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Muçulmanos ajudam a reconstruir igrejas destruídas pelo ISIS no Iraque

Um grupo de voluntários em Mosul realiza ações para que os cristãos recuperem os templos destruídos na ocupação terrorista entre 2014 e 2017.
  • Entre os anos de 2014 e 2017, a cidade de Mosul, no Iraque, viveu anos sombrios após ser ocupada pelo grupo terrorista do Estado Islâmico do Iraque e Síria (ISIS).
  • Os cristãos, em particular, foram bastante perseguidos pelos extremistas, e agora contam com a ajuda de muçulmanos para se restabelecerem em Mosul.
  • Um pequeno grupo de jovens muçulmanos está ajudando na reestruturação da cidade e também colabora com a limpeza e reconstrução das igrejas.

Em Mosul, um pequeno grupo de jovens muçulmanos está ajudando a reerguer igrejas que foram destruídas durante a ocupação do Estado Islâmico do Iraque e Síria (ISIS) na cidade, que ocorreu entre os anos de 2014 e 2017. O objetivo da iniciativa é trazer os cristãos de volta ao seu local de origem.

Mosul é a segunda maior cidade do Iraque e, de acordo com o padre Raed Adel, responsável pela comunidade cristã local, o número de adeptos era de 45 mil, mas começou a cair depois de 2003, após a queda de Saddam Hussein. O auge desta fuga foi em 2014, quando os católicos deixaram a região após a chegada dos terroristas.

O clima hostil começou a dar lugar à cooperação entre os cristãos e os jovens muçulmanos membros do grupo “Sawaed al Museliya” (Braços de Mosul), que estão prestando serviços comunitários, apoio alimentar de emergência e arrecadação de fundos para reconstruir casas pertencentes aos residentes mais pobres da cidade. Agora, eles também estão auxiliando os cristãos na limpeza e reconstrução dos templos saqueados e destruídos pelo ISIS.

A volta dos cristãos de Mosul

Uma dos locais em restauração é a igreja de São Tomás. Construída em 1800, ela é uma referência para os cristãos do rito siríaco no Iraque. O templo ainda carrega algumas marcas da ocupação dos terroristas na cidade, como as palavras “Terra do Califado” pintadas nas paredes dos escombros. Após três anos da libertação de Mosul, os católicos terão a chance de restabelecer seu local de culto, e os voluntários muçulmanos estão ajudando nesta causa.

“Esta é uma mensagem para dizer ‘Volte, Mosul não está completa sem vocês’”, disse Mohammed Essam, cofundador do grupo de voluntários local, em entrevista ao jornal The Arab Weekly. “Queremos dizer que os cristãos pertencem a este lugar. Que eles têm uma história rica aqui”, concluiu.

O grupo também irá ajudar na reconstrução da catedral dos caldeus em Mosul. De acordo com o Padre Paul Thabit Mekko, chefe da comunidade cristã em Karamles, a situação agora parece mais calma e o processo de reconstrução se deve principalmente às crescentes iniciativas dos jovens.

“Mosul e a planície de Nínive iniciaram um lento caminho de renascimento após anos de violência sectária e domínio jihadista por meio de iniciativas que unem cristãos e muçulmanos, especialmente jovens”, disse ele, em entrevista ao Asianews. “São a evidência de uma mudança de mentalidade e ajudam outros a aderir ao caminho do diálogo e da troca”, concluiu.

Ações em combate à COVID-19

A cooperação entre muçulmanos e cristãos no Iraque também tem sido algo importante no combate à pandemia da COVID-19 no país. Os grupos estão se esforçando para criar espaços para quarentena e também estão tentando trazer alimentos, remédios e itens essenciais para esses locais.

De acordo com o Padre Mekko, o surto da doença atrasou alguns projetos de restauração da igreja, mas eles não podem parar por causa do vírus.

Com Informações de: The Arab Weekly, Asianews e Aleteia

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