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Julaybeeb: O amado pelo Profeta Muhammad

Quem foi Julaybeeb, um companheiro do Profeta Muhammad, de origens simples, de aparência feia, mas que encantava por sua dedicação ao Islam.
  • Julaybeeb foi um homem que viveu com uma deficiência física e, por isso, sofria muita discriminação.
  • Porém, ao conhecer o Profeta, sua solidão e seu sofrimento finalmente tiveram fim.
  • Ele foi um Companheiro muito dedicado e morreu como mártir em uma batalha.
  • Julaybeeb recebeu muitas honras após sua morte.

Uma história incrível, digna de ser lida, sobre um Companheiro não muito famoso chamado Julaybeeb.

É narrado nos livros de história que Julaybeeb foi um Companheiro que era baixo em altura e de aparência deformada. Sua linhagem era desconhecida e ninguém sabia quem eram seus pais. Ele não tinha um clã para protegê-lo e nenhuma tribo estava disposta a aceitá-lo como seu próprio membro. 

Julaybeeb tinha uma aparência solitária que até as crianças pequenas de Medina provocavam e zombavam dele. Devido à sua deficiência (má aparência), ninguém queria que ele se sentasse próximo.

Ele sobreviveu da melhor maneira que podia. Muitas foram as noites solitárias em Medina, percorrendo as ruas em desespero, com lágrimas correndo pelo seu rosto. Ninguém estava disposto a oferecer-lhe amor ou compaixão. Sem família ou amigo no mundo. A sua vida era uma luta solitária.

Porém, após a chegada do Profeta de Allah a Medina, o destino de Julaybeeb mudou.

Ele se sentava na companhia do Profeta e o ouvia atentamente, sem falar. Por timidez, ele abaixava seu olhar.

Ele tinha agora o Profeta de Allah como seu melhor amigo. Os dias de solidão e desespero tinham terminado, pois o melhor da criação tinha chegado. Julaybeeb fazia parte, agora, de uma comunidade de crentes.

Um dia, ele estava sentado na companhia do Profeta quando ele lhe perguntou: “Ó, Julaybeeb! Peça alguma coisa! Há algo de que precisas?”

Ele levantou a cabeça lentamente e disse, com uma voz tímida: “Ó, Mensageiro de Allah, Allah me abençoou com a sua companhia. Eu me sento perto dos seus abençoados pés e ouço as suas palavras sagradas. O que mais eu poderia desejar?”

O Profeta de Allah perguntou: “Gostarias de se casar, meu querido Julaybeeb?”. Ele sorriu timidamente, pensando em quem gostaria de se casar com ele. “Sim, ó Mensageiro de Allah, eu gostaria, sim, de me casar.”

O Profeta de Allah foi para a casa de um prestigiado e nobre companheiro, entre os Ansari. Ele disse: “Eu vim para pedir a mão da sua filha em casamento“. O companheiro, por sua vez, ficou muito feliz e disse: “Ó, Mensageiro de Allah, o que poderia ser uma bênção maior do que isso?”

O Profeta disse: “Eu não peço para mim, é para o Julaybeeb.” O sahaba ficou atordoado: “Para o Julaybeeb?”, perguntou, se sentindo confuso. “Sim, para Julaybeeb”, respondeu o Mensageiro de Allah.

Ele disse: “Me permita consultar minha esposa.” Então, disse a ela: “O Profeta de Allah pediu a mão da tua filha em casamento, para Julaybeeb.” Ela começou a chorar e lamentar, dizendo: “Ah, Julaybeeb, não! Qualquer pessoa, menos Julaybeeb. Não vou permitir isso!”

Ao ouvir o barulho (da comoção), a filha chegou. Conta-se que ela era tão bonita que não havia nenhuma mulher entre os Ansares que poderiam competir com sua beleza. Era tão tímida e modesta que, talvez, o próprio céu nunca vira a sua cabeça descoberta.

Ela era uma moça muito piedosa que passava dias e noites em adoração.

A filha perguntou o que estava acontecendo e foi informada de que o Profeta de Allah queria sua mão em casamento para Julaybeeb. Como a mãe continuou chorando e lamentando, a filha disse: “Ó, minha mãe, tema Allah e pense no que está dizendo. Será que está a rejeitar o Profeta de Allah?”

“Ó, minha mãe, não é adequado para um crente que decida por conta própria, quando Allah e Seu Mensageiro já tenham decidido sobre um assunto. Acha que o Profeta de Allah vai nos envergonhar? Abençoada seja a posição de Julaybeeb, que Allah e Seu Mensageiro estejam pedindo a mão da sua filha, por ele.”

“Não sabe que os próprios anjos invejam a poeira dos pés daquele que é amado por Allah e seu Profeta? Peça ao Profeta que traga Julaybeeb, pois não há privilégio maior do que ser abençoada por tal marido. O Profeta de Allah me trouxe um presente maravilhoso, mas a minha mãe chora e lamenta.”

A mãe, com o coração cheio de remorsos, disse: “Pare, minha filha! Não diga mais outra palavra! Eu errei e me arrependo. Arrependo-me 1000 vezes e, a partir de agora, não prefiro mais ninguém para ti, além de Julaybeeb.”

No dia seguinte, o casamento foi efetuado.

Uthman e Ali ofereceram um presente em dinheiro para Julaybeeb, de modo a ajudar a organizar a festa de Walimah e adquirir um lugar para que pudessem viver.

Pouco tempo depois, Julaybeeb foi martirizado em uma expedição. Nesse dia, seu sogro havia lhe pedido: “Ó, Julaybeeb, isto é apenas uma expedição, não é uma jihad obrigatória. É Fardh e Kifayah, uma jihad voluntária. Portanto, sendo um recém-casado, passe algum tempo com sua esposa.”

Julaybeeb, o homem que havia passado a vida inteira em desespero e tinha encontrado uma esposa amorosa. Mas leiam a resposta que ele deu ao seu sogro:

“Ó, meu pai, que coisa estranha que me diz! O meu amado Profeta está no campo de batalha enfrentando os inimigos do Islam e você quer que eu me sente em casa com minha esposa? Jamais! Eu sacrificarei meu sangue e minha alma, em vez de ver o meu Profeta enfrentando dificuldades enquanto eu sento em casa, em luxo”.

O “pequeno” Julaybeeb era, de fato, uma visão estranha, carregando uma espada quase do mesmo tamanho que ele.

Os demais Companheiros o olharam com espanto, o doce e gentil Julaybeeb transformado em um leão (no campo de batalha). “Quem se atreve a guerrear contra o meu Profeta?” Foi o que disse, enquanto atacava as fileiras do inimigo.

Após essa batalha, o Profeta de Allah perguntou por seus Companheiros para ver se alguém estava faltando em suas famílias e clãs. Cada um voltou com todos os membros de sua família.

Então o Profeta disse, com lágrimas nos olhos: “Mas eu perdi o meu querido Julaybeeb, ide procurá-lo!” Encontraram o seu pequeno corpo ao lado de 7 inimigos que havia matado na batalha.

O Profeta de Allah pediu para que fosse preparada uma cova. O Profeta segurou o corpo de Julaybeeb e disse: “Ó, Allah, ele é de mim e eu sou dele”, repetindo três vezes. Os Companheiros choraram copiosamente: “Que nossas mães e pais sejam sacrificados para ti, ó Julaybeeb, quão grande é o teu prestígio!”

Desta forma, um discípulo que tinha vivido como um estranho, rejeitado pela sociedade à sua volta, mas que tinha amado Allah e Seu Mensageiro atingiu um grau tão elevado.

Ele, que não era bonito, mas fora abençoado com uma bela esposa. Ele, que era pobre, mas fora abençoado com uma rica esposa. Ele, que não tinha família ou prestígio, mas fora abençoado por uma mulher com prestígio e de nobre linhagem.

Ele, que tinha vivido na solidão e desespero, mas fora amado por Allah e seu Mensageiro.

Ele teve o privilégio de ter o Mensageiro de Allah dizendo: “Ó, Allah, ele é de mim e eu sou dele.” Diz-se que, no dia do seu martírio, o próprio céu estava cheio de milhares de anjos que vieram participar no seu funeral.

Julaybeeb, o solitário, havia-se tornado um querido de Allah e seu Profeta. Ele não era mais solitário. Tal é o estatuto dos que amam o Profeta Muhammad.

Quanto à sua esposa, diz-se que não houve outra viúva cuja mão foi mais procurada em casamento do que a dela.

[Sahih Muslim Livro 031, Hadith Número 6045]

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