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A Morte da Paternidade no Ocidente

Com mais de 50% das crianças ocidentais em nossos dias nascendo de mães solteiras, grande parte da sociedade está crescendo sem pai. Quanto às crianças que são afortunadas o bastante para crescer conhecendo seu pai, muitas delas não desenvolvem uma boa relação com ele. Isso se dá por conta de um número de fatores.

Um fator significativo é o declínio do casamento no ocidente, e, infelizmente, no mundo inteiro. Se as pessoas não estão se casando, então há menos homens e mulheres comprometidos entre si em uma relação estável que pode ser capaz de gerar filhos, em primeiro lugar. Se os casamentos são instáveis por conta de laços matrimoniais fracos e da constante ameaça de um divórcio iminente, então a relação pai e filho irá sem dúvida sofrer.

Exigências extenuantes de trabalho para fazer face às despesas da casa são outro grande fator. Com baixos salários e o custo de vida subindo todo ano, os homens têm de trabalhar mais do que nunca para serem capazes de se sustentarem, e ainda mais para sustentar esposa e filhos. Mais trabalho significa mais estresse; então, quando os homens chegam em casa de seus trabalhos, estão muito exaustos para passar tempo de qualidade com suas esposas e filhos. Se a mãe também trabalha, então as crianças acabam tendo influência parental mínima no seus dias. A maior parte de suas horas semanais é gasta na escola, e, ao voltar para casa, seus pais estão muito cansados para se ocupar delas. A conclusão disso é que as crianças ocidentais estão sendo largamente educadas pelo sistema público de educação e pela cultura pop, que, é claro, são controlados e calibrados cuidadosamente por forças estatais e corporativas maiores.

Quando se trata de classes mais pobres do ponto de vista socioeconômico, os requerimentos para o sustento do dia-a-dia exigem que a pessoa passe por esse extenuante horário de trabalho. Mas, nas classes médias e altas, outro fator opera um grande papel: realização profissional. O desejo de “chegar lá”, de subir a escada da carreira, de ser um empreendedor de sucesso, ou de ser famoso (mesmo sob a desculpa de estar “fazendo a diferença no mundo”) leva muitos ocidentais a uma vida de incessante fadiga. Isso não é nada, senão o amor por dunya (mundo material), que consome o coração de muitos. Esse desejo ardente é descrito por Allah no Alcorão, na Sura al-’Adiyat, como shadid, intenso, ou mesmo violento. Não apenas a relação das pessoas com seu Criador sofre com esse grande foco em dunya, mas também sofrem suas relações familiares, especialmente com os filhos.

Outro fator importante que dificulta as relações pai e filho é a proliferação do entretenimento. O smartphone é o maior responsável por isso. Diversão constante ao alcance dos dedos frequentemente significa que os pais passam mais tempo olhando seus telefones do que a face de seus próprios filhos. Qual o efeito disso? O componente mais fundamental de qualquer relação saudável é o simples contato face-a-face. Mesmo sem comunicação, sem falar uma palavra, apenas o olhar na face é crítico para desenvolver amor, confiança, misericórdia e compaixão. Não seria exagero dizer que uma porção significativa da alegria e prazer da paternidade vem simplesmente de olhar a face sorridente de seu filho.

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Porém, o smartphone se torna um véu impenetrável que mascara as faces das crianças. Sem o contato face-a-face, perde-se também o amor intenso, misericórdia, compaixão e aquela alegria que é a doçura da paternidade. É por isso que muitos pais de hoje em dia, com quem você pode falar, estão insatisfeitos de serem pais.   

Alguns irão até mesmo confessar que, se pudessem voltar no tempo, nem mesmo teriam filhos. Essas são as palavras de pais que não veem seus filhos somarem valores em suas vidas.

Allah criou os filhos como uma das belezas da vida. Ele diz:

Embelezado para os homens é o amor das coisas que eles ambicionam: mulheres, filhos, muito ouro e prata (riqueza), belos cavalos de raça, gado e terras cultivadas. Esse é o prazer da vida deste mundo, mas Allah possui o melhor dos retornos (Paraíso com os rios fluentes, etc.) com Ele. [Alcorão, 3:14]

O homem moderno tem que se perguntar por que ele não valoriza os filhos como os homens do passado valorizavam. Por que os filhos não são mais vistos como uma das recompensas da vida? Isso é demonstrado pelas historicamente baixas taxas de natalidade no ocidente e em outros países modernizados, como o Japão. Agora os países ocidentais oferecem incentivos para que os casais tenham filhos, pois, por si só, eles não têm motivação de constituir famílias. A Hungria recentemente anunciou, como incentivo, que as mulheres que tiverem quatro filhos não precisam mais pagar imposto de renda, além de que receberão incentivos financeiros para comprar itens necessários para a família, como vans.

Esta é a realidade do ocidente moderno. Menos homens querem se tornar pais, e aqueles que se tornam estão passando menos e menos tempo de qualidade com seus filhos. O resultado disso são as várias gerações de crianças que crescem sem pais presentes e amorosos que possam moldá-las e provê-las dos modelos positivos que elas precisam. Essa perda de paternidade tem acontecido por décadas no ocidente, e está apenas piorando,    

porque os efeitos vão se acumulando a cada geração. Os pais dessa geração são mais fracos que seus pais, que eram mais fracos que seus pais, e assim por diante.

O que os muçulmanos devem fazer?

Os muçulmanos devem evitar seguir esse padrão. Isso não requer uma revisão institucional ou algo grande assim. Tudo o que é necessário é tomada de decisão pessoal e planejamento. Todo e qualquer homem muçulmano tem a responsabilidade de lutar contra essa maré. 

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Se você não é casado, a coisa mais importante é ter visão. Como você vislumbra sua família? A que você aspira? É aí que a maioria dos problemas começa, nomeadamente, com os jovens muçulmanos não compreendendo o que eles devem desejar. Eles então acabam tropeçando nos movimentos do casamento sem um objetivo geral em mente, e os resultados são menos do que desejáveis.

O principal componente dessa visão é prever com quem você quer casar. Uma das coisas mais importantes para buscar numa esposa é alguém que queira ter muitos filhos, entenda e esteja ansiosa para tomar essa responsabilidade. Como um muçulmano solteiro, você está procurando por uma esposa que irá priorizar sua família, com tudo que isso acarreta? Ou você está priorizando coisas irrelevantes e danosas, como se ela tem nível superior, objetivos ambiciosos de carreira, se ela é uma ativista social apaixonada, se está aspirando ser uma líder feminina forte, etc.? Se você está priorizando tais coisas, então saiba que você está contribuindo para o problema e seguindo os passos do ocidente degenerado. Não fique surpreso quando você acabar em um casamento tóxico e, por fim, num divórcio amargo. Isso é com você. 

Se você já é casado, está tendo filhos? É claro que pode haver uma variedade de razões pelas quais um casal não queira ou não possa ter filhos. A pergunta é: essas razões são legítimas? Em casos frequentes, as razões de adiar ou de não querer ter filhos não são legítimas, falando islamicamente; priorizar dunya, por exemplo. Novamente, não estou dizendo que não há razões legítimas para adiar ter filhos, absolutamente que há. Entretanto, evitar ter apenas porque você está tentando alcançar aquele próximo marco histórico na carreira, ou porque sua esposa está muito ocupada com algum projeto ativista, ou algo do tipo, não são boas razões.

Se você tem filhos, a pergunta se torna: você está fazendo o seu melhor como um pai muçulmano? No discurso ocidental moderno, a própria palavra ‘pai’ está sendo substituída pelo termo sem gênero ‘genitor.’ De acordo com essa nova convenção, todos devemos aspirar a sermos “bons genitores.” O movimento sutil aqui é acabar com os papéis de gênero, com a implicação de que qualquer gênero pode cumprir qualquer papel e, essencialmente, servir à mesma função. A paternidade está obsoleta, porque uma mulher pode cumprir o mesmo papel. Agora já estão chegando ao ponto de declarar que as conexões biológicas também são irrelevantes. Isso é para satisfazer os casais gays e lésbicos, que afirmam ser tão capazes de exercer a paternidade  quanto os pais e mães biológicos. Isto é, claro, um absurdo destrutivo e vil, e a implicação lógica é que as crianças podem ser criadas sem qualquer conexão com seus pais biológicos. Uma criança pode ser criada por um cuidador designado pelo Estado, e crescer sem desejar nada. Porém, por que nos limitar aos humanos? Talvez, com o avanço da inteligência artificial, até mesmo um robô autônomo pode servir nesse papel de cuidador, mas eu discordo.    

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No Islam, sabemos que cada gênero tem um papel. Pais são pais e não podem ser substituídos por mães, e vice versa. Como pais, temos que virar a maré despriorizando dunya e a busca individualista de realização profissional, fama e fortuna. Temos que guardar o smartphone, desligar o video game e os serviços de transmissão online, e devemos brincar com nossos filhos. Devemos passar tempo de qualidade com eles, estar envolvidos em sua educação e tarbiya (desenvolvimento espiritual).

Por alguma razão, alguns muçulmanos que foram vendidos à importância dos papéis de gênero parecem pensar que o pai não deve ter nada a ver com seus filhos, que esse é o domínio da mãe. Isso é tolo. Nós não precisamos olhar além do exemplo do Profeta, que a paz esteja sobre ele, para ver o quão necessário e enriquecedor o envolvimento paterno é para a vida de uma criança.

Abu Huraira narrou: Um homem viu o Profeta, que a paz esteja sobre ele, beijar seu neto Hassan. Ele disse: “Eu tenho dez filhos e não beijo nenhum deles.” O Profeta disse: “Em verdade, quem não demonstra misericórdia não receberá misericórdia.”

Você pode passar dias contemplando a sabedoria do Mensageiro em sua expressão dessas poucas palavras concisas, que as bênçãos de Allah e a paz continuamente estejam sobre nosso amado Mensageiro. Ele brincava com seus filhos e netos,ensinava-os, guiava-os e acalentava-os, apesar de estar extremamente ocupado com as responsabilidades de entregar a Mensagem e liderar a Umma (comunidade) naqueles tempos turbulentos de sua profecia. Quem de nós pode dizer que temos esse tanto de responsabilidade em nossos ombros, ao ponto de não termos tempo para nossos próprios filhos?    

Como um pai, eu aconselho a mim mesmo em primeiro lugar, e também todos os pais muçulmanos, a apreciar de verdade a recompensa que Allah lhes concedeu. Seus filhos foram confiados a vocês por Allah, que os possui, e dá e tira de acordo com Sua vontade. Vocês são responsáveis perante Ele pela forma que desempenham seu dever. Você tomará o caminho de ihsan (perfeição na conduta espiritual), se esforçando para criar uma geração que será mais forte na fé e na convicção que a anterior, uma geração que irá liderar a humanidade? Ou você tomará o caminho da negligência, ghafla (falta de atenção), e da eventual degeneração, seguindo servilmente o caminho do ocidente não muçulmano? 

Fonte: https://muslimskeptic.com/2019/02/13/the-death-of-fatherhood-in-the-west/

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