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A Perda do Sentido: A Destruição dos Lugares Sagrados do Islam – Sheykh Faraz Rabbani

Em nome de Allah, O Clemente, O Misericordioso

A CADA ANO, os lugares sagrados do Islam são destruídos a uma velocidade alarmante. O que talvez é mais alarmante, é que alguns muçulmanos não vêem problema nisso.

Pelo contrário, eles podem até mesmo sentir que isto é algo bom porque existiria uma “ênfase exagerada” na santidade destes lugares. Eles temem que esta ênfase possa enfraquecer ou dificultar o entendimento da Unicidade de Deus e a confiança devida somente a Ele.

Entretanto, os muçulmanos desde as primeiras gerações, procuraram bênçãos (tabarruk) de indivíduos, objetos, lugares e momentos.

Os Companheiros do Profeta Muhammad (que a Paz e as Bênçãos de Deus estejam sobre ele) competiam uns com os outros por fios de cabelo, suor, água restante de wudu, e objetos relacionados a ele (saas), como está relatado em hadiths rigorosamente autênticos.

Também observamos esta prática nas gerações que se seguiram. O Imam Shafi’i lavou uma camisa enviada para ele pelo Imam Ahmad e bebou a água que foi utilizada na lavagem (Ibn ‘Asakir, Tarikh Dimashq 5.312).

O Imam Shafi’i também visitava o túmulo do Imam Abu Hanifa e orava no local, quando tinha alguma necessidade urgente, e pedia que Deus lhe concedesse aquela necessidade, o que invariavelmente acontecia. (al Baghdadi, Tarikh Baghdad. 1.122)

O Imam Ahmad pediu para ser enterrado em Bab al Tibn no cemitério de Qati’a. Quando questionado a respeito disso, ele respondeu, “Eu tenho uma prova contundente de que há um profeta enterrado em Qati’a, e prefiro ser enterrado próximo a um profeta do perto do meu próprio pai”. (Ibn Abi Ya’la Tabaqat al Hanabila, 1. 188).

Por que estes lugares são considerados abençoados?

Surge então a questão: Por que esta ênfase na baraka (bênção) de construções, relíquias e indivíduos? O Alcorão fala sobre a baraka de certos indivíduos (tais como Jesus), lugares (como o Levante), coisas (como a oliveira), textos (como o Alcorão), palavras (como a saudação de salam, paz), e momentos (como a Laylat al Qadr, quando o Alcorão foi revelado pela primeira vez).

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Raghib al Asfahani explica que a baraka é “afirmar o benefício que foi Divinamente posto em algo” (Asfahani, Mufradat Alfadh al Qur’an, 119).

Indivíduos, objetos e lugares abençoados são Sinais da Beleza Divina neles mesmos, em sentido ou forma. Eles nos lembram do Divino – da Unicidade e Beleza Divinas, e dos meios de se aproximar do Divino.

Eles são meios para recordarmos de Deus. Eles nos despertam para a realidade de que as formas das coisas criadas possuem um sentido. De fato, são todos sinais de Deus. Como disse o poeta:

”Em tudo há um sinal,

Indicando que Ele é Um”

Deus nos diz no Alcorão, “E quem venerar as coisas sagradas de Deus, será melhor para com seu Senhor” (Alcorão 22:30), e , “Quem venerar os símbolos de Deus, isto é da piedade dos seus corações” (Alcorão 22:32). Qurtubi explica que “as coisas sagradas de Deus” (sha ‘a’ir Allah) são os sinais distintos da Sua religião (Qurtubi, al Jami’il Ahkam al Qur’na. 12.55).

Por isso, os muçulmanos ao longo das eras têm amado, venerado e buscado as bênçãos de indivíduos virtuosos e lugares de significado, como mesquitas, locais históricos e túmulos dos virtuosos. É uma expressão de amor a Deus ver e celebrar Seus sinais, e amar as coisas Amadas por Ele – como o poeta disse.

Vemos isso na prática do Amado de Deus (SAAS), pois Ibn ‘Umar relata que, “O Mensageiro de Deus (SAAS) costumava pedir para que trouxessem água remanescente das abluções. Ele então bebia desta água,, buscando as bênçãos das mãos dos muçulmanos” (Relatado por Tabarani em Al Awsat. 1243. E Abu Nu’aym em al Hilya 8.203; Haythami disse em seu Majma al Zawa’ id 1214, que sua cadeia de transmissão é confiável).

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Em uma era de falta de sentido crescente, a perda destas pessoas e lugares que nos recordam de Deus e dos meios para nos aproximarmos d’Ele, é realmente lamentável.

Este artigo foi publicado originalmente na Islamica Magazine.

Fonte: http://seekershub.org/blog/2012/08/the-loss-of-meaning-the-destruction-of-muslim-holy-sites/

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