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Qual é a postura de Ibn Al-Jawzi em relação ao sufismo e por que ele escreveu Talbis Iblis?

Qual é a postura de Ibn Al-Jawzi em relação ao sufismo e por que ele escreveu Talbis Iblis?

Dúvida: As-salum alaikum, algumas pessoas citam amplamente o livro “Talbis Iblis” do Imam Ibn al-Jawzi como uma referência contra o sufismo em geral.

Qual foi a motivação de Ibn al-Jawzi em escrever “Talbis Iblis” e qual é a sua posição em relação ao sufismo?

Resposta: Wa-alaikum as-salam, Rezo para que esteja com máxima saúde e em seu melhor espírito/disposição.

Ibn al-Jawzi criticou todas as áreas da sociedade – incluindo estudiosos e sufis, sábios e ignorantes, líderes e pessoas comuns – e destacou maneiras pelas quais alguns deles podem ser iludidos e aceitarem os sussurros e desvios do Diabo. Eis o motivo do título de sua obra, Os enganos do Diabo ou The Deceptions of the Devil (Talbis Iblis).

Por favor, leia também os links a seguir:
– O que é a espiritualidade islâmica? http://seekershub.org/ans-blog/2014/11/13/what-is-islamic-spirituality-a-reader/

– Qual o valor e a importância da obra, Ihya ‘Ulum al-Din de Imam al-Ghazzali?

http://seekershub.org/ans-blog/2014/12/08/imam-al-ghazzalis-ihya-ulum-al-din-importance-and-value-a-reader/

E é Deus o outorgador da facilidade e da bem-aventurança.

Was-salam, Faraz Rabbani.

Ibn Al-Jawzi (Biografia)

Por Shaykh Gibril Haddad

 

Abd al-Rahman ibn Ali ibn Muhammad ibn Ali ibn Ubayd Allah ibn Abd Allah ibn Hammadi ibn Ahmad ibn Muhammad ibn Ja’far ibn Abd Allah ibn al-Qasim ibn al-Nadr ibn al-Qasim ibn Muhammad ibn Abd Allah ibn al-Faqih Abd al-Rahman ibn al-Faqih al-Qasim ibn Muhammad ibn Khalifat Rasul Allah – Que Deus o bem-diga e abençoe-o – Ele era, com Shaykh `Abd al-Qadir al-Gilani, o imam dos hanbalitas e o principal orador de reis e príncipes em seu tempo,  cujas reuniões, segundo relatos que chegaram até nós, reuniram até cem mil pessoas; um mestre de hadiths, filólogo, e comentarista do Alcorão, jurista especialista, médico e historiador de caráter soberbo e de maneiras requintadas.

Órfão de seu pai aos três anos de idade, Ibn al-Jawzi foi criado por sua tia, que mais tarde o trouxe para o erudito de hadith, Ibn Nasir. Ele foi seu primeiro shaykh. Aprendeu sobre hadith com ele, e com mais de 80 outros shuyukh (plural de shaykh) e serviu de professor para seu neto Shams al-Din Yusuf ibn Qazghali al-Hanafi; SIBT al-jawzi -, bem como alguns dos maiores mestre de ahadith (plural de hadith) da escola hanbalita e juristas do porte de Muwaffaq al-Din Ibn Qudama, Ibn al-Najjar, and Diya’ al-Din al-Maqdisi.

Ibn al-Jawzi adotou uma firme postura de Ash’ari em doutrina e corajosamente denunciou o antropomorfismo de sua escola na interpretação dos atributos Divinos em sua obra Daf` Shubah al-Tashbih bi Akuff al-Tanzih (“Refutação das Insinuações de Antropomorfismo nas Mãos da Transcendência Divina”), também conhecido como al-Baz al-Ashhab al-Munqadd` ala Mukhalifi al-Madhhab (“O Falcão Flamejante que Abate sobre os Dissidentes da Escola Hanbalita”) as palavras:

‘’Tenho visto entre os seguidores de nossa escola alguns que mantinham discursos insanos sobre a doutrina. Três, em particular, aplicaram-se para escrever livros em que distorcem o madhhab de Hanbali: Abu ‘Abd Allah ibn Hamid, em primeiro, seu amigo al-Qadi (Abu Ya’la) em segundo, e Ibn al-Zaghuni em terceiro lugar. Ibn Abi Ya’la, Ibn Hamid e Ibn al-Zaghuni) descem ao nível da crença popular, explicando os atributos divinos de acordo com as exigências do que os sentidos humanos conhecem. Eles ouviram que Deus criou Adão de acordo com Sua semelhança e forma (ala suratihi), então eles afirmam que Deus tem uma forma e rosto além de Sua Essência, que tem dois olhos, uma boca, uma úvula, um molar, dentes, uma fisionomia, duas mãos, dedos, uma palma, um dedo mindinho, um polegar, um peito, coxas, duas pernas, dois pés!… etc.  Então eles aplacam o povo comum, acrescentando: “Mas não como pensamos…”. Aplicaram significados externos em relação aos Divinos Nomes e Atributos. Assim, eles dão aos Atributos Divinos um nome totalmente inovador e inventado, para o qual não têm nenhuma evidência nos textos transmitidos do Alcorão, da Sunna, ou em provas racionais baseadas na razão. Eles não prestaram atenção nem aos textos que afastam o sentido aparente para os significados requeridos para Allah, nem ao cancelamento necessário do significado externo quando atribui a Deus as marcas distintivas das criaturas.

Eles não se contentam em dizer: “atributo do ato” (sifatu fi’l) até que eles acabem dizendo: “atributo da essência” (sifatu dhat). Então, uma vez que afirmaram ser “atributos da essência”, eles alegaram a seguir: não construímos o texto de acordo com as diretrizes da língua árabe. Assim, eles se recusam a interpretar a “mão” (yad) como significando “favor” e “poder”; Ou “surgindo” (maji ‘) e “vindo” (ityan) como “misericórdia” e “favor”; ou “shin” (saq) como “tribulação”. Em vez disso eles dizem: ‘’Nós os interpretamos em seus sentidos externos usuais, e o sentido externo é o que é descritível em termos de características humanas bem conhecidas, um texto é interpretado apenas literalmente se o sentido literal é viável’’. Então ficam ofendidos quando são imputados com a comparação de Deus com Sua criação (tashbih) e expressam desprezo por tal atribuição a si mesmos, clamando: “Nós somos Ahl al-Sunna!” no entanto, seu discurso é claramente formulado em termos de tashbih. E algumas das massas os seguem.

Eu aconselhei os seguidores e os líderes dizendo: colegas!, Vocês são adeptos e seguidores de nosso madhhab. Seu maior Imam é Ahmad ibn Hanbal (que Deus tenha misericórdia dele), que disse enquanto sob o chicote da Inquisição: “como posso dizer o que nunca foi dito?” cuidado com a inovação em seu madhhab, cuidado com o que não é dele. Então, você disse a respeito dos hadiths (dos Atributos): “Eles devem ser tomados em seu sentido externo.” Mas o sentido externo de qadam (“pé”) é um membro corporal!  E quando foi dito a respeito de Isa: Ruh Allah (o espírito de Allah), os cristãos pensavam que Allah possuía um atributo chamado Seu Espírito que tinha entrado na Santíssima Virgem Maria!

“Ele está estabelecido sobre Seu trono em Sua Essência (bi al-dhat)”, fez de Allah um objeto de percepção sensorial. Cabe a um não negligenciar os meios pelos quais o princípio da religião é estabelecido e que é a razão. Pois é em virtude da razão que conhecemos a Deus e o julgamos Eterno sem princípio. Se você dissesse: “Nós lemos hadiths, mas estamos em silêncio”, ninguém teria qualquer objeção contra você. No entanto, a sua interpretação do sentido exterior é moralmente repugnante e nojento. Não introduza no madhhab deste homem do Salaf, Ahmad Ibn Hanbal, o que seu pensamento não contém. Faz-se necessário não negligenciar os meios pelo quais o princípio da Religião é estabelecido, ou seja, a razão. Pois é em virtude da razão que conhecemos a Deus e O julgamos Eterno e sem princípio. Se você dissesse: “Nós lemos hadiths, mas estamos em silêncio”, ninguém teria qualquer objeção contra você. No entanto, a sua interpretação do sentido exterior é moralmente repugnante e nojenta. Não introduza no madhhab deste homem de Salaf, Ahmad Ibn Hanbal, o que seu pensamento não contém.

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Devido a este trabalho, Ibn al-Jawzi foi criticado por Hanbalitas e pelos defensores de inclinação Hanbali foi repreendido. Tais como Muwaffaq al-Din ibn Qudama e seu neto mestre em Hadith, Sayf al-Din ibn al-Majd, bem como Ibn Taymiyya e seu círculo. Entre eles, al-Dhahabi disse: “Que Deus tenha misericórdia dele e o perdoe! Gostaria que ele não houvesse sondado a interpretação figurativa e nem divergido de seu Imam”.

Alguns foram muito longe o criticando, como Ibn Nuqta, que disse: ”Jamais conheci alguém que se baseando em sua religião, conhecimento e razão, que apavorou Ibn al-Jawzi”. Al-dhahabi respondeu: ‘’Se Allah aprova o que veio dele, eles são irrelevantes.”

Ibn al-Jawzi foi um prolífico autor de mais de setecentos livros, que dentre os quais al-Dhahabi listou:

1.al-Adhkiya’;
2.Afat al-Muhaddithin;
3.Akhbar al-Akhyar;
4.Akhbar al-Nisa’, um manual informativo para mulheres muçulmanas em 110 capítulos breves , seguido por biografias sobre 66 mulheres muçulmanas eminentes. O livro foi impresso sob o título Ahkam al-Nisa ‘. Nela, Ibn al-Jawzi cita o seguinte:’. Nele, Ibn al-Jawzi, cita o seguinte: O Profeta (que Deus bendiga-o e o abençoe), relatou: ”Eu odeio que uma mulher seja descarada (salqa’) e deixe seus olhos nús (marha’), sem usar kohl nos olhos e henna nas mãos.” ”A’isha (que Allah esteja satisfeito com ela) – relatou: ”O mensageiro de Allah (que Deus bendiga-o e o abençoe), ordenou-nos (às mulheres) passarmos os dedos das mãos por entre nossos cabeços em ghusl e tingir nossas mãos com henna para que não se tornem secas e ásperas como as mãos dos homens.
5.al-Amthal, obra sobre os provérbios;
6.al-Bulgha fi al-Fiqh;
7.Dhamm al-Hasad;
8.Dhamm al-Hawa;
9.Dhamm al-Muskir;
10.Dhikr al-Huffaz;
11.Dhikr al-Qussas;
12.al-Du`afa’, Um compêndio de narradores de hadith de fraca autenticidade;
13.Dur’ al-Dim fi Siyam Yawm al-Ghaym;
14.Durra al-Iklil na história;
15.Fada’il al-`Arab;
16.Fadl Maqbarat Ahmad, Sobre os benefícios associados ao cemitério de Ahmad ibn Hanbal em Bagdá;17.al-Fara’id;
18.al-Fawa’id al-Muntaqat, dividido em 56 partes
19.Funun al-Afnan fi `Ulum al-Qur’an’
20.al-Hada’iq, dividido em dois volumes

21.Hal al-Hallaj, “O status de al-Hallaj”, no qual Ibn al-Jawzi relata que ele tinha em sua posse a cópia autografada de um tratado do mestre hadith Hanbali Ibn `Aqil (513) escrito em louvor de al-Hallaj, intitulado Juz ‘fi Nasr Karamat al-Hallaj (”Opúsculo em louvor dos dons miraculosos de al-Hallaj”). Como outros sufis hanbalitas, tais como al-Harawi al-Ansari (d. 481), Ibn Qudama (d 620) e al-Tufi (715). Ibn `Aqil considerou al-Hallaj um wali e não duvidou de sua sinceridade e retidão.
22.al-Hathth `ala al-`Ilm;
23.al-Hathth `ala Talab al-Walad;
24.al-`Ilal al-Mutanahiya fi al-Ahadith al-Wahiya, dividido em dois volumes, um trabalho complementar de seu Mawdu`at;
25.al-Intisar fi al-Khilafiyyat, dividido em dois volumes;
26.al-Ishara fi al-Qira’at al-Mukhtara;
27.al-Jadal;
28.Jami` al-Masanid, dividido em sete volumes, que al-Dhahabi disse que nem sequer está perto de ter realizado a alegação estabelecida pelo seu título;

29.al-Khata’ wa al-Sawab Min Ahadith al-Shihab;
30.al-Khawatim;
31.Manafi` al-Tibb;
32.Manaqib, uma série de livros sobre os imensos méritos dos seguintes: Abu Bakr, Umar, Ali, Ibrahim ibn Adham, al-Fudayl ibn Iyad, Bishr al-Hafi, Rabi`a al-Adawiyya, Umar ibn Abd Al-Aziz, Sa’id ibn al-Musayyib, al-Hasan al-Basri, Sufyan al-Thawri, Ahmad ibn Hanbal, al-Shafi`i, Ma`ruf al-Karkhi e outros.
33.al-Manasik;
34.al-Manfa`a fi al-Madhahib al-Arba`a, dividido em dois volumes;
35.Mashhur al-Masa’il, dividido em dois volumes;

36.al-Mawdu`, dividido em dois volumes, uma compilação do que ele considerava serem ahadith falsificados, na qual ele incluiu muitos ahadith autênticos, como foi apontado por aqueles que o criticam.

  1. Minhaj al-Qasidin wa Mufid al-Sadiqin (“A Estrada dos Perseguidores e o Instrutor dos Verdadeiros”), um resumo do Ihya ” Ulum al-Din de al-Ghazzali – que Ibn al-Jawzi criticou – no qual ele cuidadosamente evita o uso dos termos sufi e tasawwuf. O Minhaj foi sintetizado em um volume por Najm al-Din Abu al-‘Abbas Ahmad ibn Qudama (742). Aqui estão alguns de seus capítulos e trechos mais ilustrativos da influência do Imam al-Ghazzali sobre Ibn al-Jawzi e da adoção geral dos temas e terminologia sufi por parte dos último:

a-Fasl `ilm ahwal al-qalb (Seção sobre a ciência dos estados do coração)

 

b-Fasl fi daqa’iq al-adab al-batina fi al-zakat (Seção sobre a ética e das minúcias do zakat encoberto

c-Fasl fi al-adab al-batina wa al-ishara ila adab al-hajj (Seção sobre a ética e segredos da peregrinação)

d-Kitab riyadat al-nafs wa tahdhib al-khuluq wa mu`alajat amrad al-qalb (Livro do treinamento do ego, a educação do caráter, e o tratamento das doenças do coração)

e-Fasl fi fa’idat shahawat al-nafs (Seção sobre o benefício dos apetites do ego)


f-Bayan al-riya’ al-khafi al-ladhi huwa akhfa min dabib al-naml (Exposição da auto exibição oculta que é mais oculta do que o pisar de uma formiga)


g-Fasl fi bayan ma yuhbitu al-`amal min al-riya’ wa ma la yuhbit (Seção expondo a auto exibição que anula as ações realizadas e a auto exibição que não as anula)

h-Fasl fi dawa’ al-riya’ wa tariqatu mu`alajat al-qalbi fih (Seção sobre o remédio contra a auto exibição e a maneira de tratar o coração de suas doenças)

i-Kitab al-mahabba wa al-shawqi wa al-unsi wa al-rida (Livro sobre o amor, do desejo apaixonado, sobre a familiaridade, e do prazer bom)

j-Fasl fi bayan mi`na al-shawq ila allahi ta`ala (Seção expondo o significado do anseio apaixonado por Deus)

k-Bab fi al-muhasaba wa al-muraqaba (Capítulo sobre a vigilância e analisar-se a si mesmo)

l- al-maqam al-awwal: al-musharata (A primeira estação: compromisso)

m- al-maqam al-thani: al-muraqaba (A segunda estação: vigilância)

n- al-maqam al-thalith: al-muhasaba ba`da al-`amal (A terceira estação: consideração de cada ato)

o- al-maqam al-rabi`: mu`aqabat al-nafs `ala taqsiriha (A quarta estação: repreendendo o ego por suas deficiências)

p- al-maqam al-khamis: al-mujahada (A quinta estação: lutando)

q- al-maqam al-sadis: fi mu`atabat al-nafs wa tawbikhiha (A sexta estação: castigar e repreender o ego)– Abu Bakr al-Siddiq disse: “Quem odeia seu ego por causa de Deus, Deus o protegerá contra o que Ele odeia.” Anas disse: Ouvi Umar dizer, quando estava sozinho atrás de um muro: “Bakh, bakh! Bravo, bem feito, ó meu ego! Por Allah, você precisa temer mais a Allah, Ó pequeno filho de hattab, ou ele o punirá!”; Al-Bakhtari ibn Haritha disse:” Vi um dos fiéis devotos sentados diante de um fogo que ele acendeu quando ele estava castigando seu ego, e não parou de castigar seu ego até morrer.; ”Um deles disse: ” Quando os santos são mencionados, eu digo a mim mesmo: confie em você e confie em você novamente.”; – sabia que o pior inimigo é o seu próprio ego que está entre os seus dois flancos. Foi criado um tirano comandando o mal, sempre o empurrando para ele, e você foi ordenado a endireitá-lo, limpá-lo (tazkiyat), desmamá-lo do que o alimenta, e arrastá-lo em cadeias, subjugado, ao culto de Seu Senhor.

Continuação de sua bibliografia

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38.al-Mudhish;
39.al-Muhadhdhab fi al-Madhhab;
40.al-Mughaffalin;
41.al-Mughni, é um comentário maciço do Alcorão que ele abreviou em Zad al-Masir;

42.al-Mukhtar fi al-Ash`ar, livro sobre antologia poética dividido em 10 volumes.
Mukhtasar Funun Ibn ‘Aqil, dividido de dez a vinte volumes;
43.al-Muntakhab;
44.Muntaqad al-Mu`taqad;
45. Al-Muntazam fi al-Tarikh, uma história de dez volumes do Islam, na qual ele narra com sua cadeia de al-‘Abbas ibn Hamza e Musa ibn `Isa respectivamente: Eu rezei zuhr atrás de Abu Yazid al-Bistami. Quando ele queria levantar as mãos para dizer Allahu akbar ele era incapaz em razão do seu grande temor do nome de Deus. Suas articulações começaram a tremer até que eu pude ouvir o barulho de seus ossos, coisa que me chocou…  Ele costumava se repreender e dizer à sua alma todas as manhãs: “Ó covil de todo mal! Uma mulher tem a menstruação, então se torna pura novamente entre três a dez dias, mas você, ó minha alma! Esteve por vinte e trinta anos sentada e não se tornou pura ainda. Quando você vai se limpar?”
46.Mushkil al-Sihah dividido em quatro volumes;
47.Muthir al-Gharam al-Sakin ila Ashraf al-Amakin;
48.al-Nab`a fi al-Qira’at al-Sab`a;
49.Naqy al-Naql dividido em dois volumes;
50.al-Nasikh wa al-Mansukh;
51.Nasim al-Suhur;
52.Qiyam al-Layl dividio em três partes;
53.al-Qussas;
54.al-Riyada;
55.Sayd al-Khatir dividido em três volumes, contendo aforismos e sábios conselhos;

56.Siba Najd;
57.Sifa al-Safwa, dividido em quatro volumes, um resumo do compêndio de Aby Nu’aym sobre os sufis, entitulado, Hilya al-Awliya, no qual citou al-Junayd dizendo: ”Dos sinais da ira de Deus contra um servo é que Ele o faz muito ocupado com o que não tem nenhum interesse para ele.”
58.al-Tabsira sobre a oratória, em três volumes;

59.Tadhkira al-Arib em língua 60.Tadhkira al-Muntabih fi `uyun al-Mushtabih;
61.al-Tahqiq fi Masa’il al-Khilaf em dois volumes;
62.Tahrim al-Dubur;
63.Tahrim al-Mut`a;
64.Talbis Iblis, uma obra escrita contra os xiitas e os sufis rebeldes;
65.Talqih al-Fuhum;
66.al-Taysir fi al-Tafsir;
67.al-Thabat `ind al-Mamat;
68.al-`Udda fi Usul al-Fiqh;
69.Usud al-Ghaba fi Ma`rifa al-Sahaba;
70.`Uyun al-Hikayat em dois volumes;
71.al-`Uzla;
72.al-Wafa bi Fada’il al-Mustafa, Um grande trabalho sobre a biografia profética e reconhecimentos imensos em várias centenas de capítulos;
73.al-Wahiyat, Outro título para al-`Ilal al-Mutanahiya;
74.Wird al-Aghsan fi Ma`ani al-Qur’an;
75.al-Wujuh wa al-Naza’ir;
76.al-Yawaqit, a collection of sermons. (Sermões Reunidos)

Foi censurado a Ibn al-Jawzi, o que escreveu rápido demais sem uma cuidadosa verificação. Al-Al-Dhahabi disse: “Chamamos Ibn al-Jawzi hafiz (memorizador de hadith) em deferência à profusão de seus escritos, não a sua erudição”, enquanto Shaykh Abdul Fattah Abu Ghudda disse:  ‘’nossa confiança está em Deus! Ibn al-Jawzi compôs um grande livro sobre falsificações de hadith para que juristas, pregadores e outros possam evitá-los, então você o verá citar em suas obras exorbitantes ahadith forjados e histórias rejeitadas sem pé nem cabeça, ​​sem vergonha ou segundas intenções.

No fim, sente-se que Ibn al-Jawzi é duas pessoas e não uma! … Por esta razão Ibn al-Athir o culpou em sua história intitulada al-Kamil com as palavras: “Ibn al-Jawzi culpou-o (al-Ghazzali) por muitas coisas, dentre elas, sua narração de ahadith inadequados em suas exortações; Ó, é de se espantar que Ibn al-jawzi critique-o por isso! Pois suas próprias obras exortativas e livros estão impregnados com eles (mahshuwwun bihi wa mamlu’un minh)!” e o mestre de hadith al-sakhawi disse em Sharh al-Alfiyya: ”Ibn al-Jawzi citou falsificações e seus semelhantes em grande abundância em suas obras exortativas”

Ouvi meu avô dizer do púlpito: “com estes dois dedos meus escrevi dois mil volumes; cem mil (rebeldes muçulmanos) se arrependeram em minhas mãos; e vinte mil (não muçulmanos) entraram no Islam. “Ele costumava recitar todo o Alcorão uma vez por semana e não saía de sua casa, exceto para jum’a ou para o encontro. Ele havia renunciado ao mundo e Usufruí-a pouco dele … Nunca gracejou com qualquer um, nem gracejou com meninos pequenos, nem comia nada que vinha de partes cuja licitude não tinha certeza.

Suas elocuções

Al-Dhahabi citou algumas das palavras de Ibn al-Jawzi:

– A um amigo seu: “Você está amplamente desculpado por sua ausência porque confio muito em você, e você está condenado da mesma forma porque eu senti tanto a sua falta”.

– Do púlpito: “Ó príncipe! Lembre-se da justiça de Deus em relação a você quando você exerce o poder, e que o poder de Deus sobre você quando medir a punição. Não cure sua raiva infectando sua religião.”

– Do púlpito: “Ó comandante dos crentes! Se eu falar, terei medo de você; E se eu ficar calado temerei por você. Eu decidi colocar meu medo por você antes do meu medo de você. A palavra de alguém que aconselha: “Itaqillah!” É melhor do que a de alguém que diz: “Você pertence a uma casa que foi perdoada.” (Ahl al-Bayt])

– A um homem que lhe perguntava o que deveria preferir, elogiar ou pedir perdão, ele respondeu: “Um pano sujo precisa de sabão mais que de incenso”.

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– A um homem que lhe disse: “Eu não dormi ontem à noite para chegar a este encontro!”, Ele respondeu: “Isso é porque você estava ansioso; mas hoje chegou a noite em que você não deverá dormir.’’

– Para um homem que continuava perguntando quem era melhor, Abu Bakr ou Ali, ele respondeu: “Sente-se. Você é melhor que todos os outros.’’

– Um homem costumava sentar-se nas reuniões de Ibn al-Jawzi e frequentemente manifestar seu prazer em voz alta nas expressões do Imam. Um dia ele permaneceu em silêncio por um longo tempo, e Ibn al-Jawzi voltou-se para ele e disse: “O Aarão de suas exclamações são uma ajuda para o Moisés de minhas expressões. Portanto, envia-o para mim como meu suporte”. Este é um dispositivo comumente utilizado por professores  de árabe que exigem uma forma de ovação persistente, além da atenção ou do olhar atento, a fim de perceber o apreço de seus ouvintes e derramar seu melhor para eles .

– “As pessoas adeptas de Mu`tazili kalam dizem que não há Senhor no céu, nem Alcorão no mushaf, nem Profeta no túmulo. Estas são três desgraças a serem atribuídas a eles.”

Ibn al-Jawzi foi severamente julgado no final de sua vida quando suas críticas a Shaykh Abd al-Qadir al-Gilani – seu superior de quarenta anos – levaram a acusações feitas contra ele ao sultão al-Nasir pelos filhos do Shaykh e seus apoiadores. Então Ibn al-Jawzi foi publicamente vilipendiado, apreendido e arrastado para a prisão enquanto sua casa era selada e seus dependentes se dispersavam. Ele foi levado de Bagdá para a cidade de Wasit onde permaneceu preso por cinco anos durante os quais nunca entrou num hammam (local onde há um tipo de banho que consiste em permanecer em um ambiente quente e cheio de vapor), remendando suas próprias roupas e preparando sua própria comida. Ibn al-Jawzi foi libertado depois que seu filho Yusuf conseguiu assegurar a intercessão da mãe do Califa a seu favor. Naquela época, o Imam tinha cerca de oitenta anos.

Foi relatado que Ibn al-Jawzi era bonito, gentil, educado, com uma voz melodiosa, de doce companhia. Costumava cuidar de sua saúde e sempre tentava melhorar sua constituição e tudo o que estimulava sua mente e a aguçava. Usava roupas brancas e perfumadas. Ele tinha uma sagacidade aprimorada e foi rápido em suas réplicas. Como resultado de beber anacardium marsh nuts (baladhir) no início da vida, sua barba caiu e permaneceu muito escassa, a qual costumava tingir preto até o final da vida. Al-Muwaffaq ‘Abd al-Latif disse: “Seus livros tinham muitos erros neles porque terminava um livro e nunca mais voltava a olhar para ele.” Al-Dhahabi comentou sobre isso: “Seus livros são preenchidos com todos os tipos de erros devido a falta de revisão e de cópia de fontes escritas. Ele compilou tal quantidade que uma segunda vida não teria bastado para revisar tudo.’’ Na semana de sua morte, ele recitou a seguinte linha:

kam kana li min majlisin law shubbihat halatuhu latashabbahat bi al-jannati

”Quanto às minhas conferências, se fosse possível compará-las a alguma coisa, seriam comparáveis ao Paraíso.’’

Seu reto relatou de sua mãe, que do leito de morte de Ibn al-jawz foi ouvido que repetiu, dirigindo-se aos visitantes invisíveis: ”O que você quer que eu faça com estes pavões?” Ele morreu entre a oração do maghrib e ‘Isha na noite anterior a jum`a, dia 13 do Ramadan. Seu corpo recebeu a lavagem ritual antes da oração do fajr e as pessoas de Bagdá seguiram seu caixão ao cemitério de Ahmad ibn Hanbal. A multidão era tal que, quando seu túmulo foi atingido por todas as pessoas, era hora de Jum`a. Durante o restante do mês, as pessoas recitaram khatmas do Alcorão em seu túmulo ininterruptamente, dia e noite. Na noite seguinte ao sepultamento de Ibn al-Jawzi, o erudito hadith Ahmad ibn Salman al-Sukr o viu em seu sonho, de pé num púlpito de pérolas, pregando aos anjos.

Fonte principal: al-Dhahabi, Siyar A`lam al-Nubala ’15: 483-494 # 5342.
Notas:

1Abu `Abd Allah al-Hasan ibn Hamid al-Baghdadi al-Warraq al-Hanbali (d. 403), Era o professor de Abu Ya`la.

2º pai do autor de Tabaqat al-Hanabila, era al-Qadi Abu Ya`la Muhammad ibn al-Husayn ibn al-Farra’ al-Hanbali (d. 458).

3 Abu al-Hasan `Ali ibn `Ubayd Allah al-Zaghuni al-Hanbali (d. 527), autor de al-Idah e foi um dos professores de Ibn al-Jawzi.

4 Uma referência ao hadith pelo qual Deus coloca o seu ”qadam” no fogo.  Veja na seção intitulada ”A interpretação dos Salaf sobre os termos qadam, rijl, e saq” nas crenças e doutrinas islâmicas de Shaykh Hisham Kabbani, de acordo com ahl al-Sunna Volume um (p.195) ou em sua enciclopédia de doutrina Islâmica (1: 168). Veja páginas relevantes sobre o assunto em: http://sunnah.org/aqida/index.htm.

5 Introdução de Daf` Shubah  al-Tashbih a Ibn al-Jawz

6 Sobre ele, veja Tadhkira al-Huffaz (4: 1446) de al-Dhahabi.

7 Narrado de ‘A’isha por Ibn al-Jawzi sem cadeia em Ahkam al-Nisa’ (página 89).

8 Ibid. Ibid. Al-Haythami disse em Majma` al-Zawa’id (5: 171): “Al-Tabarani narrou de Umm Layla em al-Awsat e al-Kabir (25: 138) e sua cadeia contém narradores que eu desconheço. “Também narrado de Umm Layla por Ibn Mandah – como afirmado por Ibn Hajar em al-Isaba (8: 296) – e Ibn al-Mulaqqin em Khulasa al-Badr al-Munir (1: 358).

9 Ibn Qudama, Mukhtasar minhaj al-qasidin li Ibn al-Jawzi, ed. M. Ahmad Hamdan e ‘Abd al-Qadir Arna’ut, 2º. Ed. (Damasco: maktab al-shabab al-muslim wa al-maktab al-islami, 1380/1961) p. 426.

10 Em Ibn al-Jawzi, al-Muntazam (5:28-29).

11 Ibn al-Athir, al-Kamil fi al-Tarikh (10:228).

12 `Abd al-Fattah Abu Ghudda, notas al-Lucknawi al-Raf` wa al-Takmil (p 420-421).

 

13 A este ponto, al-Dhahabi pergunta: “E quanto à oração congregacional?” No entanto, parece desnecessário dizer que a declaração de Sibt al-Jawzi toma isso como certo porque a escola do Imam Ahmad considera a oração obrigatória inválida a menos que oferecida em congregação se alguém tem capacidade e oportunidade de realiza-la.

-Resposta de Shaykh Faraz Rabbani

 

Fonte: http://seekershub.org/ans-blog/2016/01/30/12883/

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