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Sonhos verdadeiros são 1/46 da Profecia – Shaykh Gibril Haddad

Eruditos muçulmanos utilizam dois termos árabes ambivalentes para expressar a palavra “sonho”: ru’ya e hulm, que são respectivamente “visão” e “fantasma” – ambos os quais são mencionados no Alcorão e Sunnah do Profete – que divergem muito em aplicação e significado, o primeiro sendo bom e o último ruim ou sem significado.

Quando um sonho tem origem em elevadas fontes espirituais — tais como Allah e seus anjos — ele é uma “visão verdadeira” (ru’ya sadiqah). Este é o termo que Aisha, mãe dos crentes, usou quando descreveu o inicio da descida da revelação sobre o Profeta Muhammad, que a paz e as bençãos estejam sobre ele e seus familiares. Tais visões não são elevadas por via de regra, mais também apresentam revelações significativas que são invariavelmente confirmadas em um estado desperto: “Ele nunca teve uma visão”, continuou ela, “exceto que ela se tornou realidade tão seguramente como a divisão do amanhecer”. O Profeta viu em seu sonho que ele havia conquistado Mekah muito antes da conquista ter ocorrido, após o que o versículo do Alcorão foi revelado: ”Allah realizou a visão de seu Mensageiro de forma verdadeira”. Da mesma forma, o Profeta Yusuf (José) viu 11 planetas prostrando-se para ele (12: 4), que representavam seus 11 irmãos que acabaram por cumpri-lo.

Se, no entanto, o sonho se origina de uma fonte inferior como o ego (nafs), o demônio (shaitan) ou a colaboração de ambos, é considerado insignificativo ou prejudicial. Exemplos de sonhos egóticos são fantasias sexuais, sonhar com água quando se está com sede, riqueza ou outras preocupações enraizadas na psique de cada pessoa, bem como narrativas incoerentes. Exemplos de sussurros satânicos são sonhos que afetam negativamente o espírito de alguém. Todos esses fenômenos, o Alcorão, chamam de {“uma confusa desordem”} (12:44, 21: 5), daí o próprio Profeta fez a distinção semântica: “ru’ya é de Allah, enquanto hulm é do demônio.” Ele recomendou recontar apenas os sonhos do primeiro tipo. Quanto aos maus sonhos, somos ordenados a manter seus distúrbios à margem, procurando refúgio em Allah e estritamente nunca relata-los para ninguém.

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O Islam proíbe a interpretação dos sonhos a todos, exceto por especialistas. Esta proibição é o reconhecimento do efeito positivo ou negativo que os sonhos podem ter no nosso estado desperto e também por causa da conexão inefável entre sua interpretação e realidade à luz do hadith profético: “Os sonhos são uma das 46 partes da profecia”. Outro hadith similar afirma: “Nada resta do inicio da profecia, exceto um bom sonho que um muçulmano possa ter”. Entre as poucas pessoas a quem os Companheiros confiaram seus sonhos foram o próprio Profeta e seu amigo íntimo Sayyiduna Abu Bakr al-Siddiq, ambos que eram intérpretes especializados. Entre os muçulmanos da geração seguinte, o intérprete mais eminente foi Ibn Sirin, que advertiu contra amadores: “Este assunto está relacionado com a religião, então olhe bem de quem você toma sua religião!” Quando o Imam Malik foi perguntado se alguém poderia interpretar sonhos , ele respondeu: “O que! A religião é um brinquedo? ”

Talvez a garantia mais formal de um bom sonho no Islam seja a declaração do Profeta de que “quem me vê num sonho realmente me viu, pois o demônio não pode se fazer passar por mim”. No entanto, além de seus contemporâneos diretos, como alguém pode ter certeza de ter visto o Profeta Muhammad e não outra coisa que ele imagina ser o Profeta? Os ulema responderam: Conheça as características do Profeta para que você possa ter certeza. É por isso que o Imam al-Tirmizi compilou al-Shamail al-Nabawiyya, a coleção mais famosa de hadiths (cerca de 400) sobre os atributos físicos e morais do Profeta, que ele fechou com as narrações acima citadas sobre o alto status de verdadeiros sonhos no Islam e com a advertência de Ibn Sirin contra intérpretes não qualificados. A este respeito, o Shamail é um manual sobre como ver o Profeta – uma grande alegria, muito desejada na vida de um muçulmano.

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Fonte: http://seekershub.org/ans-blog/2009/05/27/true-dreams-146-of-prophecy-2/

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