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Muharram: Guia para o 1º mês do calendário islâmico

O mês de Muharram é um dos quatro meses sagrados destacados pelo Alcorão. Este período é marcado por datas importantes e eventos históricos.
  • O mês sagrado de Muharram é mencionado no Alcorão e marca o início do calendário islâmico.
  • No décimo dia, é celebrada a Ashura, uma data na qual os muçulmanos jejuam para relembrar o resgate dos Filhos de Israel que fugiram do Egito.
  • Neste período do ano, os muçulmanos são proibidos de guerrear.

O mês de Muharram é um dos meses mais importantes do calendário islâmico, pois guarda uma das datas sagradas para a religião, a Ashura. Este período é marcado por algumas práticas espirituais que convidam o muçulmano a focar em sua espiritualidade.

Este mês possui poucos, mas importantes marcos históricos, que influenciaram as práticas religiosas, como a fuga dos Filhos de Israel do Egito liderada pelo Profeta Moisés e a Batalha de Karbala, que resultou no martírio de Hussein ibn Ali, neto do Profeta Muhammad.

O primeiro mês islâmico é um dos quatro meses sagrados mencionados no Alcorão e é, sobretudo, um período de paz, em que os muçulmanos são advertidos a não guerrearem.

Sunnah e práticas do mês

Jejum

O dia 10 de Muharram é quando ocorre a Ashura, uma data sagrada que celebra a vitória do Profeta Moisés contra o Faraó do Egito. Embora não seja obrigatório, é bastante recomendado que os muçulmanos jejuem neste dia para relembrar este marco tão importante, que também é mencionado no Alcorão.

Alguns muçulmanos vão além, jejuando por até dois dias. Isso ocorre porque há três datas para para realizar esta prática: o nono, o décimo e o décimo-primeiro dia do mês. Como o 10 de Muharram é a data principal, os fiéis podem escolher o dia anterior ou posterior para se abster de bebidas, comidas e relações íntimas do nascer ao por do sol. 

Esta prática de jejuar por dois dias foi estabelecida pelo Profeta Muhammad para que as práticas islâmicas não fossem iguais às dos judeus. 

Além disso, é dito que o jejum no mês de Muharram é uma expiação pelos pecados cometidos no ano anterior.

Caridade

A caridade é um valor muito importante para o Islam e Allah recompensa de maneira especial as boas ações realizadas no dia de Ashura.

“É relatado de Abd Allah ibn Amr ibn al As (que Allah esteja satisfeito com ele) que “Quem jejuar no dia de Ashura, será como se tivesse jejuado o ano inteiro. E a caridade neste dia é como a caridade de um ano inteiro.” (Ibn Rajab, Lataif al Maarif)

Paz

Desde antes do Islam, o mês de Muharram era considerado pela tribo dos coraixitas como um mês em que a guerra era proibida. Com a revelação do Alcorão e a Profecia de Muhammad, isso se estendeu para os praticantes da religião, independentemente das origens ou nacionalidade do fiel.

Eventos históricos

Fuga do Egito

A história da fuga dos Filhos de Israel pelo Mar Vermelho, liderada pelo Profeta Moisés, também é destacada pelo Alcorão. Quando soube que os judeus de Medina jejuavam neste dia, o Profeta Muhammad decidiu fazer o mesmo.

Na ocasião, os muçulmanos tinham acabado de fugir de Meca para Medina e, assim como o Profeta Moisés e os Filhos de Israel, estavam sendo guiados por Deus para uma nova terra para escapar da perseguição dos idólatras.

Naquele momento, os muçulmanos estavam mais próximos da profecia do que os judeus, portanto, o Profeta Muhammad estabeleceu este ato de adoração como uma prática recomendável para o dia 10 de Muharram.

Batalha de Karbala

A morte do Califa Muwayiah foi seguida pela indicação de seu filho Yazid para suceder seu governo. Esta decisão foi contestada por companheiros proeminentes do Profeta Muhammad, incluindo seu neto, Hussein ibn Ali. 

Yazid começou a exigir a lealdade daqueles que contestavam seu governo, incluindo Hussein, mas não obteve sucesso. Por causa disso, o povo da cidade de Kufa, que havia sido a capital durante o governo do Califa Ali, pediu para que o neto do Profeta combatesse o califa e tirasse-o do poder.

Durante sua viagem para Kufa, Hussein, que estava acompanhado por 70 homens, foi interceptado por um exército de mil soldados. Eles foram forçados a acampar em Karbala, onde logo depois chegaram mais 4 mil guerreiros leais ao califa. 

Após cercar o grupo, o governador Ubayd Allah ibn Ziyad tentou fazer Hussein se submeter definitivamente ao califado, mas ele se negou. O evento foi seguido por uma batalha violenta, em que as tropas do neto do Profeta saíram derrotadas e Hussein foi morto.

Este evento é destacado especialmente na tradição xiita, onde o dia de Ashura é uma data de luto pelo martírio de Hussein. No entanto, o evento também possui significado para os sunitas, que mantêm um grande respeito pelo neto do Profeta Muhammad e seus familiares.

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