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Economia Halal: O que é e qual o panorama brasileiro e mundial?

A economia halal cresce mundialmente, acompanhando o aumento da população islâmica e também atraindo consumidores não-muçulmanos.
  • A economia halal é a que mais cresce no mundo. Ela atrai consumidores muçulmanos e não-muçulmanos.
  • O Brasil é um dos grandes exportadores de carne halal do mundo e estabelece comércio com Emirados Árabes, Arábia Saudita, Egito, Irã e outros.
  • A diversificação é uma das apostas do mercado brasileiro para aumentar as exportações

Halal é uma palavra árabe que quer dizer “permitido”. Este termo é bastante usado para se referir a tudo aquilo que é apropriado para consumo dos muçulmanos e preparado de acordo com os padrões estabelecidos pela lei islâmica. Produtos e serviços enquadrados nesta categoria devem usar somente ingredientes permitidos, tratar bem a terra e ter responsabilidade social, justiça econômica e investimento ético.

Em um mundo com 1,8 bilhões de muçulmanos, os números apontam um enorme crescimento da economia halal em escala global. Isto porque o número de pessoas adeptas da religião aumenta cada vez mais, e também por causa de pessoas que não são da religião, mas que, de alguma forma, consomem produtos e serviços segundo as normas islâmicas.

Certificação

Carnes

De acordo com a FAMBRAS Halal, uma das empresas responsáveis por fazer a certificação de carnes com padrão islâmico no Brasil, para obter o selo, cada item deve ser produzido com insumos e auxiliares totalmente lícitos de acordo com a jurisprudência da religião. 

Os produtos não podem prejudicar a saúde humana; precisam ter boas práticas de fabricação nos processos fabris; devem ter Análise de Pontos de Perigo de Controle Crítico (APPCC e HACCP) em sua produção e manejo equilibrado do solo e dos recursos naturais; não utilizar mão de obra escrava ou infantil; respeitar os limites de agrotóxicos estipulados pela legislação do país; abater animais com respeito e humanismo, seguindo os padrões da Sharia; transferir informações com transparência; ter boa conduta comercial e destinar parte dos lucros para benefícios sociais e ambientais.

A empresa que deseja obter o selo precisa passar por algumas etapas: a primeira é solicitar à empresa que emite o certificado que, em seguida, fará uma avaliação no produto final e nas matérias-primas. Depois, é feita uma auditoria em planta e, por último, os ensaios laboratoriais de PCR e Cromatografia Gasosa. 

Após essas etapas, a decisão da certificação é avaliada por um comitê e, se não houver nenhum problema, a empresa garante o certificado.

Outros segmentos industriais

A SIIL Halal, empresa que faz certificação de frigoríficos, empresas e indústrias do Brasil, realiza uma auditoria em duas etapas e, em seguida, um comitê avalia a decisão. Caso os produtos, a produção e os ambientes de armazenamento estejam em conformidade com a jurisprudência islâmica, o solicitador obtém o certificado.

Produtos e serviços

Durante muito tempo, o halal esteve muito associado à alimentação, mais especificamente ao abate de animais. No entanto, com o avanço das indústrias e do comércio, hoje o mercado também engloba produtos farmacêuticos, cosméticos, higiene e saúde. 

Atualmente, halal está associado a um estilo de vida e um padrão de consumo muito bem definido que é explorado por empresas de marketing, mídia eletrônica, turismo, moda e muitos outros segmentos.

De acordo com um levantamento feito pela Africa Islamic Economic Foundation, a alimentação ainda representa 61% do mercado halal, seguida pelos farmacêuticos em 26%, cosméticos em 11% e demais segmentos em 2%.

Outro levantamento feito pela Halal Industry Development Corporation sobre perspectiva de crescimento, feito com base em 5% do comércio halal global, apontou que o valor da indústria de cosméticos pode chegar a US$ 177 bilhões, seguido pela agricultura em US$ 41,5 bilhões, farmacêutico em US$ 30,3 bilhões, finanças islâmicas em US$ 25 bilhões, logística em US$ 0,17 bilhões e indústria de viagens em US$ 0,13 bilhões.

Números no mundo

Clientes de produtos halal crescem pelo mundo
Clientes de produtos halal crescem pelo mundo (Foto: REUTERS/Eduard Korniyenko)

Segundo a Africa Islamic Economic Foundation, a economia halal é um setor que possui um valor estimado de US$ 2,3 trilhões, possui crescimento anual em 20% e a indústria valoriza US$ 60 bilhões a cada ano. Esses números mostram que este é o segmento cujo número de consumidores mais cresce anualmente.

Muitos fatores explicam este crescimento. Entre os mais importantes, está o aumento da religião islâmica no mundo. Atualmente, este número, segundo a Majlis Global, chega a 1,8 bilhões, que correspondem a 23% da população mundial, e até 2030 deverá atingir a marca de 2,2 bilhões, o que representará 26,4% da população. Em 2050, esta marca deverá ser de 2,6 bilhões, o que será equivalente a 30% da população estimada. 

A região onde a economia halal é mais forte é a do Pacífico Asiático, onde estão localizados quatro dos 10 países com mais muçulmanos no mundo: Indonésia, Paquistão, Índia e Bangladesh. Este mercado também é forte no Oriente Médio, onde se concentram 20% de toda população islâmica do mundo, e na África subsaariana, onde vivem 15% de todos praticantes da religião. 

Há tendência de crescimento entre consumidores não-muçulmanos, que recorrem aos produtos halal por causa da qualidade e dos padrões éticos em sua elaboração. No Reino Unido, por exemplo, existem cerca de 2 milhões de muçulmanos e 6 milhões de consumidores de halal. Na Holanda, os consumidores não-muçulmanos também demonstram interesse neste mercado, onde a demanda total é estimada em cerca de US$ 3 bilhões anualmente. Na Rússia, as demandas crescem entre 30% e 40% ao ano.

Números no Brasil

O Brasil é um dos maiores exportadores de carne halal do mundo e alguns exemplos mostram a importância deste comércio, especialmente em relação aos países do Oriente Médio. Em 2019, os Emirados Árabes foram responsáveis pela compra de US$ 838,39 milhões em proteína animal brasileira, o que representou 37,88% das exportações totais para o país do Golfo, superando os índices anteriores de 32,48% em 2018 e 25,19% em 2017.

Outros países representam uma parte importante nas exportações brasileiras como, por exemplo, a Arábia Saudita, que importou US $ 931,33 milhões em 2019. Já o Egito é o nono maior comprador de carne brasileira, pagando US$ 541,96 milhões em 2019. Quem também desempenha papel importante é o Irã, com US$ 224,34 milhões exportados em carnes do Brasil em 2019.

No entanto, alguns fatores são um problema para o crescimento do comércio com outras nações, como a queda na receita da exportação brasileira, o aumento na produção de carnes nos países com os quais o Brasil já comercializava anteriormente e o futuro incerto causado pela pandemia do coronavírus. 

Em abril de 2020, o CDIAL Halal do Brasil recebeu permissão do Centro de Credenciamento do Golfo (GAC) para expandir sua certificação para mais quatro categorias: produtos vegetais perecíveis, produtos com vida útil longa à temperatura ambiente, produção de ração, distribuição e transporte e armazenamento. A empresa já era autorizada a certificar o abate e processamento de carne e a fabricação química e bioquímica.

Em 2019, o país já tinha buscado ajuda da Organização Mundial do Comércio para diversificar as exportações. O Brasil possui boas relações econômicas e logística, agora precisa apostar no crescimento do setor no país para aquecer a economia.

Fontes

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