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O que é Jihad ou Guerra Santa?

O que é Jihad ou Guerra Santa?

Nesta apresentação, gostaríamos de esclarecer o significado de Jihad, um termo que se tornou universalmente conhecido atualmente. Pode-se encontrar inúmeras interpretações deste termo que diferem do seu verdadeiro espírito e do significado que Deus pretendia no Alcorão Sagrado e nas narrações do Profeta (sas). Em vez de aderir a esses princípios canônicos, as pessoas hoje usam o termo Jihad de uma maneira que se adéqua aos seus próprios caprichos sem perceber o dano que estão causando ao islã e aos muçulmanos. O que significa Jihad? Certamente não significa “guerra santa”. Isso é significado por “al-Harb al-muqaddasah” em árabe. Na verdade, em nenhum lugar do Alcorão pode-se encontrar qualquer termo que exprima o significado de “guerra santa”. Pelo contrário, o significado do Jihad combativo expresso no Alcorão ou em Hadith é simplesmente o de guerra.

Dito isto, mostraremos neste escrito que Jihad, no sentido clássico, também significa muito mais do que guerra. Na verdade, Jihad é um termo abrangente que tradicionalmente foi definido como sendo composto de catorze aspectos diferentes, com apenas um dos quais é abrangido pelo termo guerra. Nesta apresentação, explicaremos inequivocamente os diferentes aspectos de Jihad definidos pelo Profeta Muhammad (sas), juntamente com o que os estudiosos muçulmanos do Islã majoritário reconhecidos escreveram sobre o assunto, citando-os extensamente para chegar a uma compreensão precisa desse termo. O pensamento islâmico inclui todas as opiniões acadêmicas prestadas na amplificação dos princípios fundamentais do Islã, sua simplicidade e sua tenra e compassiva abordagem em todos os aspectos das relações humanas.

Atualmente, há muitos indivíduos que estudam o Islã de um ponto de vista superficial e emergem com suas próprias idéias e interpretações inovadoras que nas mais das vezes divergem muito das opiniões legais estabelecidas. Tais opiniões não têm base real na jurisprudência islâmica. No entanto, esse fato não é evidente para a maioria dos não-muçulmanos, e essas proclamações equivocadas lhes dão uma compreensão distorcida do Islã.
Aqui, retornaremos aos textos originais que discutem a questão sobre Jihad para explicar suas diversas facetas e esclarecer seu significado de uma vez por todas.

O significado de Jihad

O significado geral de Jihad é “lutar”. Jihad deriva da palavra juhd, que significa “lutar”. O significado de Jihad fi sabilillah, Luta no caminho de Deus, isso significa se esforçar para esgotar o eu na busca da Presença Divina e promover a Palavra de Deus, a qual Ele fez como um caminho para o Paraíso. Por essa razão, Deus disse: ‘’Se esforçar extremamente (jahidu) no caminho de Deus, mas lográ-lo é resultado devido a Ele [22:78]’’.

É essencial entender que sob o termo jahidu vêm adjunto muitas categorias diferentes de Jihad. O entendimento comum de Jihad como se referindo apenas à guerra é refutado por esta tradição do Profeta (sas): ‘’Um homem perguntou ao Profeta (sas), qual é melhor Jihad?” O Profeta (sas) respondeu: “O Jihad mais excelente é dizer a verdade diante de um tirano.”

1. O fato de que o Profeta (sas) mencionou este Jihad como “o mais excelente” demonstra que existem muitas formas diferentes de Jihad.

Ibn Qayyim (1292 – 1350) e as quatorze categorias de jihad

Os estudiosos islâmicos, desde o tempo do Profeta (sas) até hoje, categorizaram o Jihad em pelo menos catorze categorias distintas. Uma discussão convincente sobre essas categorias é encontrada no livro Zad al-Ma’ad, de Ibn Qayyim al-Jawziyyah Segundo ele, as categorias de Jihad são:

1. Jihad contra os hipócritas

  • Por meio do coração;
  • Por meio da língua;
  • Por meio da riqueza;
  • Pessoalmente.

2. Jihad contra os descrentes.

  • Por meio do coração;
  • Por meio da língua;
  • Por meio da riqueza;
  • Pessoalmente.

3. Jihad contra o demonio.

  • Combatendo-o defensivamente, rejeitando os falsos desejos e as caluniosas hipóteses que ele joga em direção ao servo.
  • Lutando contra ele defensivamente, rejeitando o que ele lança para o servo de paixão e desejo corruptos.

4. Jihad contra o ego.

  • Esforçando-se em buscar orientação e aprender a religião da verdade, sem a qual não há felicidade na vida presente ou na futura.
  • Esforçando-se para agir depois de ter aprendido, pois a qualidade abstrata do conhecimento sem ação, mesmo que não produza erros, é sem benefício.
  • Esforçando-se em pensar e implorar a Deus e ensinar a religião a alguém que não conhece.
  • Esforçando-se com paciência em buscar e suplicar a Deus e suportar com paciência qualquer adversidade que venha daquilo por causa de Deus.

Ibn Rushud (1126 – 1198 d.C), e as categorizações de jihad

Ibn Rushd em seu Muqaddimah, divide Jihad em quatro categorias:

  • Jihad do coração
  • Jihad da língua
  • Jihad da mão
  • Jihad da espada

Jihad do coração – A batalha contra o ego

O Jihad do coração é a luta do indivíduo com seus próprios desejos, caprichos, idéias errôneas e falsos entendimentos. Isso inclui a luta para purificar o coração, corrigir as ações e observar os direitos e responsabilidades de todos os outros seres humanos.

Jihad da língua – Educar e Aconselhar

Ibn Rushd define Jihad da língua como: recomendar a boa conduta e proibir a má (errada), como o tipo de jihad que Deus nos ordenou cumprir contra os hipócritas em Suas Palavras: “Ó Profeta! Esforce-se contra os incrédulos e os hipócritas “[9:73]. Este é o Jihad do Profeta (sas) travada no esforço de ensinar seu povo. Isso significa falar sobre sua causa (profética) e da religião. Deus primeiro revelou:

Leia em nome de Teu Senhor [96: 1]

Assim, o primeiro aspecto do Jihad de educar e aconselhar é ler. A leitura originasse a partir da língua.

Ó Profeta! Esforça-te [jahid] contra os incrédulos e os hipócritas, e sê firme contra eles. [9:73]

Jihad das mãos – Desenvolver a sociedade civil e o progresso material

Jihad das mãos inclui esforçar-se para construir a nação através do desenvolvimento e progresso materiais, incluindo a construção da sociedade civil, adquirindo e melhorando todos os aspectos da tecnologia e do progresso social em geral. Isso inclui descoberta científica, desenvolvimento de clínicas médicas e hospitais, comunicação, transporte e todas as infraestruturas subjacentes necessárias para o avanço e progresso da sociedade, incluindo instituições educacionais. Construir também significa abrir oportunidades para os pobres através de programas econômicos e auto-capacitação. Outro aspecto do Jihad das mãos, é escrever, porque Deus disse: Ele ensinou por meio do Cálamo (Símbolo usado na metafísica islâmica que se refere a um dos aspectos desempenhados pelo que é chamado Logos de Deus pelos cristãos), ensinou a humanidade o que ela não conhecia. [96: 4,5] O significado da escrita inclui o uso de computadores e todas as outras formas de publicação.

Jihad por meio de espada – guerra combativa

O Jihad das mãos inclui a luta pela espada (Jihadun bissayf), como quando se combate o agressor que ataca na guerra combativa.

Jihad na história e na lei

Consideremos agora a natureza do Jihad de forma mais completa, tal como aparece na história e na lei do Islã. Sa’id Ramadan Buti (1929 – 2013), erudito ortodoxo contemporâneo oriundo da Síria afirma em seu trabalho seminal, Jihad no Islã: ‘’O Profeta (sas) convidou os incrédulos pacificamente, apresentou protestos contra suas crenças e se esforçou para remover suas dúvidas sobre o Islã. Quando eles recusaram qualquer outra solução, consequentemente eles recusaram qualquer outra solução, e então declararam guerra contra ele e sua mensagem e iniciaram a batalha, não havendo alternativa a não ser responder à altura com a luta. A forma mais fundamental de Jihad, geralmente negligenciada em manchetes jornalísticas atualmente, é essa de apresentar a mensagem do Islã (da’wah.) Treze anos de 23 anos da missão profética (sas) consistiu puramente deste tipo de Jihad. Contrariamente à crença popular, a palavra Jihad e as formas relacionadas da sua palavra de raiz jahada são mencionadas em muitos versos de Meca em um contexto puramente não combativo. O Jihad compensatório, no uso técnico da lei islâmica, significa “a declaração de guerra contra agressores beligerantes”. A decisão de lutar contra Jihad combativo só pode ser feita pelo líder da nação; não é uma decisão aleatória que qualquer um pode fazer. Além disso, os princípios da jurisprudência islâmica afirmam que as ações do líder devem ser orientadas pelos interesses do povo.

Jihad da educação

Podemos ver que os blocos de construção da democracia estavam presentes na mensagem do Profeta (sas) desde o início. Através do Jihad de educação, ele defendeu liberdade de expressão e debate depois que os chefes das tribos de Meca procuraram suprimi-los durante os primeiros anos de pregação do Mensageiro. Deus afirma no Alcorão:

Convide (todos) ao caminho de seu Senhor com sabedoria e belíssima pregação; e discuta com eles nas melhores e mais graciosas maneiras; pois o teu Senhor sabe melhor, quem se desviou de Seu Caminho e quem recebeu orientação. [16: 125]

Chamar as pessoas para o Islã e torná-las conhecedoras de todos os seus aspectos através do diálogo e da persuasão retórica é o primeiro tipo de Jihad no Islã. Isso é referido no Alcorão, onde Deus diz: ‘’Portanto, não obedeçam aos incrédulos, mas esforcem-se contra eles (pregando) com maior esforço com ele (o Alcorão). [25:52].

Aqui, a palavra “esforçar-se”, jahidu, é usada para significar luta por meio da pregação e exortação da língua – e perseverar apesar da obstinada resistência de alguns incrédulos às crenças e aos ideais do Islã.

Ibn ‘Abbas (619 – 687 d.C) e outros disseram que as palavras de Deus “esforçem-se com o maior esforço” denotam o dever de pregar e exortar como o maior de todos os tipos de Jihad. Ibn Abbas disse que “com ele” se refere ao Sagrado Alcorão. O Jihad aqui mencionado é considerado o mais essencial por Ibn ‘Abbas, primo e associado do Profeta (sas) e mais proeminente exegeta do Alcorão; o chamado para A Palavra de Deus, é o Jihad da Educação.

Imam Maliki ibn Anas (711 – 795)

Imam Malik bin Anas afirmou em al-Mudawwanat al-kubra: ‘’Primeiro Deus enviou Seu Mensageiro a chamar as pessoas para o Islã sem lutar. Ele não lhe deu permissão para lutar nem tirar dinheiro das as pessoas. O Profeta (sas) assim o fez por treze anos em Meca, sofrendo todos os tipos de perseguições, até que ele partiu para Medina.

Ibn Qayyim al-Jawziyya (1292 – 1250 d.C)

Ibn Qayyim al-Jawziyyah diz em Zad al-ma’ad, Deus ordenou o Jihad da educação quando revelou:

‘’Se quiséssemos, poderíamos levantar um admoestador em cada aldeia. Portanto, não escute os incrédulos, mas esforce-se contra eles com a maior força, com o (Alcorão)’’. [25: 51]

Este é um capítulo de Meca, portanto Deus ordena neles o Jihad sobre não-muçulmanos por meio da argumentação, elocução e transmissão do Alcorão.

Imam al-Nawawi (1233 – 1277 d.C)

Imam Nawawi, em seu livro al-Minhaj, ao definir o Jihad e suas diferentes categorias, disse:

‘’. . . Um dos deveres coletivos da comunidade como um todo (farl kifayah) é apresentar um protesto válido, resolver problemas de religião, ter conhecimento sobre a Lei divina, comandar o que é certo e proibir a conduta errada.

Imam Ad-Dardir (797 – 869)

A explicação de Jihad no livro de Imam ad-Dardir, Aqrab al-Masalik, é o de propagar o conhecimento da Lei Divina, recomendando o correto e proibindo o errado. Ele enfatizou que não é permitido ignorar esta categoria de Jihad e implementar a forma combativa, dizendo: “o primeiro dever (islâmico) é chamar as pessoas para entrar no Islã, mesmo que já tenham recebido esta pregação pelo Profeta (sas) de antemão”.

Imam Bahuti (1592 – 1641)

Semelhantemente, Imam Bahuti inicia o capítulo sobre Jihad em seu livro Kashf al-Qina, mostrando as injunções dos deveres religiosos coletivos (kifayah) que a nação muçulmana deve alcançar antes de embarcar em Jihad combativo. Estes incluem a pregação e a educação sobre a religião do Islã, descartando todas as incertezas sobre a religião e disponibilizando todas as habilidades e qualificações que as pessoas possam exigir para atender às suas necessidades religiosas, materiais e físicas, pois constituem os regulamentos dessa vida e da vida que há de vir. Sendo assim, da’wah é a pedra angular do “edifício” de Jihad, e qualquer tentativa de construir algo sem essa “pedra” prejudicaria a integridade do Jihad.

Dr. Sa’id Ramadan Buti (1929 – 2013)

Al-Buti diz em seu livro al-Jihad fil-Islam: A categoria mais significativa de Jihad foi a que se estabeleceu simultaneamente com o alvorecer da dawah islâmica em Meca. Essa foi a base para os outros tipos resultantes das situações e circunstâncias.

Clarificando a imagem do Islã, a remoção de todos os equívocos e estereótipos detidos por não-muçulmanos e a construção de um relacionamento confiável, trabalhando com eles de acordo com seu modo de pensar, são todas as formas primárias de Jihad educacional. Da mesma forma, estabelecer uma comunidade e uma nação forte que possam satisfazer todas as necessidades de seu povo, criando para elas as condições em que a mensagem pode ser ouvida são, portanto, requisitos de Jihad. Esses esforços cumprem a injunção do Alcorão:

‘’Haja a partir de você um grupo de pessoas convidando a tudo o que é bom, ordenando o que é certo e proibindo o que é errado: estes são quem serão bem-sucedidos. [3: 104]

Até que isso seja realizado, as condições prévias do jihad combativo permanecem insatisfeitas.

Yusuf Al-Qaradawi (1926)

O estudioso islâmico popular e controverso, Shaykh Yusuf al-Qaradawi, disse: Jihad é uma obrigação para todos, mas não a de matar e lutar. Citando o trabalho de Ibn Qayyim sobre o assunto, ele afirma: quem olha as fontes quanto à compreensão de Jihad, verá que um pode ser de tipo mujahid (jihad combativo), mas não o é necessariamente; Isso é somente lícito quando você é forçado ao combate pela invasão sofrida pelo seu país.

Sayyid Sabiq (1915 – 2000)

Sayyid Sabiq, em sua obra de renome, Fiqh as-Sunnah, diz: Deus enviou Seu Mensageiro a toda a humanidade e ordenou que ele chamasse à orientação e para a religião da verdade. Enquanto ele morava em Meca, ele chamou para Deus usando a sabedoria e a melhor exortação. Era inevitável que ele enfrentasse a oposição de seu povo que via a nova mensagem como um perigo para seu modo de vida. Foi através da orientação de Deus que enfrentou a oposição com paciência, tolerância e perseverança. Deus diz:

Então espere pacientemente (ó Muhammad) pelo decreto de teu Senhor, porque certamente você está à nossa vista [52:48] Então, suporte-os (ó Muhammad) e diga: paz. eles virão a reconhecer [43:89]

Então, perdoe, ó Muhammad, com um gracioso perdão [15: 85]

Aqui vemos que Deus não permite a luta contra o mal valendo-se do mal, nem a guerra contra aqueles que lutam contra a mensagem do Islã, nem para matar aqueles que causam a discórdia dos muçulmanos. E ele disse:

Nem o bem nem o mal são iguais. Repila o mal com o que é melhor: então, aquele que guardou ódio contra você se tornará como seu amigo e íntimo! [41:34]

À medida que a perseguição continuava, tornou-se cada vez mais difícil de se suportar, atingindo o seu ápice quando os Quraysh (coraixitas) conspiraram contra a vida do Nobre Mensageiro. Neste momento, tornou-se imperativo que ele migrasse de Meca para Medina, tanto por sua segurança pessoal, quanto pela própria sobrevivência da nova fé em um esforço para evitar a guerra. Assim, treze anos após o início da revelação do Alcorão, o Profeta (sas) ordenou que seus companheiros emigrassem para Medina. É claro, então, que o Profeta (sas) não tentou repelir os ataques agressivos contra os muçulmanos por meio de seus membros da tribo, mas procurou evitar conflitos e evitar sua perseguição por meio da migração.

Estabelecimento do Estado-Nação Islâmico

Sayyid Sabiq continua: E quando aqueles que não crêem tramam contra ti (ó Muhammad) intentando ferir-te fatalmente, ou matar-te ou expulsar-te; eles conspiram, mas Deus (também) conspira; E Deus é o melhor dos tramadores [8:30]

Medina tornou-se assim a nova capital do Islã. Como Estado-Nação para os muçulmanos e seu novo lar, e uma situação política completamente nova havia evoluído. Enquanto antes os muçulmanos fossem uma minoria perseguida sem terra ou base política, ao estabelecer Medina como uma nação governada pela legislação do Islã e um santuário ao qual novos muçulmanos sob perseguição poderiam fugir, era imperativo proteger esta terra do desígnios agressivos do inimigo, que buscavam nada menos que a extirpação completa da fé muçulmana e o assassinato de seus adeptos. Assim, quando os inimigos iniciaram guerra contra eles, a situação dos muçulmanos tornou-se gravemente perigosa, levando-os à beira da destruição nas mãos do inimigo, o que colocou a própria mensagem em perigo de ser perdida.

Então, Jihad em seu sentido combativo não aconteceu até depois que o Profeta (sas) e seus companheiros foram forçados a deixar seu país e cidade natal em Meca, fugindo por segurança para Medina após treze anos propagando o chamado à fé e chamando para a liberdade de crença. Deus disse:

‘’Mas, verdadeiramente, seu Senhor, para aqueles que abandonam suas casas depois das provações e das perseguições, e que, depois disso, esforçam-se e lutam pela fé e pacientemente perseveram. Seu Senhor, depois de tudo isso, é indulgente, Misericordiosíssimo. [16: 110]’’

Então, vemos que, após a migração para Medina, Deus decretou jihad de pacientemente suportar a perseguição e julgamento. Em Medina, a mensagem do Profeta tornou-se a base de uma constituição modelo para a sociedade civil e a vida social. Isso é corroborado pela ênfase que o Profeta (sas) deu no cuidado aos pobres, e a emancipação dos escravos, dando direitos às mulheres e construindo uma sociedade civil, cobrando impostos sobre os ricos para beneficiar os pobres, estabelecendo centros comunitários e locais comuns em que as pessoas poderiam se encontrar.

Ele conseguiu estabelecer um Estado-Nação com base na liberdade de expressão e na liberdade religiosa, onde todas as religiões floresceram sem conflito. Ao estabelecer esta sociedade em Medina, o Profeta (sas) procurou manter sua nova nação segura, assim como hoje todo país tem segurança como uma preocupação dominante. Por isso, ele construiu um exército de seus seguidores para manter suas fronteiras a salvo de qualquer ataque inimigo. Em especial, eles estavam sob grande ameaça devido ao ensino do Profeta, opondo-se à hegemonia dos tiranos.

Primeira legislação para o Jihad combativo

Apesar de tudo isso, a legislação sobre combater não foi feita até que os residentes de Meca se propusessem eliminar a nação islâmica recém-criada, levantando um exército e estabelecendo-o com a intenção de atacar e destruir a comunidade em Medina.

Sayyid Sabiq continua: o primeiro verso revelado sobre a combate foi:

‘’A sanção é dada àqueles que lutam porque foram injustiçados; e Deus realmente pode dar-lhes a vitória; Aqueles que foram expulsos de suas casas injustamente apenas porque disseram: Nosso Senhor é Deus. Pois, se não fosse por Deus repelir alguns homens por meio de outros, claustros e igrejas e oratórios e mesquitas, locais em que o nome de Deus é mencionado, certamente teriam sido derrubados. Em verdade, Deus ajuda aquele que o ajuda. Lo! Deus é Forte, Todo-Poderoso. Aqueles que, se lhes dermos poder sobre a terra, estabeleçam culto e paguem aos pobres o que lhes é devido; exigimos bondade e proibimos a iniquidade. E Deus é a implicação dos eventos.’’ [78: 39-40]

Este verso mostra que a permissão para o combate foi concedida por três razões: 1) Eles foram oprimidos por seus inimigos e expulsos por eles de suas casas injustamente sem motivo, exceto que praticaram a religião de Deus e disseram: “Nosso Senhor é Deus”. Eles então tiveram a obrigação de tomar de volta o país do qual haviam sido expulsos. 2) Se não fosse pela permissão de Deus para este tipo de defesa, todos os locais de culto (incluindo igrejas, sinagogas e mesquitas) teriam sido destruídos onde o nome de Deus foi lembrado (veja a página 26 para uma explicação mais detalhada sobre este aspecto) por causa da opressão daqueles que se opõem agressivamente à crença. 3) O objetivo da vitória era estabelecer a liberdade de religião, estabelecer a oração, dar caridade, ordenar o bem e proibir o mal.

Esta última justificativa também significa que, enquanto a pregação e a prática não são proibidas, os muçulmanos não podem iniciar jihad combativo. Assim, um Jihad contra um país em que os muçulmanos praticam livremente a sua religião e tem permissão para ensinar o Islã é inadmissível. No segundo ano após a migração, Deus ordenou aos muçulmanos que lutassem dizendo:

‘’A guerra é ordenada para você, embora seja odiosa para você; Mas pode acontecer que você odeie uma coisa que é boa para você, e pode acontecer que você ame uma coisa que é ruim para você. Deus Sabe melhor, você não. [2: 216]’’

Este verso mostra que, em geral, a guerra não é recomendável. Apesar disso, era invocada em momentos em que a segurança da nação estava ameaçada por beligerância externa. Assim, com um simples exame estudioso dos versos relevantes, descobrimos que havia dois tipos diferentes de Jihad: o de Meca e o de Medina.

Aquele em Meca foi focado principalmente na educação. Em Medina, o Jihad era por meio de dois métodos: educação e combate, embora o segundo, somente depois que os inimigos atacaram o Profeta (sas) dentro de sua própria cidade-estado. Além disso, os muçulmanos que foram expulsos invocaram o direito de retornar à sua pátria e se opuseram a usar a força. O Jihad combativo foi autorizado somente depois que o Profeta (sas) migrou junto com seus seguidores de Meca para Medina, tendo sido perseguido e finalmente expulso de seu país, fugindo da perseguição e da tortura. Sua condição não era diferente das de muitas pessoas hoje, que fugiram da perseguição em seus países de origem, tornando-se refugiados em países estrangeiros. Muitos são bem-vindos nestas nações, como os de Al-Ansar de Medina receberam os de al-Muhajirun, compartilhando com eles tudo o que possuíam de suas riquezas e suas casas.

Assim Medina tornou-se a primeira cidade para os crentes em que a nova mensagem, o Islã, foi estabelecida e intencionado mantê-la segura. Assim como todas as nações fazem hoje, eles construíram um exército e adquiriram armamento. E, assim como no mundo moderno, eles foram obrigados a responder e repelir aqueles que os atacaram.

Assim, a maioria dos estudiosos muçulmanos, incluindo Imam Abu Hanifa (699 – 767 d.C), Imam Malik e Imam Ahmad ibn Hanbal (780 – 855 d.C), dizem que Jihad combativo significa defender-se e atacar os agressores.

O Islã é hostil por natureza a não muçulmanos?

A idéia, muitas vezes postulada na mídia, de que o islamismo é hostil a não-muçulmanos, simplesmente porque eles não são muçulmanos é uma grande mentira. De acordo com a maioria dos estudiosos, não existe uma razão intrinsecamente válida para manter qualquer hostilidade em relação a eles. Sayyid Sabiq diz: A relação dos muçulmanos com não-muçulmanos é de conhecimento, cooperação, virtude e justiça pois Deus diz:

‘’Ó humanidade! Nós vos criamos a partir de um único casal de homem e mulher, e fizemos-vos em nações e tribos, para que se conheçam (não para que se desprezem uns aos outros). Verdadeiramente o mais honrado de vocês na visão de Deus é (aquele que é) o mais virtuoso de vós. E Deus tem pleno conhecimento e está bem familiarizado (de todas as coisas).’’ [49:13]

Da lealdade e Da inimizade (AL-WALA WAL-BARA’A)

Muitos dos líderes islâmicos e dos autodenominados eruditos de hoje: “A inimizade por causa de Deus (al-bara’a) significa declarar oposição em ação, e tomar em armas contra os Seus inimigos… ”

Sayyid Sabiq diz: Este significado não permite o impedimento de amizade com os não-muçulmanos. A proibição existe – somente – quando a amizade com os não-muçulmanos significa agressão contra os muçulmanos. Sérios perigos para a existência do Islã vêm de ajudar os não-muçulmanos que trabalham ativamente contra os muçulmanos, enfraquecendo o poder e a segurança da sociedade de fé. No que diz respeito à relação entre os muçulmanos e os não muçulmanos (dhimmis) que vivem em nações muçulmanas, harmonia, paz, com bons costumes e cortesia, relações sociais amigáveis, bem-estar mútuo e cooperação por causa da justiça e da boa consciência são tudo que o Islã exige.

Mesmo com relação àqueles que lutaram contra os muçulmanos, apesar de sua inimizade, Deus diz: ‘’Pode ser que Deus conceda amor (e amizade) entre vós e aqueles que vós (atualmente) espera como inimigos. Deus tem poder sobre todas as coisas; e Deus é o Perdoador, O mais Misericordioso. [60: 7]’’

Liberdade religiosa de não-muçulmanos

É um direito para os povos do livro (pessoas de outras religiões) praticar as leis de sua religião, e ter juízes e tribunais, aplicando suas regras entre si. Suas igrejas ou templos não devem ser demolidos, nem suas cruzes e ou outros símbolos religiosos tem permissão para ser quebrados. O Mensageiro de Deus disse:
“Deixe-os com o que eles adoram”.

Além disso, é de direito de um cônjuge cristão ou judeu de um muçulmano atender aos ofícios religiosos em sua igreja ou templo. Seu marido não tem o direito de impedir que ela vá. O Islã permite sobre as outras religiões os alimentos que elas permitem. Os suínos não são mortos por causa deles, nem seu vinho é destruído enquanto ele é permitido para eles. Portanto, eles têm mais elasticidade do que os muçulmanos, que são proibidos de beber vinho e comer carne de porco. Eles também têm a liberdade de seguir suas próprias leis de casamento, divórcio e caridade, e conduzir esses assuntos como desejam sem quaisquer condições ou limites. Sua honra e seus direitos estão sob a proteção do Islã, e eles recebem o direito de deliberação e discussão dentro dos limites da razão e do decoro, desde que respeitem os direitos dos outros, pratiquem a boa conduta e evitem rudeza e dureza. Deus diz: ‘’E não discuta com o Povo do Livro, exceto por meios melhores (do que mera disputa), a menos que seja com aqueles que infligem erros (e lesões); porém diga: “Nós acreditamos na revelação que veio até nós e naquilo que veio para vós; Nosso Deus e seu Deus são UM; e é para Ele que nos prostramos (no Islã). “[29:46]

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‘’Se um entre os pagãos te pedir asilo, concede-o a ele, para que ele possa ouvir a palavra de Deus; e então escolte-o para onde ele possa estar seguro. O motivo é porque eles são homens sem conhecimento.’’ [9: 6]

Estes versículos também mostram que, mesmo que os incrédulos venham aos muçulmanos procurando viver e trabalhar em sua nação por qualquer motivo, os muçulmanos devem conceder-lhes confiabilidade e segurança para demonstrar o grande cuidado e compaixão do islamismo. Mais uma vez, isso enfatiza o ponto de que o Jihad combativo só é travado contra agressores. De acordo com algumas escolas de jurisprudência, as punições para os muçulmanos e os não-muçulmanos são as mesmas, exceto para as coisas permitidas aos não-muçulmanos pela fé, como beber vinho ou comer carne de porco. Islã deixa lícito comer do abate animal do povo do livro e os homens muçulmanos têm permissão para se casar com suas mulheres, porque Deus diz:

‘’Hoje, estão-vos permitidas todas as coisas sadias, assim como vos é lícito o alimento dos que receberam o Livro, da mesma fora que o vosso é lícito para eles. Está-vos permitido casardes com as castas, dentre as fiéis, e com as castas, dentre aquelas que receberam o Livro antes de vós, contanto que as doteis e passeis a viver com elas licitamente, não desatinadamente, e nem as envolvendo em intrigas secretas….’’ [5: 5]

Islã sanciona a visitar e aconselhar seus doentes, oferecendo-lhes orientação e permite negociar com eles (não-muçulmanos) nos negócios. Está estabelecido que quando o Mensageiro de Deus passou para seu Senhor, sua armadura foi dada como crédito por uma dívida de um judeu. Em outra ocasião, quando alguns dos companheiros sacrificaram uma ovelha, o Profeta (sas) disse ao seu servo: “Dê isso ao nosso vizinho judeu”.

É obrigatório que o líder dos muçulmanos (califa) proteja os Povos do Livro que estejam em terras muçulmanas, assim como os muçulmanos, e busquem a libertação daqueles que são capturados pelo inimigo. O Mensageiro de Deus – proibiu matar um membro do pacto de proteção de outra religião sem motivo, quando disse: ‘’Quem mata um membro do pacto de proteção não cheira a fragrância do paraíso.’’

Pode-se dizer verdadeiramente que, nas nações árabes e muçulmanas, os cristãos, os judeus e todos os outros não-muçulmanos são de fato – Povos do livro e membros do pacto de proteção – , porque eles pagam seus impostos apoiando o exército permanente da nação. Diante disso, é regra proteger sua segurança. O conceito de pacto de proteção, embora não explicitamente explicado hoje, é cumprido através da tributação paga ao governo.

Conversão forçada

Vimos acima que o fundamento de Jihad é a propagação islâmica (da’wah). A questão é frequentemente perguntada, se o Islã tolera a conversão forçada de não-muçulmanos. Esta é a imagem às vezes projetada por estudiosos ocidentais, mas é errada. O Alcorão afirma claramente:

Não há compulsão na religião, o caminho da orientação se destaca do erro [2: 256] e [60: 8]. Neste versículo, rushd, ou “caminho de orientação”, refere-se a todo o domínio da vida humana, não apenas aos ritos e à teologia do islã. Não há debate sobre o fato de que a Arábia pré-islâmica era uma sociedade equivocada dominada pelo tribalismo e uma obediência cega ao costume. Em contraste, a clareza do Islã e sua ênfase na razão e provas racionais evitavam qualquer necessidade de impô-lo pela força. Este versículo é uma clara indicação de que o Alcorão é estritamente oposto ao uso da compulsão na fé religiosa. Da mesma forma, Deus Se dirigiu ao Profeta (sas) dizendo:

‘’Recordai-os, pois vós sois apenas um dos recordadores. [88:21]’’

Deus também se dirige aos fiéis, instando-os a obedecer como injunções do Islã:

Obedecer a Deus e obedecer ao Mensageiro, e ter cuidado com o mal: se vós retrocedeis, então, saibais que é dever do Nosso Mensageiro proclamar a mensagem da maneira mais translúcida. [5:92]

No entanto, este versículo deixa claro que o dever do Mensageiro é apenas proclamar e pregar a mensagem do islã; é direito dado por Deus a cada indivíduo aceitar e seguir ou não. Quanto a conversão forçada, não existe evidência confiável de que os muçulmanos já pretenderam ou tentaram impor os ritos e crenças específicas de Islã a qualquer um. Os registros históricos da Ásia Central, Espanha, Índia, Balcãs e todo o Sudeste Asiático são uma prova concreta disso.

A história islâmica de bom tratamento a não muçulmanos

De fato, está bem estabelecido na história que, quando os Povos do Livro foram perseguidos em terras não muçulmanas, muitas vezes buscavam refúgio com o líder dos muçulmanos (califa), e esse refúgio não era recusado. Um exemplo bem conhecido disso é o dos judeus na Andaluzia que, depois de terem sido conquistados pelos espanhóis e tirados das mãos dos mouros muçulmanos em 1492, enfrentaram a infame e cruel Inquisição. Judeus e muçulmanos não tiveram escolha senão fugir de suas casas, se converterem ao catolicismo ou morrerem. Os judeus buscaram a proteção do sultão Suleyman (1520 – 1566 d.C), o governante do Império Otomano e califa dos muçulmanos, e o asilo lhes foi concedido. Por esta razão, encontra-se uma população considerável de judeus em Istambul, que era sede do Império Otomano naquele momento.

Islã convoca à guerra perpétua contra não muçulmanos?

Alguns orientalistas, bem como alguns intérpretes radicais do Islã, afirmaram que Islã tolera o Jihad combativo perpétuo, que exige uma guerra incessante contra os não-muçulmanos até que se arrependam e aceitem o Islã ou paguem o imposto de povo protegido. No entanto, a maioria dos estudiosos muçulmanos rejeitam essa visão, citando como evidência:

‘’… e se alguém dos politeístas procurar sua proteção, conceda-lhe proteção, para que ele possa ouvir a Palavra de Deus, e depois escolta-o para onde ele possa estar seguro, porque são homens que não tem conhecimento. [9: 6]’’

Os Imames argumentaram por isso que, desde que sejam dóceis e dispostos a viver pacificamente entre os crentes, a nossa obrigação divina é tratá-los pacificamente, apesar da negação do Islã. O versículo seguinte: ‘’contanto que eles sejam verdadeiros para convosco, mantenham-vos fiéis para com eles. Em verdade! Deus ama aqueles que temem a Deus. [9: 7]’’

Este versículo instrui os muçulmanos a observar as obrigações do tratado com cuidado meticuloso e a não quebrá-los, a menos que o outro lado o faça primeiro. Com base nos argumentos claros dos estudiosos do Alcorão e do Hadith, a maioria concluiu que a luta não é uma condição permanente contra os incrédulos, mas somente quando os tratados são quebrados ou a agressão for feita contra o território muçulmano (dar al-Islam) por Incrédulos. Por outro lado, educar os não-muçulmanos sobre o Islã é um Jihad contínuo, como é esclarecido pelo hadith de alta confiabilidade de transmissão, o Mensageiro de Deus disse: “Foi-me ordenado que eu lute contra o povo até que eles declarem que não há deus senão Deus e que Muhammad é Seu Mensageiro, estabeleça orações e pague o zakat (imposto religioso islâmica para muçulmanos devido aos pobres)” Em seu livro al-Jihad fil-Islam, Dr. Sa’id Ramadan Buti (1929 – 2013 d.C) explica este hadith em detalhes com base na compreensão da maioria dos juristas, mostrando que, linguisticamente, a palavra “luta” aqui e em muitos outros lugares não se refere ao combate, antes lutar, abrange em seu alcance a Da’wah, pregação, exortação e estabelecimento do aparelho de Estado pelo qual a pregação islâmica é protegida. Isso não significa forçar ninguém a se tornar muçulmano pelo fio da espada, e numerosos exemplos podem ser citados a partir da história de vida do Profeta (sas) mostrando que ele nunca forçou a conversão, nem seus sucessores.

Dr. Buti explica que os estudiosos linguistas de hadith mostraram que a palavra uqatil usada pelo Profeta (sas) significa “lutar” e não aqtul “matar”. Em árabe, esta palavra é usada em termos de defesa contra um atacante ou um opressor, não é usada para significar ataque ou assalto. À luz disso, o Dr. Buti mostra que esse hadith conota: ‘’fui ordenado por Deus para cumprir a tarefa de chamar as pessoas – pacificamente -, para acreditar que Deus é Uno e para defender contra qualquer agressão contra essa tarefa divina, mesmo embora essa defesa exija combater agressores ou inimigos.’’

O Dr. Buti explica que este hadith é uma reminiscência de um provérbio do Profeta (sas) por ocasião do Tratado de Hudaybiyyah (628 d.C), onde ele disse ao seu mediador, Badil ibn Warqa: “Mas se eles não aceitarem essa trégua, por Deus em quem as Mãos jaz a minha vida, lutaremos com eles, defendendo a minha causa até que eu seja morto “. Com estas palavras, Badil ibn Warqa foi encarregado de convidar os coraixitas para a paz e simultaneamente, alertando sobre a guerra em curso que já os exauriu. O Dr. Buti observa: As palavras do Profeta ‘’irei lutar com eles defendendo a minha causa”, no contexto certamente significa que ele, enquanto se inclina para uma paz com o inimigo, reagiria a sua agressão combativa da mesma forma, se tivessem Insistido em sua agressão. Note-se também que, nos anos após a assinatura do Tratado, foram os Coraixitas que o violaram. Perto do fim do sétimo ano após a migração, os coraixitas – juntamente com a tribo aliada de Bani Bakr – atacaram a Tribo de Bani Khuza’ah, que era aliados dos muçulmanos. Os Bani Khuza’ah apelaram ao Profeta (sas) para obter ajuda e proteção.

Os Bani Khuza’ah enviaram uma delegação ao Profeta (sas) solicitando seu apoio. Apesar desta provocação e clara violação do tratado, o Profeta (sas) evitou agir com pressa para renovar as hostilidades. Em vez disso, ele enviou uma carta aos coraixitas exigindo o pagamento do dinheiro do sangue derramado dos mortos e o fim de sua aliança com os Bani Bakr. Caso contrário, o Profeta (sas) disse que o tratado seria declarado nulo e sem efeito. Os coraixitas enviaram então um representante a Medina para anunciar que consideravam o Tratado de Hudaybiyyah nulo e sem efeito. No entanto, eles imediatamente se arrependeram deste feito.

Por conseguinte, o líder dos coraixitas, Abu Sufyan (560 – 652 d.C), viajou a Medina para renovar o contrato. Apesar de ter sido o maior inimigo dos muçulmanos, e apesar de os coraixitas já estarem violando o pacto que eles haviam celebrado solenemente, nenhuma mão foi colocada sobre este chefe coraixita – alguém que era infame por sua perseguição e danos aos muçulmanos em Meca. A ele foi dada a autorização para adentrar na mesquita do Profeta e anunciar seu desejo de restabelecer o tratado. Observe-se, pode-se argumentar que, se o estado de incredulidade fosse um pretexto suficiente para a guerra, então o Profeta (sas) haveria permitido apanhar Abu Sufyan e dar início as hostilidades contra os coraixitas desde então. No entanto, Abu Sufyan entrou e saiu de Medina livremente e só algum tempo depois com o tempo, as hostilidades foram renovadas com base na violação do pacto de Meca. Deus diz: ‘’… e lutem contra os mushrikun, (pagãos politeístas) juntos enquanto eles lutam contra todos vós. Mas saibam que Deus está com aqueles que se restringem. [9:36] Aqui entendemos “lutar contra os incrédulos coletivamente enquanto eles lutam convosco coletivamente” significa “tratá-los da mesma maneira que eles lhes tratam”.

Comentando sobre isso, o Dr. Buti diz: “Você deve lidar gentilmente com os incrédulos e, de forma equitativa, a menos que sejam desenfreados e tentem nos destruir e a nossa fé.’’ Por isso, o motivo do Jihad (combativo) torna-se lícito e auto-defensivo. Finalmente, Deus diz: ‘’Então, se eles se afastarem de vós e não fizerem guerra contra vós e oferecerem-vos paz, Deus não vos deixa que virem-se contra eles [4: 90]’’. Vemos aqui uma declaração explícita de Deus, que não é permitido lutar com aqueles que não estão envolvidos na beligerância, apesar de serem não-crentes.

Condições para o jihad combativo

O governante dos muçulmanos, o Imã é completamente responsável perante as pessoas e seus aparelhos legais, cujos representantes mais importantes são os estudiosos. O Islã estabelece condições estritas que devem ser satisfeitas antes que um governante muçulmano possa declarar Jihad combativo. A posição da lei é que o Jihad combativo só pode ser declarado em um momento em que possa ser razoavelmente comprovado que:

  1. Há desígnios agressivos contra o Islã;
  2. Há esforços concretos para expulsar muçulmanos de suas propriedades adquiridas legalmente;
  3. Existam campanhas militares sendo lançadas para destruí-los

Pré-condição: Liderança

Sa’id Ramadan al-Buti, em Jihad no Islã, diz: sabe-se que as regras da Shari’ah islâmica podem ser divididas em dois grupos, primeiro as – regras comunicativas – (Ahkam at-Tabligh) que informam sobre como se comportar em sua vida cotidiana, incluindo todos os assuntos de culto e vida pessoal; e em segundo lugar, as regras de liderança (Ahkam al-Imamah), que estão relacionadas ao sistema judicial, ao Imã ou o líder. As Regras de Liderança são aquelas regras que foram direcionadas ao líder para os cidadãos. Na época do Profeta (sas), ele era líder, então isso se aplicava a qualquer coisa dirigida de si mesmo para os muçulmanos. Após o Profeta (sas), tais diretrizes tornaram-se a responsabilidade do califa, seu sucessor. Isso significa que o Imã dos muçulmanos é o líder de todas as nações muçulmanas. Ele é a pessoa responsável pela aplicação das regras conforme veja adequado. Essas regras são flexíveis dentro das normas geográficas, sociais e culturais da nação, que o líder pode exercer pela Graça de Deus, para aplicá-las em benefício de todas as pessoas. Declarar Jihad combativo é a principal responsabilidade do Imã. Ele é o único responsável que pode declarar o tempo e o lugar do Jihad, liderá-lo ou encerrar sua missão. Não é de modo algum responsabilidade dos muçulmanos individuais declarar Jihad sem a ordem do líder.

Observe, a este respeito, que os ulamá (sábios) não estão em condições de fazer uma chamada para o Jihad combativo. Existem dois tipos de Jihad combativo. Um é o Jihad combativo para lutar contra uma nação que inicie agressão contra uma nação muçulmana, sob as ordens do Imã, ou líder. A segunda categoria de Jihad combativo, que é chamada de “sa’il”, significa a luta contra um assaltante, atacante ou violador. Não entraremos nesse aspecto, pois ele se enquadra nas – regras comunicativas -, e não nas regras do Imamato. Isto é baseado no hadith relatado por ‘Abdullah ibn’ Umar (614 – 693 d.C), no qual o Profeta (sas) disse, “Quem é morto em defesa de seus pertences ou em defesa própria ou em defesa de sua religião é um mártir.” A categoria de ‘’sa’il’’ se refere a alguém defendendo suas posses privadas quando alguém o ataca em casa ou seu negócios, intentando roubá-los, prejudicar, ou por ódio devido às diferenças de religião. Isso não tem a ver com o Imamato, onde nações estão envolvidas.

Ibn Qudamah (1147 – 1223 d.C)

É uma pré-condição essencial que haja um líder dos muçulmanos, um imã para declarar jihad combativo. Em al-Mughni, Ibn Qudamah, um estudioso respeitado da escola Hanbali, afirma: ‘’Declarar Jihad é da responsabilidade do governante e o é de seu julgamento legal independente. E é de dever dos cidadãos obedecer o que quer que ele julgue apropriado.’’

Al-Dardir (1715 – 1786 d.C)

Al-Dardir diz: “proclamação de Jihad é de atribuição do decreto de um comandante.”

Al-Jaza’iri

Abu Bakr Al-Jaza’iri afirma que os pilares do Jihad combativo são: ‘’uma intenção pura, e que é executada através de um governante muçulmano e sob sua bandeira e com sua permissão. E não é permitido que lutem sem um governante Porque Allah diz: Ó vós que crêem! Obedeçam a Deus, e obedeçam ao Mensageiro, e aqueles que são atribuídos com autoridade entre vocês.’’ [4:59]

Al-Tahanui

De acordo com Kashf al-Qina’a de al-Tahanui: ‘’ordenar Jihad combativo é da responsabilidade do Imã e do seu julgamento jurídico (ijtihad) porque ele é o mais bem informado sobre o status do inimigo e sua proximidade ou fadiga, sua intenção e conspiração.’’

Al-Mawardi (972 – 1058)

Mawardi, uma autoridade da escolha de jurisprudência islâmica shafi, ao enumerar as obrigações de um governante muçulmano, diz: ‘’Sua sexta obrigação é conduzir Jihad [combativo] contra aqueles que demonstram hostilidade contra o Islã …’’

Al-Sarkhasi

Al-Sarkhasi, em al-Mabsut, disse: ‘’O governante dos muçulmanos deve, na maioria dos casos, exercer todos os esforços para liderar um exército próprio ou despachar um destacamento militar de muçulmanos; confiando em Deus para ajudá-lo a alcançar a vitória.’’

Ash-Sharbini

Ash-Sharbini disse: ‘’O Jihad de direito coletivo torna-se aplicável quando o Imã fortalece as fronteiras, reforça as fortalezas e valas, e arma seus líderes militares. Também se aplica quando o Imã ou seus representantes assumem a liderança do exército.’’

Sayyid Sabiq

‘’O princípio de que somente o governante dos muçulmanos pode declarar Jihad combativo é tão explícito e categórico que todos os estudiosos desta Ummah (comunidade religiosa) o sustentam por unanimidade.’’ Sayyid Sabiq, também referindo-se a esse consenso, escreve: ‘’entre as obrigações kifayah (comuns), existe uma categoria para a qual a existência de uma regra é necessária, por exemplo, a de Jihad combativo e administração de punições.

Zafar Ahmad ‘Uthmani (1892 – 1974 d.C)

Zafar Ahmad ‘Uthmani, um jurista Hanafi escreve: ‘’É obvio que o hadith narrado por Makhul que Jihad se torna obrigatório com o governante que é muçulmano e cuja autoridade política foi estabelecida legitimamente, quer através da nomeação do governante anterior, como as que Abu Bakr (573 – 634 dC) transferiu as rédeas de seu califado para ‘Umar (586 – 644) ou através do juramento de fidelidade através dos ulamá ou um grupo de elite. Na minha opinião, se o juramento de fidelidade é realizado através dos ulamá ou por um grupo de elite de uma pessoa que não é capaz de proteger as fronteiras e defender a honra (do povo) e organizar exércitos ou implementar suas diretrizes por força política nem é capaz de prestar justiça aos oprimidos exercendo força e poder, então essa pessoa não pode ser chamada de “Amir “(Líder) ou” Imã “(governante). Ele, na melhor das hipóteses, é um árbitro e o juramento de fidelidade é, na melhor das hipóteses, de natureza da arbitragem e não é correto chamá-lo de “Amir” ou “Imã” em qualquer documento oficial, e nem as pessoas devem abordá-lo por essas designações. Não é imperativo que os cidadãos se comprometam a obedecê-lo ou obedeçam suas diretrizes, e nenhum Jihad combativo pode ser travado ao lado dele.’’

Imã Farahi (1863 – 1930 d.C)

Nas palavras de Imã Farahi: ‘’Caso o Jihad combativo não seja travado por uma pessoa que detém autoridade política, isso equivale a anarquia e desordem.’’

Al-Albani (1914 – 1999 d.C)

O estudioso Salafi Al-Albani, enfatizando a necessidade que Jihad tem de ser estabelecido pelo governante dos muçulmanos, disse: ‘’No momento atual, não há Jihad na terra islâmica, sem dúvida que há combate ocorrendo em vários lugares, mas não existe Jihad estabelecido sob uma bandeira exclusivamente islâmica que respeite a legislação islâmica.’’

Estas representam apenas uma amostra de muitas citações de estudiosos sobre Jihad combativo. Elas são suficientes para demonstrar a responsabilidade do Imamato e as condições para ordená-lo. O título real, quer seja chamado de Imã, califa, rei ou presidente, não é importante – sua posição como governante é o que conta. O líder é aquele que foi eleito para administrar a política externa de sua nação e foi confiado pelo povo para conduzir os assuntos comuns do estado, assinar tratados, proibir ações erradas, reprimir criminosos, lutar contra agressores e outras de suas demais funções próprias.

À luz disso, devemos nos perguntar hoje: “Onde está o califa dos muçulmanos no tempo presente?” Como não existe um califado, o requisito fundamental da liderança não existe. Então, enquanto ainda haja combate entre uma nação e outra, não é considerado Jihad, já que esse termo tem o significado claramente definido pela lei islâmica. A liderança dos muçulmanos nunca pode ser transferida para um grupo de pessoas que vivem em um país e se voltam em sedições contra seu governo. As decisões acima mencionadas dos estudiosos e os muitos versículos do Alcorão e Hadith invalidam os métodos dos chamados “partidos islâmicos” que estabelecem estados dentro do estado e agem como se fossem os governantes legítimos dos muçulmanos. Sua metodologia é iniciar a guerra ao atacar os não-muçulmanos em seu país ou em outros países, e eles fazem isso sem a permissão dos governantes muçulmanos ou da nação muçulmana e sem qualquer consenso de seus sábios. O resultado é que todos sofrem as consequências desastrosas de suas ações.

Legítima Defesa

Toda comunidade tem direito à autodefesa e, no caso do Islã, onde a religião é a principal dimensão da existência humana, a guerra em defesa da nação se torna um ato religioso. A falta de compreensão desta qualidade do Islã, o não-secularismo, também contribuiu consideravelmente para o medo de que, quando o Islã fala sobre a guerra, significa guerra para converter os outros ao Islã. Isso pode ser verdade para outras religiões, mas o Islã deve ter permissão para falar por si mesmo. Al-Dardir diz sobre isso: ‘’o Jihad torna-se um dever quando o inimigo ataca os muçulmanos de subrepticiamente. ‘’Sa’id Ramadan al-Buti mostra que lutar neste caso é uma obrigação da comunidade como um todo: ‘’Isso é baseado no dito do Profeta: “Aquele que é morto em defesa de seus pertences, ou em legítima defesa, ou por sua religião, é um mártir.” Os muçulmanos estão encarregados de agir gentilmente e justamente com membros de outras religiões exceto em duas circunstâncias: em primeiro lugar, se eles despojarem os muçulmanos de seus legítimos direitos terrestres e, em segundo lugar, se eles se engajarem em hostilidades em relação aos muçulmanos, matando-os ou atacando-os, ou mostrando intenção clara de fazê-lo (al-hirabah) por causa de sua religião.

Na segunda eventualidade, é dever do governante muçulmano declarar Jihad combativo como uma ação defensiva para repelir esses ataques. É evidente a partir do Alcorão e de outras fontes que a luta armada contra os politeístas foi legislada no contexto de circunstâncias específicas depois que o Profeta (sas) migrou de Meca para Medina. Lá, ele conseguiu um pacto com as tribos judaicas e árabes da cidade, que o aceitaram como líder de sua comunidade. No meio desta recém-fundada base de operações, sob a governança da legislação divina e a liderança do Profeta (sas), o Islã atingiu o status de uma nação com seu território e a necessidade de proteger seu próprio interesse. Naquele tempo, o comando Divino foi revelado permitindo Jihad, mas isso ocorreu apenas depois de:

Recusa persistente da liderança de Meca sobre permitir a prática das obrigações religiosas do Islã, especificamente a realização do Hajj (peregrinação) em Meca (note que, apesar desta beligerância, o Profeta (sas) concordou com uma trégua).

Perseguição contínua e sem cessar de muçulmanos que permaneceram em Meca após a emigração do Profeta para Medina, o que desencadeou uma insurreição armada contra os interesses coraixitas no Hijaz.

Os próprios habitantes de Meca começaram uma campanha militar contra os muçulmanos em Medina com o único objetivo de erradicar o Islã.

As principais promessas de segurança foram revogadas unilateralmente por várias tribos aliadas ao Profeta (sas), forçando-o a uma posição perigosamente vulnerável. Essas condições para o Jihad defensivo envolvendo a luta armada foram então claramente especificadas no Alcorão: ‘’E lute no caminho de Deus, contra aqueles que lutam contra vós, e não transgridam os limites porque Deus não gosta dos transgressores [2: 190].’’

Explicando este versículo, Sayyid Sabiq afirma: ‘’este versículo também consiste em proibir a agressão devido ao fato de Deus não amar a agressão. Esta proibição não é revogada por nenhum versículo e é uma advertência de que a agressão é desprovida do amor de Deus. Versos que consistem em tais avisos não são revogados, porque a agressão é a tirania e Deus nunca ama a tirania. Portanto, uma guerra legal é justificada apenas quando é para evitar a discórdia e danos aos muçulmanos e para que eles tenham a liberdade de praticar e viver de acordo com sua religião.’’ Deus diz: “Você não vai lutar contra um povo que violou seus juramentos e pretendia expulsar o Mensageiro enquanto eles o atacaram primeiro? [9:13]’’ A imagem clara que surge aqui é que o comando para lutar foi dado em relação a condições específicas. Deus disse: ‘’Para aqueles contra os quais a guerra é feita, a permissão é dada (para lutar), porque eles são prejudicados, e, na verdade, Deus é Onipotente para socorrer; [22:39].’’

Expulsão

O Alcorão continua a descrever as condições daqueles que são permitidos lutar; onde está escrito: “Como podemos recusar-nos a lutar na causa de Deus, vendo que nós fomos expulsos de nossas casas e de nossas famílias? [2: 246]’’

‘’Eles são aqueles que foram expulsos de suas casas apesar de seus direitos, (sem motivo) exceto por dizerem: “Nosso Senhor é Deus”. Deus não confirmou um grupo de pessoas por meio de outro, certamente haveriam sido derrubados mosteiros, igrejas, sinagogas e mesquitas, em que o nome de Deus é comemorado em abundância. Deus certamente ajudará aqueles que ajudam a sua (causa); Pois, em verdade, Deus é Onipotente, e Exaltado em Poder, e capaz de impor Sua Vontade sobre todas as coisas. [22:40]’’

Negação de liberdade religiosa

Nos tempos posteriores, os muçulmanos se dedicaram à guerra para estabelecer a “Pax Islamica” ou a ordem Islâmica. A ordem jurídica e política deve fluir a partir do imperativo Divino. A única coisa que garante os direitos de cada indivíduo, mantendo em cheque todas as tendências psíquicas obscuras do homem, impedindo-o de se entregar a comportamentos anti-sociais que vão desde a agressão política até o ato criminoso mais comum. É por esta razão que o Alcorão convida os crentes a avançar em defesa daqueles cujos direitos e liberdade foram pisoteados pela tirania desenfreada de opressores e exércitos conquistadores, ou que são impedidos de ouvir livremente a palavra de Deus exposta a eles por pregadores e educadores. Deus diz: “Como vós não deveis lutar a não ser pela causa de Deus e do fraco entre os homens e entre as mulheres e as crianças que estão chorando: Nosso Senhor! Levai-nos para fora desta cidade onde as pessoas são opressoras! Dê-nos de Tua presença um amigo protetor! Dê-nos de Tua presença um defensor! “[4:75]

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Este versículo dá duas explicações para a luta:

Lutar na causa de Deus, até a discórdia desaparecer e a religião ser praticada livremente. Isso significa que não se pode lutar contra um país em que os muçulmanos possam livremente praticar sua religião e ensinar o Islã aos outros.

Lutar pelo bem dos fracos, como por aqueles que se converteram ao Islã em Meca, mas não conseguiram realizar a migração para Medina. Os coraixitas os torturaram até rezarem a Deus pela libertação. Não tinham meios de proteção contra a perseguição dos opressores. Deus permitiu Jihad armado contra um agressor, onde Ele disse: ‘’Lo! Deus comprou aos crentes as suas vidas e as suas riquezas, porque o Jardim Paradisíaco será deles; lutarás no caminho de Deus e matarás e serás morto. É uma promessa que Ele fez vincutiva na Torá, no Evangelho e no Alcorão. [9: 111]’’

Isso demonstra que a regra de repelir a agressão não é especificamente para os muçulmanos, mas é o papel de qualquer um que segue a Torá e o Evangelho, papel este que é direito de lutar contra aqueles que nos atacam. Dar a si para o caminho de Deus, significa repelir o agressor. “Uma promessa vinculativa” significa que Deus assumiu perante si mesmo, não apenas no Alcorão, mas também na Torá e no Evangelho, dar aos crentes o Jardim do Paraíso em troca de si mesmos e suas vidas. Ele disse: “Deus comprou aos crentes suas vidas e suas riquezas”. Isso também significa dar a riqueza para construir a sociedade, para o bem-estar dos outros, para o estabelecimento de hospitais, escolas e sociedade civil.

Os muçulmanos podem combater no caso da prática religiosa não ser proibida?

Deus disse: ’’Deus não vos proíbe, em relação àqueles que não vos combateram por sua fé, nem vos expulsaram de suas casas, de lidar gentilmente e justamente com eles; porque Deus ama aqueles que são justos. Deus só o proíbe, em relação àqueles que vos combateram por sua fé, e vos expulsaram de suas casas, e apoiaram outros em expulsar-vos, de se voltar para eles para amizade e proteção. Fazê-lo é como recorrer a eles nas circunstâncias em que compactuam com o erro. [60: 8,9]’’

Vê-se aqui que Deus não impede os muçulmanos de lidar justa e gentilmente com aqueles que não os combatem por sua religião. Hoje, vemos que os muçulmanos residem em muitas nações não-muçulmanas e vivem em paz, observando todas as suas obrigações religiosas e são livres para praticar sua fé. Não se pode encontrar nenhuma nação em que as mesquitas são forçadas a fechar, ou as autoridades estão proibindo o Alcorão ou outros livros religiosos, ou os muçulmanos são impedidos de rezar, ajudando seus pobres, que vêm em jejum ou que participam da peregrinação. Em vez disso, decretamos que todos os muçulmanos hoje são livres para praticar sua fé em todas as nações, em todo o mundo. ‘’Em verdade, Deus ama aqueles que são justos. [5:42]’’

O Islã exorta os crentes a praticarem a bondade com aqueles que estão fazendo bem a eles e, portanto, eles não têm permissão para atacá-los.

Probabilidade de Vitória

Jihad contra países que são culpados de opressão e perseguição só se torna obrigatório depois que todas as negociações políticas falharam e torna-se claro que o inimigo está em agressão. Além disso, os muçulmanos podem lutar apenas quando há probabilidade de vitória. O Estado deve preparar tudo o que é necessário em relação a armas, materiais e homens, pois Deus diz: ‘Deixai pronto para eles tudo o que podeis lograr de força armada [8:40].’’ Isso significa que o líder deve gastar ao máximo da capacidade da nação e gastar todos os esforços para armar os muçulmanos para a batalha, pois é a regra de Deus que sem força você não pode lutar. Pois fazê-lo imprudentemente, sem a possibilidade de sucesso, resultaria apenas em se matar e matar as pessoas e a criação de caos (fitnah), que pode ser pior do que matar. Deus diz: ’’Pois o tumulto e a opressão (fitnah) são piores do que o flagelo; [2: 191]’’

Danos físico podem levar a crimes contra pessoas inocentes. É por isso que Deus disse que é pior do que matar. Fitnah é obra dos munafiqin, (hipócritas.) Refere-se aqui à conspiração, cujo resultado pode ser uma grande guerra instigada entre uma ou mais nações, o que pode resultar na morte de milhares ou milhões de inocentes.

‘’Agora, Deus iluminou sua tarefa porque Ele sabe que há uma fraqueza entre vós. Então, se houver entre vós um cento de pessoas firmes, vencerão duzentos, se houverem mil de vós, vencerão dois mil com a permissão de Deus e Deus estará com quem é paciente. [8:66]’’

Deus aqui declarou que se a proporção de guerreiros muçulmanos para seus oponentes é de um para dois (1:2), eles podem lutar e eles receberão o Suporte Divino em uma luta aberta enfrentando o inimigo diretamente, em um combate homem contra homem. Esta foi uma redução da proporção original, na qual os crentes foram obrigados a lutar, a proporção de muçulmanos para seus adversários foi de um para dez (1:10). Como, então, um grupo pequeno pode declarar Jihad combativo contra uma nação inteira, quando o grupo não possui mais do que algumas dúzias ou algumas centenas de guerreiros dedicados?

Se não é permitido que 19 pessoas combatam contra um grupo com mais de 38, o que dizer de instigar a guerra contra uma nação massivamente fortificada e armada de mais de 250 milhões? Isto é, na realidade, nada mais do que um convite ao caos. O resultado é a ameaça de toda a Ummah muçulmana. Não é nada além de confusão, sedição e desordem, e o Profeta (sas) declarou aqueles que criam turbulência estarão sob a maldição de Deus: O Profeta (sas) disse: ‘’Confusão, sedição ou caos (fitnah) estão dormentes. Deus amaldiçoa aquele que os desperta.’’

Os radicais de hoje justificam Jihad combativo sem autoridade estatal citando as escaramuças realizadas por um dos convertidos muçulmanos contra os habitantes de Meca. Um artigo na revista Pakistan’s Renaissance magazine (Revistado do Renascimento do Paquistão), por Shehzad Saleem (1970 – 2011), explica: “Nós sabemos da história que depois do tratado de Hudaybiyyah, Abu Basir desertou para Medina. De acordo com os termos do tratado, ele foi devidamente devolvido aos coraixitas pelo Profeta (sas). Ele foi enviado de volta à guarda de duas pessoas dos coraixitas. Ele matou um de seus dois guardiões e novamente desertou para Medina.

Quando chegou a Medina, o Profeta (sas) estava bravo com o que ele havia feito. Percebendo que o Profeta (sas) mais uma vez o devolveu aos coraixitas, ele deixou Medina e se instalou em um lugar perto de Dhu’l-Marwah, onde mais tarde outras pessoas se juntaram a este lugar. A partir deste lugar, foi que eles atacaram as caravanas do coraixitas.

Se esses ataques de guerrilha são analisados à luz do Alcorão, o básico que vem à tona é que tudo o que Abu Basir e seus companheiros estavam fazendo não foi sancionado pelo Islã. O Alcorão diz que as ações e atos de uma pessoa que não migrou para Medina não são da responsabilidade de um estado islâmico:
‘’E quanto aos que creram, mas não migraram para Medina, você não lhes têm nenhum dever de proteção até que migrem. [8:72]’’

Não só o Alcorão absolveu o recém fundado estado islâmico de Medina das ações dessas pessoas, como encontramos as seguintes afirmações severas do Profeta (sas) sobre Abu Basir quando ele voltou para Medina depois de matar um de seus dois guardiões : ‘’Sua mãe é infeliz! Embora ele tenha o direito, ele iniciará o incêndio das chamas da guerra.’’

Obrigação comunitária: quem é compreendido como estando implicado no combate?

O Jihad combativo não é uma obrigação para todo indivíduo entre os muçulmanos, mas é uma obrigação comum (fard kifayah) cumprida quando alguns assumem o dever de repelir o inimigo. Deus diz: ‘’E os crentes não devem sair todos para lutar. De todas as tropas, uma só deve sair, que eles , os que são deixados para trás possam obter conhecimentos sólidos em religião, e que possam avisar seu povo quando retornarem a eles, para que eles possam ter cuidado [9: 122].’’

Vemos neste versículo que o Jihad combativo não é para todos. Se um grupo de pessoas foi designado para empreender Jihad combativo por seu líder, o resto não deve ir. Em vez disso, seu dever é ficar para trás e estudar, a fim de educar-se e aos outros. Assim, mesmo quando o Jihad combativo foi declarado, tanto os que se dirigem para combater quanto aqueles que ficam para trás para desenvolver a compreensão da religião são participantes no Jihad. Este versículo deixa claro que aqueles que ficam para trás e estudam religião são iguais aos que se dirigem para a batalha, dizendo: “seu dever é ficar para trás e estudar, para se educar e educar aos outros”. Neste versículo Deus enfatizou que nem todos os crentes deveriam lutar. Isso indica que há uma decisão a ser tomada: quem vai lutar e quem não vai.

Mu’adh ibn Jabal (605 – 639 d.C) relatou: Adquira conhecimento porque fazer isso é bondade, buscá-lo é considerado culto, examiná-lo é glorificar a Deus e pesquisá-lo é Jihad.

A partir disso, podemos ver que aprender a religião torna-se mais importante do que a participação na batalha, pois, ao fazê-lo, se aprende as crenças e sentenças que todos os muçulmanos devem seguir nesta vida. Compreender estas decisões, incluindo as relacionadas ao Jihad, é essencial e só pode ser realizada por estudo e educação.

Recrutamento

O mesmo verso mostra que, de todos os grupos, apenas um grupo deles sai. Isso significa que o exército deve ser composto de diferentes cidadãos de várias partes do país, “de todos os grupos deles” e hoje significa voluntários ou recrutas que foram designados e treinados para lutar, enquanto o resto dos cidadãos permanece atrás para treinar e educar-se. A participação no Jihad combativo torna-se obrigatória para um indivíduo quando ele é ordenado pelo líder para estar presente na linha de fogo. Por isso, o Mensageiro de Deus disse:

‘’Não há migração (após a abertura de Meca), mas Jihad e boa intenção. Então, quando você for chamado para ir adiante e parar a agressão, então faça-o.’’
Isso significa que, quando você for chamado pelo seu líder, você deve obedecer, pois é parte da obediência a Deus, ao Profeta (sas) e à autoridade. Juntamente com isso, cabe a qualquer grupo que busque lutar como soldados no caminho de Deus contra a agressão por incrédulos, primeiro a comprometer-se com seu líder, que organiza o exército. Posteriormente, eles organizam suas fileiras e preparam-nas para lutar. A convocação quando é feita é obrigatória para os muçulmanos, desde que sejam:

  1. Homens;
  2. Em plena posse de suas faculdades mentais;
  3. Tenha alcançado a idade da maturidade;
  4. Dispor de saúde;

Além disso, sua família deve possuir fundos suficientes para atender às suas necessidades até completar o dever que lhe foi atribuído pelo líder.

‘’Não é vinculativa para os fracos nem para os doentes, nem para aqueles que não conseguem encontrar o que desempenhar, e nisso não há qualquer culpa (para ser imputada sobre eles embora permaneçam em casa) se forem verdadeiros para com Deus e para Seu mensageiro [9:91]’’

Este versículo significa que não há obrigação para aqueles que têm uma personalidade fraca, ou uma mentalidade débil nem sobre aqueles que não têm talento para sair pela guerra. Somente as pessoas selecionadas pelo governante ou seus líderes nomeados devem sair, não aqueles que possam cometer ações precipitadas por causa do zelo emocional excessivo, nem aqueles que estão mentalmente doentes e podem cometer crimes como bombardeios, ataques suicidas e assim por diante.

Ibn Qayyim al-Jawziyyah (1292 – 1350 d.C) disse em Zad al-ma’ad:

O Profeta (sas) disse:

O combatente é aquele que luta em obediência a Deus e aquele que emigra é aquele que emigra das iniquidades. O Jihad do eu é um pré-requisito sobre o Jihad do inimigo e é uma base inicial para ele. Sem dúvida, aquele que não luta contra si mesmo não tem permissão para fazer Jihad combativo contra o inimigo externo. Como é possível para ele lutar contra seu inimigo [externo], quando seu próprio inimigo, que está bem ao lado dele, domina sobre ele próprio e o coordena? Então, como ele não travou a guerra contra o inimigo interno de Deus, é ainda mais impossível para ele se lançar contra o inimigo até que ele combata a si mesmo.
‘’Não há culpa para os cegos, nem há culpa pelo coxo, nem há culpa para os doentes por eles não irem à guerra. [29: 17]’’

Ataque surpresa

Quando o inimigo de repente chega a um lugar onde os muçulmanos residem, é obrigatório para os habitantes sair e combatê-los. Ninguém está isento dessa obrigação.

Requisito de idade

Ibn ‘Umar disse: “Eu fui apresentado ao Mensageiro de Deus e no momento da batalha de Uhud quando eu tinha catorze anos de idade, ele não me deu permissão para lutar”. Isto é porque Jihad não é obrigatório exceto sobre quem atingiu a idade apropriada.’’

Jihad das Mulheres

‘A`isha (612 – 678 d.C) perguntou, “Ó Mensageiro de Deus, o Jihad é obrigado para as mulheres?” Ele respondeu: “Jihad sem luta. Hajj e ‘Umrah são seu Jihad.” Deus diz: ‘’E não cobicem aquilo em que Deus fez alguns de vocês superarem os outros. Para os homens, uma fortuna daquilo que ganharam, e para as mulheres uma fortuna daquilo que ganharam. Não invejem uns aos outros, mas peçam a Deus por Sua Benignidade. Lo! Deus é sempre conhecedor de todas as coisas [4:32]’’
É relatado por Ikrimah (598 – 636 d.C) que algumas mulheres perguntaram sobre Jihad e outras mulheres disseram: “Desejamos que Deus nos conceda uma parte da recompensa que as expedições militares recebem da recompensa do que os homens compartilham”. Isso não impede as mulheres de irem tratar os feridos. É relatado que o Profeta (sas) estava em uma expedição militar e Umm Salim (596 – 683 d.C) estava com ele e outras mulheres de al-Ansar. Estavam dando água aos combatentes e tratando os feridos.

Permissão dos pais

No caso de um Jihad maior combativo e obrigatório, a permissão dos pais não é necessária, mas, no que diz respeito ao Jihad combativo voluntário, a sua permissão é necessária. Se um dos pais faleceu, a permissão do outro é suficiente. Ibn Mas’ud (650 d.C) relatou, perguntei ao Mensageiro de Deus qual ação é a mais amada para Deus e ele disse: “Oração em seu tempo. Então eu disse: “E depois disso, qual é a ação mais amada para Deus?”, e ele disse: “Ser bom com seus pais.” Em seguida eu disse, “o que é a melhor ação depois disso?” Ele disse: “Jihad pelo caminho de Deus”. Ibn ‘Umar disse: ‘’um homem veio ao Profeta (sas) e pediu permissão para participar do Jihad combativo e lhe respondeu: “Não estão vivos seus pais?” Ele disse: “Sim”. Então ele disse: “Então, peça permissão a eles primeiro e uma vez concedida, combata.” Ninguém pode sair em Jihad a menos que tenha providenciado as necessidades de sua família e o serviço em ajuda de seus pais. Este é o pré-requisito do Jihad; e além disso, é o melhor Jihad.

Jihad entre muçulmanos

Propriamente falando, Jihad, no caso de dissensão interna, só é permitido quando duas condições são atendidas e os muçulmanos combatem em apoio ao Imã contra os partidos ofensivos. 1 . Tem que haver um líder justo lutando contra uma insurreição injustificável. 2 . No Islã, a fidelidade e a obediência a uma autoridade justa são obrigatórias. Deve-se notar também que as rebeliões contra a autoridade – e especialmente a autoridade política, simplesmente por causa da rebelião em si – não têm lugar no conceito de Jihad.

Nesta era de relativismo, o espírito de rebelião parece ter penetrado em todas as camadas da sociedade. No entanto, o islamismo e seus princípios não podem ser subordinados a essas tendências culturais. Em alguns dos grupos “islâmicos” contemporâneos, o termo Jihad foi distorcido em algo parecido com um conceito marxista ou socialista de revolta de classe visando derrubar a autoridade do estado.

Em ambientes muitas vezes fervorosamente materialistas, das ideologias políticas e revolucionários contemporâneas, o Islã é inevitavelmente reduzido a mais uma filosofia social. Este reducionismo reflete um mal-entendido abissal sobre a função essencial do Islã, que é volver o “coração” do receptáculo humano longe do mundo da desarmonia e ilusão para a tranquilidade e o silêncio da consciência Divina e da Contemplação de Sua Luz. Jihad interno, como aludimos ao início desta apresentação, tem um papel fundamental a desempenhar a este respeito.

Buscar a paz

O governante, o líder político de todo o país, tem o poder de ratificar tratados de paz consistentes com os interesses dos muçulmanos. Deus disse:

‘’Entre completamente em paz e não siga os passos de Satanás. [2: 208]’’

E: ‘’se eles se inclinam para a paz, inclinem-se também e confiem em Deus. [8: 60]’’

Sayyid Sabiq afirma: Este versículo é o comando para aceitar a paz quando o inimigo a aceita, mesmo que sua aceitação seja conhecida de antemão como enganação e embuste.

Deus diz:

‘’E combata-os até que não haja mais tumulto ou opressão, e prevaleçam a justiça e a fé em Deus; Mas se eles cessarem com a agressão, não haja mais hostilidade senão àqueles que exercem a opressão. [2: 193]’’

A partir deste versículo vemos que a luta é exortada até a opressão acabar. Com as palavras, “mas se eles cessarem”, Deus legisla que uma vez que a justiça prevaleça e ninguém é impedido de observar sua crença em Deus, então a luta deve acabar. Deus concede que as armas sejam postas de lado, “exceto para aqueles que praticam a opressão”.

‘’E combata-los até que não haja mais tumulto ou opressão, e prevaleçam a justiça e a fé em; Mas se eles cessarem com a agressão, em verdade Deus vê tudo o que eles fazem. [8:39]’’ Assim, a paz não só é permitida, mas convocada após o adversário, mesmo que ainda seja inimigo, cessa sua agressão. No entanto, precaução e vigilância não deve ser abandonada nesta situação, pois aqui Deus lembra os muçulmanos de Seu Próprio Atributo, “em verdade Deus vê tudo o que eles fazem”.

Depois de estabelecer o estado islâmico em Medina, o Profeta (sas) disse que o caminho dos muçulmanos é um. Nenhum grupo pode autonomamente declarar guerra ou lutar, nem um grupo pode fazer a paz por si só. Em vez disso, todo o país deve fazer a paz. Quando um tratado de paz é feito pelo líder do país, todos os assuntos desse país estão vinculados por essa decisão, independentemente de o líder ter sido nomeado ou eleito. A decisão final é de responsabilidade do governante, após consulta com outros. Se um estado não tem líder, então ele deve selecionar um. Caso contrário, seus interesses serão representados internacionalmente pelos estados vizinhos. Essas nações podem se unir e concordar com um tratado com qualquer país estrangeiro em seu nome. Isso se aplica tanto em paz quanto na guerra.

Tributação

Ibn Qudama disse que um tratado de paz envolve concordar com os não-muçulmanos combatentes para acabar com as hostilidades por um período de tempo, quer implique ou não pagar imposto. Ele afirmou que os muçulmanos podem fazer tratados de paz que não exigem que os não-muçulmanos paguem um imposto, porque o Profeta (sas) de Deus o fez por ocasião do Tratado de Hudaybiyya. Ibn Qudama diz que Imã Ahmad (780 – 855 d.C) deu essa opinião, assim como Imã Abu Hanifa.

Conduta de combate

Proibição da matança de não combatentes

O islamismo proíbe totalmente o assassinato de pessoas que não são militares reais. O Profeta (sas) enviou a seguinte mensagem aos seus líderes militares que estavam estabelecendo o caminho de Jihad para parar os avanços hostis e defender os territórios muçulmanos: ‘’Avance em nome de Deus, com Deus, no padrão do Mensageiro de Deus.’’ Isso significa não matar idosos, bebês, crianças ou mulheres. Não exceda os limites adequados. Reúna seus despojos e estipule a paz “e faça o bem. Lo! Deus ama os que fazem o bem.”(2: 195)

O Profeta (sas) passou por uma mulher que foi morta e disse: “Ela não estava envolvida em combate”. O Profeta (sas) enviou então ao líder muçulmano Khalid ibn al-Walid (592 – 642 d.C) a seguinte mensagem: “O Profeta (sas) ordena que não se mate mulheres ou criadas”.

Esta é uma evidência clara de que a mulher não era uma combatente e o Profeta (sas) proibia sua morte. Pela forte ação que o Profeta (sas) realizou, indo tão longe quanto enviar uma carta ao seu principal comandante militar, vemos o quão preocupado com ele era de impedir tais incidentes e garantir que todo guerreiro muçulmano estava ciente das regras de combate. A questão surge aqui: quando alguém explode uma bomba ou comete um ataque suicida em um lugar público, quantas mulheres inocentes, crianças e idosos são mortos? Se a morte de uma mulher levou ao Profeta (sas) reprepreender seu superior geral, Khalid ibn al-Walid, o que, então, pensar que ele faria sobre matar 20, 30 ou mesmo centenas de não-combatentes, alguns dos quais até podem ser muçulmanos?

Assim como o Mensageiro de Deus proibiu o assassinato de mulheres e dos jovens, ele proibiu a morte de sacerdotes. O primeiro pedido do califa Sayyidina Abu Bakr as-Siddiq para o líder da primeira expedição militar islâmica depois que o Profeta (sas) incluiu a seguinte injunção: Nenhum ermitão deve ser molestado. Somente devem ser mortos aqueles que tomam em armas contra vocês.

Vemos essas várias narrações – e há muitos mais como essas – que o Profeta (sas) proibiu os muçulmanos de matar qualquer pessoa, muçulmana ou não muçulmana, se não forem transgressores ativos contra a segurança da nação. Isso mostra que os atos terroristas, em particular os ataques suicidas que matam indiscriminadamente, são formas totalmente inaceitáveis de combate, mesmo durante o combate válido autorizado para a defesa da nação.

Um dos princípios fundamentais do Islã é a santidade da vida. Simplesmente não há maneira no Islã de justificar o assassinato de inocentes, mesmo como uma forma de retribuição em massa, que muitos radicais hoje usam como justificativa para seus ataques em larga escala contra civis. O islamismo proíbe a vingança de sangue a esmo a não ser especificamente a retribuição apenas para quem cometeu o crime. Deus diz:

‘’Não mate a vida que Deus fez sacrossanta, a menos que seja em uma causa justa. [6: 151] E quem mata intencionalmente um crente, a sua recompensa é o Inferno para permanecer nele, e a Ira e a Maldição de Deus estão sobre ele, e um grande castigo está preparado para ele, [4:93]’’

Como ninguém pode dizer com certeza “essa pessoa não é um crente”, torna-se proibido matar qualquer ser humano sem justa causa.

Proibição de queimar o inimigo

É proibido queimar o inimigo com fogo porque o Mensageiro disse: “Mate o inimigo, mas não o queime. Porque ninguém castiga com fogo, exceto o Senhor do Fogo.” Este hadith ilustra a ênfase do Profeta na misericórdia e a prevenção de danos quando estabeleceu tais leis de conduta no campo de batalha. Somente nos tempos modernos foram regras de guerra, como as Convenções de Genebra que tornam inadmissível matar ou torturar prisioneiros de guerra, adotadas em todo o mundo. No entanto, 1400 anos atrás, o Profeta (sas) estabeleceu regras detalhadas de guerra em que mesmo o uso de fogo em combate era proibido, indo muito além das restrições que as nações modernas estavam dispostas a aceitar. De acordo com este hadith, armas que gerem chamas e queimei como fogo não são aprovadas por Deus. Deus proibiu a queima, mas a maioria dos ataques de grupos islâmicos hoje envolvem bombas e explosões, como os ataques ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001, no qual 3.000 pessoas foram incineradas.

Proibição de mutilar os mortos

Imran bin Husayn disse que o Mensageiro de Deus incentivou-nos a dar caridade e nos proibiu a mutilação.

Proibição de danos desnecessários

Abu Bakr as-Siddiq comandou o líder da primeira expedição militar islâmica após o Profeta (sas), dizendo: Nenhuma árvore frutífera deve ser cortada e nenhuma cultura deve ser incendiada. Nenhum animal deve ser morto, exceto aqueles abatidos para comer. Somente aqueles devem ser mortos que tomem em as armas contra você.

Ataque suicida

O próprio suicídio é proibido especificamente no Islã. Deus disse: ‘’Não se mate, pois Deus é verdadeiramente misericordioso convosco. [4:29]’’ e: ‘’Não se lance a beira do perigo. [2: 195]’’

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Estes versículos conservam o princípio geral de que matar-se é proibido. Assim, o Islã proíbe totalmente o suicídio. Sobretudo, o Profeta (sas) disse: Quem matou-se neste mundo com qualquer coisa intencionalmente, Deus o punirá com o mesmo no Dia do Juízo. O Profeta (sas) também disse: ‘’Entre os que estão antes de você, há um homem que cheio de feridas. Ele sentiu desespero, então ele pegou uma faca e com isso ele cortou a mão; o sangue continuava fluindo até o homem morrer. Deus, o Exaltado, disse: “Meu escravo causou a morte para si mesmo apressadamente; Eu proíbo-o o paraíso”.

Narrado por Abu Hurayra: Nós estávamos na companhia do Mensageiro de Deus em uma expedição, e ele comentou sobre um homem que afirmou ser muçulmano, dizendo: “Este (homem) é do povo do fogo (do inferno)”. A batalha começou, o homem lutou violentamente até que ele se feriu. Alguém disse: “Ó Apóstolo de Deus!

O homem que você descreveu como sendo do povo do fogo (do inferno) lutou violentamente hoje e morreu”. O Profeta (sas) disse: “Ele irá ao fogo (do inferno)”.

Algumas pessoas estavam a ponto de duvidar (da verdade do que o Profeta (sas) havia dito) enquanto estavam nesse estado, de repente alguém disse que ele ainda estava vivo, mas gravemente ferido. Quando a noite caiu, ele perdeu a paciência e cometeu suicídio. O Profeta (sas) foi informado disso e ele disse: “Deus é o Maior!

Eu testifico que eu sou escravo de Deus e seu apóstolo.” Então ele ordenou a Bilal (580 – 640 d.C) que anunciasse entre o povo: “Ninguém entrará no Paraíso, a não ser que seja muçulmano, e Deus pode apoiar essa religião (ou seja, o Islã), mesmo com um homem desobediente. “O Profeta (Sas) disse: Quem se lança em um precipício a partir de uma alta montanha e se mata estará atirando-se para baixo debaixo de uma montanha no fogo do inferno por toda a eternidade. Quem toma veneno e mata-se, tomará veneno no fogo do inferno por toda a eternidade. Quem se mata com uma arma (literalmente, “ferro”) vai segurá-lo na mão esfaqueando-se no estômago no fogo do inferno por toda a eternidade).

Uma pessoa envolvida na batalha se matou com uma flecha de ponta larga. O Mensageiro de Deus disse: “Quanto a mim, não irei orar por ele”. Mesmo os muftis (autoridade religiosa máxima de um país islâmico) da escola mais fundamentalista de direito no Islã, a escola de pensamento “Wahhabi ou Salafista”, declarara que os atentados suicidas nunca foram um método aceito de combate no Islã. O Mufti da Arábia Saudita, Shaykh ‘Abd Al-‘Aziz Al-Shaikh (1941) declarou: “Em meu conhecimento, as chamadas ‘’missões de suicídio” não têm nenhuma base jurídica no Islã e não constituem qualquer forma verdadeira de Jihad. Temo que não sejam senão uma forma de suicídio, e o suicídio também é proibido no Islã”.

Isso ecoa uma fatwa (pronunciamento legal) anterior dado por seu antecessor, o último mufti saudita Shaykh ‘Abd Al-‘Aziz bin Baz (1910 – 1999). Infelizmente, nada disso impediu que os terroristas empregassem essas táticas. Uma maneira que encontraram de tentar justificar suas ações ilícitas foi citando a história do primo paterno do Profeta, az-Zubayr ibn al-‘Awwam (594 – 656 d.C).

Durante uma batalha contra o exército bizantino, Az-Zubayr disse a um grupo de soldados muçulmanos: “Quem prometeu ir comigo e atravessar as fileiras inimigas até chegar ao fim de suas fileiras, e depois dar a volta em seu acampamento de volta para a nossa posição atual?” Um grupo de combatentes disse: “nós prometemos.” Az-Zubayr levou o grupo para as frontes do inimigo e lutou por suas fileiras até chegarem ao campo bizantino. Eles contornaram o campo bizantino e voltaram para o corpo principal do exército muçulmano. Os terroristas afirmam que Az-Zubayr e seus homens certamente morreriam e, assim, se suicidariam enquanto lutavam contra o inimigo. De fato, az-Zubayr não disse a seus companheiros: “Vamos matar a nós mesmos.”

Ele apenas expôs a si mesmo e a seus homens ao que comumente se espera na guerra – a probabilidade de ser morto pelo inimigo. Ele não pretendia morrer, mas lutar, e contava com o apoio de Deus para vencer. Isso não é suicídio, mas é bravura e heroísmo. O islã sempre exigiu perfeita nobreza e disciplina. Por essa razão, os soldados são condenados a suportar e lutar mesmo diante de contrárias probabilidades. Sendo assim, a chamada “lógica” dos terroristas é claramente ilógica.

Proibição contra infligir danos colaterais

O resto do raciocínio dos terroristas é igualmente falho. Os supostos muçulmanos militantes de hoje citam uma decisão do erudito Shafi al-Mawardi ( 972 – 1058), na qual ele afirmou que, quando envolvido no Jihad combativo, se o inimigo misturou não-combatentes entre os guerreiros – seja por acaso ou intencionalmente como “escudos humanos” – então os arqueiros muçulmanos tem permissão para disparar contra o inimigo, apesar do fato de que devido à aleatoriedade da troca de ataques, os não-combatentes possam morrer. Os terroristas usam essa decisão para justificar ataques com bombas contra áreas civis. Na verdade, eles apenas estão torcendo a lei de acordo com seus propósitos. Esta decisão é muito específica na medida em que permite tais ataques no pressuposto de que são os combatentes que são alvo dos arqueiros, e não dos civis, que só estão presentes ou, pior, que estão sendo usados como escudos humanos. O pressuposto do jurista é também que os muçulmanos e os inimigos estão envolvidos em combates presenciais entre os combatentes. No entanto, os ataques perpetrados pelos militantes de hoje não se dirigem aos combatentes; em vez disso, eles são normalmente realizados em locais públicos mais frequentados por civis, incluindo mulheres e crianças inocentes. Na lei islâmica, não se pode construir um caso sobre hipóteses duvidosas, como “essas pessoas provavelmente estão envolvidas em combater contra os muçulmanos”. Esse argumento é falso e o resultado é o assassinato de inocentes sem justificação.

As regras islâmicas de conduta militar nunca permitem o uso de civis como alvos ou como reféns. No Islã, mesmo os chamados “danos colaterais” são inaceitáveis. Portanto, se um muçulmano se mata, juntamente com inocentes, é um ato duplamente proibido e condenável.

Mesmo o erudito islâmico, Shaykh Yusuf al-Qaradawi (1926), emitiu uma fatwa condenando os trágicos atentados suicidas de 11 de setembro de 2001, afirmando: “Mesmo em tempos de guerra, os muçulmanos não têm permissão para matar ninguém, salvo aquele que esteja envolvido em confronto face-a-face contra eles”. Ele acrescentou que não há permissão para matar mulheres, pessoas idosas ou crianças, e que matar ao acaso é totalmente proibido no Islã. Shaykh Qaradawi, em outra ocasião, definiu o terrorismo como “o assassinato de pessoas inocentes sem diferenciação entre o inocente e o inimigo”.

Outro estudioso religioso amplamente seguido, As-Sayyid Tantawi (1928 – 2010), Grand Shaykh da mais alta instituição de aprendizado do Islã, a Universidade de Al- Azhar, disse que os ataques contra mulheres e crianças “não são aceitos pela lei islâmica”. A Academia de Pesquisa de Al-Azhar, pouco depois de 11 de setembro de 2001, declarou que um “muçulmano só deveria lutar contra aqueles que o combatiam; crianças, mulheres e idosos devem ser poupados”. O Profeta (sas) disse: … ‘’Quem combate sob a bandeira de um povo cuja causa não é clara, que é atingido pelo orgulho da família, chama pessoas a lutar na causa da honra da família ou combate apoiando seus familiares e parentes, e é morto, então ele morre em um estado de ignorância (jahiliyyah).

Quem indiscriminadamente ataca minha Ummah, matando os justos e os ímpios entre eles, não poupando nem aqueles que são firmes na fé, e não cumprindo nenhuma promessa feita com quem foi prometido conceder segurança, não tem nada a ver comigo e não tenho nada a ver com ele.’’ Isso nos mostra muito claramente que aqueles que atacam indiscriminadamente muçulmanos como os não-muçulmanos por atentados suicidas, matando arbitrariamente pessoas inocentes, são rejeitados completamente pelo Profeta (sas).

Este hadith também deixa claro que, se alguém atacar uma pessoa cuja segurança tenha sido garantida pelo governo da nação, o Profeta (sas) está abandonando o atacante e se dissociando dele. Para o crente, nada poderia ser mais angustiante do que o Profeta (sas) abandoná-lo. No entanto, hoje vemos decapitações de pessoas que estão trabalhando para ajudar a trazer estabilidade, ajuda humanitária e direitos humanos ao Iraque. Finalmente, este hadith demonstra a oposição enfática do Profeta àqueles que declaram um falso Jihad combativo. Na verdade, representa uma previsão muito clara pelo Profeta (sas) de que surgirá um povo que criará estragos e confusão, que são arrogantes e orgulhosos de si mesmos, e quem, apesar das aparências, está de fato combatendo pelo bem de suas famílias e tribos apenas. Sua luta não é Jihad por qualquer meio real concebível.

Tal é o caso em muitos países muçulmanos de hoje, incluindo na terra de Hijaz, Paquistão, Darfur, Egito, Argélia, Iraque e assim por diante. O que está acontecendo nessas nações hoje é claramente descrito neste hadith: “Quem ataca indiscriminadamente minha Ummah, matando os justos e os ímpios entre eles, não poupando nem mesmo aqueles que são firmes na fé”.

Falsas normas em apoio a ataques suicidas

Muitas vezes, aqueles que justificam ataques suicidas citam como evidência a história do companheiro do Profeta Al-Bara ‘ibn Malik (… – 640 d.C) na Batalha de Yamama, em que os muçulmanos lutaram contra Musaylima (… – 632 d.C), o Mentiroso, que havia começado a guerra atacando os muçulmanos: os muçulmanos ganharam terreno contra os idólatras da batalha de Yamama até os encurralarem em um jardim em que Musaylima se hospedava. Al-Bara’ibn Malik disse: “Ó muçulmanos, jogue-me para eles!” Ele foi lançado para cima, quando ele subiu acima da altura da parede, ele penetrou o recinto. Então ele lutou contra eles dentro do jardim até que ele abriu os pórticos para os muçulmanos e os muçulmanos entraram. Foi assim que Deus matou Musaylima.

Al-Bara foi atirado sobre os inimigos e lutou contra eles até abrir os pórticos e tudo isso depois de ter recebido mais de oitenta cortes. Então ele foi levado e cuidado. Khalid ibn al-Walid visitou-o por um mês. Estudando essa analogia, descobre-se que no incidente citado, os dois exércitos combatentes estavam lutando cara a cara. No processo, Al-Barâ – não matou pessoas inocentes. Ele passou pela parede com a intenção de abrir os pórticos ou morrer na tentativa. Na verdade, a sua morte era esperada nas mãos do inimigo, não pela sua própria ação. Isto, como também o exemplo anterior de az-Zubayr ibn al-‘Awwam, são exemplares de cavalheirismo e bravura, sem a intenção de cometer suicídio.

Prisioneiros de guerra

Em relação aos prisioneiros de guerra, Deus diz:

‘’Finalmente, quando você os subjugou completamente, prenda-os firmemente: depois disso é tempo de generosidade ou resgate: até a guerra estabelecer seus fardos.’’ [47.4]

Na mesma linha de raciocínio, o Profeta (sas) disse: Aquele que dá faz uma promessa de segurança a um homem no que diz respeito à sua vida, e em seguida o mata, eu sou inocente das ações do assassino, mesmo que o morto seja um descrente. É consenso que, embora o Profeta (sas) capturou prisioneiros, ele nunca compeliu nem forçou ninguém a abraçar Islã. O mesmo vale para os companheiros. Os companheiros do Mensageiro de Deus costumavam resgatar prisioneiros e rejeitaram matá-los dizendo: “O que ganhamos em matá-los?”

Rebelião contra os governantes

A escola de Abu Hanifa (699 – 767) diz que o chefe do estado, o Imã, não pode ser expulso por ser uma pessoa corrupta (fasiq).

Ibn Nujaym (1520 – 1563)

O estudioso Ibn Nujaym disse: “Não é permitido que haja mais de um líder do estado (Imã) em um mesmo período de tempo. Pode haver muitos juízes, mesmo em um estado, mas o líder é somente um.”

Al-Bahjuri

Al-Bahjuri disse: “É uma obrigação obedecer ao líder, mesmo que ele não seja justo ou digno de confiança ou mesmo que cometa pecados ou erros”. Ele também disse: “… você deve obedecer ao governante mesmo que ele seja opressor”. Isto significa que nem um grupo e nem um indivíduo podem declarar guerra contra o governante de uma nação. Além disso, em sua explicação de Sahih Muslim al-Bahjuri disse: “… é proibido tomar partido contra o governante”.

Amin Ahsan Islahi (1904 – 1997 d.C)

Ao comentar os motivos subjacentes que formam a base da autoridade estatal para o jihad combativo, Amin Ahsan Islahi escreve: ‘’o primeiro motivo para esta condição é que o Deus Todo-Poderoso não gosta da dissolução e desintegração de um sistema maligno até que haja uma forte probabilidade que aqueles que estão fora para desintegrar o sistema fornecerão às pessoas um sistema alternativo e justo.

A anarquia e a desordem são condições não naturais. Na verdade, eles são tão contrários à natureza humana que até mesmo um sistema injusto é preferível a elas… essa de confiança que um grupo poderá harmonizar um sistema desintegrado e integrá-lo em um todo unido pode ser posta apenas em um grupo que realmente tenha formado um governo político e tenha tal controle e disciplina dentro dos limites de sua autoridade que o grupo possa ser denominado como al-Jama’ah (o Estado).

Até que um grupo atinja esta posição, é lícito esforçar-se por meios religiosamente permitidos para criar al-Jama’ah, e esse esforço seria seu Jihad por esse tempo de quem o fizesse – mas não existe o direito de fazer um Jihad “armado” para lográ-lo. A segunda razão é que a importação de poder que um grupo envolvido em guerra adquire sobre a vida e a propriedade dos seres humanos é tão grande que a sanção para exercer esse poder não pode ser dada a um grupo cujo controle do líder sobre seus seguidores se baseie apenas em sua influência espiritual e religiosa sobre eles – em vez de se basear na autoridade legal.

Quando o controle de um líder se baseia meramente em sua influência espiritual e religiosa, não há garantia suficiente de que o líder poderá parar seus seguidores de fasad fi’l-arl (criar desordem na sociedade). Portanto, um líder religioso não tem o direito de permitir que seus seguidores tirem suas espadas (que são para travar um combate armado) apenas com base em sua influência espiritual sobre eles, pois uma vez que a espada está desembainhada há um grande perigo de que quem a empunha não vai se preocupar com o certo e o errado e que aqueles que o fizerem acabarão cometendo o erro que tinham procurado corrigir.

Grupos radicais e de quem guarda o desejo de revolução, não são mais que o objeto de quem quer a ruptura do sistema existente e a deposição do partido no poder para conquistar o poder para si mesmo – e eles podem, pois aos seus olhos a interrupção de um sistema não é uma calamidade, nem crueldade, e nem qualquer tipo de maldade. Tudo bem para eles desde que sirva a seus propósitos. Hudhayfa bin al-Yaman (… – 656 d.C) narrou um hadith em que ele disse, o Profeta (sas) disse:

“Haverá depois de mim líderes que não seguem minhas orientações e não seguem a minha Sunnah, e haverá entre eles homens cujos corações são como os de Satanás no corpo de um ser humano. “Então, eu perguntei ao Profeta (sas): ” Oque eu deveria fazer naquele momento se eu alcançá-lo “Ele disse:” ouça e obedeça o governante, mesmo que ele tenha chicoteado suas costas e tirado seu dinheiro, ouça e obedeça.’’

Em outra narração:

Auf bin Malik disse: “Ó Profeta de Deus, você recomenda que nós os combatamos?” Ele disse: “Não, não lute contra eles, desde que não os impeçam de suas orações. E se você vê com eles algo que você não gosta, caso não goste de seus atos, não desgoste deles. E não retire a mão da obediência a eles.” Narra-se de ‘Abdullah ibn al-‘Abbas (619 – 687 d.C) que o Profeta (sas) disse: Se alguém não gosta do seu governante, ele deve ser paciente, porque se ele vier contra o governante de uma forma rebelde ou destrutiva mesmo que seja por um olhar e morre, ele morre em um estado de ignorância pré-islâmica (jahiliyyah) e pecado. Outros hadiths com temas semelhantes, são eles: O Profeta (sas) disse: “Haverá sobre vós líderes que irão reconhecer e desaprovar; quem os rejeitar é livre, quem os odiar está seguro enquanto oposição aos que estão satisfeitos e obedecem a eles; eles disseram: “Não devemos lutar contra eles?”. Ele disse: “Não, enquanto eles orarem”.

O Profeta (sas) disse: “Os melhores de seus líderes são os que vocês amam e eles te amem de volta, você reza por eles e eles rezam por você. O pior dos seus líderes são aqueles que se irritam com vocês e vocês os irrita e você os amaldiçoa e eles maldizem vocês; nós respondemos: “Ó Mensageiro de Deus, não devamos removê-los?’’ Ele disse: “Não, enquanto eles estabeleçam a oração entre vocês”. Estes textos são evidências claras de que quem quer que esteja sob um governo deve obedecer o governante e viver pacificamente. Insurreição ou violência por qualquer grupo contra o governante, é completamente rejeitada no Islã, e foi proibida pelo Profeta (sas) e será uma causa de morte no caminho da ignorância (jahiliyyah).

Esses hadith se referem ao líder de uma nação, e não ao líder de um grupo pequeno. Portanto, os grupos que assumem um combate violenta contra seus regimes são proibidos no Islã e são, por padrão, ilegais e condenáveis.

O verdadeiro caminho para corrigir os erros de um governante é, de acordo com o hadith: “Um excelente Jihad é quando se fala uma palavra de verdade na presença de um governante tirânico”. Note aqui que o hadith não menciona combater contra o governante, mas sim elogia aquele que corrige o governante por meio do discurso. Infelizmente, vemos hoje inúmeros indivíduos e grupos que rotulam seus governantes e seus governos apóstatas ou incrédulos, pensando que isso lhes dá uma desculpa para declarar “Jihad” contra eles.

Eles afirmam que isso é porque eles não governam pelo que foi revelado ao Profeta (sas). Pior ainda, eles aterrorizam e matam oficiais do governo, membros das forças armadas e servidores públicos, simplesmente porque são alvos fáceis. Esses grupos usam uma ideologia supostamente “militante islâmica” para justificar essa ação criminosa, declarando que o governante, o governo e seus oficiais são criminosos no caminho do “verdadeiro Islã” que, portanto, deve ser eliminado. Se o governante cometeu um erro, não é permitido rotular ele de apóstata, nem doutrinas as pessoas a usar a militância para se opor a ele. Na época do Profeta (sas) após a conquista de Meca, um companheiro chamado Hatib ibn Abi Balta (586 – 650 d.C), ajudou alguns dos inimigos do Islã passando-lhes informações secretas.

Quando questionado quanto a seus motivos, Hatib respondeu:

‘’Ó Profeta de Deus! Não se apressem a dar o seu julgamento sobre mim. Eu era um homem intimamente relacionado com os coraixitas, mas eu não pertencia a esta tribo, enquanto os outros emigrantes com vocês tinham seus parentes em Meca que protegeriam seus dependentes e propriedades. Então, eu queria compensar a minha falta de relação de sangue com eles, fazendo-lhes um favor para que eles pudessem proteger meus dependentes. Eu não fiz isso por causa da descrença nem de apostasia, nem por preferir a descrença (kufr) ao Islã.

O Profeta (sas) de Deus disse: “Hatib lhe disse a verdade”. Vemos aqui que o Profeta (sas), embora plenamente consciente das ações de Hatib, nunca considerou que ele estava fora da alçada do Islã, nem ele Infligiu qualquer castigo sobre ele. Quanto a Hatib e seu apoio aos incrédulos, Deus revelou o seguinte verso: ‘’ “Ó você que acredita! Não tome o Meu inimigo e o seu inimigo por amigos: você lhes oferecerá o amor, enquanto eles negam o que veio a você da verdade, expulsando o Mensageiro e a você, porque acreditam em Deus, seu Senhor? “[60: 1]

Embora o verso reprima Hatib, mostrando-o no erro, Deus, no entanto, não o tirou do estado de crença, mas continuou a abordá-lo com o título honroso “você que acredita”. Isso constitui uma prova de que, mesmo que alguém ajude o regime que não apoia o Islã, não se pode prejudicar essa pessoa, pois o Profeta (sas) não infligiu qualquer castigo a Hatib. Pergunta-se então como tantos grupos hoje rotulam livremente aqueles que trabalham para seus governos como renegados e apóstatas, e emitem editos ferozes para matá-los. O seu trabalho com o governo pode ser para a sua subsistência, ou para construir uma ponte de confiança para a comunidade islâmica para assegurar um relacionamento futuro melhor ou uma melhor compreensão do Islã.

O jihad interno

O Islã não é uma religião retórica. Baseia-se na unidade, no amor e na ação racional. Logo após a morte do Profeta, o Islamismo irradiou do seu centro terrestre, a Caaba, símbolo implacável da fé. Jihad foi a dinâmica dessa expansão. Externamente, incorporou o poder do islã contra erros e falsidades; Interiormente, representava os meios de despertar espiritual e de transcender o ego. Referindo-se a isso, o Profeta (sas) disse enquanto retornava da batalha:

Agora estamos retornando do Jihad menor ao Jihad maior, o Jihad contra o ego. O Profeta (sas) teria dito durante a Peregrinação de Despedida: … ‘’O combatente no Caminho de Deus é aquele que faz Jihad contra si mesmo (Jahada nafsah) por causa de obedecer a Deus.’’ Deus diz no Alcorão: ‘’aqueles que se esforçaram por nosso amor, nós os guiamos para os nossos caminhos. [29:69]’’ Neste versículo, Deus usa uma derivação da raiz da palavra “Jihad” para descrever aqueles que merecem orientação, e tornou a orientação dependente de Jihad contra os falsos desejos da alma. Portanto, as pessoas mais perfeitas são aqueles que mais se esforçam contra os impulsos egoístas do ego pelo amor de Deus. O Jihad mais obrigatório é aquele travado contra o ego, os desejos, o diabo e do mundo inferior.

O grande Sufi Al-Junayd (830 -910 d.C) disse: Aqueles que se esforçaram contra seus desejos e se arrependeram por amor de Deus devem ser guiados nos caminhos da sinceridade. Não se pode lutar contra o inimigo externamente (ou seja, com a espada), exceto aquele que luta contra esses inimigos interiormente. Então, quem for dado vitória sobre eles, será vitorioso sobre seu inimigo, e quem for derrotado por eles, seu inimigo o derrota.

Dhikr: recordação de Deus

O Profeta (sas) disse: “Devo dizer-lhe algo que é melhor do que todos os feitos, constitui o melhor ato de piedade aos olhos de seu Senhor, eleva sua posição no futuro e carrega mais virtude do que o gasto de ouro e a prata ao serviço de Deus, ou participando de Jihad e matando ou sendo morto no caminho de Deus? “Eles disseram: “Sim!” Ele disse: “O recordo de Deus”. Assim, encontramos que os princípios da Jihad espiritual baseia-se na eliminação das características feias, egoístas e ferozes do ego através do treinamento espiritual e do domínio do dhikr, a recordação de Deus. Esta lembrança assume muitas formas. Cada escola de sufismo se concentra em uma forma diferente de ritual (dhikr) para permitir que o investigador se aproxime da presença divina, variando de recitação individual e silenciosa e cantar em sessões de grupo. É essa batalha espiritual que levanta o homem e infunde nele o sentido de relacionamento com Seu Criador é sempre pedir amor entre a humanidade e se esforçar no caminho de Deus para uma melhor compreensão entre várias comunidades de todas as religiões. Através deste Jihad espiritual, o efeito do ego egoísta sobre a alma do buscador é removido, elevando seu estado de depressão, ansiedade e solidão a um de alegria, satisfação e companheirismo com o Altíssimo.

Conclusões e recomendações políticas

É evidente que a compreensão de Jihad como um conceito é desmentida de forma desfavorável pela retórica em curso empregada por ativistas islâmicos e estudiosos extremistas. Desconsiderando séculos de erudição clássica e usando uma abordagem simplista e literal do Alcorão e das tradições sagradas do Profeta (sas), eles criaram uma imagem convincente de Jihad como uma guerra militante e contínua entre os muçulmanos e os não-muçulmanos – situação que afirmam manter até o fim dos tempos.

A única maneira de dissipar as falsas noções de Jihad apresentadas pelos extremistas, que são extraordinariamente bem financiados e organizados, é um esforço igualmente forte desenvolvido pelos governos muçulmanos na reeducação de suas populações, em particular da juventude, sobre o correto significado e implicações deste termo. Esses esforços devem ser robustos e contínuos, e devem ter o apoio de estudiosos muçulmanos modernos e moderados em cada nação. Proponho as seguintes recomendações para cada nação envolvida nesses esforços de reeducação:

  1. Manter discussões subsequentes para criar uma resposta ao abuso atual do termo Jihad.
  2. Apresentar apresentações públicas para educar os cidadãos sobre essa informação, com base nessas discussões.
  3. Publicar literatura, incluindo livros escolares para todas as idades, explicando a definição precisa de Jihad e distribuindo esta literatura em grandes quantidades.
  4. Incentivar os estudiosos modernos e moderados a se levantar e a falar em oposição aos extremistas.
  5. Criar locais para estudiosos modernos e moderados para que suas vozes possam ser ouvidas, incluindo espaços na televisão, rádio e eventos públicos.
  6. Publicar na mídia pública os trabalhos dos debates e discussões acima mencionados por estudiosos modernos e moderados.

Este esforço para educar as massas muçulmanas sobre o verdadeiro significado de Jihad, em si, fornecerá um importante exemplo contemporâneo de seu verdadeiro Espírito.

Este texto foi redigido por Shaykh Muhammad Hisham Kabbani.

Fonte: https://historyofislam.com/contents/the-modern-age/what-is-jihad-a-scholars-perspectiv/

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