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Estado Islâmico? As ilusões do Fundamentalismo

Citações de Charles-André Gillis em L’integrité Islamique ( A Integridade islâmica)

Tradutor: Marcelo Bezerra da Paixão

”Diante do mundo moderno, o fundamentalismo assume uma posição contrária.¹ A começar pela ideia de que a Comunidade Islâmica só pode ser governada por muçulmanos, que parece então ganhar mais poder através da política. Os defensores dessa ideologia esperam promover o Islã: primeiramente, assegurando a prática da religião nos países que eles controlam; e segundo, estabelecendo no mundo um tipo de “ponte” para a defesa dos interesses dos muçulmanos onde quer que estejam e preparar a expansão gradual do Islã. Diante da ambiguidade e dos excessos das políticas de integração², o ideal fundamentalista é atraente para os bons muçulmanos pela independência que lhes promete, uma vez que eles seriam governados por eles mesmos, não por outros.

Um olhar mais atento revela a natureza ilusória dessa aparente vantagem. Para que o fundamentalismo corresponda ao seu objetivo declarado³, seria necessário que seus partidários não fossem eles mesmos corrompidos – mais ou menos conscientemente – pelas concepções anti-tradicionais [e mentalidade] do mundo moderno.

No início, a conquista do poder implica hoje que estamos nos organizando em partidos políticos e que adotamos os métodos da arena da política secular, métodos que são a antítese da universalidade islâmica. Em caso de vitória, é ainda pior. Como preservar a integridade do Islã na gestão de um Estado moderno, pode ser proclamado “islâmico” ou não? Em todas as áreas haverá impasse e contradição.

Primeiro, não há estado sem território. Um dos princípios da política moderna é a manutenção da “integridade territorial”, que gera inúmeros conflitos, tão insignificantes como perigosos. Os “direitos do Céu” não serão mais preservados, nem mesmo os da Terra, mas os que surgem de divisões territoriais absurdas e arbitrárias, o que é particularmente óbvio quando estes foram estabelecidos pela colonização. Um Estado islâmico é essencialmente um Estado universal, isto é, um Estado sem fronteiras. Por outro lado, um Estado cujo território é definido por fronteiras não pode pretender ser um Estado islâmico.

Além disso, o que dizer da idéia de nação, a respeito das divisões e paixões que são engendradas por ela, de modo que é um dos piores instrumentos da subversão contemporânea. Vamos citar aqui as palavras de um homem santo da nossa era que disse: “No momento em que o Mahdi (líder politico prometido aos muçulmanos no fim dos tempos) for confirmado em sua missão na frente da Caaba em Meca, os estados e regimes do mundo islâmico entrarão em colapso como casas de cartas “.

1: isto é, uma posição oposta à sociedade e à cultura modernas / pós-modernas.

2: nos países do ocidente.

3: ao estabelecer uma espécie de estado islâmico.

4: ver também Modernism And Postmoder Thought, de Omar K Neusser (baseado em Traditional Islam in the modern world de Seyyed H. Nasr.

Fonte: http://www.livingislam.org/m/if_e.html

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