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O Primeiro Califa do Islam - Abu Bakr

O Primeiro Califa do Islam – Abu Bakr

Abu Bakr se tornou o califa em 8 de junho de 632 sucedendo o próprio Profeta Muhammad no comando dos muçulmanos, e morreu em 23 de agosto de 634. O período de seu califado durou dois anos, dois meses e apenas quinze dias. Julgado pelos padrões históricos habituais, este período foi muito curto para ter algum impacto na história. No entanto, o califado de Abu Bakr não se limitou a ter algum impacto histórico; ele mudou o próprio curso da história.

A supressão da apostasia, a unificação da Arábia, e as conquistas de grandes partes do Iraque e Síria num curto espaço de dois anos são as maravilhas extraordinárias que tiveram lugar durante seu califado.

A velocidade, magnitude, extensão e permanência dessas campanhas evocam nossa admiração. Para estas realizações, Abu Bakr, que Allah esteja satisfeito com ele, detém uma posição única na história do mundo em geral e da história do Islam em particular.

Abu Bakr chegou ao poder em meio à uma situação crítica. As crises que ele teve de enfrentar, eram multi-dimensionais – estado psicológico, religioso, político e internacional. O Estado islâmico aparentemente estava à beira de um precipício e qualquer passo errado por parte de Abu Bakr, nessa fase, poderia ter levado ao caos. Abu Bakr não só evitou a possível desintegração, mas também fez do Islam uma força mundial, que em alguns anos conquistaria por completo o Império Persa e mais tarde todo o Bizantino.

Os principais pontos do califado de Abu Bakr podem ser classificados da seguinte maneira:

  • A guerra de apostasia
  • A compilação do glorioso Alcorão
  • A conquista de Iraque
  • A conquista de Síria

Guerra da Apostasia

Havia quatro causas principais para esta guerra:

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Primeiro, por causa da disputa pelo Califado entre os emigrantes de Meca (Muhaajireen) e os residentes de Medina que receberam o Profeta na Hégira (Al-Ansaar), várias tribos favoreciam o separatismo.

Em segundo lugar, o Profeta Muhammad recolhia o Zakaat (imposto devido aos pobres), que as várias tribos árabes costumavam enviar à Medina. Como a morte do Profeta, algumas tribos alegaram que não havia razão para eles enviarem este imposto de caridade. Além disso, muitas vezes tinha sido acordado que a distribuição de esmolas fosse local; então por que eles deveriam enviar os seus contributos para Medina? (questionavam as tribos)

Em terceiro lugar, com a futura guerra mostraria, alguns dos beduínos incivilizados não tinham realmente se convertido ao islamismo; eles o haviam adotado porque admiravam o homem que poderia desafiar os dois maiores impérios de seu tempo. Então, assim que o Profeta Muhammad morreu, seu efeito sobre eles desaparecera e eles se afastaram do Islam.

Em quarto lugar, a influência dos romanos do norte e os persas e etíopes do leste e do sul, incentivaram as distantes tribos recém-convertidas à voltarem ao paganismo árabe anterior ao Islam, e reavivarem o culto de seus ídolos.

Abu Bakr enfrentou as crises com forte determinação. Ele convocou todas as suas forças de combate para Thil-Qassah, onde ele as arranjou em onze tropas diferentes, cada uma liderada por um comandante nomeado.

Os números e comandante de cada exército foram bem escolhidos para a comissão exata de cada exército particular, e o inimigo a ser confrontado.

As campanhas de apostasia começaram em Agosto de 632 e tiveram um fim em Fevereiro de 633. quando as tribos apóstatas foram totalmente suprimidas. A Arábia ficou unificada, e todas as tribos aderiram ao Islam. Isso foi um feito notável, que mudou o curso da história. Abu Bakr foi inflexível, com a intenção de propósito, sábio em ação, e obediente em relação aos termos de Allah. Além de ser conhecido como o primeiro e um dos mais brilhantes califas muçulmanos, ele era igualmente famoso por sua piedade.

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Compilação do Alcorão

Um grande número de muçulmanos foram mortos na guerra da apostasia, entre os quais haviam muitos daqueles conhecidos por memorizar o Alcorão inteiro memorialmente. Umar ibn Khattab, cujo o irmão Zayd estava dentre os mortos, pensou o que podia ocorrer se mais pessoas como ele morressem neste tipo de confronto.

Ele chegou à conclusão de que se o Alcorão iria ser preservado, deveria ser compilado em um único volume. Naquela época, ele estava espalhado entre os companheiros do Profeta, com cada um deles preservando uma parte do livro.

Métodos de conservação diferentes haviam preservado o Alcorão, alguns tinham sido escritos em pergaminho; outros em ramos de palmeiras despojadas de folhas; um terceiro grupo em ossos de animais; e uma quarta parte em tábuas de pedra; porém um grande numero havia memorizado todo o livro de cor.

Então após um período de discussão com o califa Abu Bakr, Umar ibn Khattab (que sucederia Abu Bakr no califado) conseguiu de seu amigo a permissão para que a compilação fosse feita. Zayd bin Thaabit foi convocado para fazer a primeira compilação de todo Alcorão, que é literalmente igual a existente hoje em cada mesquita ou casa de muçulmanos pelo mundo.

Fonte: http://www.islamweb.net/en/article/135193/

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