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A realidade dos Auliyâ’ u-llah – Amigos (ou Santos) de Allah

Para a orientação dos crentes (al-mu’min), provas do Alcorão, de hadîth e outras fontes escriturais concernentes ao assunto maravilhoso e decisivo dos Santos ou Auliyâ’ de Allah serão apresentadas. As palavras walî (plural auliyâ’) e walâya são todas de origem alcorânica, com a raiz W-L-Y significando “estar próximo, ser um amigo, governar”. Elas aparecem no Alcorão em formas diferentes mais de 200 vezes.

Para aqueles na comunidade (umma) que involuntariamente negam a ciência do tasawwuf (excelência espiritual) ou negam a jihâd interna (esforço espiritual) do crente, restringem o entendimento de ‘amigos de Allah’ como sendo ‘adoradores piedosos’, que é o que todo crente deveria ser de todo modo. Assim se arriscam a degradar a sua posição – pelo menos aos olhos do desinformados – e diminuir sua importância para os crentes e para o todo da Umma.

Mas quais são as qualidades e favores dos “Amigos de Allah” (walî) e qual é sua função na umma?

Seria útil começar do começo*:

Primeiro, Allah é o Senhor e Protetor (walî) do homem; o homem é quem é testado enquanto está buscando por sentido na vida, por realização e propósito. Quando o crente entende e aceita que a verdade, a luz e o sentido se derivam de Allah e Seu Mensageiro Muhammad (s.a.w.s.), ele se voltará das distrações do mundo inferior (dunyâ), os favores de outro senão Deus e se voltará a Allah em tudo que intenciona e faz, porque:
“Ele (Allah, que sua Majestade seja exaltada) é Amigo (walî) deles e eles são Seus amigos (auliyâ’).” KAM211

No Alcorão Sagrado, Allah diz:
ALLAH é o Protetor [Walî] dos crentes; é Quem os retira das trevas e os transporta para a luz;
(2:257)

Os crentes que migraram e sacrificaram seus bens e suas pessoas pela causa de Allah, e aqueles que os ampararam e os secundaram, são protetores [auliyâ’] uns aos outros.(…)
(8:72)

Assim, a proteção [walâya] só incumbe ao Verdadeiro Allah, porque Ele é o melhor Recompensador e o melhor Destino.
(18:44)

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Não é, acaso, certo que os diletos de Allah (auliyâ’ Allah) jamais serão presas do temor, nem se angustiarão?
(10:62)

Há um comentário sobre esse último versículo alcorânico mencionado no famoso hadîth (qudsi) onde Allah pela boca de Seu Mensageiro afirma que eles não devem ter medo ou angústia:

“Allah disse: ‘Declararei guerra contra aquele que mostrar hostilidade a um adorador piedoso (walî) Meu. E as coisas mais amáveis com as quais Meu servo se aproxima de mim são aquelas que eu as tornei obrigatórias [fard] a ele; e Meu servo continua se aproximando de Mim fazendo nawâfil (rezando ou fazendo atos extras além do que é obrigatório) até que Eu o ame, então Me torno seu sentido da audição com o qual ele escuta, e seu sentido da visão com o qual ele enxerga, e sua mão com a qual ele pega, e sua perna com a qual ele anda; e se ele Me pede, Eu lhe dou, e se ele pede Minha proteção (Refúgio) Eu lhe protejo (isto é, lhe dou Meu Refúgio) e não hesito em fazer nada como hesito em tomar a alma do crente, pois ele odeia a morte; e Eu odeio desapontá-lo.”
(Narrado por Abu Huraira em Bukhâri, vol. 8, hadîth 509)

Então está claro que os Auliyâ’ estão sob o cuidado amoroso e proteção de Allah Todo-Poderoso. São aqueles que ‘não estão mais sujeitos aos apetites naturais, nem aos desejos da alma.’ (SIA40) Livre dos emaranhados do mundo e de suas próprias almas eles podem se devotar a sua função original.

Certamente nosso Líder e Doutor dos corações, o Mensageiro de Allah, Sayyidunâ Muhammad (s.a.w.s.) não está no nosso nível ou posto em relação a Allah ou em relação à criação. Então qual é o posto dos Auliyâ’ quando nos lembramos de que todo profeta é um walî, mas nem todo walî um profeta?
Algumas citações dos nossos predecessores retos podem dar uma explicação:

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“Foi dado aos Auliyâ’ por Allah aproveitar adiantado Seu dhikr e ter acesso a Sua proximidade. A vida de seu corpo é aquela dos seres terrenos e a vida de seu espírito é aquela dos seres celestes.”
Abu Sa’îd al-Kharrâz no Tabaqât de al-Sulami

Abu Nu’aim cita esse dito:

“Os servos os quais Deus mais ama são os piedosos e os ocultos. Quando estão longe ninguém lhes sente falta, e quando estão presentes são ignorados. São os imâms da boa guia e as tochas do conhecimento.”
Suyûti, al-Fahr al-Kabîr, refere isso à Hilyat al-Auliyâ’ de Abu Nu’aim.

Al-Qushairi definiu o walî como:

“Aquele cuja obediência atém a permanência sem interferência do pecado; a quem Allah O Altíssimo preserva e guarda, de forma permanente, das falhas do pecado através do poder dos atos de obediência.”
Em Ibn ‘Âbidîn, Rasâ’il (2:277)

A walâya não involve manifestações espetaculares e nenhum walî deve procurar por isso também. Longe disso – os Auliyâ estão escondidos como descritos nas palavras de Abû Yazîd al-Bistâmî de uma maneira na qual o “Santo de Allah não tem qualquer característica pela qual ele é distinguido, nem nenhum nome pelo qual possa ser nomeado.” (SIA36)
Como ‘Imâms de boa guia e tochas de conhecimento’ sua função é muito importante. A esse respeito, Ibn ‘Arabi diz que a walâya é a ‘sombra da função profética,’ assim como a função profética é ‘a sombra da função divina’.

Isso também quer dizer que a walâya é sobre apropriação do caráter divino (takhalluq). Isso é possível porque o homem ainda possui uma sombra de algumas das qualidades de Allah, tais como ‘vida’, ‘misericórdia’ ou ‘conhecimento’. Walî também é um conceito compartilhado como expressamente afirmado na Sûrat al-Ma’ida, a Mesa Servida (5), versículo 55:

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Vossos reais confidentes [auliyâ’] são: Allah, Seu Mensageiro e os crentes que observam a oração e pagam o zakat, curvando-se ante Allah.
5-55

Esse então é o canal do crente para seu objetivo espiritual e logo a direção para a qual ele deve se voltar quando embarcar na mais grandiosa das viagens, que é o Caminho para Allah (tarîq ilâ Allah).

Analisando os muitos postos no Caminho, R. Baqlî escreve sobre a walâya:

  • O começo do Caminho é a vontade [ou desejo espiritual, irâda] e é acompanhada por batalhas espirituais.
  • O meio do Caminho é o amor [por Allah só, mahabba] e é acompanhado por graças milagrosas (karâmât).
  • O fim do Caminho é a gnose [conhecimento intuitivo intelectual direto, ma’rifa] e é acompanhada pela contemplação (do divino – mushâhadât).

O mencionado acima evoca a proximidade entre o walî e seu Rabb (Senhor). (“Mas quando a walâya se aplica a Allah, ela é também Nusra, a Assistência Divina”, da qual ele se beneficia e a qual foi prometida. SIA42) Também está claro que o ‘caminho do conhecimento’ não é oposto ao ‘caminho do amor’, eles realmente são meros aspectos diferentes no tasawwuf islâmico, assim como todo “walî é tanto um ‘ârif (conhecedor) quanto um muhibb (amante).”
Ibn al-Jauzi disse:

“Os Amigos de Allah e os Retos são o real propósito de tudo que existe (al-auliyâ’ wa al-sâlihûn hum al-maqsud min al-kaun), eles são aqueles que aprenderam e praticaram a realidade do conhecimento… Aqueles que praticam o que sabem, agem com pouco no mundo, buscam o Outro mundo, permanecem prontos para partir de um para o outro com olhos despertos e boa provisão, em oposição àqueles renomados puramente por seu conhecimento.”
Ibn al-Jauzi, Sifât al-Safwa (Beirute, ed. 1989/1409) p. 13, 17.

* citado de ‘The Seal of the Saints; Prophethood and Sainthood in the doctrine of Ibn ‘Arabi’ [O Selo dos Santos; Profecia e Santidade na doutrina de Ibn ‘Arabi], Michel Chodkiewicz

E Allah sabe mais

Fonte: http://www.livingislam.org/o/awl_e.html

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