Ramadan Perigoso

Ramadan perigoso

Após o fim da presença politica de muçulmanos na Península Ibérica e a conquista espanhola dos territórios de Andaluzia, a vida dos remanescentes muçulmanos naquelas terras não foi nem um pouco fácil. Depois de serem obrigados a se converter ao cristianismo católico, estes infelizes tinham que enfrentar investigações para que fosse verificada sua sinceridade de conversão. E estas investigações se intensificavam no Ramadan, período de jejum no calendário islâmico.

Para facilitar denúncias de ”pratica de islamismo” as autoridades eclesiásticas cristãs publicaram uma longa lista de trinta e seis manifestações islâmicas que deveriam ser denunciadas se vistas, incluindo: fazer caridade, se abster de comer ou beber, rezar, se levantar de madrugada e comer antes do amanhecer ou se lavar.

A paranoia dos inquisidores se intensificava ainda mais durantes o Ramadan e os mouriscos (muçulmanos convertidos a força ao cristianismo) buscavam diversos artifícios para burlar as autoridades cristãs. Um mourisco de nome Francisco Al-Qurtubi (Francisco de Córdoba) relatou que: “…no Ramadan do amanhecer ao pôr do sol durante todo o mês eramos sujeitos a muitos convites de nossos vizinhos (cristãos) (para verificar nossa conversão), e tínhamos todo o cuidado de respeitar o jejum. Se eramos convidados para almoçar, rejeitávamos alegando falta de apetite, e se nos convidavam em alguma outra hora, dizíamos que já tínhamos comido em outro lugar”.

Se após alguma denuncia o jejum fosse confirmado ou qualquer outra pratica islâmica, o individuo seria prontamente condenado a fogueira por ”ser muçulmano”.

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