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O Combate ao Sufismo na Turquia Secular – Muzafer Džemov

Awliya Celebi (ra) (um explorador otomano) escreveu em seu diário de viagens de sua visita à Bósnia que em seu tempo havia 47 tekkes (zawiya) somente em Sarajevo, e naqueles dias, as tekkes estavam por todo lado, não somente nas cidades; isso foi há mais de 300 anos atrás – tenha em mente que a população era bem menor que agora, enquanto que nos dias de hoje você pode contar as tekkes com os dedos e a maioria delas tem atividade e frequência bem diluída.

Bediuzzaman Said Nursi (possa Allah estar satisfeito com ele) vê coisas como o fechamento das tekkes e zawiyas sufis como inovação e desvio provenientes do ateísmo e de suas reformas.

“Os fundadores da república da Turquia afirmaram que o Islam e o Sufismo tornaram o Estado Otomano estagnado e retrógrado. Eles impuseram seu próprio estilo de europeização ao abolir o Sultanato e o Califado, fechando escolas religiosas e tribunais religiosos, e ao proibir as vestimentas tradicionais usadas na cabeça e as irmandades sufis.”

Dentre as primeiras coisas feitas na República Turca esteve a demolição das tekkes (zawiyas) e talvez o exemplo mais famoso desse desastre de desvio, ateísmo e reforma foi o fechamento da Tekke Naqshbandi Gumushkhanevi, que foi demolida completamente – o texto seguinte foi escrito pelo sucessor da linhagem Gumushkhanevi-Khalidi na Turquia, Shaykh Kotku (ra) (m. 1980 em Istambul):

“Muitos anos atrás, havia dergahs (conventos de dervixes) chamados tekke, que forneciam treinamento espiritual e educação às pessoas. Uma vez que lá havia professores aperfeiçoados e aperfeiçoadores, as pessoas que compareciam a esses lugares podiam alcançar um bom progresso moral e espiritual na medida em que o destino delas permitia. Ao mesmo tempo, as dergahs eram escolas comunitárias de aprendizado social e pessoal. Muitas práticas morais e espirituais, bem como o ensinamento para iluminar o mundo interior das pessoas e desenvolver belas atitudes nelas, modos e virtudes, costumava ser conduzido lá. Pela graça de Allah, as pessoas que compareciam a essas atividades e que participavam nas lições de ensino e dever de maneira séria e obediente podiam adquirir iluminação em seus corações e purificação de seus egos para ganhar e ilustrar belos modos e altas virtudes. Com o tempo, algumas dessas dergahs perderam sua originalidade e se tornaram degradadas. Considerando as defeituosas como tendo efeitos sociais indesejáveis, elas foram todas banidas. O vácuo criado pela sua desaparição física foi preenchido por cafés, discotecas e tavernas. Guia espiritual e educação não são baseadas em conhecimento visível. Mero conhecimento dos livros não leva a pessoas para lugar nenhum. O Sagrado Qur’an sem o Sagrado Profeta (salla Allahu alaihi wa alihi wa sallam) não teria trazido provocado essa mudança milagrosa e maravilhosa na história humana.”

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-Shaykh Mehmet Zahit Kotku (possa Allah ter misericórdia dele)

“A Santidade é uma prova da Profecia; o Caminho Sufi é uma prova da Shari’a. Pois as verdades de fé que a profecia prega, a santidade vê e confirma com um tipo de visão direta com o coração e degustação com o espírito no grau da visão da certeza. Sua confirmação é uma prova infalível da Profecia. Através do conhecimento experimental do Caminho Sufi e seus desvelamentos, e através de seus benefícios e esplendores, é uma prova evidente das verdades e dos assuntos que a Shari’a ensina; demonstra que eles são a verdade e que eles vêm da verdade. Sim, assim como a santidade e o Caminho Sufi são evidências e provas da Mensagem Divina e da Shari’a, eles também são um aperfeiçoamento do Islam e um meio de atingir suas luzes, e através do Islam, uma fonte de do progresso da humanidade e da iluminação moral.

Embora esse vasto mistério possua tanta importância, algumas seitas desviadas tentaram negá-lo. Elas foram privadas dessas luzes e causaram outros a serem privados. A coisa mais lamentável é que tomando como pretexto abusos e faltas que viram seguidores do Caminho Sufi cometer, alguns eruditos literalistas sunni e alguns políticos negligentes que também são sunnis estão tentando fechar esse tesouro supremo, de fato destruí-lo, e fazer secar essa fonte de Kawthar que distribui uma espécie de água da vida. Entretanto, há poucas coisas e caminhos que não possuem faltas e são bons em todos os aspectos. Eles estão sujeitos a conter algumas faltas e abusos. Pois, se o não-iniciado embarca em algo, eles certamente vão fazer mal uso disso. Mas com a prestação de contas no Além, Deus Todo-Poderoso demonstra sua justiça divina ao pesar as boas e más ações. É dizer, se as boas ações preponderarem e pesarem mais, Ele as aceita e concede a recompensa; enquanto que, se as más ações preponderarem, Ele os pune por elas e as rejeita. O equilíbrio das boas e más ações olha qualidade antes do que quantidade. Às vezes acontece de uma única boa ação pesar mais do que mil males, e causa que eles sejam perdoados. A justiça divina julga assim e a realidade também considera isso correto. Portanto, a evidência de que as boas ações do Caminho Sufi – isto é, caminhos dentro dos limites das práticas do Profeta (salla Allahu alaihi wa aalihi wa salla) – certamente preponderam sobre seus males é que aqueles que os seguem preservam sua crença quando atacados por pessoas desviadas. Um seguidor ordinário sincero do Caminho Sufi se preserva melhor do que um muçulmano superficial, aparente, com um conhecimento científico. Através da iluminação do Caminho Sufi e do amor dos santos, ele salva sua fé. Se ele comete pecados graves, ele se torna um pecador mas não um descrente; ele não é facilmente arrastado para o ateísmo. Nenhum poder pode refutar a corrente de sheikhs que ele aceita, com um forte amor e crença firme, de serem pólos espirituais. E porque nenhum poder pode refutá-los, sua confiança neles não pode ser abalada. E enquanto sua confiança não é abalada, ele não aceitará o ateísmo. Frente aos estratagemas dos ateístas no tempo presente, tornou-se difícil para uma pessoa desconectada do Caminho Sufi, cujo coração não foi levado à ação, preservar-se completamente, mesmo se ele for um erudito conhecedor. Há outra coisa: o Caminho Sufi não deve ser condenado por causa dos males de algumas ordens que adotaram práticas de fora dos limites da taqwa, e até do Islam, e têm se chamado erroneamente de Caminhos Sufis. Além dos elevados frutos religiosos e espirituais do Caminho Sufi e daqueles que buscam a Outra Vida, as Ordens Sufis foram a primeira, mais efetiva e ardente forma de espalhar e fortalecer a irmandade, o vínculo sagrado do Mundo Islâmico. Elas eram também uma das três fortalezas impenetráveis do Islam, que resistiram contra os incríveis ataques do mundo da descrença e das políticas da Cristandade. O que preservou Istanbul, o centro do Califado por quinhentos e cinquenta anos de todo o Mundo Cristão, foram as luzes da crença que brotaram de quinhentos locais em Istambul e a poderosa fé daqueles que recitavam “Allah! Allah!” nas tekkes atrás das grandes mesquitas, que eram uma fonte firme de apoio para as pessoas de fé naquele centro do Islam, e seu amor espiritual que surgia do conhecimento de Deus, e seus murmúrios ferventes.

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Seus pseudo-patriotas insensatos e nacionalistas falsos! Quais males existem nos Caminhos Sufis que podem negar todo esse bem na vida da sociedade de vocês? Digam!

 

Há uma narração que diz: “No final dos tempos ninguém permanecerá que diga: Allah! Allah!”

Ninguém conhece o Invisível exceto Allah, uma interpretação disso deve ser assim: os lugares de reunião sufis, os lugares onde o Nome de Allah é recitado, e as escolas religiosas (medrese) serão fechados, e um nome outro que “Allah” será usado nos limites do Islam, bem como a chamada à oração e o iqama. Não quer dizer que toda a humanidade irá cair na descrença absoluta, pois a negação de Allah é tão irracional quanto negar o universo.

Bediuzzaman Said Nursi (que Allah esteja satisfeito com ele)

“Ó meu irmão! Para salvá-lo da verdadeira calamidade, honestamente recomendo a você buscar um murshid aperfeiçoado e aperfeiçoador, e que você se submeta completamente a ele, quando você o encontrar. Impeça-se de dizer que “Não há implicação no Livro Sagrado ou nas Tradições Autênticas sobre tariqas (os Caminhos do Sufismo)” uma vez que emitir essa afirmação faz a pessoa cair na descrença. A totalidade do Sufismo é baseada nas louváveis qualidades morais do Profeta Muhammed (salla Allahu alaihi wa alihi wa sallam).

Buscar e encontrar um Professor Espiritual realmente perfeito é uma obrigação tão importante quanto realizar as orações e jejuar. Quando a pessoa encontra um professor assim, é de máxima importância manter total obediência a ele. Porque o Professor Verdadeiro é um intermediário entre o murid (discípulo) e seu Deus. Abandonar o verdadeiro murshid é a mesma coisa que abandonar Deus Altíssimo.”

-Shaykh Mehmet Zahit Kotku (possa Allah ter misericórdia dele)

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Fonte: https://m.facebook.com/notes/muzafer-d%C5%BEemov/closure-of-the-sufi-tekkes-and-zawiyas-innovation-of-the-misguidance-of-atheism-/1997086253858537/

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