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Declínio do Império Otomano - Parte 2: Declínio Islâmico Islamismo Allah Muhammad
Batalha marítima entre a Argélia Otomana e a marinha da Dinamarca

Declínio do Império Otomano – Parte 2: Declínio Islâmico

Na parte 1 do declínio do Império Otomano foram analisados os aspectos políticos e econômicos do declínio deste grande império. Na história, nada acontece por uma única razão. O declínio dos otomanos foi resultado de um grande número de fatores. Entre as razões mais importantes são as mudanças sociais e religiosas do reino Otomano. Este post vai analisar as mudanças islâmicas nas últimas décadas do Império Otomano nos anos 1800 e como eles ajudaram a trazer a queda do império em 1922.

Alterações religiosas – A Tanzimat

Desde o início do Império Otomano no início dos anos 1300, o Islam havia sido a base do Estado. Os otomanos construíram sobre as tradições islâmicas o governo do Império Seljuk na Idade Média, e se orgulhavam de serem os defensores do Islam em seu tempo. Os otomanos viam-se na mesma forma. Enquanto o império cresceu e se expandiu ao longo dos séculos, os otomanos formalizaram a sua posição como os defensores do Islam, com os sultões assumindo o título de khalifah (califa) do mundo muçulmano. A lei da terra foi a Shariah, as leis religiosas do Islam transmitidas pelo Profeta Muhammad (que a paz esteja sobre ele) nos desertos da Arábia, nos anos 600.

No final do Império Otomano, no entanto, as coisas começaram a mudar. Com a ascensão política e econômica da Europa em face do declínio otomano que já foi discutida na parte 1, as perguntas começaram a serem feitas sobre o rumo do Império Otomano. Muitas pessoas dentro do governo do império começaram a pensar que, a fim de se tornar mais poderoso, como os europeus, o Império Otomano precisava tornar-se mais como as nações europeias.

Estas crenças chegaram aos ouvidos do sultão otomano no início de 1800. Logo, as reformas destinadas a tornarem o Império Otomano mais europeu tocou todos os aspectos da vida Otomana. Em 1826, o sultão Mahmud II (reinou entre 1808 e 1839) instituiu uma reforma nas roupas para todos os funcionários do governo. Em vez das vestes tradicionais e turbantes que os sultões e funcionários do governo usavam, agora vestiam roupas militares de estilo europeu. Se parecer como os europeus não foi a única reforma, no entanto. Mahmud também aboliu os antigos Janízaros, tropas militares que vieram de todas as partes do império. Em vez disso, ele começou um novo corpo chamado de cedid Nizam-i, que era formado somente por cidadãos turcos do império.

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As reformas de Mahmud II só começaram as drásticas mudanças que o Império Otomano se submeteu no turbulento século 19. As mudanças culminariam nas reformas Tanzimat sob os sultões Abdülmecid em 1839 e em 1856. “Tanzimat” significa reorganização em turco otomano e é exatamente o que essas mudanças foram: a reorganização completa do governo otomano. O Tanzimat foo uma série de leis que foram destinadas a modernizarem o Império Otomano ao longo das linhas europeias. O antigo sistema de um governo baseado na Shariah tinha ido embora. Leis e normas islâmicas foram embora do governo. A estrutura social islâmica justa e equitativa do império tinha ido embora.

Sultão Abdulmecid I, que instituiu as reformas Tanzimat

Sultão Abdulmecid I, que instituiu as reformas Tanzimat

Tendo em mente os problemas políticos e econômicos do império enfrentados na parte 1 deste artigo, o Império Otomano, certamente, tinha necessidade de reforma. Ele estava em declínio rápido de poder em comparação com as nações da Europa Ocidental. No entanto, o caminho que os otomanos tomaram foi apagar o Islam a partir da estrutura política do Estado otomano. Durante este tempo, a Europa tinha principalmente se livrado da influência religiosa na política. A Revolução Francesa no início de 1800 separou a igreja e o estado e criou uma sociedade secular. O poder da Igreja Anglicana na política inglesa estava longe de seu antigo poder. O papa, em Roma, era apenas uma figura decorativa. A idéia primordial na Europa naquela época era de que, se você se livrar da religião em geral, você vai se tornar mais bem sucedido. Os otomanos copiaram esta mesma fórmula.

Algumas das mudanças foram: tribunais seculares substituíram juízes islâmicos, um sistema de financiamento baseado no modelo francês, a legalização da homossexualidade, fábricas substituíram alianças de artesãos, a aplicação de um modelo “otomano” forçado de identidade cultural em vez de identidades culturais únicas, e a reforma do sistema educacional baseando-se em um currículo de ciência / tecnologia, em vez de temas tradicionais como Alcorão, estudos islâmicos e poesia. Embora houvessem muitas outras reformas que eram necessárias e que não alterariam o papel do Islam no império, muitas das novas leis foram no sentido de remover o Islam da vida pública. Os otomanos trouxeram pessoas conhecidas como “pensadores franceses” da Europa para virem reformar sua sociedade.

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Esta tentativa de remover o Islam da vida pública deixou muitos que viviam no império com a sensação

Influência européia foi vista até mesmo na arquitetura. Palácio Dolmabaçe, construído pelo sultão Abdulmecid, foi concebido para se parecer com palácios europeus da época.

Influência européia foi vista até mesmo na arquitetura. Palácio Dolmabaçe, construído pelo sultão Abdulmecid, foi concebido para se parecer com palácios europeus da época.

de que suas tradições tinham sido marginalizadas em favor das normas europeias que não se encaixavam no império. O papel dos professores, shaikhs e juízes islâmicos foi subitamente marginalizado. Grandes segmentos da população se opôs aos esforços do Tanzimat para redefinir suas vidas. Rebeliões islâmicas contra o governo começaram em lugares como os desertos da Arábia (o Primeiro Estado Saudita), Bósnia e Egito. O Império Otomano, historicamente, tinha usado o Islam para unir os diversos povos de suas terras, mas com a remoção do Islam, o agente da ligação foi lentamente rompendo com o império.

Sultão Abdulhamid II

No meio de todas essas mudanças e reformas em relação ao papel do Islam veio um novo sultão em 1876: Abdulhamid II. Enquanto ele estava a favor das partes do Tanzimat que não contradiziam o Islam e, na verdade, beneficiavam o império, ele era veementemente contra o declínio do papel do Islam no império. Desde 1517, os sultões otomanos também foram os califas do mundo muçulmano, em essência, os líderes oficiais e protetores dos muçulmanos em todo o mundo. A maioria dos sultões recentes tinham minimizado seus papéis como califas. Abdulhamid por outro lado enfatizou os aspectos islâmicos do seu trabalho.

No final dos anos 1800, Sultão Abdulhamid II tentou trazer de volta o caráter islâmico do Império Otomano.

No final dos anos 1800, Sultão Abdulhamid II tentou trazer de volta o caráter islâmico do Império Otomano.

Durante o seu reinado, Abdulhamid construiu a estrada de ferro de Istambul até Madinah para tornar as viagens para o Hajj para os peregrinos muito mais fácil. Durante o seu reinado, Istambul foi feito um centro de impressão islâmico, produzindo milhares de cópias do Alcorão para distribuição em todo o mundo muçulmano. Em 1889, ele estabeleceu uma “Casa dos Sábios”, cujo objetivo era promover as ciências islâmicas em todo o império. Talvez a sua defesa mais ousada e notável do Islam e os muçulmanos ocorreu quando o líder sionista, Theodor Herzl ofereceu à Abdulhamid II £ 150.000.000 em ouro em troca da terra da Palestina. A resposta de Abdulhamid foi lendária:

“Mesmo se você me desse tanto ouro quanto o mundo inteiro, e muito menos os 150 milhões de libras inglesas em ouro, eu não aceitaria isso tudo. Tenho servido o milla Islâmica e a Ummah de Muhammad por mais de trinta anos e nunca denegri as páginas dos Muçulmanos – meus pais e ancestrais, os sultões otomanos e legatários. E assim eu nunca vou aceitar o que você me pediu.”

Apesar dos esforços de Abdulhamid, a crescente onda de secularismo europeu era grande demais para resistir. Em 1909, os Jovens Turcos, um grupo secular liberal, derrubou Abdulhamid e instalou seu irmão Mehmed V no trono. Mehmed não teria nenhum poder na realidade, estando o controle do império nas mãos de um grupo de três jovens turcos chamados “Três Pashas”. Abdulhamid II foi o último sultão otomano a exercer qualquer poder real sobre o império. Apenas 13 anos depois, o império seria destruído no rescaldo da Primeira Guerra Mundial, e o califado destruido dois anos mais tarde, em 1924.

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A parte 3 desta série irá analisar os efeitos do nacionalismo sobre a destruição do Império Otomano.

Bibliografia

Armağan, Mustafa. Abdülhamid’in Kurtlarla Dansı 2. Istanbul: Timaş, 2009. Print.

Hodgson, M. G. S. The Venture of Islam, Conscience and History in a World Civilization. 3. Chicago, IL: University of Chicago Press, 1974.

Itzkowitz, Norman. Ottoman Empire and Islamic Tradition. Chicago: The University of Chicago Press, 1972. Print.

Ochsenwald, William, and Sydney Fisher. The Middle East: A History. 6th. New York: McGraw-Hill, 2003.

Fonte: http://lostislamichistory.com/the-decline-of-the-ottoman-empire-part-2-islamic-decline/

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