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Muçulmana é queimada viva ao recusar casar-se com Hindu na Índia

O assassino teve ajuda de dois comparsas, que jogaram querosene e atearam fogo na vítima, que não queria compromisso pois já havia noivado.
  • Uma jovem muçulmana de 20 anos foi queimada viva na Índia por se recusar a casar com um homem Hindu no distrito de Vishali.
  • A vítima, Gulnaz Khatoon, teve 75% do corpo queimado e chegou a sobreviver por 15 dias, mas não resistiu aos ferimentos.
  • O crime gerou diversos protestos e reacendeu o debate sobre o tratamento desumano que os muçulmanos vêm sofrendo na Índia nos últimos tempos.

Um crime bárbaro chocou a comunidade islâmica no distrito de Vishali, na província oriental de Bihar, na Índia. Gulnaz Khatoon, 20, foi queimada viva no dia 30 de outubro e faleceu neste último domingo (15/11). O autor do crime, identificado com Satish Kumar Rai, teve ajuda de dois amigos para atear fogo na jovem, Chandan e Vinod Rai.

O crime foi motivado por um pedido de casamento que foi negado pela vítima. Satish Kumar perseguia a jovem muçulmana, pressionando-a para que ela aceitasse ser sua esposa e assediando-a sexualmente, mas Gulnaz se negava a ter um casamento inter-religioso, o que seria proibido pelas leis islâmicas. 

A jovem também estaria noiva de um outro rapaz, com quem se casaria dentro de quatro meses. Quando soube do pedido de casamento, o assassino passou a incomodar ainda mais a vítima.

Antes de morrer, a jovem prestou depoimento à polícia e contou que, no dia do crime, o assassino foi novamente molestá-la enquanto ela estava tirando o lixo de casa. Neste momento, Gulnaz reagiu e ameaçou relatar o mal comportamento de Satish à mãe dele, o que o deixou furioso. 

Os criminosos jogaram querosene na vítima e atearam fogo em seguida. Ao ouvirem os gritos, os vizinhos começaram a se reunir, o que fez com que os três homens fugissem. A vítima teve 75% do seu corpo queimado. Ela chegou a ser levada para o maior hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos.

Lentidão nas investigações

Os assassinos ainda continuam foragidos. A família se queixou que a polícia demorou a agir contra os acusados. O chefe da delegacia que era responsável pelo caso foi afastado das investigações, acusado de negligência.

Organizações de direitos da mulheres da Índia estão pressionando pela prisão imediata dos criminosos e exigindo uma indenização em dois milhões de rúpias (US$ 27.000) para a família, um emprego governamental e uma investigação rápida e justa.

A família de Gulnaz possui origem humilde e trabalha com costura e venda de roupas. O pai da vítima faleceu em 2017 e ela possui oito irmãos. Eles chegaram a fazer manifestações na praça da cidade pedindo a punição dos criminosos.

“Queremos Justiça. Já se passaram 17 dias, mas quase não houve nenhum progresso. Reclamamos, mas não foi considerado. Estamos impotentes, não temos ninguém para nos ajudar”, disse Shaimuna Khatoon, mãe da vítima, à Agência Anadolu.

Protestos

Nesta segunda-feira, internautas levantaram a hashtag no Twitter #JusticeForGulnaz, divulgando o caso e exigindo ações por parte das autoridades. A região é governada pelo Janata Dal United, aliado ao partido nacionalista hindu Bharatiya Janata (BJP). 

Desde o crescimento do nacionalismo hindu, as castas mais baixas dos intocáveis, mulheres e membros de outras religiões vêm se tornando alvos cada vez mais constantes da violência

Os muçulmanos, em especial, estão sendo considerados como terroristas e invasores pelos apoiadores do governo, embora o Islam esteja na Índia há cerca de 1400 anos e conte com aproximadamente 195 milhões de adeptos no país, sendo a maior religião local depois do hinduísmo.

Asaduddin Owaisi, um importante líder muçulmano da Índia, pressionou o ministro-chefe do estado, Nitish Kumar, em seu Twitter.

“Crueldade inacreditável. Orações pela vítima e sua família. Esses homens a ‘puniram’ por resistir ao abuso sexual. Já se passaram 15 DIAS e ainda não há ação. Homens como Satish são encorajados pelo fato de que nunca há ação. @NitishKumar, onde está sua política ‘dura com o crime’ agora?”

Quem também pressionou o governo foi o líder da oposição no Congresso indiano, Rahul Gandhi, que criticou a má gestão do país e a falsa noção de uma boa governança.

Com informações de: AlJazeera

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