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Ancient city of Khiva, Uzbekistan. UNESCO World Heritage

A Descrição dos que Têm Consciência de Deus – Ali Ibn Abu Taleb

”Relata-se que um adorador devoto chamado Humam foi até ‘Ali, que Deus enobreça o seu semblante, e pediu a ele que descrevesse os que têm consciência de Deus de maneira extremamente viva, para que pudesse praticamente vê-los com a descrição. O Imam ‘Ali respondeu: “A fala deles é veraz; suas roupas são moderadas e eles andam com extrema humildade. Eles abaixam o olhar frente a tudo que Deus proibiu.

Eles somente permitem que seus ouvidos escutem o que é benéfico. Suas almas aceitam a chegada de provações e tribulações [em perseverança na verdade] com tanta facilidade quanto as outras aceitam a vida no luxo. Se não fosse o decreto, seus espíritos não teriam permanecido em seus corpos por um piscar de olhos, por causa do seu intenso anseio pelo Senhor. Como o Criador é louvado em suas almas, todo o resto é percebido como insignificante para eles. Seus corações são sensatos; as pessoas estão a salvo de qualquer maldade da parte deles; seus corpos são esguios [eles não exageram em seus apetites]; suas necessidades básicas são poucas e suas almas são castas.

Eles aguentam pacientemente os poucos dias que passam neste mundo cientes de que, após eles, virá um descanso longo e pacífico – essa é a transação lucrativa de vida que o seu Senhor permitiu a eles que participassem. O mundo os desejava; no entanto, eles não tinham desejo por ele. Ele os aprisionava, mas eles resgataram suas almas dele (com sua moderação e obras virtuosas).

De noite, seus pés se ordenam em fileiras enquanto, zelosamente, recitam o Alcorão em entoações lentas e comedidas. Se chegam num versículo que estimule [neles] o anseio (pelas coisas maravilhosas que Deus prometeu), ponderam sobre ele, com o desejo de alcançá-las. Suas almas levantam voo com a intensidade do anseio que têm por essas maravilhas. Se chegam num versículo que os atemoriza (com a ameaça do terrível castigo de Allah) eles o escutam reverberar nas profundezas de seus corações. Eles imaginam que escutam os terríveis sons do Fogo infernal nas cavidades mais profundas dos seus ouvidos. Os encontramos se ajoelhando (perante seu Senhor), implorando para que sejam livrados do Fogo. Quanto à sua vida diária, eles são sábios contidos e clementes. São virtuosos e piedosos. O temor [de Allah] perfura seus corações como flechas. Quem os observa pensa que estão doentes. No entanto, estão distantes da doença.

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Eles não se satisfazem com uma quantidade mínima de boas obras e nem consideram quantidades excessivas de adoração como algo grande. Eles veem suas falhas e temem que suas obras não sejam aceitas. Se alguém louvar a um deles, ele responderá: “Conheço a mim mesmo melhor que os outros (me conhecem) e o meu Senhor tem mais conhecimento de mim do que eu mesmo. Ó Deus! Não me leve a prestar contas pelo que eles dizem, e me torne melhor do que aquilo que pensam de mim e me perdoe pelos pecados que eles não conhecem.”

Um dos indícios (de uma pessoa dessas) é que se nota a força em sua religião. Sua gentileza é acompanhada de temperança. Sua fé é acompanhada de certeza. Ele anseia por conhecimento. Ele age com comedimento. Ele vive com moderação, mesmo se abençoado com riquezas. Ele é humilde em sua adoração. Ele tolera a pobreza com uma graça digna. Ele aguenta pacientemente situações de provação. Ele busca o sustento no que é lícito. Ele corre para a orientação correta. Ele se inquieta se notar a ganância em si mesmo. Ele trabalha na retidão, tremendo, (temendo que suas obras não sejam aceitas).

A sua maior preocupação é com a gratidão. De manhã, se preocupa com a Recordação de Deus. Ele vai dormir à noite sobrecarregado, apreensivo. Ele levanta de manhã alegre. Sua apreensão vem da consciência da sua desatenção. Sua alegria é causada pela generosidade e pela misericórdia (que Deus abriu para ele durante a noite). Se a alma dele insistir por algo que ele abomina, ele não concede (a ela) a vitória e nega dar a ela o que ela deseja. O conforto do seu olhar está naquilo que é permanente (a recompensa pelas suas obras virtuosas).

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Sua abstinência é daquilo que é temporal. Ele mistura a clemência com o conhecimento e a fala com a ação. Ele espera a morte em todos os momentos. Seus descuidos são escassos (por causa do seu cuidado e da sua deliberação na fala e nas ações). Seu coração é contente. Ele é tranquilo. Ele está constantemente vigilante contra investidas contra a sua religião. Seus desejos sensuais estão mortos. Sua raiva, contida. Dele, as pessoas antecipam o bem e estão a salvo de toda perversidade. Se estiver na companhia dos desatentos, é registrado como atencioso (ao seu Senhor).

Ele deixa passar e esquece aqueles que o oprimem. Ele dá àqueles que lhe negam. Ele reata as relações com aqueles que as cortam. Ele é distantíssimo de toda indecência. Sua fala é gentil. Não se encontra nada de ruim nele. Ele é sempre uma fonte do bem. Durante as calamidades, ele mantém a compostura. Durante as dificuldades, ele é paciente. Durante os tempos de facilidade, ele é grato. Ele não oprime quem ele não gosta e nem peca por quem ele ama. E admite a verdade antes de que busquem o seu testemunho. Ele preserva tudo que lhe é confiado.

Ele não profere nomes abusivos (palavrões) às pessoas. Ele nunca prejudica o seu vizinho e nem se alegra com o sofrimento que cai sobre o seu inimigo. Se o injustiçarem, ele persevera até Deus o vingar. Ele confia em si mesmo enquanto é fonte de alívio para os outros (enquanto os outros confiam nele). Ele se esforça pela sua salvação, sem aumentar o fardo dos outros de maneira alguma. A sua distância daqueles a quem ele evita é uma forma de abstinência, enquanto a sua aproximação às pessoas vem da gentileza e misericórdia dele. Portanto, a distância dele das pessoas não é causada por arrogância ou soberba, e sua proximidade a elas não é motivada por astúcia e deslealdade.”

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Ao escutar isso, Humam morreu. Imam Ali, que Deus esteja satisfeito com ele, disse: “É isso que temi que acontecesse com ele. Assim é o efeito da palavra penetrante, quando alcança o coração receptivo.”

– Do Nahj al-Balagha

Tradução para o inglês por Imam Zaid Shakir

Fonte: https://www.facebook.com/imamzaidshakir/posts/10156408861963359?__tn__=-R

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