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O Muçulmano que descobriu o lugar onde Jesus foi batizado

Em 1997, foi descoberto na Jordânia o local onde Jesus foi batizado, mas isso não seria possível sem os esforços do príncipe Ghazi ibn Muhammad.
  • O local que Jesus foi batizado ficou abandonado por cerca de 500 anos.
  • Graças aos esforços do príncipe da Jordânia, o lugar, que é sagrado para os cristãos, foi redescoberto.
  • Perto dali, também está o monte em que o Profeta Elias subiu aos céus.
  • Desde 2002, o espaço está aberto para visitantes.

Cristãos do mundo todo preservam o hábito de viajar até Israel para visitarem o Rio Jordão, onde pressupõem que Jesus foi batizado por João Batista. Alguns fiéis aproveitam a oportunidade para repetir o mesmo ato de consagração vivido pelo Messias naquelas águas.

No entanto, hoje é fato conhecido que o local onde Jesus teria sido batizado não está em domínios israelenses, mas em um ponto afastado do rio, em um território que pertence à Jordânia e que foi redescoberto há cerca de 25 anos, graças aos esforços do príncipe jordaniano Ghazi bin Muhammad, que é muçulmano e sobrinho do então rei da Jordânia, Hussein bin Talal.

De fato, a descoberta do local histórico contou com o envolvimento de diversas pessoas, mas foi o entusiasmo de Ghazi pela história das religiões que possibilitou as investigações em um terreno próximo às margens do Rio Jordão, que estava praticamente abandonado, mas guardava uma rica história com mais de 2000 anos de idade.

Construção 

O local onde Jesus foi batizado possui uma estrutura rudimentar erguida no século I d.C. Durante a idade média, esta construção foi reconhecida inclusive por santos, monges e escribas católicos como o berço do cristianismo.

Na Bíblia, o território é chamado de Betebara, descrito em João 1:28 como um lugar que estava localizado além do Jordão. Sua estrutura era a de um mikveh, uma piscina que os judeus usam para fazer banhos rituais. Mas a expansão do cristianismo transformou o lugar em um ponto de batismo e peregrinação.

As paredes do local, feitas em arenito, ainda possuem marcas de cruzes feitas pelos primeiros peregrinos que visitaram o local.

Peregrinação e declínio de Betebara

Durante muito tempo, houve estruturas religiosas próximas ao local do batismo de Jesus. Estima-se que desde o século V havia presença de um mosteiro cristão na região e, entre o final do século V e início do VI, o imperador bizantino Anastácio construiu uma igreja dedicada a João Batista, que mais tarde foi destruída em uma inundação.

O local era amplamente visitado por peregrinos até a invasão persa em 614, que tirou o poder de Jerusalém da mão dos cristãos. Após vários desastres naturais e invasões, o território acabou ficando abandonado até ser completamente esquecido.

Após a conquista islâmica de Jerusalém, os locais de adoração cristã passaram a se concentrar na margem ocidental, do outro lado do rio, em um local conhecido como Qasr el Yahud. No século XIII, ainda houve outra tentativa de construir um templo ortodoxo onde ficavam as antigas estruturas bizantinas, mas não se sabe quanto tempo isso durou. 

No final do século XV, a peregrinação cristã já havia declinado. Mais tarde, durante o século XX, uma comunidade agrícola ocupou a margem leste do Rio Jordão.

Um príncipe muçulmano no berço do cristianismo

Al Maghtas, onde Jesus foi batizado (Foto: Wikipedia)

Em 1994, a Jordânia assinou um tratado de paz com Israel, após anos de conflito, o que permitiu novamente a exploração do Monte Nebo, que estava militarmente ocupado. Pouco tempo depois, o príncipe Ghazi visitou a região, que fica próxima ao Rio Jordão, quando conheceu o monge e arqueólogo franciscano Michele Piccirillo. 

Piccirillo acreditava que aquele lugar era, de fato, onde Jesus havia sido batizado e convenceu o monarca a analisar a região. Após análises do local, foram descobertas evidências de habitações do período do Império Romano, o que foi suficiente para fazer com que iniciassem os processos de desminagem e escavação.

A escavação foi conduzida pelo Dr. Mohammad Waheeb e foi patrocinada pela Família Real da Jordânia. O processo se iniciou somente em 1997, seguindo as medidas primárias de conservação e restauração, até finalmente ser reaberto no ano de 2002.

Desde então, o lugar virou, novamente, um destino de peregrinação. O local chegou a ser visitado pelo Papa João Paulo II ainda no ano de 2000 e, quinze anos mais tarde, foi tombado pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade.

O legado da descoberta

O parque hoje é conhecido como Al Maghtas que, traduzido para o português, significa “O Batismo”. Ali foram descobertas três igrejas, três piscinas batismais, um poço circular e um complexo externo ao redor da colina, onde há cavernas e túmulos de monges cristãos. Algumas dessas construções possuem cerca de 1400 anos de história.

A colina em questão também é um local sagrado não só para os cristãos, mas também para os muçulmanos e judeus, pois ali teria sido onde o Profeta Elias, que é cultuado pelas três religiões, subiu aos céus.

Alguns questionaram a descoberta, como, por exemplo, o jornal americano Washington Post e o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), que afirmaram não haver evidências conclusivas de que ali era de fato onde ocorreu o batismo de Jesus. No entanto, 13 das principais instituições cristãs do mundo reconheceram a autenticidade do local. 

Os ritos católicos romanos, gregos, armênios, sírios, etíopes, copta, maronita, romeno, russo e as igrejas anglicanas, luteranas, e batista enviaram cartas de autenticidade à Jordânia reconhecendo a legitimidade do local como sendo o lugar em que Jesus foi batizado por João Batista. 

O local é aberto aos visitantes e recebe anualmente 100 mil visitantes em média, três vezes menos do que a margem israelense do Jordão. 

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