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O comentário do Imâm Nawawi sobre o hadîth: “As ações são de acordo com as intenções”

Bismillah al-Rahmân al-Rahîm
was-salât was-salâm `alâ Rasulillah
wa ‘alâ lihi wasahbihi wasallam

 

Foi relatado do Comandante dos Crentes Abu Hafs `Umar ibn al-Khattâb (r.a.a.) que ele disse: “Escutei o Mensageiro de Deus dizer:

“As ações são somente de acordo com as intenções, e somente para o que se intencionou. Quem quer que emigre para Deus e Seu Mensageiro, sua emigração é para Deus e Seu Mensageiro; quem quer que emigre para obter um objetivo mundano ou para se casar com uma mulher, então sua emigração é somente para o que ele emigrou.”

Os dois imâms do hadîth: Abu `Abd Allah Muhammad ibn Ismâ`îl ibn Ibrâhîm ibn al-Mughîra ibn Bardizbah al-Bukhâri e Abu al-Husain Muslim ibn al-Hajjâj ibn Muslim al-Qushairi al-Nisaburi narraram em suas duas coleções de hadîth confiáveis que são as mais confiáveis das compilações de hadîth.

O hadîth indica que a intenção é uma medida para tornar sã a ação de uma pessoa. Só então a intenção sendo correta é que a ação é correta, e só então a intenção sendo errada que a ação é errada.

Se uma ação acontece e uma intenção a acompanha, tal ação é caracterizada por um dos três estados seguintes:
a) É feita por temor a Deus o Exaltado: essa é a adoração dos escravos (‘abîd).
b) É feita buscando-se o Jardim do Paraíso e buscando-se recompensa: essa é a adoração dos comerciantes (tujjâr).
c) É feita por vergonha ante Deus e para cumprir o dever de servidão e dar graças, enquanto se vê a si mesmo negligente apesar de fazer tudo isso, temendo em seu coração porque não sabe – até então – se sua ação é aceita ou não: essa é a adoração do homem livre (ahrâr). [Essa definição tripla dos estados da intenção é atribuída ao antigo sufi Ma`rûf al-Karkhi (morto em 200 h./815 d.C.) pelo Shaikh `Abd al-Rahmân al-Sufuri em seu “Nuzhat al-Majâlis,” capítulo sobre sinceridade.]

O Mensageiro de Deus (s.a.w.s.) aludiu a esse último quando ‘ ‘isha (r.a.a.) o viu ficar a noite toda de pé rezando até que seus pés incharam, e lhe perguntou: “Ó Mensageiro de Deus, porque você põe tal fardo sobre você mesmo, quando Deus já perdoou todos os seus pecados passados e futuros?” Ele respondeu: “Não deveria eu ser um servo grato?” (Muslim, “Munâfiqûn” nº 79, Tirmidhi, “Salât” nº 197)

Se fosse perguntado: o que é melhor, adorar com medo ou adorar com esperança? Responderam: al-Ghazzâli (r.a.) disse: “Adorar com esperança é melhor porque a esperança dá ascensão ao amor, enquanto o medo dá ascensão ao desespero.”

Os três estados acima ou divisões são com respeito ao sincero. Saiba que a sinceridade pode encontrar no seu caminho a desgraça do orgulho. Quem quer que admire suas obras, suas obras falharam, e similarmente quem quer que fique orgulhoso, suas obras falharam. [Nota: Essa é a característica de Iblîs aludida no dito relatado pelo shaikh do meu shaikh: “Você pode ser capaz de adorar perfeitamente por milhares e milhões de anos. Entretanto, se você achar por um momento que sua adoração acrescenta algo, você é o maior descrente.”]

O segundo estado é (também) quando se age buscando tanto um benefício mundano quanto do Além. É a opinião de alguns sábios que as obras de tal pessoa não são aceitas. A prova deles para isso é o relato divino quando Deus o Exaltado diz: “Sou o mais suficiente dos parceiros. Quem quer que faça uma ação na qual se associe um parceiro que não Eu Mesmo, não tenho nada a ver com ele.” (Muslim “Zuhd” nº 46 e Ibn Mâja, “Zuhd” nº 45). Essa é a posição de al-Harith al-Muhâsibi em “Kitab al-Ri’aya li Huqûq Allah” [Livro da Observância dos Direitos de Deus] no qual ele diz: “Sinceridade é buscar Deus obedecendo-O sem buscar ninguém além d’Ele.”

[2] Mostrar-se (riyâ’) é de dois tipos: o primeiro é quando se busca nada além das pessoas em sua obediência a Deus; o segundo, quando se busca as pessoas e o Senhor das pessoas ao mesmo tempo. Ambos os tipos anulam as obras. A definição de riyâ’ é trazida pelo mestre de hadîth Abu Nu`aim em “Hilyat al-Auliyâ’'” [O Adorno dos Amigos de Deus] de alguns dos predecessores (salaf). Alguns sábios deduziram uma prova para isso do dito de Deus: “O Compelidor, o Sublime, Glória a Deus sobre tudo o que Lhe associam!” (59:23). Bem como Ele está imensamente além de tomar uma esposa ou filho como parceiros, assim Ele está imensamente além de aceitar uma ação na qual outros senão Ele são tomados como um parceiro. Deus o Exaltado é maior do que isso, e Ele é oTodo-Glorioso, e Ele é o Todo-Sublime.

Al-Samarqandi disse: “Tudo que se faz por Deus o Exaltado é aceito, e tudo que se faz por causa das pessoas é rejeitado.” Uma ilustração disso é a pessoa que faz a reza do meio-dia, por exemplo, intencionando assim cumprir a obrigação imposta sobre ela por Deus o Exaltado, exceto que ele faz tudo integralmente e as suras longas e embeleza sua aparência por causa das pessoas: a raiz da reza é aceita, mas seu comprimento e beleza não porque ele as intencionou pelas pessoas.

Shaikh `Izz al-Dîn ibn `Abd al-Salâm foi questionado sobre a pessoa que alonga sua reza pelas pessoas. Ele disse: “Espero que essa ação particular dele não falhe se ele atribuir um parceiro a Deus na maneira de sua reza. Entretanto, se isso acontecer na raiz de sua ação – isto é, se ele fazer a reza obrigatória tanto por Deus o Exaltado quanto pelas pessoas – então sua reza definitivamente não é aceita, porque ele designou um parceiro a Deus na raiz de sua ação.”

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Mostrar-se em suas ações pode também ser na omissão de uma ação. Al-Fudail ibn `Iyâd disse: “Deixar uma ação por causa das pessoas é se mostrar, e fazer uma ação por causa das pessoas é atribuir um parceiro a Deus. Sinceridade é que Deus o isente de ambos.” O significado de suas palavras – (r.a.) – é que quem quer que resolva fazer um ato de adoração e então o deixe por medo de que as pessoas o vejam, está se mostrando porque ele deixou uma ação por causa das pessoas. Entretanto, se ele a deixa para rezar em seclusão (khalwa): isso é recomendado, exceto se for uma reza obrigatória ou o imposto obrigatório dos pobres, ou se for um sábio o qual as pessoas tomam como exemplo. Em tais casos rezar publicamente é preferível.

Tal como se mostrar, anunciar-se também invalida o ato. Isso se consiste em fazer atos de devoção em seclusão e então contar às pessoas sobre isso. O Profeta (s.a.w.s) disse: “Quem quer que se anuncie, Deus o anunciará, e quem quer que se exiba, Deus o exibirá.”
(Bukhâri, “Riqâq” nº 36; Muslim, “Ahkâm” 9, “Zuhd” nº 47-48, Tirmidhi, “Nikâh” nº 11, “Zuhd” nº 48; Ahmad 3:40, 5:45; Darimi, “Riqâq” #35). Os sábios disseram: “Se ele for um sábio cujo exemplo é seguido e ele o menciona para instigar os ouvintes ao ato, não há objeção a isso.”

Al-Marzubani (r.a) disse: “O adorador precisa de quatro qualidades para sua reza ser feita:
a) presença de coração (hudur al-qalb);
b) total visão da mente (shuhûd al-’aql);
c) completa submissão às bases da reza (khudû’ al-arkân);
d) humildade nos membros de seu corpo (khushû’ al-jawârih).

Quem quer que reze sem presença de coração é um adorador atuando, e quem quer que reze sem total presença da mente é um adorador descuidado, e quem quer que reze sem completa submissão dos membros está adorando incorretamente, e quem quer que reze com os quatro princípios acima é um adorador completo e leal.”

[3] Dizendo “as ações são somente de acordo com as intenções” o Profeta (s.a.w.s.) quis dizer atos de obediência em exclusão de ações permitidas que nem são recomendadas nem desrecomendadas. Al-Harith al-Muhâsibi disse: “Sinceridade não tem a ver com ações nem recomendadas nem desrecomendadas, porque nem implicam nem levam a se aproximar de Deus.” Por exemplo, construções que não servem a uma necessidade particular, mas são por frivolidades. Entretanto, se elas servem a uma necessidade tal como mesquitas, pontes e fortes, então são recomendadas.

Al-Muhâsibi continuou: “Não há sinceridade num ato proibido nem num desrecomendado, como no caso de alguém que olha para algo que é proibido de se olhar, alegando que ele somente a olha para refletir sobre a criação de Deus.” Um exemplo é uma pessoa que fita um jovem imberbe: não há sinceridade em tal coisa, nem há aproximar-se de Deus nisso de modo algum.

Al-Muhâsibi continuou: “Veracidade (sidq) como um atributo dum servo de Deus significa uniformidade na pessoa privada e pública, no comportamento visível e oculto. A veracidade é realizada depois da realização de todos os patamares (maqâmât) e estados (ahwâl). Mesmo a sinceridade (ikhlâs) precisa da veracidade, enquanto a veracidade não precisa de nada, porque embora a sinceridade real é buscar a Allah através de obediência, poder-se-ia buscar a Deus rezando e apesar disso ser negligente e ausente em seu coração enquanto se reza. Veracidade, então, é buscar a Deus Todo-Poderoso adorando com presença completa de coração ante Ele. Pois todo veraz (sadîq) é sincero (mukhlis), enquanto nem todo sincero é veraz. Esse é o significado de conexão (ittisal) e desconexão (infisal): o veraz se desconectou de tudo que seja outro-senão-Deus (mâ siwa Allah) e ele se prende à presença-ante-Deus (al-hudur billah). Esse também é o significado de renúncia (takhalli) de tudo que é outro-senão-Deus e do autoadorno (tahalli) mantendo-se presente diante de Deus, o Glorificado, o Exaltado”

Pela palavra “ações” é possível que o Profeta (s.a.w.s.) quis dizer a solidez das ações, a correção das ações, a aceitação das ações por Deus ou a perfeição das ações. A última é o sentido adotado pelo Imâm Abu Hanîfa (r.a.).

Tudo que é para eliminar algo não é contado com uma ação desse tipo. Por exemplo: para se remover impureza de si, para resistir uma força, para rejeitar faltas, para presentear e outras coisas do tipo. A solidez dessas ações não é dependente de se corrigir a intenção; entretanto, sua recompensa é dependente da intenção de se aproximar de Deus. Assim quem quer que alimente seu animal intencionando desse modo a obediência à ordem de Deus, ele é recompensado, enquanto se o alimentando ele intenciona somente preservar sua propriedade, não há recompensa: al-Qarafi o menciona. Excetuado do último caso é a montaria dum lutador no caminho de Deus se ele o frear por essa intenção: se ele beber num momento que ele não intenciona dar de beber, ele ainda obterá a recompensa por isso, como mencionado no “Sahîh” de al-Bukhâri (“Jihâd” nº 45). Similarmente no interagir com sua própria esposa, fechando a porta e apagando as lâmpadas antes de dormir: se se intenciona por essas ações a obediência à ordem de Deus a pessoa será recompensada, e se intencionar outra coisa, não.

[4] Saiba que a palavra “intenção” (niyya) lexicalmente significa “propósito, objetivo, significado” (qasd). Diz-se: “Que Deus intencione o bem para você,” que significa “Que Ele queira o bem para você”. Legalmente intenção significa almejar fazer algo e proceder para fazê-lo. Se se almeja fazer algo e então se retarda fazê-lo, é somente uma decisão. (`azm).

A intenção assim se torna uma categoria legal para se distinguir os atos de hábito de atos de adoração e para distinguir a validez de um ato de adoração de outro. Uma ilustração dessa distinção citada é o ato de se sentar numa mesquita: seu propósito pode ser descansar de acordo com um hábito ou pode ser adorar com a intenção de seclusão-e-devoção (i`tikaf). O fator distintivo aqui entre hábito e adoração é a intenção.

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O Profeta (s.a.w.s.) apontou essa distinção no significado quando lhe perguntaram acerca de um homem que luta para ser visto, outro que luta em autodefesa e outro que luta por coragem: qual desses está lutando no caminho de Deus Exaltado? Ele disse: “Quem quer que lute para que a palavra de Deus prevaleça, está lutando no caminho de Deus, o Exaltado.” (al-Bukhâri, “`Ilm” nº 45, “Jihâd” nº 15, Muslim, “Tauhîd” nº 28, “Imâra” nº 150-151, al-Tirmidhi, “Fadâ’il al-Jihâd” nº 15, Ibn Mâja, “Jihâd” nº 13, Ahmad 4:392, 398, 402, 417).

Uma ilustração da última distinção – que é a validez de um ato de adoração em oposição a outro – é como alguém que reza quatro ciclos de reza (rak`a): pode significar seu ato como o cumprimento da reza obrigatória do meio-dia e pode significar seu ato como o cumprimento duma reza voluntária sunna. O que distingue entre as duas é a intenção. É o mesmo com a alforria. Pode-se intencionar a expiação através disso e pode-se intencionar outra coisa, tal como o cumprimento de um voto e assim por diante. Outra vez o que distingue uma da outra é a intenção.

O dito do Profeta (s.a.w.s.): “para cada um somente o que se intencionou” é prova de que um representante não é permitido em atos de adoração nem o é o apontar um representante para formular a mesma intenção para alguém. A exceção para isso é a distribuição do imposto dos pobres (zakât) e o abate dum sacrifício: é permissível apontar um representante em ambos os casos, para toda a intenção, o abate e a distribuição, mesmo se se é capaz de se fazer a própria intenção. Isso não é permissível quanto à peregrinação e ao saldo duma dívida quanto se é capaz de se fazer a própria intenção.

Atos (que não sejam de adoração) que podem ter somente uma interpretação não precisam de intenção; os que podem ter duas (ou mais) sim. Por exemplo, alguém que deva dois mil do qual mil cobre algo dado como uma garantia (rahn); se, quando se pagar os mil, dizer-se: “Deixe esse ser os mil que deixei de garantia”, estar-se-ia certo. Se não se formula tal intenção durante o pagamento pode-se fazê-lo depois ou quando desejar. Nossa escola (shâfi`i) não reconhece a validez duma intenção feita depois do fato, exceto em tal caso.

Sobre o dito do Profeta (s.a.w.s.): “Quem quer que emigre por Deus e Seu Mensageiro, sua emigração é por Deus e Seu Mensageiro, quem quer que emigre para obter um objetivo mundano ou para se casar com uma mulher, então sua emigração é somente pelo que ele emigrou”:
O significado original de emigração (muhâjara) é viagem e abandono. O nome “hijra” tem vários significados:

1. O êxodo dos Companheiros (r.a.a.) de Meca para a Abissínia no tempo em que os idólatras estavam perseguindo o Mensageiro de Deus (s.a.w.s.). Eles escaparam da perseguição e buscaram segurança com Negus. Baihâqi disse: “Essa hijra aconteceu cinco anos depois do começo da Mensagem.”

2. O segundo significado de hijra é o êxodo de Meca para Medina. Isso aconteceu treze anos depois do começo da Mensagem. Foi uma obrigação para todo muçulmano em Meca emigrar para o Mensageiro de Deus (s.a.w.s.) em Medina naquele tempo.

Um número de sábios disseram que a emigração foi obrigatória de Meca para Medina em termos absolutos. Na realidade não foi obrigatória em termos absolutos pois não havia nada de especial sobre Medina. A única obrigação era emigrar pelo próprio Mensageiro de Deus (s.a.w.s.).

[5] O Qâdi Ibn al-`Arabi disse: “Os sábios (r.a.) dividem a peregrinação (al-dhahab fi al-ard) em dois tipos: a viagem por algo e a busca de algo. A primeira é dividida em seis partes:

– “Sair da Morada da Guerra para a Morada do Islã. Esse tipo de emigração persiste até o Dia da Ressurreição. O tipo de emigração que cessou com a Conquista de Meca e o que o Profeta (s.a.w.s.) se referiu dizendo: “Não há hijra depois da Conquista” é viajar para o Mensageiro de Deus onde quer que esteja (al-Bukhâri, “Manâqib al- Ansâr” nº 45, “Jihâd” nº 1-2; al-Tirmidhi, “Siyar” nº 32; Ahmad 1:226, 266, 355, 469, 2:215, 3:22, 468, 5:187).

– “Sair da terra da inovação. Ibn al-Qãsim disse: “Escutei Mâlik dizer: “Não é legalmente permissível para ninguém residir numa terra a qual as primeiras gerações (salaf) repudiaram.””

– “Sair duma terra na qual os assuntos proibidos são predominantes; buscar o permissível é uma obrigação absoluta para todo muçulmano.

– “Escapar de dano corporal: é um favor de Deus o Exaltado pelo qual ele concede uma certa isenção. Assim se se teme por si mesmo num dado lugar, Deus o Exaltado lhe deu permissão para sair dali e viajar para se salvar de tal perigo. O primeiro a praticar tal emigração foi Abraão (a.s.), quando ele disse: “Oh, sou um fugitivo indo para meu Senhor” (29:26). Deus o Exaltado disse em relação a Moisés: “Então ele escapou daí, temente, vigilante” (28:21).

– “Sair por medo de doença prevalente em regiões insalubres para uma terra intocada por isso. O Profeta (s.a.w.s.) o permitiu para os Banu `Arin que acharam o ar de Medina insalubre e lhes permitiu irem para o interior.*

– “Sair por medo de danificar-se a propriedade, já que a inviolabilidade da propriedade dum muçulmano é como a inviolabilidade de seu sangue.

“Quanto ao último tipo de peregrinação citado – buscar-se algo – é dividido em dez partes, as primeiras nove sendo o buscar a religião e a última buscar objetivos mundanos:

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– “Viajar por propósitos admoestadores ou didáticos. Deus o Exaltado disse: “Não viajaram pela terra e viram a natureza da consequência daqueles que existiram antes deles?” (12:109) Dhu al-Qarnain circuambulou o mundo na sua jornada de observar suas maravilhas.

– “Viajar pela peregrinação.

– “Viajar pelo jihâd.

– “Viajar pelo sustento.

– “Viajar para comerciar e ganhar além das necessidades da vida. É permitido em vista do dito do Exaltado: “Não há pecado para que vocês busquem a recompensa de seu Senhor” (2:198).

– “A busca pelo aprendizado.

– “Ir para lugares exaltados. O Profeta (s.a.w.s.) disse: “Não realize nenhuma viagem senão para três mesquitas.” (al-Bukhâri, “Salât fi Masjid Makka” nº 1-2, “Jazâ’ al-Said” nº 26, “Saum” nº 67; Abu Dâwûd, “Manâsik” nº 94; al-Tirmidhi, “Mawâqit” nº 126; Ibn Mâja, “Iqâma” nº 196; Ahmad 2:501, 3:7, 34-35)

– “Ir para portos fronteiriços para assumir um posto militar ali.

– “Visitar os irmãos em Deus. O Profeta (s.a.w.s.) disse:

“Um homem visitou um de seus irmãos numa certa aldeia. Deus enviou um anjo para o encontrar no caminho. O anjo disse: ‘O que você busca na viagem?” Ele respondeu: ‘Desejo ver um irmão meu nessa aldeia.’ O anjo disse: ‘Você lhe deve um favor que você está indo para lhe compensar?’ Ele disse: ‘Não, só o amo por Deus o Exaltado.’ O anjo disse: ‘Sou um Mensageiro de Deus enviado a você para lhe dizer que Deus o ama assim como você ama seu irmão.”
Muslim e outros o relataram. (Muslim, “Birr” 338; Ahmad 2:292, 408, 462, 508, 5:35)

– “A busca por objetivos mundanos.” (Fim da citação de Ibn `Arabi)

[6] Outros significados que se aplicam à palavra hijra:

3. A emigração das tribos para o Mensageiro de Deus (s.a.w.s.) para aprender suas obrigações reais e retornar para seus povos e lhes ensinarem.

4. A emigração dos mecanos que entraram no Islã e vieram ao Profeta (s.a.w.s.) e então retornaram a seu povo.

5. A emigração das terras da descrença para as terras do Islã. Não é permitido para um muçulmano residir na Morada da Descrença. Al-Mawardi disse: “Se ele vier a ter família e parentes com ele e for capaz de mostrar sua religião, então não é mais permissível para ele de emigrar, porque o lugar onde ele vive se tornou a Morada do Islã.”

6. A emigração (afastamento) dum muçulmano de seu irmão (muçulmano) por mais de três dias sem razão legítima. É repreensível durante três dias e proibido depois disso senão causado por necessidade. Conta-se a história dum homem que deixou seu irmão por mais de três dias. Este lhe escreveu esses versos:

Senhor, preciso reclamar para você de uma certa injustiça; Você saberá a natureza dela se perguntar para Ibn Abi Khaithama. De seu avô ele narra o que al-Dahhak narra de `Ikrima, de Ibn `Abbâs, de al-Mustafa Nosso Profeta (s.a.w.s.) com sua misericórdia toda compassiva: “Verdadeiramente o desinteresse do amigo próximo de seu amigo além de três dias nosso Senhor proibiu!”

7. A emigração de um marido de sua esposa quando sua teimosia é sabida. Deus o Exaltado disse: “Banem-nos para camas separadas” (4:34). Da mesma natureza é a emigração para longe de pecadores habituais: nem ficar no mesmo lugar com eles, nem falar com eles, nem responder ao seu cumprimento, nem o iniciar.

8. Emigrar para longe do que Deus proibiu, e essa é a emigração mais compreensiva.

Do dito do Profeta (s.a.w.s.): “Quem quer que emigre por Deus e Seu Mensageiro” – isto é, na sua intenção e procedimento – sua emigração é por Deus e Seu Mensageiro” – isto é, na visão da Lei – “quem quer que emigre para obter um objetivo mundano etc.”: É relatado que um homem emigrou de Meca para Medina não pelo desejo de obter o mérito da hijra mas para casar uma mulher chamada Umm Qais. Ele foi apelidado de “Emigrante da Umm Qais”.

Pode ser dito: “O casamento é um dos requerimentos da Lei, por que então é considerado aqui como uma busca mundana?” A resposta é: ostensivamente ele não emigrou por ela, mas somente pela hijra pelo Profeta (s.a.w.s.).
Já que ele fez diferente do que mostrou, ele merece repreensão e culpa. Uma analogia para isso está na pessoa que alega que vai sair para a peregrinação mas seu objetivo real é o comércio, ou de novo a pessoa que parece viajar para aprender, quando na realidade está aspirando por uma posição de liderança ou de governo.

Isso procede do dito do Profeta (s.a.w.s.): “então a emigração é somente para o que se emigrou” que não há recompensa para aquele que, em sua peregrinação, faça comércio e visitas sociais. Entretanto, é necessário interpretar o hadîth significando isso somente quando o fator motivador para a peregrinação for comércio. Se a motivação for a peregrinação, então ele obtém a recompensa, o comércio sendo subordinado a isso. Entretanto, sua recompensa é defeituosa por ele ter feito outra coisa além da peregrinação que ele decidiu fazer. Se sua motivação for tanto comércio quanto a peregrinação, é possível que ele obtenha recompensa por sua emigração não ser integralmente devotada ao mundo; e o contrário também é possível (isto é, que não obtenha recompensa) pois ele fez uma obra mesclada para o Além com obra para o mundo. Entretanto, o hadîth determina a regra legal concernente à recompensa por um propósito absoluto. Assim, quem quer que tenha um propósito duplo, não é verdade que sua busca foi somente por um objetivo mundano. E Deus o Glorificado, o Exaltado, sabe melhor.

[1996-03-03] GF Haddad ©

Fonte: http://www.livingislam.org/n/intn_e.html

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