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Gula e Suas Implicações segundo o Islam

Gula e Suas Implicações segundo o Islam

Em Nome de Allah, o Infinitamente Bom, o Misericordioso.

É importante que os muçulmanos mantenham uma dieta moderada de alimentos saudáveis, com o aconselhamento de médicos e de nutricionistas. Comer demais ou comer alimentos prejudiciais à saúde pode fazer muito mal à nossa saúde física e espiritual. A ameaça também é sutil, pois quase todos os tipos de alimentos são permissíveis, mas a extravagância e o exagero com alimentos permissíveis pode virar pecado.

Era a prática do Profeta Muhammad ﷺ se alimentar modestamente – nos alimentos que comia, em como se sentava ao se alimentar e na sua atitude em geral quanto à alimentação.

Yahya ibn Kathīr relatou: “O Mensageiro de Allah ﷺ disse:

آكُلُ كَمَا يَأْكُلُ الْعَبْدُ وَأَجْلِسُ كَمَا يَجْلِسُ الْعَبْدُ فَإِنَّمَا أَنَا عَبْدٌ

‘Me alimento como o servo se alimenta, e sento como o servo se senta. Em verdade, sou apenas um servo.’”

Fonte: Shu’ab al-Imān, 5519. Hadith Autêntico (Sahih).

Como líder de Medina, o Profeta ﷺ tinha todos os recursos da comunidade islâmica à sua disposição, e ainda assim dava em caridade todos os alimentos que tinha antes de alimentar a si mesmo e a sua família.

Aisha relatou:

مَا شَبِعَ آلُ مُحَمَّدٍ صلى الله عليه وسلم مُنْذُ قَدِمَ الْمَدِينَةَ مِنْ طَعَامِ بُرٍّ ثَلاَثَ لَيَالٍ تِبَاعًا حَتَّى قُبِضَ

“A família de Muhammad ﷺ não chegou a se alimentar de pão de trigo até a saciedade por três noite seguidas, desde quando foram para Medina, até ele falecer.”

Fonte: Ṣaḥīḥ al-Bukhārī, 6089. Hadith Autêntico (Muttafaqun Alayhi).

Umar relatou:

لَقَدْ رَأَيْتُ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يَظَلُّ الْيَوْمَ يَلْتَوِي مَا يَجِدُ دَقَلًا يَمْلَأُ بِهِ بَطْنَهُ

“Vi o Mensageiro de Allah ﷺ passar o dia inteiro sofrendo de fome. Ele não encontrou nem mesmo tâmaras da pior qualidade para encher o estômago.”

Fonte: Ṣaḥīḥ Muslim, 2978. Hadith Autêntico (Sahih)

Ibn Abbas relatou:

كَانَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يَبِيتُ اللَّيَالِي الْمُتَتَابِعَةَ طَاوِيًا وَأَهْلُهُ لَا يَجِدُونَ عَشَاءً وَكَانَ أَكْثَرُ خُبْزِهِمْ خُبْزَ الشَّعِيرِ

“O Mensageiro de Allah ﷺ passava muitas noites seguidas de estômago vazio, e a família dele não encontrava nada para jantar. A maior parte do pão deles era feito de cevada.”

Fonte: Sunan al-Tirmidhī, 2360. Hadith Autêntico (Sahih).

Desse modo, o Profeta ﷺ não tinha como hábito encher o estômago por completo com comida ou bebida nas refeições. Às vezes ele se abstinha voluntariamente como jejum ritual ou intermitente, e outras vezes passava fome, pois dava preferência às necessidades dos outros sobre as dele próprio. O estômago humano simplesmente não precisa ser preenchido – não deve ser preenchido em toda refeição.

Na época dos Companheiros do Profeta ﷺ, a primeira provação pela qual eles passaram foi uma de prosperidade, quando os mercados se encheram de alimentos de qualidade e de riqueza. As pessoas passaram a saciar a fome regularmente, esquecendo, dessa forma, a sunnah da moderação na alimentação.

Urwah relatou: “Aisha disse:

إِنَّ أَوَّلَ بَلاءٍ حَدَّثَ فِي هَذِهِ الأُمَّةِ بَعْدَ قَضَاءِ نَبِيِّهَا صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ الشِّبَعُ فَإِنَّ الْقَوْمَ لَمَّا شَبِعَتْ بُطُونَهُمْ سَمِنَتْ أَبْدَانُهُمْ فَتَصَعَّبَتْ قُلُوبُهُمْ وَجَمَحَتْ شَهَوَاتُهُمْ

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‘Em verdade, a primeira provação que caiu sobre essa nação após o falecimento do Profeta ﷺ foi a das pessoas comerem até a saciedade. Pois quando as pessoas enchem o estômago, seus corpos engordam, seus corações endurecem e seus desejos ficam incontroláveis.’”

Fonte: Al-Jū’ li-Ibn Abī Dunyā, 22

Comer demais faz com que engordemos, causando problemas de saúde relacionados, obviamente, mas também resulta em males espirituais. Alimentos em demasia endurecem o coração, entorpecem a mente, aumentam sonolência e dificultam o controle dos impulsos e desejos.

Por esse motivo, a sunnah na alimentação do dia a dia é de apenas comer o que for necessário para manter a energia e a boa saúde. No máximo, as pessoas não devem se alimentar com mais do que o bastante para encher um terço do estômago de comida, um terço de água e deixar o terço restante vazio. Não devemos ter o hábito de encher o estômago completamente todos os dias.

Miqdam ibn Mad relatou: “O Mensageiro de Allah ﷺ disse:

مَا مَلَأَ آدَمِيٌّ وِعَاءً شَرًّا مِنْ بَطْنٍ بِحَسْبِ ابْنِ آدَمَ أُكُلَاتٌ يُقِمْنَ صُلْبَهُ فَإِنْ كَانَ لَا مَحَالَةَ فَثُلُثٌ لِطَعَامِهِ وَثُلُثٌ لِشَرَابِهِ وَثُلُثٌ لِنَفَسِهِ

‘O filho de Adão não enche um recipiente pior do que o seu estômago. É o suficiente para ele que coma o bastante para que suas costas fiquem retas. Se não conseguir fazer isso, então pode encher um terço com comida, um terço com bebida e um terço com fôlego (ar).’”

Fonte: Sunan al-Tirmidhi, 2380. Hadith Autêntico (Sahih).

Essa é a regra geral da alimentação moderada, mas há exceções para ocasiões especiais. Em comemorações como banquetes, jantares em família e coisas do tipo, não há problema em encher o estômago. Isso é uma concessão para promover as boas relações entre os membros da comunidade, comendo juntos e compartilhando refeições.

Anas ibn Malik relatou:

أَنَّ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَمْ يَجْتَمِعْ لَهُ غَدَاءٌ وَلَا عَشَاءٌ مِنْ خُبْزٍ وَلَحْمٍ إِلَّا عَلَى ضَفَفٍ

“O Mensageiro de Allah ﷺ nunca comeu pão ou carne até se satisfazer, exceto quando comia com outras pessoas.”

Fonte: al-Shamā’il al-Muḥammadīyah, 71. Hadith Autêntico (Sahih).

Com a exceção dessas ocasiões de comemoração, comer demais no dia a dia é uma manifestação da incapacidade do indivíduo de controlar seus desejos e de apego aos prazeres mundanos.

Ibn Umar relatou: “O Mensageiro de Allah ﷺ disse:

الْكَافِرُ يَأْكُلُ فِي سَبْعَةِ أَمْعَاءٍ وَالْمُؤْمِنُ يَأْكُلُ فِي مِعًى وَاحِدٍ

‘O descrente come com sete intestinos, e o crente come com um intestino.’”

Fonte: Ṣaḥīḥ al-Bukhārī, 5079. Hadith Autêntico (Mutaffaqun Alayhi).

Os descrentes, as pessoas que não acreditam na próxima vida, não costumam ter motivos filosóficos para restringir seu consumo de alimentos, portanto têm a tendência de comer sete vezes mais do que o corpo necessita. Até mesmo muitos muçulmanos comem demais desse jeito. A forma de quebrar hábitos de alimentação excessiva desse tipo é diminuir gradualmente a quantidade de alimentos, até que o corpo se acostume a se alimentar com quantidades moderadas de comida.

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A pessoa também deve refletir sobre as consequências na próxima vida. Os que comem regularmente de maneira extravagante serão punidos com a fome na próxima vida. A saciedade constante e desnecessária leva a todos os tipos de pecado.

Salman relatou: “O Mensageiro de Allah ﷺ disse:

إِنَّ أَكْثَرَ النَّاسِ شِبَعًا فِي الدُّنْيَا أَطْوَلُهُمْ جُوعًا يَوْمَ الْقِيَامَةِ

‘Em verdade, as pessoas que mais comeram até se satisfazer neste mundo serão as mais famintas no Dia da Ressurreição.’”

Fonte: Sunan Ibn Mājah, 3351. Hadith Autêntico (Sahih).

E Abu Jafar disse:

إِذَا امْتَلأَ الْبَطْنُ طَغَى الْجَسَدُ

“Quando a barriga se enche, o corpo transgride.”

Fonte: al-Jū’ li-Ibn Abī Dunyā, 23.

O verdadeiro crente reconhece os benefícios espirituais e à saúde da alimentação moderada, pois comer demais leva ao pecado, à transgressão e ao desperdício de recursos.

Uma das marcas da alimentação excessiva é o aumento da barriga e o aparecimento de gordura visceral, que pode ser algo muito prejudicial à saúde. Mesmo assim, os muçulmanos não devem se exceder em fazer piadas com os outros por seu peso excessivo, mesmo porque as pessoas engordam por causas hormonais que não são necessariamente culpa delas. Em vez disso, devemos encorajar gentilmente e com sinceridade as pessoas acima do peso a emagrecerem, para seu próprio bem.

Certa vez, o Profeta ﷺ disse delicadamente a um homem barrigudo que seria melhor se ele tivesse feito caridade com os alimentos que ingeriu em excesso.

Jadah relatou: “O Profeta ﷺ viu um homem de barriga grande. O Profeta apontou para a barriga dele e disse:

لَوْ كَانَ هَذَا فِي غَيْرِ هَذَا لَكَانَ خَيْرًا لَكَ

‘Se isso tivesse sido colocado em outro lugar, seria melhor para você.’

Fonte: al-Mu’jam al-Kabīr, 2140. Hadith Válido (Hasan).

Dizem que “comer bem é viver bem”, mas essa atitude é, na melhor das hipóteses, enganosa. Enquanto devemos ser gratos a Allah quando temos alimentos o bastante para comer, o hábito de comer excessivamente não é um bênção, mas um castigo.

Al-Hasan relatou: “Umar ibn al-Khattab viu um homem com a barriga grande e disse: ‘O que é isso?’ O homem falou: ‘É uma bênção de Allah.’. Umar disse:

بَلْ عَذَابٌ

‘Não, pelo contrário, é um castigo.’”

Fonte: Ḥadīth Muḥammad ibn ‘Abd Allāh al-Anṣārī, 42.

A gordura visceral, que fica dentro da barriga, é extremamente prejudicial à saúde e, por consequência, prejudica a capacidade das pessoas se empenharem em atos de adoração, como orações noturnas ou serviços à comunidade. Neste sentido, é um castigo pela alimentação excessiva.

Os substitutos justos (al-abdal), que são os verdadeiros crentes de cada geração, podem ser reconhecidos pelos seus hábitos saudáveis, físicos e espirituais. Eles comem moderadamente, o que resulta numa aparência esbelta e saudável, reservam a língua, se dedicam à contemplação silenciosa, usam a noite para rezar e estudar e têm o hábito de se isolar para a adoração solitária.

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Sahl al-Tustari disse:

اجتمع الخير كله في هذه الأربع خصال وبها صار الإبدال إبدالاً إخماص البطون والصمت والسهر والاعتزال عن الناس

“Todo o bem se combina nestas quatro características e por meio delas que os substitutos se tornam substitutos: a barriga esguia, o silêncio, a vigília e o recato com as pessoas.”

Fonte: Qūt al-Qulūb, 1/170.

A chave para o sucesso deles é a alimentação moderada, que fortalece saúde, regula o ciclos de sono, aguça a mente e amplifica ao máximo seu potencial.

No entanto, o problema não é apenas comer demais. Os muçulmanos devem evitar comer besteiras na forma de farinha de trigo refinada, alimentos industrializados e qualquer coisa com quantidades excessivas de açúcar, sal, gordura e outros ingredientes prejudiciais à saúde.

Allah disse:

يَا أَيُّهَا الَّذِينَ آمَنُوا كُلُوا مِن طَيِّبَاتِ مَا رَزَقْنَاكُمْ وَاشْكُرُوا لِلَّهِ إِن كُنتُمْ إِيَّاهُ تَعْبُدُونَ

“Ó fiéis, desfrutai de todo o bem com que vos agraciamos e agradecei a Deus, se só a Ele adorais.” (Alcorão 2:172)

Tayyibat (todo o bem) indica todos os alimentos naturais que fazem bem ao nosso corpo: frutas, verduras, proteínas magras, gorduras saudáveis, cereais integrais, frutos do mar, castanhas, leguminosas e assim por diante.

Hoje em dia, muitos tipos de alimentos e bebidas processados industrialmente contêm ingredientes refinados, que perdem suas características benéficas à saúde.

Sucos de fruta comuns nos mercados, em que há acréscimo de açúcar e cujas fibras são removidas. O pão de farinha de trigo refinada, popular nos dias de hoje, não é a mesma coisa que o pão de farinha integral que o Profeta ﷺ e seus companheiros comiam.

Abu Hazm relatou: “Perguntaram a Sahl: ‘Você viu alguma farinha branca refinada (al-naqi) na época do Profeta ﷺ?’ Sahl disse que não. Disseram: ‘Vocês peneiravam a farinha de cevada?’ Sahl respondeu:

لَا وَلَكِنْ كُنَّا نَنْفُخُهُ

‘Não, mas soprávamos as cascas dela.’”

Fonte: Ṣaḥīḥ al-Bukhārī, 5094. Hadith Autêntico (Sahih).

Os alimentos de carboidratos “ruins” ou refinados – cuja abundância é a causa direta de muitos problemas de saúde da modernidade – eram conhecidos na época do Profeta ﷺ, e eles não os ingeriam. A farinha de trigo branca, refinada, era cara e tomava tempo para ser produzida, diferente de hoje, que é facilmente produzida com máquinas. Os muçulmanos devem evitar esses alimentos industrializados e se alimentar com alternativas naturais e saudáveis.

Em resumo, os muçulmanos devem adotar o hábito de se alimentar moderadamente, não enchendo mais do que um terço do estômago a cada refeição, exceto em ocasiões especiais. Os alimentos que comemos devem ser nutritivos, equilibrados e saudáveis. A prática profética de alimentação auxilia tanto na melhora da saúde física quanto no crescimento espiritual.

O sucesso vem de Allah, e Allah sabe mais.

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Fonte: https://abuaminaelias.com/the-perils-of-overeating-in-islam/

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