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Declínio do Império Otomano - Parte 1: Políticas e Economia Allah Islamismo Islam Muhammad

Declínio do Império Otomano – Parte 1: Políticas e Economia

Ao longo da história islâmica, impérios se levantaram e caíram durante 1400 anos. Os omíadas, abássidas, mamelucos, mongóis e otomanos são apenas algumas das principais dinastias do Islã que se destacaram, alcançado uma idade de ouro, e, eventualmente, declinando e só sendo lembrados nos livros de história. Ibn Khaldun, em sua brilhante obra historiográfica, a Muqaddimah, afirma que “dinastias tem uma vida natural, como indivíduos” e que “[a dinastia] cresce e passa para uma era de estagnação e, em seguida, vem o retrocesso.” O perspicaz Ibn Khaldun disse essas palavras em 1337, e que são de fato uma realidade para a história do último grande império muçulmano – o Império Otomano.

O Império Otomano começou como um pequeno estado de sultões turcos na Anatólia (atual Turquia) em 1300. Em 1453, eles eram uma força poderosa e reconhecida, controlando terras na Europa e Ásia, com a capital em Istambul. Em meados dos anos 1500, o império tinha alcançado seu apogeu sob o Sultão Suleyman. Naquela época, era de longe o mais poderoso império e maior da Europa, e também controlava o Norte da África, Península Arábica, e partes da Pérsia. No entanto, como Ibn Khaldun afirmou, esta dinastia acabaria por entrar em um período de estagnação, e, finalmente, diminuir. Este artigo vai analisar dois fatores que ajudaram a provocar a queda dos otomanos dos anos de 1500 até 1800 – um governo fraco e ineficaz e a estagnação econômica.

Governo

Desde o nascimento do Estado otomano sob Osman Gazi através do seu período de poder inigualável, em meados dos anos 1500, o centro do

No seu auge em meados dos anos 1500, o Império Otomano controlava o Norte da África, Sudeste da Europa, e a Península Arábica.

No seu auge em meados dos anos 1500, o Império Otomano controlava o Norte da África, Sudeste da Europa, e a Península Arábica.

Império Otomano sempre foi o sultão. O Império Otomano era uma dinastia, então quando um sultão morria, seu filho se tornaria o novo sultão. Estes primeiros sultões todos tinham muito orgulho de seu trabalho e tiveram um papel central na direção do império. Os sultões supervisionavam reuniões governamentais, contratavam e demitiam funcionários e pessoalmente conduziam campanhas militares para as bordas do império.

No entanto, havia um aspecto do sultanato que nunca foi totalmente formalizado – sucessão. Os primeiros anos do Império Otomano foram marcados por inúmeras guerras civis, como filhos que lutavam entre si pelo poder depois que seu pai havia morrido. Normalmente isso não era um grande problema, já que os sultões deixariam claro qual de seus filhos eles preferiam (para o trono). Em outras ocasiões, no entanto, as guerras dentro do império duraram anos e eram terrivelmente destrutivas para o poder do império.

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Buscando resolver este problema, o sultão Ahmed I (que reinou entre 1603 até 1617) instituiu um novo sistema para a escolha de sultões. Em vez de filhos de um sultão sendo governadores dentro do império até que seu pai morresse, eles iriam ficar no palácio em Istambul até que o tempo viesse para o novo rei. Na maioria dos casos, eles realmente não foram sequer autorizados a deixarem o palácio. Isto essencialmente os fez prisioneiros até que se tornassem sultões.

Embora as intenções de Ahmed I tenham sido provavelmente justas, os efeitos de sua política foram desastrosos. Ao invés dos sultões chegarem ao trono com experiência em governança e política, em geral eles eram ignorantes de qualquer coisa exceto nos prazeres da vida no palácio. Eles foram completamente incompetentes como governantes de um império poderoso. Os 300 anos de tradição, de sultões sendo os líderes poderosos, versáteis e capazes, haviam acabado no Estado Otomano. Para dar algum contexto, os sultões otomanos viam o seu trabalho principal como sendo o comandante do exército. Todos os sultões otomanos levaram seus exércitos para a batalha e viam isso como um aspecto central para o seu trabalho. No entanto, o sultão Murad IV foi o último sultão otomano a liderar seu exército para a batalha em 1638.

Sultão Ahmed I começou um novo sistema para a escolha de sultões em 1600

Sultão Ahmed I começou um novo sistema para a escolha de sultões em 1600

Apesar de sua inexperiência e incompetência, os sultões otomanos ainda estavam oficialmente no comando do império. Assim, sem educação e conhecimento de como gerir um império, eles ainda tinham o poder de dirigir o governo. O resultado disso foi um longo período de instabilidade administrativa completa. Vizires (ministros) foram nomeados e seguiam no capricho do sultão, levando a grande dificuldade as políticas que nunca foram postas em prática. Além disso, já que a experiência e talento já não eram vistas como necessárias pelo sultão otomano, aqueles que desejavam avançar no serviço público não eram promovidos com base na habilidade. Em vez disso, suborno e favoritismo causou estragos no governo otomano.

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Com a ascensão de funcionários incompetentes no governo otomano central, um processo de descentralização começou. Os governos locais ganharam mais autonomia e mostraram menos respeito para o governo em Istambul. Em um nível prático, isso significava menos receitas fiscais enviadas para o governo central, o que significava um governo fraco e militares fracos em geral. Tudo isso ocorre durante a ascensão dos impérios da Europa, como Inglaterra, França, Rússia e Áustria.

Economia

Indo de mãos dadas com o declínio político do império estava o seu declínio econômico. Tradicionalmente, uma das principais fontes de renda do Império Otomano provinha dos saques durante as guerras. Quando o império atingiu seu tamanho máximo em meados dos anos 1500, essa fonte de renda secou. Por causa do grande tamanho do império, as nações estrangeiras estavam cada vez mais longe da capital, fazendo campanhas contra essas nações muito caras. Tão caro de fato que não fazia sentido econômico manter a expansão.

Outro aspecto econômico que afetou o império em 1600 foi a inflação. Nos anos 1500 e anos 1600, os países da Europa Ocidental, como a Espanha, Inglaterra e França estavam explorando e conquistando o Novo Mundo através do Atlântico. Suas conquistas lhes trouxeram enormes quantidades de ouro e prata em particular, especialmente para os espanhóis com a extração no México. A economia Otomana era baseada em prata. Moedas foram cunhadas em prata, os impostos cobrados em prata, e os funcionários do governo pagos em prata. O grande fluxo de prata provenientes da América desvalorizou drasticamente a moeda Otomana de acordo com as leis econômicas de oferta e demanda.

Estas estatísticas mostram como a inflação foi ruim nos anos 1500 e 1600 no Império Otomano. Em 1580, uma moeda de ouro poderia ser comprada por 60 moedas de prata. 10 anos depois, em 1590, custaria 120 moedas de prata para comprar uma ouro. E em 1640, custava 250 moedas de prata a fim de comprar uma de ouro. Esta inflação fez os preços em todo o império subirem, prejudicando os cidadãos médios e o império como um todo.

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Como este processo de estagnação econômica e queda continuaram durante os anos 1600 e 1700, o governo central teve de procurar novas fontes de renda. Ao mesmo tempo, as nações européias estavam ganhando a vantagem sobre os otomanos militarmente, politicamente e economicamente. Como resultado, uma nova política de capitulações econômicas e concessões começou. Capitulações eram acordos entre o governo otomano e alguns governos europeus (geralmente o francês), dando aos europeus o controle sobre toda uma indústria dentro do Império Otomano em troca de um pagamento único e/ou apoio diplomático. Por causa da relativa fraqueza do Império Otomano em comparação com países europeus, o governo otomano teve de entrar em tais acordos.

Os efeitos colaterais negativos desses acordos foram devastadores. Por exemplo, em 1740, o Império Otomano entrou em um acordo com a França que deu aos cidadãos franceses o direito de viajarem e fazerem comércio em qualquer parte do Império Otomano. Com produtos mais baratos e melhores, eles foram capazes de começar a empurrar para fora comerciantes otomanos locais, prejudicando a economia em geral. Além de concessões econômicas, as capitulações também significaram uma perda de soberania para o governo otomano. No mesmo acordo, os franceses receberam plena jurisdição sobre os seus próprios cidadãos e todos os católicos romanos no Império Otomano. Com efeito, o que isto quer dizer é que o governo otomano não tinha autoridade para fazer cumprir as leis em qualquer dessas pessoas, mesmo que estivessem dentro das fronteiras do império.

As capitulações dos anos 1700 e 1800 foram uma das maiores razões para o declínio do Império Otomano durante este tempo. Esta série de contratos humilhantes colocarem o império em uma posição de subserviência às nações europeias, que se referia ao império otomano como o “homem doente da Europa”.

As razões para o declínio do Império Otomano será analisada na parte 2 do Declínio do Império Otomano.

Bibliografia

Hodgson, M. G. S. The Venture of Islam, Conscience and History in a World Civilization. 3. Chicago, IL: University of Chicago Press, 1974.

Khaldūn, Ibn. The Muqaddimah, An Introduction To History. Bollingen, 1969.

Ochsenwald, William, and Sydney Fisher. The Middle East: A History. 6th. New York: McGraw-Hill, 2003.

Fonte: http://lostislamichistory.com/the-decline-of-the-ottoman-empire-part-1/

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