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Imâm Ja’far al-Sâdiq sobre al-Futuwwa (cavalheirismo)

Há um dito nos Estados Unidos pós-moderno que diz que “a cavalaria não está morta”, que é um reconhecimento de que, embora haja um entendimento de que códigos morais tradicionais e ritos de passagem diminuíram, ainda não estão extintos. Tendo isso dito, a civilização islâmica sempre teve a cavalaria como algo louvável, voltando-se aos Piedosos Predecessores até hoje. Um dos antigos transmissores da Futuwwa, que se traduz vagamente por uma exuberância juvenil da cavalaria dentro do Islã, foi o Imâm Ja’far al-Sâdiq (que as bênçãos de Allah estejam sobre ele).

Imâm al-Sâdiq, significando o Confiável em discurso e feitos, foi um descendente paterno do Profeta Muhammad (bênçãos e paz de Allah estejam sobre ele e sua família) e descendente materno de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele). Herdou o conhecimento sagrado e refinamento espiritual desses dois córregos, dos quais ele ensinou centenas de alunos que passaram por seus ensinamentos assim como narraram histórias sobre seus méritos, dois dentre os quais foram os mais famosos alunos dele estão o Imâm Abu Hanîfa e o Imâm Mâlik bin Anas (que a misericórdia de Allah esteja sobre ambos).

A essência da Futuwwa como derivada do Imâm al-Sâdiq é baseada na beleza do caráter, que é mostrada não só tratando os outros com excelência, mas também preferindo aos outros sobre si mesmo. Um exemplo desse tipo de entendimento que ele aprendeu vem de seu pai, o Imâm Muhammad al-Baqîr (que as bênçãos de Allah estejam sobre ele), que afirmou que: “quando o Mensageiro de Allah (bênçãos e a paz de Allah sobre ele) comia com as pessoas, ele era o último deles a comer.” Sufyân al-Thauri, um dos principais alunos do Imâm, afirmou que um axioma da Futuwwa se relaciona com a dieta e disso ser removido da corrupção e transgressão. Daí um aspecto da Futuwwa que foi repassado pelo Profeta (bênçãos e a paz de Allah sobre ele e sua família) a seus herdeiros espirituais se relaciona a ser generoso e preferir aos outros, e isso se relaciona a uma necessidade basal da vida, que é a comida.

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O preferir a outros a si mesmo, claro, estende-se além de comida como ensinado pelo Imâm al-Sâdiq. Quando ele foi perguntado por um discípulo a respeito do que seria a Futuwwa, ele pediu ao questionador para declarar o que ele achava que fosse. O discípulo disse ao Imâm: “Se me dão, mostro gratidão, mas se sou privado, mostro paciência.” O Imâm respondeu: “Os cães conosco [em Medina] fazem isso.” O discípulo então queria saber qual era a realidade da Futuwwa. O Imâm Ja’far então disse: ”Se nos dão, passamos adiante, mas se somos privados, mostramos gratidão.” Daí um atributo da cavalaria além de preferir aos outros a si mesmo é mostrar gratidão mesmo quando não se é dado. Essa disposição foi ensinada aos Sahâba para ser expressa dizendo “Louvor a Allah em toda condição.”

Outro exemplo dado pelo Imâm al-Sâdiq diz respeito à generosidade não somente com o passar adiante aquisições materiais mas também com perdoar as pessoas. Um peregrino uma vez estava dormindo em Medina e então acordou e não achou sua bolsa de dinheiro contendo 10.000 dinares. Ele então viu o Imâm al-Sâdiq rezando perto dele e o acusou de pegar sua bolsa de dinheiro. O Imâm al-Sâdiq lhe perguntou o que tinha nela e o peregrino respondeu que tinha 10.000 dinares. O Imâm al-Sâdiq então trouxe o homem a sua casa e lhe deu 10.000 dinares. Quando o peregrino voltou à mesquita e olhou nos seus pertences de novo, encontrou sua bolsa de dinheiro contendo os 10.000 dinares que ele erroneamente pensou terem sido furtados. O homem então retornou ao Imâm pedindo seu perdão e se oferecendo para devolver os 10.000 dinares, mas o Imâm se recusou a recebê-lo. O homem não sabendo a identidade do Imâm então perguntou às pessoas quem era ele, e responderam que era Ja’far bin Muhammad (que Allah esteja satisfeito com ele). Assim, o Imâm era generoso em perdoar, confiando que o peregrino daria os 10.000 dinares àqueles realmente necessitados de assistência e o ensinou uma lição em como replicar a cavalaria.

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Uma coisa é certa — a cavalaria não está morta, e deveríamos mantê-la viva como um código moral de conduta entre nós. Há mais que possa ser dito sobre o tópico da Futuwwa. Livros foram escritos sobre esse assunto, seminários eruditos sobre isso foram realizados e institutos em lugares variados do mundo foram estabelecidos especificamente para instigar a cavalaria entre os jovens. Rezo para Allah (Poderoso e Sublime) que nos benificiemos destas lições relatadas a nós através de uma das estrelas da Umma, o Imâm Ja’far al-Sâdiq, e que nos recompromissemos a instigar a cavalaria entre nossos jovens.

Fonte: http://almadinainstitute.org/blog/imam-jafar-as-sadiq-on-al-futuwwa/

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