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Ciência Como Exercício da Fé Islâmica

  • Muitos médicos muçulmanos entendem a ciência como uma parte da fé.
  • A busca pelo conhecimento e a caridade através do simples ato de ajudar os outros são recomendações da religião islâmica.
  • Há uma longa tradição de médicos muçulmanos que seguem o ofício influenciados pelo Alcorão e pelo Profeta Muhammad.

A história do Islam ficou bastante marcada no período medieval pelos diversos avanços científicos dos cientistas do oriente que eram seguidores da religião. As contribuições foram em diversos campos, incluindo na medicina, onde vários cientistas muçulmanos deram grandes contribuições para toda a humanidade e cujos conhecimentos influenciam até mesmo as práticas modernas.

Desde a era do Profeta Muhammad, os muçulmanos são orientados a buscarem conhecimento e a cuidarem da própria saúde, havendo um campo de conhecimento dentro da religião chamado de “medicina profética”, que consiste em terapias curativas e preventivas contra doenças e outros males. 

O estímulo dado pelo Profeta aos seus seguidores continuou motivando cientistas muçulmanos na busca pelo conhecimento e, graças a isso, cientistas como Ibn Sina (Avicena), Ibn Rushd (Averróis) e Al-Zahrawi (Abulcasis) foram capazes de criar tratados de medicina altamente sofisticados que acabaram se tornando uma referência para a medicina em todo mundo.

O gosto pela ciência continuou cativando muitos muçulmanos ao longo da história e, até hoje, muitos se aprofundam na medicina e em outros campos como uma forma de exercício da própria fé. Mesmo no Brasil, onde a comunidade islâmica é pequena, os adeptos da religião que exercem a medicina destacam a importância do conhecimento para se aprofundar na fé.

Buscando Allah Através da Ciência

O Dr. Yussef Abdouni começou a se interessar por medicina aos 12 anos, enquanto estudava o corpo humano em uma aula de ciências na escola. Ele se formou em medicina, se especializou em ortopedia e hoje é orientador de residência médica na área de cirurgia da mão da Santa Casa de São Paulo.

“Como tudo na vida de um muçulmano, a prática médica também pode (e deve) ser um ato de adoração a Deus”, afirma o médico. “Em primeiro lugar, o médico deve ter ciência de que o conhecimento que ele adquiriu, foi Deus quem o permitiu. E, em segundo lugar, nós atuamos como instrumentos de Deus. Só conseguiremos curar alguém com a Sua permissão”, conclui.

O Dr. Yussef lembra que ajudar os outros é sempre uma prática de caridade no Islam e a medicina está aí para curar as pessoas, cuidar da saúde delas e aliviar o sofrimento, o que é também uma forma de auxílio. 

“Quando nos envolvemos com o sofrimento alheio, com o intuito de mitigá-lo, estamos realizando um ato de solidariedade. E isso nos aproxima de Deus. Ver que a vida é fugaz e que a melhor tecnologia, no hospital mais moderno, não pode evitar a morte, nos afasta da arrogância (Alhamdulillah)”, afirma o doutor. 

O Dr. Yussef é médico e orientador de residência médica na área de cirurgia da mão da Santa Casa de São Paulo

O doutor diz que a ciência não contradiz a fé, mas sim algo que está dentro dela.

"O Profeta Muhammad (SAAS) nos orientou "Vá atrás do conhecimento, ainda que na China". Então, a ciência é uma parte da fé, principalmente se estivermos cientes de que estamos estudando a obra de Deus todo poderoso. Há quem acredite que ciência e religião são contraditórios, mas certamente são aqueles que não têm o perfeito entendimento nem da ciência, nem da religião", concluiu.

A Medicina Como um Exercício de Fé

O Dr. Mohamed Kassen Omais é pediatra, atende em Cuiabá (MT) e, desde 1994, atua neste campo da medicina. Para ele, a recompensa religiosa do exercício da profissão supera tudo, pois engloba todos os benefícios que a profissão pode dar: "Quando você se preocupa com o próximo e percebe suas necessidades, agindo para preservar a vida é a saúde, há a remuneração aqui, porém a intenção pode ser maior e sempre em nome de Deus", afirmou o médico. 

O Dr. Mohamed é especializado em Pneumologia Pediatrica e broncoscopia.
 

Entre 1994 e 1996, o Dr. Mohamed esteve no Líbano para validar o seu diploma e, desde aquela época, teve a oportunidade de aprender muito sobre o exercício da medicina, o que o fez compreender mais profundamente o exercício da profissão.

˜A religião (o nosso livro sagrado) deve ser interpretada no tempo que a gente vive. Muito conhecimento se torna mais claro ao entendermos e termos conhecimento da ciência.

As duas mãos da fé levando ao conhecimento ou o contrário, da ciência e conhecimento aumentando a nossa fé." disse o Dr. Mohamed.

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