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O Hadith: “Aquele que Visita o Meu Túmulo, a Minha Intercessão Está Garantida para Ele” – Shaykh Gibril Fouad Haddad

[Extraído do Appendix, Repúdio dos Inovadores do Najd]

O hadith “Aquele que visita o meu túmulo, minha intercessão estará garantida para ele” (Man zâra qabrî wajabat lahu shafâ`atî)[1] é um relato bom (hasan) como foi concluído por Imam Abu al-Hasanat al-Lacknawi[2] e seu aluno `Abd al-Fattah Abu Ghudda, nas notas do último sobre o Muwatta’ de Imam Malik, de acordo com o relato de Muhammad ibn al-Hasan (capítulo 49: Sobre o Túmulo do Profeta – Allah o Abençoe e lhe Dê Paz ) e de Sheikh Mahmud Mamduh,[3] embora alguns eruditos antigos o tenham classificado como autêntico (sahîh) tais como Ibn al-Sakan no al-Sunan al-Sihah e `Abd al-Haqq al-Ishbili no al-Ahkam, seguidos por Sheikh al-Islam al-Taqi al-Subki no Shifa’ al-Siqam em vista do total das cadeias de transmissão.[4] Outros eruditos do Hadith que o consideraram autêntico foram o aluno de Ibn Hajar, o mestre de hadith al-Sakhawi,[5] o mestre de hadith de Medina al-Samhudi,[6] e Sheikh al-Islam al-Haytami no al-Jawhar al-Munazzam. Al-Ghassani (m. 682) não o incluiu em seu compêndio de relatos fracos de al-Daraqutni intitulado Takhrij al-Ahadith al-Di`af min Sunan al-Daraqutni.[7] Alguns eruditos posteriores, começando com Ibn Taymiyya, permaneceram indecisos quanto a classificar este hadith como fraco ou fabricado.

Al-Lacknawi disse a respeito deste hadith:

Existem alguns que o classificaram como fraco [e.g. al-Bayhaqi, Ibn Khuzayma, e al-Suyuti], e outros que asseguraram que todos os hadiths relativos a visitas ao Profeta – Allah o Abençoe e lhe Dê Paz – são fabricados, tais como Ibn Taymiyya e seus seguidores, mas ambas opiniões são falsas, pois aqueles que receberam o entendimento correto para verificação deste caso, classificaram o hadith como hasan, como Taqi al-Din al-Subki expôs em seu livro Shifa’ al-Siqam fi Ziyara Khayr al-Anam.”[8]

Entre aqueles que caem na categoria de “Ibn Taymiyya e seus seguidores” sobre a questão:

§ Ibn `Abd al-Hadi que escreveu al-Sarim al-Munki fi al-Radd `ala al-Subki numa refutação violenta do livro de al-Subki sobre visitação, mas contradisse sua própria opinião em outro livro de sua autoria.[9] Sheikh Mahmud Mamduh refutou sua classificação deste hadith como fraco em grande detalhe[10] e declarou que al-Sarim al-Munki está na raiz de todas as generalizações subsequentes que classificam como fracos os hadiths que incentivam a visitação.[11]

§ O falecido Sheikh Wahhabi `Abd al-`Aziz Bin Baz que reiterou o imprudente veredito de Ibn Taymiyya: “Os hadiths que tratam da visitação ao Túmulo do Profeta – que Allah o Abençoe e lhe Dê Paz – são todos fracos, e na realidade fabricados”;[12]

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§ Nasir al-Albani,[13] que declarou que a visita ao Profeta – Allah o Abençoe e lhe Dê Paz – figura entre as inovações;[14]

§ e Nasir al-Jadya`, que em 1993 obteve seu Ph.D. com distinção pela Universidade de Muhammad ibn Sa`ud após escrever um livro de 600 páginas intitulado al-Tabarruk no qual ele perpetua a mesma declaração aberrante.[15]

Al-Sakhawi:

A ênfase e encorajamento à visitação ao seu nobre túmulo são mencionados em numerosos hadiths, e bastaria para isto mostrarmos somente o hadith no qual o sincero e divinamente confirmado Profeta promete que sua intercessão, entre outras coisas, se torna garantida para aquele que o visita, e os Imames estão em completo acordo, desde a época do seu falecimento até os dias de hoje, que este ato [i.e.visitá-lo] está entre os melhores para nos aproximarmos de Allah.[16]

Não há desacordo entre os juristas das Quatro Escolas quanto à força comprobatória da narrativa de Ibn `Umar, pois ela foi utilizada várias vezes pelos juristas em apoio à forte recomendação de se visitar o Profeta – Allah o Abençoe e lhe Dê Paz – em Medina. Veja, por exemplo, somente nas fontes Hanbalistas:

§ Al-Mughni de Ibn Qudama (3:297)

§ Al-Mubdi` fi Sharh al-Muqni` de Ibn Muflih (3:259)

§ Kashshaf al-Qanna` de Al-Buhuti (2:515; 5:36)

§ Manar al-Sabil de Ibn Dawyan (1:256).

Veja também os textos autênticos adicionais que descrevem as visitas ao Profeta – Allah o Abençoe e lhe Dê Paz –, entre elas aquela do Companheiro Bilal ibn Rabah al-Habashi – Allah esteja Satisfeito com ele – desde o Shâm, assim como a prática dos Companheiros de buscar o Profeta – Allah o Abençoe e lhe Dê Paz – como um intermediário para a realização dos seus pedidos através da visita ao seu túmulo, tais como Bilal ibn al-Harith al-Muzani, Abu Ayyub al-Ansari, e `A’isha – Allah esteja Satisfeito com eles – como citados nas seções sobre Tawassul e Visitação na Encyclopedia of Islamic Doctrine (“Enciclopédia de Doutrina Islâmica”) de Sheikh Hisham Kabbani. E Allah sabe mais.

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NOTAS

[1]Narrado de Ibn `Umar por al-Daraqutni em seu Sunan (2:278 #194), Abu Dawud al-Tayalisi em seu Musnad(2:12), al-Dulabi no al-Kuna wa al-Asma’ (2:64), al-Khatib no Talkhis al-Mutashabih fi al-Rasm (1:581), Ibn al-Dubaythi no al-Dhayl `ala al-Tarikh (2:170), Ibn Abi al-Dunya no Kitab al-Qubur, al-Bayhaqi no Shu‘ab al-Iman(3:490), al-Hakim al-Tirmidhi no Nawadir al-Usul (p. 148), al-Haythami (4:2), al-Subki no Shifa’ al-Siqam (p. 12-14), Abu al-Shaykh, Ibn `Adi no al-Kamil (6:235, 6:351), al-`Uqayli no al-Du`afa’ (4:170), al-Bazzar em seu Musnad com uma cadeia muito fraca contendo `Abd Allah ibn Ibrahim al-Ghifari [cf. Mukhtasar de Ibn Hajar (1:481 #822)] com as palavras “minha intercessão acontecerá para ele” (hallat lahu shafâ`atî), e Ibn Hajar que indicou seu grau como hasan no Talkhis al-Habir (2:266) pois ele é fortalecido por outros hadiths que tanto ele quanto al-Haythami mencionam, tais como:

§ “Aquele que me visita sem nenhum outro propósito além de me visitar, eu me incumbirei de ser seu intercessor no Dia da Ressureição.” Narrado por al-Tabarani no al-Awsat e al-Kabir com uma cadeia contendo Maslama ibn Salim, e por Ibn al-Sakan em seu Sunan al-Sihah como declarado por al-Shirbini no Mughni al-Muhtaj (1:512).

§ “Aquele que faz a peregrinação e então me visita após minha morte, é como se ele tivesse me visitado em vida.” Narrado por al-Tabarani no al-Kabir (12:406) e al-Daraqutni (2:278) com uma cadeia contendo Hafs ibn Abi Dawud al-Qari, o qual somente Ahmad declarou passável (sâlih). Mamduh disse (p. 337-340) que ele é mais da`îf do que outros hadiths fracos neste capítulo.

§ “Aquele que visita o meu túmulo após minha morte é como aqueles que me visitaram em vida.” Narrado por al-Tabarani no al-Kabir (12:406) e al-Awsat (1:94) com uma cadeia contendo `A’isha bint Yunus, cujo status é incerto, e de Hatib por al-Daraqutni (2:278) com outra cadeia que al-Dhahabi disse ser uma das melhores naquele capítulo. Mamduh disse (p. 330-334) que ele é da`îf mas não mawdû`, contrariamente às declarações de Ibn Taymiyya e seus imitadores. Abu Ghudda cita uma quarta narrativa:

§ “Aquele que faz a peregrinação e não me visita, agiu de forma rude comigo.” Narrado por al-Daraqutni em seu Sunan. Abu Ghudda disse: “Ele não é fabricado como Ibn al-Jawzi e Ibn Taymiyya disseram, mas vários eruditos considered consideram a sua cadeia boa, e outros a consideraram fraca.” Mamduh (p. 344-346) a considera fabricada.

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Al-`Uqayli no al-Du`afa’ (4:170) declarou as cadeias da narração de Ibn `Umar “suave” (layyina) como fez al-Dhahabi, este ultimo acrescentando – como fizeram al-Bayhaqi e al-Fattani no Tadhkirat al-Mawdu`at – que elas fortaleceram uma à outra, pois nenhuma delas contêm qualquer mentiroso ou fabricador, como declarado por al-Suyuti no al-Durar al-Muntathira, al-Munawi no Fayd al-Qadir, e al-`Ajluni no Kashf al-Khafa (2:328-329).

[2]Em Zafar al-Amani (p. 422) e al-Ajwiba al-Fadila (p. 155).

[3]Em seu Raf` al-Minara (p. 280 and p. 318).

[4]Como relatado por Ibn Hajar no Talkhis al-Habir (2:267). Cf. al-Shawkani no Nayl al-Awtar (5:95) e al-Sindi em suas notas sobre Ibn Majah.

[5]Em al-Qawl al-Badi` (p. 160).

[6]Em Sa`adat al-Darayn (1:77).

[7]Publicado em Ryad: Dar `Alam al-Kutub, 1991.

[8]Al-Lacknawi, Zafar al-Amani (p. 422).

[9]Ibn `Abd al-Hadi faz mais contestação sobre a veracidade de `Abd Allah ibn `Umar al-`Umari no al-Sarim al-Munki, mas se baseia nele em seu outro livro, al-Tanqih (1:122) como foi observado por Mamduh no Raf` al-Minara (p. 12).

[10]Em Raf` al-Minara (p. 280-318).

[11]Em Raf` al-Minara (p. 9).

[12]Em suas anotações sobre o Fath al-Bari de Ibn Hajar (1989 ed. 3:387), ecoando as exatas palavras usadas por Ibn Taymiyya em seu Minhaj al-Sunna al-Nabawiyya (1986 ed. 2:441) e Majmu`at al-Fatawa (27:119).

[13]Em seu Irwa` al-Ghalil (4:337-338) no qual ele imitou as declarações de Ibn `Abd al-Hadi.

[14]Em Talkhis Ahkam al-Jana’iz (p. 110) e em outros lugares dos seus escritos.

[15]Nasir al-Jadya`, al-Tabarruk (p. 322). Observe que todos estes livros estão atualmente disponíveis para impressão, mas não o Shifa’ al-Siqam!

[16]Al-Sakhawi, al-Qawl al-Badi` (p. 160). Ele contradiz a si próprio no al-Maqasid al-Hasana (p. 413) onde ele adota a opinião de al-Dhahabi de que “as cadeias dos hadiths de visitação são todas ‘suaves’ (layyina) mas fortalecem uma à outra porque nenhuma delas contêm nenhum mentiroso.”

Que a Paz e as Bênçãos estejam sobre o Profeta, sua Família e seus Companheiros

Fonte: http://sunnah.org/wp/2012/06/03/the-hadith-%E2%80%9Cwhoever-visits-my-grave-my-intercession-is-guaranteed-for-him%E2%80%9D/

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