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Introdução ao Tawhîd (Unicidade Divina) – Parte 1

Allah (Glorificado e Exaltado seja) diz na Sura 112 (Al-Ikhlâs):

“Dize: Ele é Allah, o Único!
Allah! O Absoluto!
Jamais gerou ou foi gerado!
E ninguém é comparável a Ele!”

O Imâm Muhammad al-Tabarî relatou que Sayyidunâ ‘Alî (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Desde que Allah criou Adão (que a Paz e as Bênçãos de Allah estejam com ele), a Fé consistiu em testemunhar que não há divindade além de Allah e admitir como verídico tudo o que procede de Allah […]» [Al-Jâmi’ al-Bayân fî Tafsîr al-Qur’ân].

E o Imâm Fakhr al-Dîn al-Râzî (que Allah tenha misericórdia dele) disse: “Saiba! O reconhecimento do tauhîd expressa que o status de uma coisa é único e que a ciência que temos a respeito é única. Diz-se que se reconhece o caráter único de uma coisa quando a tenha qualificado a respeito da unicidade (al-wahdâniyya) assim como se diz que se reconhece fulano valente quando é posto relação com o valor.” [Al-Lawâmi’ al-Bayyinât fi’l-Asmâ’ wa’l-Sifât].

O Imâm Abu al-Qâsim al-Tamîmî al-Hanbalî (que Allah tenha misericórdia dele) disse em seu livro Al-Hujja:

“O verbo ‘al-tauhîd – a prática da Unicidade de Allah’ é um verbo ‘fonte’ do qual se derivam ‘wahhada’ no passado e ‘yuwahhidu’ no presente. O significado da frase ‘wahdâtullah’ e ‘ittaqullah munfaridân’ é: ‘Declaro de maneira categórica que Allah é Único em Sua Essência e tudo isto a respeito de Seus Atributos (sifât). Nada se assemelha a Ele e não se pode assimilar nada a Ele].’

Também foi dito que significa: ‘Reconheço que é Único’, e da mesma maneira isto significa ‘Recuso qualificá-Lo (como se qualificaria um homem) e quantificá-Lo, é Uno em Sua Essência, Indivisível; e ninguém possui Seus Atributos, dado que nada se assemelha a Ele. Nada Lhe é associado em Sua divindade, Seu domínio e Sua providência. Não há Senhor além d’Ele. Não há Criador senão Ele.'”

O Imâm Ahmad Ibn ‘Atâ’Allah al-Iskandarî (que Allah tenha misericórdia dele) disse sobre o tauhîd:

“Representa a negação absoluta de todo politeísmo (shirk) e seu significado é sem contestação o que foi dado pelo Exaltado: ‘Vosso Allah é Um só.’ (Sura 2:163). Poderíamos ficar tentados de dizer: ‘É certo que nosso Deus é Um, mas outros poderiam ter um deus que faça frente ao nosso’; Allah pôs fim a este desvio com Suas palabras: ‘Não há mais divindade além d’Ele’. (Sura 2:163).

Se por exemplo dizemos: ‘Não há niguém em casa’, a negação da essência é necessariamente implícita e quando é o caso, há também negação de todas as outras partes que constituem a existência desta essência. Além disso, se uma das partes existisse, a essência mesma existiria, porque cada uma das partes contém sua essência. E se a essência existe, contradiz a negação da essência. Pois ‘Não há ninguém em casa’ permite uma negação geral e evidente. Se acrescentamos: ‘exceto Zaid’, a ideia expressada é uma ideia de unidade total e absoluta.

A palavra ‘tauhîd’ carrega dois frutos. O primeiro é que a substância do homem foi criada de origem nobre e honrosa. Allah (exaltado seja) diz: ‘Enobrecemos os filhos de Adão’ (Sura 17:70). Sendo que o protótipo original detinha esta nobreza, a purificação do homem se faz de acordo com seu protótipo, enquanto que seu envilecimento se faz em oposição a este. Pois vemos que o homem, quando dá parceiros a Allah, se torna impuro. Isto é o que explica Suas palavras: ‘Ó crentes, em verdade os idólatras são impuros.’ (Sura 9:28). A impureza é uma oposição ao protótipo, e sendo dos que afirmam a Unicidade de Allah, o servo tinha que ter conhecido a pureza no começo para se conformar depois com isto. De fato, o que expressa a Unicidade de Allah faz parte de Sua elite: ‘as pudicas aos pudicos e os pudicos às pudicas.’ (Sura 24:26).” [Miftâh al-Falâh].

O Imâm al-Junaid al-Baghdâdî (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou que perguntaram a um sábio da Sunna a respeito do tauhîd e sua definição. Respondeu: “É a certeza (al-yaqîn).” O que perguntava disse então: “Esclareça-me isso.” Disse-lhe: “É o fato de que saiba que o movimento das criaturas assim como sua imobilidade é o Ato de Allah (Exaltado seja Seu Poder e Magnificada seja sua Majestade), procedentes d’Ele Somente, sem sócio. Se você tem consciência disso, entendeu o tauhîd.” [Al-Risâla fî ‘Ilm al-Tasawwuf]. E Allah (Exaltado seja) diz: “Ele é o Soberano absoluto dos Seus servos e Ele é o Onisciente, o Prudentíssimo.” (Sura 6:18).
O Imâm Muhammad al-Mustafâ al-Sinighâlî (que Allah o abençoe) disse: “O tauhîd é que creia em Allah, que O adore e que não Lhe associe nada.” [Al-Kitâb al-Asadiyya]. Isto é, que creia na existência de Allah, Criador de todas as coisas, que siga a Via do Islã e proclame a shahâda, e que reconheça Sua Unicidade em Seu número e em Sua Essência. Se tiver isto em você, terá entendido o tauhîd. E é segundo o grau de implicação do crente na aplicação destas palavras que podemos determinar o grau de piedade de alguém e o valor de seu tauhîd.

Quanto a al-Hujjât al-Islâm Abû Hâmid al-Ghazzâlî al-Tûsî (que Allah tenha misericórdia dele), define o tauhîd da maneira seguinte:

“Afirmar o tauhîd (a Unicidade de Allah), é ver a causa de todas as coisas sendo procedente de Allah (Exaltado seja), numa visão que impeça dar consideração excessiva a causas intermediárias. Assim não veremos o bem ou o mal senão como procedentes d’Ele. O fruto disto é a confiança em Allah, a abstenção de se queixar das pessoas evitando a ira quanto a elas, o contentamento e a resignação frente ao Juízo de Allah (Exaltado seja). A afirmação da Unicidade de Allah pode ser vista como uma joia preciosa que tem duas camadas de proteção, uma que está mais perto da essência que a outra; as pessoas se dedicam ao nome da camada e se descuidam da essência.

A primera camada consiste em dizer Lâ Ilâha IllAllâh (Não há divindade além de Allah) com a língua. Chamamos isto de ‘a afirmação da Unicidade de Allah’, porque se opõe à doutrina proclamada pelos cristãos. Entretanto, esta afirmação poderia emanar de um hipócrita cujo interior está em contradição com o exterior.

A segunda camada é que não tenhamos no coração nenhuma oposição ou rechaço do conteúdo desta fórmula. Ao contrário, o sentido literal da fórmula abarca ao mesmo tempo o apego a esta como doutrina e crença profunda. Esta é o testemunho da Unicidade de Allah a qual se apega a maioria das pessoas. Os teólogos são as grades que protegem esta camada da confusão dos inovadores.

A terceira camada, que na realidade é a essência, é ver a causa de todas as coisas sendo procedente de Allah (Exaltado seja) numa visão que impeça de dar uma consideração excessiva a causas intermediérias; e de O adorar com uma veneração que O separa de todos os outros: assim, não se adora a ninguém além d’Ele.”

Precisa também: “Seguir sua paixão é um desvio da afirmação da Unicidade de Allah, ou seja, que quem quer que siga sua paixão a tomou como seu deus. Allah (Exaltado seja) disse: ‘Não tens reparado em quem toma por divindade os seus desejos?[…]’ (Sura 25:43). O Profeta (que a Paz e as Bênçãos de Allah estejam com ele) disse, nesse sentido: ‘Por Allah, a mais detestável das divindades adoradas neste mundo é a paixão.’ ”

Depois de ter relatado esta passagem em sua obra Miftâh alFalâh, o Imâm Ahmad Ibn ‘Atâ’Allah al-Iskandarî (que Allah tenha misericórdia dele) disse: “Quem reflete profundamente verá que todas as criaturas afirmam a Unicidade de Allah (Exaltado seja) de acordo com as sutilezas de seus ‘sopros’. Se tal não fosse o caso, o castigo as teria aniquilado. De fato, em cada um dos átomos deste mundo e no que é menor ainda, há um dos mistérios do Nome de Allah (Exaltado seja). É em virtude deste mistério que cada criatura, segundo a espécie a qual pertence, compreende e reconhece a Unicidade de Allah, que o saiba ou não: como Allah (Exaltado seja) disse: ‘E ante Allah se prostram todos que estão nos céus e na terra, de bom grado ou à força, assim como suas sombras, de manhã e de tarde.’ Cada um afirma a Unicidade de Allah segundo sua estação, segundo o grau com seu Senhor adequando suas capacidades de servidão, e isto de acordo com o destino concedido a todas as Suas criaturas para que se entenda a Unicidade de Allah.’ ”

Foi relatado em Al-Risâlat al-Qushairiyya que o Imâm Abû ‘Alî al-Rudhubârî (que Allah tenha misericórdia dele) disse a respeito da definição do tauhîd: “O tauhîd é a retidão do coração que se estabelece se separando da negação [dos Atributos de Allah] negando ao mesmo tempo o antropomorfismo. O tauhîd está contido em uma só frase: ‘Tudo o que a imaginação possa produzir, Allah (Glorificado e Exaltado seja) é diferente disto’; e isto nos leva à Sua Palavra (Exaltado seja) que diz: ‘Nada se assemelha a Ele, e é o Oniouvinte, o
Onividente.’ (Sura 42:11).”

“Tudo o que a imaginação possa produzir, Allah (Glorificado e Exaltado seja) é diferente disto”; aqui temos uma frase rica de sentido que poderia ser desenvolvida em um livro inteiro. É um adágio conhecido dos Salaf que expressa o fato de que Allah está muito acima de qualquer intelecto e tão elevado por Seu patamar de Divindade Única e Perfeita que transcende todas as coisas e que é inútil vacilar acerca de Sua Essência.

O Profeta (que a Paz e as Bênçãos de Allah estejam com ele) disse a respeito, nesse sentido: “Reflitam sobre as maravilhas de Allah e não especulem sobre Sua Essência.” [Al-Baihâqî]. E Sayyidunâ Abû Bakr al-Siddîq (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Admitir sua incapacidade de alcançar o conhecimento da Essência de Allah é em si um conhecimento e tentar conceber Sua Essência leva à incredulidade e à associação.” Porque refletir sobre o inconcebível e o inimaginável leva obrigatoriamente ao erro à falsidade, e afirmar coisas falsas sobre Allah é uma calúnia a Ele; isto é, incredulidade pura. Porque se o tauhîd leva a reconhecer a grandeza de Allah, também leva à admissão da debilidade das criaturas e seus limites. Somente Allah abarca todas as coisas.

O Imâm Abû al-Laith al-Samarqandî al-Hanafî (que Allah tenha misericórdia dele) também relatou: “Ja’far al-Sâdiq (que Allah esteja satisfeito com ele) disse que o tauhîd […] consiste em saber que: ‘Allah não é ‘a partir de’ algo, nem ‘em’ algo, nem está ‘sobre’ algo, porque de fato o que diz que Allâh é ‘a partir’ de algo, terá atribuído a Ele o fato de ser criado, e terá descrido o que diz que Allah está ‘em’ algo, terá atribuído a Ele o fato de ser limitado e terá descrido; e o que diz que Allah está ‘sobre’ algo terá atribuído a Ele o fato de necessitar se apoiar sobre algo e também terá descrido.'” [Sharh al-Wasiyya].

E al-Hâfidh Ahmad Ibn Hâjar al-‘Asqalânî (que Allah tenha misericórdia dele) disse: “os sábios sunitas explicaram o tauhîd e o afastou de toda noção que diria que Allah teria atributos semelhantes às coisas criadas (antropomorfismo/al-tashbîh), e também o afastou da noção que diz que não possui Atributos Transcendentes requeridos quanto à Sua Perfeição e a Sua Majestade (al-ta’tîl). É por isso que al-Junaid, em uma palavra transmitida por al-Qushairî [em sua Risâla], disse: ‘O tauhîd consiste na afirmação da Unicidade do Pré-Eterno ante seres submetidos às leis do tempo (as criaturas).'” [Fath al-Bârî].

E tudo isto concorda com a palavra do Shaikh al-Husain Ibn al-Mansûr (que Allah esteja satisfeito com ele) que disse: “O que conhece a realidade do tauhîd é liberado do ‘porquê’ e do ‘como’.” [Risâlat al-Qushairiyya]. Quer dizer que se deixa de perguntar por quê Allah fez uma coisa e como a fez, deixa de tratar de perguntas sem respostas e de inclinar seu coração à suspeita de seu Senhor apesar de que seja Impenetrável e que Sua Essência sobrepasse todo entendimento.

O tauhîd é também a realização de um amor profundo por Allah e uma comunhão sem divisão com Ele (Exaltado seja), é assim que o Imâm Dhu al-Nûn al-Misrî (que Allah estejasatisfeito com ele) disse: “O temor do Inferno ante o temor da separação é como uma gota ante um mar imenso.”

E como se relata que disse Sayyidinâ ‘Alî Ibn Abî Tâlib (que Allah enobreça seu rosto), que o Paraíso exista ou não, que a recompensa exista ou não, não muda nada, Allah é verdadeiramente Ele que merece ser adorado, é O Sublime, O Perfeito, O Todo-Poderoso que, seja o que for que faça e fará para nós, merece ser adorado, é O Justo, O Digno de louvor. Em verdade, o Tauhîd não é nem mais nem menos que uma justiça feita a Allah pele crente. O Imâm ‘Abdullah Ibn al-‘Abbâs (que Allâh esteja satisfeito com eles) disse: “Ser justo é testemunhar que não há divindade além de Allah e ser virtuoso é a prática da servidão.”

O Imâm ‘Abd al-Rahmân Ibn Ahmad Ibn Rajab al-Hanbalî (que Allah tenha misericórdia) relata também o seguinte: “Um piedoso conhecedor de Allah (Arîf billah) chorava toda noite e dizia: ‘Se me castiga, morro amando Você; e se tem misericórdia, sigo amando.'” E comentou esta palavra dizendo: “Os Conhecedores (‘Ârifûn) temem mais o velamento que o castigo.» [Tahqîq Kalimat al-Ikhlâs].

E Sayyidunâ Abû Sulaimân al-Sûfî (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Se censura minha avareza, Lhe peço Sua generosidade, se censura meus pecados, Lhe peço Seu perdão, e se me faz entrar no Inferno, informarei ao povo do Inferno que Lhe amo.”

E o Imâm Ibn Rajab al-Hanbalî conclui: “Ó irmãos! Concentrem-se agora seus esforços no entendimento do tauhîd, porque não poderíamos ser salvos do castigo Divino sem ele. Não há melhor palavra que alguém tenha pronunciado que ‘Lâ ilâha IllAllah’!”

“Ele tem as chaves do Invisível e só Ele o conhece; e sabe o que há na terra e no mar.

Não cai uma só folha sem que Ele não saiba, nem há semente na profundidade da terra, nem nada úmido ou seco que não esteja num livro claro.”

 

“Não há nada como Ele; Ele é O Que Ouve e O Que Vê.”

“Dirijo meu rosto, como hanîf, a Quem criou os céus e a terra e não sou dos que associam.”

“Lâ ilâha illAllah!”

Al-Muwahhidûn.

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Allah Somente é a Verdadeira Divindade (Ahmad Mashhûr al-Haddâd)

O Imâm Ahmad Mashhûr al-Haddâd al-Husainî (que Allah tenha misericórdia dele) disse:
«Allah Somente é A Verdadeira Divindade, O Existente necessário, é O Criador (Al-Khâliq), O que concede a existência (Al-Bâri’) e forma todas as coisas (Al-Musawwir), O que dá a vida e a morte, O que dispõe com sabedoria, que desenvolveu perfeito tudo o que criou e que destacou tudo o que fez, que dirige todas as coisas com uma precisão suprema, que determinou toda coisa que decretou. Somente Ele é O Verdadeiro Deus, Pré-Existente (Azalî) e Eterno (Abadî), digno de adoração interior e exterior, exaltado acima de todo defeito, O que possui os Atributos mais exaltados e os Nomes mais belos. A Ele pertencem o poder e a majestade. Não tem sócio em Sua Essência, Seus Atributos e Seus Atos. Não há deus além d’Ele.

” Sabei que Allah é Uno.” (Sura 4:171)
“Exaltado seja Allah, Verdadeiro, Soberano! Não há mais divindade além d’Ele” (Sura 23:116)
“Porventura, existe outro criador que não seja Allah, Que vos agracia, quer (com coisas) do céu quer da terra? Não há mais divindade além d’Ele!” (Sura 35:3)
“Ele rege todos os assuntos, desde o céu até à terra; logo (tudo) ascenderá a Ele” (Sura 32:5)
“Ele dá a vida e a morte, e a Ele retornareis.” (Sura 10:56)
“Ele é o Originador dos céus e da terra e, quando decreta algo, basta-Lhe dizer: Seja! e é.” (Sura 2:117).

Fim da citação.

Referência: Miftâh al-Janna – A Chave do Paraíso, do Imâm al-Habîb Ahmad Mashhûr al-Haddâd al-Yamânî (que Allah tenha misericórdia dele).

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A Frase do Tauhîd e Seu Sentido (Ahmad Mashhûr al-Haddâd)

O Imâm al-Habîb Ahmad Mashhûr al-Haddâd al-Yamânî (que Allah tenha misericórdia dele) disse:

” ‘Lâ ilâha illAllah’. Uma frase sublime por seu sentido, breve por sua construção, ampla por seus efeitos, nobre por seu nível, brilhante por sua luz e única por seu mérito. Se compõe de quatro palavras sobre as quais se baseiam a fé e se situa a qibla. É a frase dada em cada Livro que Allah fez descer até cada um de Seus nobres mensageiros, e pela qual estamos salvos do fogo [do Inferno] e obtemos a felicidade eterna nos jardins [do Paraíso]. Allah (exaltado seja) disse: ‘Conscientiza-te, portanto, que não há mais divindade, além de Allah’ (Sura 47:19) e ‘Sou Allah. Não há divindade além de Mim. Adora-Me!’ (Sura 20:14). ‘Allah! Não há mais divindade além d’Ele, Vivente (Al-Hayy), Auto-subsistente (Al-Qayyûm)’ (Sura 2:255). ‘Allah! Não há mais divindade além d’Ele! Seus são os mais sublimes atributos’ (Sura 20:8) e ‘Jamais enviamos mensageiro algum, antes de ti, sem que lhe tivéssemos revelado que: Não há outra divindade além de Mim. Adora-Me, e serve-Me!’ (Sura 21:25).

Através da crença e da certeza no seu significado e se submetendo a ela, alcançamos a fé (al-îmân). Se a pronunciamos com sinceridade e se agimos de acordo com ela, resulta o Islã. Alcançando ao mesmo tempo a crença correta e a submissão a Sua autoridade, então aparece no coração a realidade da excelência (al-ihsân).

A frase do tauhîd é também chamada de ‘frase do testemunho’, de sinceridade, de realidade, de verdade, de promessa, de fé, de piedade, ‘a boa palavra’, ‘a palavra durável’, ‘a palavra de Allah mais exaltada’, ‘a palavra de intercessão’, ‘o preço do Paraíso’ e ‘a chave do Paraíso’.

É com ela que se entra no Islã e a última coisa com a qual se deixa este mundo, para o Jardim da beatitude eterna. Assim como diz o hadîth, nesse sentido: ‘Aquele cujas últimas palavras nesta vida sejam ‘Lâ ilâha illAllah’ entrará no Paraíso.’ (Abû Dâwûd e Ahmad). É a primeira obrigação e também é a última. Quem quer que a pronuncie sinceramente e morre a seguindo ou fazendo, entrará no Jardim, como afirma o hadîth. Mas aquele que a rechaça com arrogância, seja por rechaço ou por politeísmo, entrará no Fogo, e não existe pior morada que esta.

‘Em verdade, aqueles que se ensoberbecerem, de Me adorarem, entrarão, humilhados, no inferno.’ (Sura 40:60) e ‘quanto àqueles que desdenharem a adoração a Ele e se ensoberbecerem, Ele os castigará dolorosamente e não acharão, além de Allah, protetor, nem defensor algum.’ (Sura 4:173) e ‘A quem atribuir parceiros a Allah, ser-lhe-á vedada a entrada no Paraíso e sua morada será o fogo infernal!’ (Sura 5:72).

‘Lâ ilâha illAllah’ significa que Allah Somente é digno de adoração. Allah é o nome que designa a Esência Mui Santa, O Existente necessário, O que possui todos os atributos de perfeição e de majestade, que é isento de ter sócios, pares ou semelhantes, de todo atributo e estado que não convém a Sua glória e a Sua amplitude. Pois é o Único Deus, o Eterno, O que não engendra e que não foi engendrado, que não tem semelhante. Não há Deus fora d’Ele, louvado seja, além de toda comparação. Não tem sócio em Sua Esência, nem em Seus Atributos, nem em Seus Atos; a Ele pertencem a soberania e todos os louvores, Aquele que é Poderoso sobre todas as coisas.”

Fim da citação.

Referência: Al-Miftâh al-Janna – do Imâm al-Habîb Ahmad Mashhûr al-Haddâd al-Yamânî (que Allah tenha misericórdia dele)
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A Obrigação da Shahâda para Ser Muçulmano (Ahmad Mashhûr al-Haddâd)

Al-shahâda se traduz literalmente por “o testemunho”. O testemunho do qual se trata aqui é o testemunho supremo, a essência da existência e do êxito, a verdade pura e a melhor das palavras:

Não há divindade além de Allah, Único e sem sócio, e Muhammad é Seu servo e mensageiro.

Lâ Ilâha illAllâh, wahdahu lâ sharîka lah, waMuhammadun ‘abduhu wa rasûluhu.

Se o fato de crer em um Deus, Único por Seu número e por Sua Essência, é uma condição obrigatória para ser Crente, também é obrigatório dar fé a tudo o que se revelou. Sendo que o Profeta Muhammad é o Selo dos Profetas (que Allah os abençoe a todos com abundância) e que é o que transmitiu o Selo dos Livros Revelados: Al-Qur’ân (o Alcorão), a última Mensagem Divina antes do fim do mundo, e é obrigatório reconhecer sua profecia e seu status ante Allah (exaltado seja) para todos os que se afiliam ao Islã, a religião da submisão total a um Deus Único, Poderoso e Majestoso.

O Shaikh al-Habîb Ahmad Mashhûr al-Haddâd (que Allah tenha misericórdia dele) falou sobre isso em seu Miftâh al-Janna:

“Nenhuma das decisões que procedem da boa palavra nesta vida e na outra pode ser obtida se não acrescentarmos a afirmação da profecia e a missão que está investida no Selo dos Profetas e dos Mensageiros, Sayyidunâ Muhammad (que as Bênçãos e a Paz de Allah estejam con ele e com sua família). Quem quer que afirme a Unicidade de Allah mas rechace a missão de Muhammad (que as Bênçãos e a Paz de Allah estejam com ele e com sua família) não faz parte do Ahl al-Tauhîd (povo do tauhîd), senão que é um negador de Allah tanto como o que rechaça o tauhîd (a palavra “lâ ilâha illAllâh”), já que rechaça o que Allah proclamou a respeito de Seu Mensageiro, e rechaça Seu mandamento segundo o qual devemos testemunhar a Mensagem, afirmá-lo, obedecê-lo e segui-lo, tomar o caminho do Mensageiro, e também rechaça sua admoestação de não contradizer Seus mandamentos.

Disse (exaltado seja): “Muhammad é o Mensageiro de Allah” (Sura 48:29) (…) “Ó Profeta, em verdade, enviamos-te como testemunha, alvissareiro e admoestador! E, como convocador (dos humanos) a Allah, com Sua anuência, e como uma lâmpada luminosa.” (Sura 33:45-46); e “Ó crentes, obedecei a Allah, ao Mensageiro…” (Sura 4:59); e “Se verdadeiramente amais a Allah, segui-me” (Sura 3:31); e “Que temam, aqueles que desobedecem às ordens do Mensageiro, que lhes sobrevenha uma provação ou lhes açoite um doloroso castigo.” (Sura 24:63). E existem muitos outros versículos a respeito.

Afirmar a missão de Muhammad (que as Bênçãos e a Paz de Allah estejam com ele e com sua família) não é uma coisa completa enquanto não temos a certeza de que sua missão engloba a totalidade da criação, os árabes e os não árabes, os seres humanos e os gênios. Disse (exaltado seja): “E não te enviamos, senão como misericórdia para a humanidade.” (Sura 21:107); e “E não te enviamos, senão como universal (Mensageiro), alvissareiro e admoestador para os humanos” (Sura 34:28); e “Dize: Ó humanos, sou o Mensageiro de Allah, para todos vós” (Sura 7:158).

Pois quem quer que rechace a universalidade de sua mensagem ou diz que é um Mensageiro somente para os árabes, é culpado de incredulidade, como o mostram os versículos mais acima, que são muito explícitos a respeito da dimensão universal de sua missão. Disse (que as Bênçãos e a Paz de Allah estejam com ele e com sua família), nesse sentido: “Fui enviado à humanidade inteira.” [al-Bukhârî e al-Tirmidhî]. Assim, mandou cartas aos reis deste mundo para chamá-los ao Islã. A chamada ao Islã se difundiu em todos os países da terra e alcançou as diversas nações, que responderam massivamente, com intenções sinceras e corações abertos.

Desde este ponto de vista, alguns versos de um poema que escrevi um dia, sobre sua missão (que as Bênçãos e a Paz de Allah estejam com ele e sua família) me vêm à mente:

Baixaste sobre a terra dos homens para ensinar
Como a chuva que cobre toda sua longitude e sua amplitude.

Como um sol brilhante no resplendor da manhã
Que não deixa nem noite, nem estrela, nem luminária para distrair.

Deixaste (a religião) tolerante, radiante de luz,
Puxando a sua cauda através da duna do céu supremo.

Girou com os dias e as noites, e mandou
As tropas da Verdade se desafogando em torrentes abundantes.

Seu emissário é o Alcorão que guia ao caminho os mais retos
A via mais poderosa, a palavra melhor. »

Fim da citação.

Al Muwahhidûn.

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Introdução à Ciência do Tauhîd (Ahmad Mashhûr al-Haddâd)

O Imâm Ahmad Mashhûr al-Haddâd al-Yamânî (que Allah esteja satisfeito com ele) disse:

“O significado desta nobre frase (Lâ ilâha illAllah) abarca tudo o que tentamos resumir, e o que os Imâms dentre o povo do tauhîd expuseram e detalharam em seus escritos. Foi clarificado e provado de maneira definitiva no Alcorão e nas palavras do Nobre Profeta (que as Melhores Bênçãos e a Paz de Allah estejam com ele e sua família). A partir destas duas fontes, os sábios do tauhîd deduziram as categorias da teologia, da sîra e as doutrinas acerca do que há de se saber a respeito da morte e da Vida que Vem (a vida depois da morte). Extenderam-se sobre estas questões e fizeram delas um remédio e uma iluminação para os corações, e a chamaram de a ‘ciência do tauhîd (‘ilm al-tauhîd)’, a ‘ciência das crenças (‘ilm al-‘aqâ’id)’ e a ‘ciência dos fundamentos da religião (‘ilm al-usûl al-dîn)’. Esta ciência tem prelação sobre todas as outras ciências, e devemos nos remiter a ela confiando de maneira implícita. Pela sua luz, os crentes são guiados, e a sua fonte pura os conhecedores de Allah (los Santos) saciam a sede. Esta ciência faz parte, com as ciências do comêntario do Alcorão (tafsîr al-Qur’ân), do hadîth, da jurisprudência (al-fiqh), dos fundamentos da jurisprudência (usûl al-fiqh) e do sufismo (tasawwuf), das ciências islâmicas das quais nenhum buscador de conhecimento e de gnose pode prescindir. Aquele que sabe que, entre isto, é obrigatório para ele, saberá pensar claramente, compreenderá sua religião e será dos bem-sucedidos.

Sem a menor dúvida, o fundamento de tudo isto é o conhecimento do Uno, o Único, Aquele cuja Majestade é sublime, além da certeza sobre Sua Unicidade, Seus outros Atributos exaltados e Seus belos Nomes, e Sua transcendência a respeito de tudo que não convém á Sua Majestade. Este conhecimento é o objetivo último e a fonte mais pura, e é descrita sendo ‘o firme estabelecimento da fé no coração’. Entretanto, a Fé é uma luz que Allah coloca no coração de seu servo para que seu espelho se torne luminoso e que possa perceber os conhecimentos e os segredos escondidos, como se os contemplasse e os observasse realmente. O resultado é a supressão de todo apego a outro que Ele, a sinceridade, a tranquilidade na lembrança (dhikr) d’Ele, o temor e a esperança n’Ele, a aquisição do que constitui o bom caráter e o abandono do repreensível n’Ele, o fato de se consagrar a atos de obediência a Ele, de se abster de atos rebeldes e maus, de obter Sua proximidade e Sua satisfação; o qual constitui aa maior das felicidades.”

Fim da citação.

Referência: Al-Miftâh al-Janna – A Chave do Paraíso, do Imâm al-Habîb Ahmad Mashhûr al-Haddâd al-Yamânî (que Allah esteja satisfeito com ele). Traduzido de Ed. Al-Bouraq.
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O Que Toda Pessoa Responsável deve Obrigatoriamente Saber sobre Allah (Ibn ‘Âshir)

O Imâm ‘Abd al-Wâhid Ibn ‘Âshir (que Allah tenha misericórdia dele) disse:

“A respeito de Allah, é obrigatório [segundo a razão, de reconhecer n’Ele] a existência, a isenção de comieço e a isenção de fim, a não necessidade absoluta, Sau isenção de toda semelhança com Suas criaturas, sem igual. São também obrigatórias a Ele a Unicidade por Si mesmo, pelos Atributos e os Atos, um poder, uma vontade, uma ciência e uma vida, uma audição, uma palavra e uma vista.”

Fim da citação.

Referência: Murshid al-Mu’în do Imâm ‘Abd al-Wâhid Ibn ‘Âshir (que Allah tenha misericórdia dele).

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O Que É Impossível Acerca de Allah (al-Juwainî)

O Imâm a-Harâmain Abu al-Ma’âlî al-Juwainî (que Allah tenha misericórdia dele) disse:

“O que tem que dizer resumindo é que tudo o que indica a aparição temporal ou uma deficiência: o Senhor é isento disto. Mostraremos isto através de parágrafos que contêm certas explicações.

Primeero, Allah (exaltado seja) é isento de toda especificação espacial e de toda qualificação parecida com o tempo; não está localizado em países, nem limitado por comarcas: é exaltado demais para ter limites ou medidas.

A prova disto é a seguinte: todo ser que é especificado pelo espaço que ocupa é relacionado con este espaço, pois está limitado e se admite que esteja perto ou separado de outras substâncias. Agora bem, tudo o que se admite unido com outra coisa ou separado de uma coisa sempre admite especificações, e o que não existe jamais sem estas especificações apareceu no tempo. Agora que está claro que O Criador é isento de toda delimitação e de toda especificação espacial, admitimos o seguinte: Allah é grande demais para ser especificado por um lugar ou pela proximidade dos corpos, celestes ou terrestres.

Se agora nos perguntam acerca desta palavra de Allah (exaltado seja): ‘Do Clemente, Que assumiu o Trono.’ (Sura 20:5), isto exprime o poder vitorioso e a sublimidade [do Senhor]. No mesmo sentido, os árabes dizem de alguém que se ‘assumiu/se assentou sobre um reino’ quando o domina e que o reino lhe está submetido.

O poeta disse: ‘Bishr se assentou sobre o Iraque sem a ajuda da espada e sem derramar sangue.’

O Senhor Todo-Poderoso é isento de tudo o que aparece no tempo. As pessoas das diferentes religiões estão de acordo sobre este ponto.
Mas um grupo procedente do Sijjistão e chamado de ‘karrâmiyya’ se opôs ao acordo unânime da Comunidade. Pretenderam que o que aparece no tempo surge na Essência do Criador, e é exatamente a doutrina dos zoroastristas.

Esta é a provaa da impossibilidade a respeito do que aparece no tempo, de subsistir na Essência do Criador: se houvesse subsistido n’Ele, não teria estado jamais isento disto. Agora bem, o que não existe sem o que aparece no tempo apareceu no tempo.”

Fim de citação.

Referência: Al-Lumâ’ fî Qawâ’id Ahl al-Sunna do Imâm al-Harâmain Abu al-Ma’âlî’ al-Juwainî (que Allah tenha misericórdia dele).

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Fonte: http://fiqh-maliki.blogspot.com.br/2011/03/introduccion-al-tawhid-definicion-del.html

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