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Alcorão copiou a Bíblia

O Alcorão copiou a Bíblia?

Uma observação que é muitas vezes feita por críticos do Alcorão é que as vezes seu relato histórico de uma história, como a história do profeta Moisés ou Jesus, tem semelhanças com as escrituras judaicas e cristãs e outros escritos. Esta observação é então utilizada para afirmar que o Profeta Muhammad deve ter copiado pelo menos partes do Alcorão a partir dessas fontes, e portanto ele não poderia tê-la recebido de Deus.

Quando a questão histórica do Alcorão tem semelhanças com detalhes que não são aceitos nas escrituras, mas em fontes apócrifas, ou seja, escritos que não se tornaram parte dos livros canônicos que as autoridades judaicas e cristãs adotaram, uma segunda afirmação é feita. Neste caso, alega-se que as informações copiadas no Alcorão são incorretas ou imprecisas, pois foram tomadas de fontes inautênticas ou, pelo menos, fontes duvidosas.

Vamos analisar a lógica por trás dessas duas afirmações de perto.

Similaridade entre o Alcorão e as supostas Escrituras Autênticas

Se a reivindicação de Muhammad, de que ele recebeu o Alcorão de Deus é verdadeira, e se alguns dos relatos históricos em outras escrituras ou livros tenham realmente vindo de Deus, então alguma semelhança deve ser esperada. Por exemplo, a escritura judaica – o Antigo Testamento – diz que Moisés abriu o mar com seu povo quando ele e os israelitas escaparam do então Faraó e suas tropas. Agora, se essa reivindicação do Antigo Testamento foi de fato revelada por Deus, o que significa que é histórica, e se o Alcorão também foi revelado por Deus, então mencionar este milagre na história do Alcorão, sobre Moisés, seria exatamente o que se espera. A mera existência de semelhanças entre o Alcorão e o Antigo Testamento não prova que o Alcorão foi copiado do Antigo Testamento, porque se ambos os livros foram revelados por Deus, então essa semelhança “deve” estar lá.

Alegar que o Alcorão foi copiado do Antigo Testamento, em tal caso, portanto, só pode ser baseada na “suposição prévia” de que não foi revelado por Deus. Em outras palavras, esta alegação “não é uma conclusão”, baseado na observação da similaridade. É simplesmente uma suposição sobre o Alcorão, e não é “derivada” dessa semelhança. Usando a semelhança entre as duas escrituras para apresentar essa reivindicação crítica sobre o Alcorão como uma conclusão ou é devido a mal-entendimento ou deturpação deliberada.

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Há outros fatos muito importantes aqui que são sempre ignorados em tal discussão sobre semelhanças entre as histórias do Alcorão e os seus homólogos em escrituras que são supostamente genuínas:

  1. O fato do Alcorão também ter diferenças com as versões bíblicas.
  2. As diferenças são sempre maiores do que as semelhanças.
  3. As diferenças são profundamente significativas.

Os dois primeiros pontos são óbvios, mas deixe-me dizer um pouco mais sobre o terceiro. Muitas vezes, o relato histórico do Alcorão é diferente nos detalhes nas escrituras judaicas ou cristãs que já se provaram ser erradas. Por exemplo, o Antigo Testamento afirma que os israelitas eram mais do que 2-3 milhões quando eles escaparam do antigo Egito. Esta afirmação tem sido conhecida por ser anti-histórica já há alguns séculos agora. O Alcorão, por outro lado, embora confirmando a fuga dos israelitas, ele não repete a afirmação que contraria a história sobre o grande número de israelitas. Na verdade, ele afirma que eles eram em número reduzido. Agora, se Muhammad ou alguém tivesse o ajudado a copiar a história do Êxodo do Antigo Testamento a 14 séculos atrás, como é que o copista conseguiu deixar aquele pedaço de informações para fora? Vamos dar outro exemplo. Por que Muhammad faria a alegação de que o corpo do faraó que perseguiu Moisés e os israelitas seriam salvos e permaneceriam disponíveis para as pessoas o verem, que é o que aconteceu com a múmia de Ramsés II, quando o Antigo Testamento deixa claro que o corpo foi engolido pelo mar? Eu cubro em detalhe muitos exemplos como estes em meus livros sobre as histórias dos profetas Jesus, Moisés e José (Livros do autor do texto, estão em inglês).

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Há um outro tipo de diferença entre o Alcorão e as escrituras judaicas e cristãs onde um personagem, evento ou declaração aparecem em um contexto no Alcorão e em um contexto diferente, errado nas outras escrituras. Por exemplo, há um personagem chamado Hamã no livro de Ester do Antigo Testamento que era supostamente um governante nobre na Pérsia séculos depois do êxodo. Os estudiosos têm mostrado que essa história é não é verídica. Por outro lado, o Alcorão também tem um personagem chamado Hamã, mas ele é uma figura de alta classificação no tribunal egípcio na história de Moisés. Hamã é claramente um nome egípcio. O que parece ter acontecido é que as mudanças por parte dos editores do Antigo Testamento terem resultado em mover o Hamã egípcio histórico da história do Êxodo à uma completamente diferente e não histórica história no Livro de Ester. Esta é uma interpretação completamente diferente desse fenômeno que parte da explicação falha de que o Alcorão copiou informações das outras escrituras.

Similaridade entre o Alcorão e as Escrituras supostamente inautênticas

Como mencionei anteriormente, quando uma parte do Alcorão tem semelhança com uma história de livros não-canônicos, o Alcorão é acusado não só de copiar suas informações a partir dessas fontes, mas também de copiar as informações erradas delas. Por exemplo, o Alcorão diz que um dos milagres de Jesus é que ele falou no berço. Esse milagre não é mencionado em nenhum dos quatro Evangelhos do Novo Testamento, que os cristãos consideram ser as fontes de autoridade sobre a vida de Jesus. Mas este milagre é mencionado em fontes apócrifos, como O Evangelho Árabe da Infância. A acusação acima contra o Alcorão é baseada na suposição de que esse milagre não pode ser histórico porque ele não é mencionado nos quatro evangelhos do Novo Testamento, mas aparece somente nos evangelhos apócrifos. Mas este argumento se baseia completamente na suposição de que os quatro Evangelhos são mais históricos do que as fontes apócrifos. A realidade é que os quatro Evangelhos têm numerosos erros históricos e portanto eles não podem ser considerados fiáveis de qualquer maneira. Por exemplo, como já expliquei em meu livro sobre The Mystery of the Crucifixion, os relatos evangélicos da crucificação tem muitas reivindicações historicamente incorretas. Além disso, estes quatro livros tornaram-se os Evangelhos adotados da Igreja depois de séculos de batalhas entre opiniões divergentes e dogmas, não porque eles são verdadeiramente históricos ou as informações que contêm são sempre mais confiáveis do que as informações encontradas em fontes alternativas.

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Conclusão

As semelhanças e diferenças entre o Alcorão e outros escritos judaicos e cristãos bíblicos e não-bíblicos não podem ser usados para tirar qualquer conclusão sobre a originalidade, a confiabilidade e a credibilidade do Alcorão ou as outras fontes. Quando os temas em questão podem ser examinados à luz do conhecimento histórico, então a história tem que ser o juiz. Tais questões podem ser encontradas na história do Êxodo, por exemplo. Quando as informações são impossíveis de serem confirmadas historicamente, como relatos de milagres, então a fé em qualquer versão tem que ser apoiada pela credibilidade geral e confiabilidade da fonte que afirma tal coisa. Em outras palavras, quando o Alcorão e as escrituras judaicas e cristãs discordam sobre reivindicações que não são possíveis de serem verificadas de forma independente, deve-se levar em consideração qual das fontes é mais confiável.

Já é conhecido por um longo tempo agora que, enquanto o Antigo e o Novo Testamento contém informações históricas corretas, eles também têm numerosas alegações imprecisas e erradas. Sempre que uma comparação de confiabilidade é possível entre um relato histórico no Alcorão e sua contraparte nas fontes judaicas ou cristãs, a versão do Alcorão de eventos sempre acaba por ser superior.

Copyright © Louay Fatoohi. Article translated from the author’s blog/website by his permission

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Fonte: http://www.quranicstudies.com/quran/similarities-and-differences-between-the-quran-and-jewish-and-christian-scriptures-and-sources/

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