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Homossexuais e Transgêneros podem ser muçulmanos?

Assim como em outras religiões, o Islam defende que a homossexualidade e transgeneridade são pecados, no entanto, este assunto vai muito além disso.
  • Ter relações homoafetivas e agir como pessoas do sexo oposto são práticas que não são aceitas dentro da religião islâmica. 
  • Tanto o Alcorão quanto os relatos do Profeta Muhammad apresentam evidências que proíbem tais comportamentos.
  • No entanto, a religião não proíbe que homossexuais e transgêneros se convertam embora considere a conduta pecaminosa.

A homossexualidade e a transgeneridade são assuntos controversos dentro do Islam. A religião prescreve quais são as práticas pecaminosas e diz aos fiéis que eles devem manter-se distantes delas – no entanto, não condena as características ou predisposições naturais de cada pessoa, apenas as atitudes que estão em desacordo com as fontes sagradas se são postas em prática com base em tais características ou predisposições. 

Embora o Alcorão tenha sido revelado em um tempo no qual as pessoas não tinham o conceito da opção sexual variada como uma forma de identidade, as fontes sagradas do Islam oferecem boas bases para prescrever quais devem ser as condutas que o ser humano deve adotar  em relação à sua sexualidade e ao seu gênero.

Assim, a homossexualidade e a transgeneridade da forma como são defendidas pelo movimento LGBT atualmente são algo que está em desacordo com os ensinamentos islâmicos, mas não existem impedimentos para que pessoas dentro destes grupo sigam a religião, e o pertencimento de um individuo a tais identidades não é um obstáculo pré-conversão, ainda que o conselho islâmico é que ele deva se esforçar o melhor que puder para abandonar tais práticas.

Por que são pecados?

Homossexualidade

Assim como os Livros Sagrados do judaísmo e cristianismo, que antecederam o Islam, o Alcorão relata a história do Profeta Ló, que alertou os homens da cidade de Sodoma sobre os pecados que cometiam, pois eles tinham o costume de manter relações com pessoas do mesmo sexo.

“Dentre as criaturas, achais de vos acercar dos machos, deixando de lado o que vosso Senhor criou para vós, para serem vossas esposas? Em verdade, sois um povo depravado!” (Alcorão 26:165-166)

Por fim, os homens continuaram com seus comportamentos e a cidade de Sodoma foi destruída por Deus. Ao comentar sobre este evento, o Profeta Muhammad condenou diversas vezes as atitudes do povo de Ló e alertou aos muçulmanos que nunca repetissem o que eles faziam.

Foi narrado por Jabir: “O Profeta disse: ‘Não há mais nada que eu tema aos meus seguidores do que a ação do povo de Ló.’ ” (Tirmidhi: 1457)

No entanto, mesmo as relações homossexuais nas quais não haja sodomia são consideradas ilícitas.

De Abu Musa al Ashari, o Profeta afirma que: “Se uma mulher se relacionar (sexualmente) com uma mulher, ambas são adúlteras; se um homem se relacionar com um homem, ambos são adúlteros”. (Al Tabarani em al Mujam al Awat: 4157)

Transgeneridade 

Para o Islam, a pessoa deve se comportar de acordo com seu sexo biológico, ou seja, aquilo com que Deus lhe agraciou. A religião parte do princípio de que Allah é incapaz de cometer qualquer erro. Portanto, Ele deu às suas criaturas aquilo que elas precisam ser, isto é, todos que são homens nasceram para isto e o mesmo vale para as mulheres.

Diante disto, uma pessoa muçulmana que questione a vontade de Deus, está pondo em cheque sua crença, e deve trabalhar sua espiritualidade para aceitar os desígnios e testes divinos sobre si, pois de modos diferentes, toda a humanidade é passível deles. Por isso, o Profeta Muhammad deixou claro que a transgeneridade não é um comportamento islâmico.

“Narrado por Abdullah ibn Abbas: O Profeta amaldiçoou homens efeminados; aqueles homens que estão na semelhança (assumem as maneiras das mulheres) e aquelas mulheres que assumem as maneiras dos homens.” (Bukhari 7: 72: 774)

Homossexualidade segundo a Lei Islâmica

Alcorão

A relação homossexual pode ser enquadrada em duas categorias dentro da Sharia. A primeira é adultério e fornicação (zina) e a outra é sodomia (liwat). Ambos são pecados graves, dos quais os muçulmanos devem buscar distância e se arrependerem, caso já tiverem cometido.

Foi narrado que Abu Hurairah disse: “Ninguém que comete Zina é um crente no momento em que comete Zina; ninguém que rouba é um crente no momento em que rouba; ninguém que bebe vinho é um crente no momento em que está bebendo. ” – E ele mencionou um quarto, mas eu (o narrador) havia esquecido – “Quando ele faz que o jugo do Islam caia sobre o seu pescoço, mas se ele se arrepende, Allah aceita seu arrependimento”. (Sunan an Nasai 4872)

Tudo aquilo que faz com que a pessoa tenha o desejo por uma relação sexual ilícita deve ser evitado.

Abu Hurairah disse: “O Profeta disse: ‘Allah escreveu a porção exata de zina que um homem irá ceder. Não haverá escapatória. A zina do olho é a aparência (luxuriosa), a zina dos ouvidos é a escuta (músicas voluptuosas ou conversas indevidas), a zina da língua é a fala (desregrada), a zina da mão é o toque (lascivo), a zina dos pés é o caminhar (para o lugar onde ele pretende cometer zina), o coração anseia e deseja, e as partes íntimas aprovam tudo isso ou o desaprovam.’ ”  (Muslim 2657)

No entanto, não há algo nas fontes sagradas islâmicas que condene a pessoa pelo simples fato de ser homossexual, contanto que ela busque distância de qualquer tipo de comportamento que a religião condene.

Transgeneridade segundo a Lei Islâmica

Embora os conceitos de transgeneridade tenham mudado muito entre o período da revelação do Alcorão e os dias atuais, é fato que na Arábia antiga havia pessoas que se enquadravam nos padrões de hoje. Este grupo era chamado de mukhannath, que eram homens eunucos, hermafroditas ou que, por alguma outra razão, falavam, se vestiam e se assemelhavam às mulheres.

“Um afeminado que pintava suas mãos e pés de rena foi trazido ao Profeta. Ele perguntou: “Qual é o problema deste homem?”, e responderam: “Mensageiro de Allah, ele imita a aparência das mulheres!” Então ele deu a ordem para que o homem se mudasse para an Naqi (uma região próxima de Medina). As pessoas indagaram: “Mensageiro de Allah! Não deveríamos tê-lo matado?, e ele respondeu: “Proibi que matassem pessoas que oram.”

– Sunan Abi Dawud, hadith n° 4928

Isso nos mostra que essas pessoas estão no Islam, mas elas precisam se arrepender de seus pecados, observar as leis religião e se esforçar para cumpri-las, evitando comportamentos e relações sexuais proibidas. 

No caso de pessoas que têm alguma característica ou comportamento que se assemelha ao do sexo oposto, mas não têm a intenção de imitá-lo, não há problema, desde que ela procure manter uma conduta de acordo com o seu sexo biológico. 

Cirurgias de redesignação de gênero

As cirurgias só podem ser feitas caso a pessoa queira revelar o órgão escondido, como, por exemplo, em casos de hermafroditismo, pois é algo que naturalmente pertence ao sexo biológico da pessoa.

No entanto, o simples desejo de ter o corpo igual ao do sexo oposto não dá direito ao muçulmano de realizar nenhum procedimento médico ou estético.

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