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Foto de criança sentada sobre o avô morto revela brutalidade na Caxemira

Testemunhas afirmam que a vítima teria sido baleada por forças policiais da Caxemira como forma de vingança pela morte de agentes de segurança.
  • Uma criança de apenas três anos foi fotografada sentada sobre o peito do avô baleado pelas forças policiais da Caxemira.
  • A família da vítima afirma que ele foi assassinado a sangue frio pela polícia, que foi motivada por vingança pela morte de agentes.
  • Desde março, os conflitos na região se agravaram depois que o governo indiano intensificou as operações no local.

Na última quarta-feira (01/07), uma cena triste e chocante ganhou destaque em diversos jornais pelo mundo afora. Na foto que circulou pela internet, uma criança de apenas três anos aparece sentada em cima do corpo de seu avô, que havia acabado de ser fatalmente atingido disparos da polícia, que trocava tiros com manifestantes na cidade de Sopore, na Caxemira, região que é controlada pelo governo da Índia. 

O homem morto é Bashir Ahmed Khan, 65. Ele era civil e estava passando de carro pela região. A polícia disse que ele morreu em troca de tiros, mas no veículo não havia nenhum sinal de disparos. Testemunhas afirmaram que o homem foi retirado do carro à força e assassinado pelas forças de segurança, e que sua morte foi motivada por vingança pelos recentes conflitos locais que resultaram na morte de diversos agentes.  

Um registro feito após o incidente mostra um depoimento do neto de Ahmed, no qual ele afirma que o avô foi morto pelos policiais. O menino teria ouvido os policiais exigindo que Ahmed descesse do carro e, segundo os familiares, a criança está traumatizada e ainda escuta os tiros em sua mente.

Foto que viralizou do menino na Caxemira
Imagem que viralizou sobre o assassinato de um civil na Caxemira. (Foto: The Islamic Information)

A polícia nega esta versão e afirma que a família está sendo coagida pelos manifestantes para incriminar as forças de segurança. No entanto, em entrevista à AlJazeera, Suhail Ahmed, filho da vítima, afirmou que eles haviam sido informados por telefone de que o pai havia sofrido um acidente e só no momento em que chegaram ao local que viram o que, de fato, havia acontecido.

Repercussão

Um porta-voz do Partido Bharatiya Janata, que está à frente do poder em exercício na Índia, chegou a zombar do ocorrido. Em uma rede social, Sambit Patra postou a foto trágica com o comentário “Amantes do Pulitzer?”, fazendo uma referência aos jornalistas que recentemente ganharam um prêmio por expor imagens dos conflitos que estão ocorrendo na Caxemira. Os ultra-nacionalistas hindus afirmam que as imagens vencedoras passam uma imagem “anti-Índia”.

Após o assassinato, diversos manifestantes organizaram novos protestos. Enquanto isso, no funeral de Ahmed, várias pessoas entoaram palavras de ordem contra a repressão indiana, como: “Queremos liberdade!”.

A foto do assassinato de Ahmed foi compartilhada por milhares de pessoas nas redes sociais.

Contexto

De acordo com o inspetor geral de segurança da polícia da Caxemira, Vijay Kumar, o tiroteio começou quando rebeldes armados abriram fogo contra forças de segurança que estavam em frente a uma mesquita na cidade de Sopore. Um oficial foi morto e três ficaram feridos. 

A luta pela independência da Caxemira existe desde 1989 e vários grupos rebeldes travam lutas armadas na região. De acordo com a Coalizão da Sociedade Civil Jammu Kashmir, um grupo de direitos humanos, pelo menos 229 pessoas foram mortas durante mais de 100 operações militares na Caxemira desde janeiro, incluindo 32 civis, 54 forças do governo e 143 rebeldes.

No mês de março, o governo indiano intensificou as operações na região após um bloqueio por causa do novo coronavírus, o que agravou os conflitos na região. Atualmente, cerca de 500 mil soldados indianos estão atuando na Caxemira.

Com informações de AlJazeera e The Islamic Information.

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