mestre de tudo o que existe, manifesta Sua consideração e misericórdia ao ouvir as queixas de mulheres maltratadas. Como, então, um marido muçulmano pode ser tão insensível e de coração frio a ponto de ignorar as necessidades emocionais de sua própria esposa?

Além disso, uma análise detalhada da vida do Profeta ﷺ e de seus Companheiros mostra que eles nunca recorreram ao menosprezo e ao insulto e nunca denegriram mulheres, fossem suas esposas, irmãs ou filhas. Muitas narrações relatam como esses homens abençoados tomaram cuidados extremos para serem emocionalmente sensíveis a suas esposas e para atender aos direitos delas com ihsan, isto é, excelência espiritual. [23]

Muito mais poderia ser dito sobre esses e outros pontos. Por enquanto, como muçulmanos, devemos redobrar nossa confiança no poder do Islam, não no “Islam feminista”, para combater a injustiça. O exemplo profético é o nosso modelo e padrão para a justiça de gênero, não as reflexões (muitas vezes anti-religiosas) de Susan B. Anthony, Simone de Beauvoir, Betty Friedan, Gloria Steinem ou Bell Hooks.

E, finalmente

Imploro aos imames, sábios da religião e líderes que levem mais a sério a necessidade de abordar assuntos que, de outra forma, seriam desconfortáveis, como o feminismo, que há muito tempo são evitados.

Evitar esses assuntos poderia ter sido admissível nos dias que antecederam a internet e as mídias sociais, quando o muçulmano comum poderia viver sem ser bombardeado com propaganda anti-islâmica. Hoje, porém, é provável que o silêncio apenas alimente uma crescente insatisfação e desencanto com o Islam e com os estudos islâmicos.

Isso ocorre porque não se pode esconder indefinidamente das massas os versículos do Alcorão, hadith, suras, etc., que sejam “controversos”. As pessoas os descobrirão, sobretudo porque ateus e ativistas liberais assumiram para si a missão de “desmascarar” o Islam e estão colocando essas tradições sob os holofotes.

À medida que as massas muçulmanas descobrirem essas informações, elas se sentirão profundamente confusas e traídas e deixarão o Islam em massa. Esse processo já está em andamento. Basta ler os mais destacados meios de comunicação social feministas muçulmanos e os sites dedicados às questões das mulheres muçulmanas para ver o crescente antagonismo e furor contra o Islam ortodoxo.

Em vez de dar carta branca ao feminismo para causar estragos na ummah (comunidade islâmica), precisamos redobrar nossos esforços para criticar e desconstruir o feminismo sobre bases intelectuais e acadêmicas. Trazer à tona tais críticas está além do escopo deste breve ensaio, mas elas virão em breve inshaAllah. No fim, o desmantelamento do feminismo proporcionará aos muçulmanos o espaço intelectual e emocional de que precisam para entender adequadamente a visão islâmica sobre os gêneros e as relações de gênero e ver quão grande é a superioridade do Islam, em termos de justiça e misericórdia, em relação ao que o feminismo tem a oferecer.

Notas

[1] Aune, Kristin. “Much Less Religious, A Little More Spiritual.” Feminist Review, vol. 97, no. 1, Mar. 2011, pp. 32–55., link.springer.com/article/10.1057%2Ffr.2010.33. Accessado 16 Aug. 2017.

[2] Aune, Kristin. “Why Feminists Are Less Religious.” The Guardian, Guardian News and Media, 29 Mar. 2011, www.theguardian.com/commentisfree/belief/2011/mar/29/why-feminists-less-religious-survey. Acessado 16 Aug. 2017.

[3] Marcotte, Amanda. “America Is Losing Religion: Why More and More Women Are Embracing Non-Belief.” Alternet, 14 May 2015, www.alternet.org/belief/america-losing-religion-why-more-and-more-women-are-embracing-non-belief. Acessado 16 Aug. 2017.

[4] “2015 State of Atheism in America.” Barna Group, 24 Mar. 2015, www.barna.com/research/2015-state-of-atheism-in-america/. Accessado 16 Aug. 2017.

[5] Aune, Kristin. “Why Feminists Are Less Religious.”

[6] Bolt, Andrew. “On Leaving Islam.” Herald Sun, 18 June 2017, www.heraldsun.com.au/blogs/andrew-bolt/on-leaving-islam/news-story/c53fcdca1b98905f1f8909a9ce6323c6. Accessado 16 Aug. 2017.

[7] MicMillen, Sally as cited in: Seneca Falls and the Origins of the Women’s Rights Movements https://www.csmonitor.com/Books/2008/0205/p17s01-bogn.html

[8] New York World, February 2, 1896, quoted in Harper (1898–1908), Vol. 2. pp. 858–60

[9] Ibid.

[10] Gardener, Helen Hamilton. Men, Women, and Gods. S.l., Forgotten Books, 2017, infidels.org/library/historical/helen_gardener/men_women_and_gods.html. Acessado 16 Aug. 2017.#0

[11] Ibid.

[12] Beauvoir, Simone de, and H. M. Parshley. The Second Sex. South Yarra, Vic., Louis Braille Productions, 1989.

[13] “Gloria Steinem.” Freedom From Religion Foundation, ffrf.org/news/day/dayitems/item/14362-gloria-steinem. Accessado 12 Sept. 2017.

[14] Calloway-Hanauer, Jamie. “Is Religion the ‘Biggest Problem’ Facing Feminism Today?” Sojourners, 6 May 2015, sojo.net/articles/religion-biggest-problem-facing-feminism-today. Acessado 12 Sept. 2017.

[15] Shaw, Susan M. “Is Patriarchy the Religion of the Planet?” The Huffington Post, TheHuffingtonPost.com, 1 Oct. 2015, www.huffingtonpost.com/susan-m-shaw/is-patriarchy-the-religio_b_8228710.html. Acessado 12 Sept. 2017.

[16] “Mary Daly.” Wikipedia, Wikimedia Foundation, 8 Sept. 2017, en.wikipedia.org/wiki/Mary_Daly#cite_note-26. Acessado 12 Sept. 2017.

[17] Daly, Mary. “Sin Big.” The New Yorker, The New Yorker, 19 June 2017, www.newyorker.com/magazine/1996/02/26/sin-big. Acessado 12 Sept. 2017.

[18] Alcorão 3:193-197. Sahih International Translation.

[19] Alcorão 4:58. Sahih International Translation.

[20] Tirmidhi. Vol. 1, Book 46, Hadith 3895.

[21] Abu Dawud. Book 1, Hadith 279.

[22] Alcorão 58:1. Sahih International Translation.

[23] Considere a longa narração em que Omar descreve o comportamento do Profeta ﷺ em relação a suas esposas: elas discutiam abertamente com ele e o Profeta ﷺ não as repreendia por isso, mas as tratava com o devido cuidado e consideração. Esta narração pode ser encontrada em Sahih al-Bukhari, Vol. 3, Livro 43, Hadith 648.

Links para Leitura

Fonte: https://muslimskeptic.com/2017/09/19/grave-implications-feminist-islam/

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