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Ashari e Maturidi: As correntes principais de crenças sunita. – Sheykh Faraz Rabbani

Pergunta: É verdade que os hanbalis eram muito anti-Ashari? Tenho ouvido de algumas pessoas que as crenças dos Salaf eram as crenças dos “Atharis” e não dos Ashari ou mesmo Maturidis e coisas como: a interpretação dos atributos não são válidas. Você pode esclarecer?

Resposta: Em Nome de Deus, O Misericordiosíssimo e O Compassivo.

Que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre seu mensageiro Muhammad, seu povo, seus companheiros e sobre seus seguidores.

Wa alaikum assalam wa rahmatullah, rezo para que você se encontre no melhor de sua saúde e melhor disposição de seu espírito.

Sim, houve historicamente um grupo de hanbalis que eram bastante anti-ashari. Alguns deles desconfiavam simplesmente das nuances da teologia escolar (kalam) e temiam o impacto que poderia ter tido sobre a pureza das crenças dentro do Alcorão e da Sunna. No entanto, houve também uma tendência – certamente não predominante – para o literalismo excessivo nas crenças e até mesmo para o antropomorfismo (afirmação de atributos humanos a Deus).

Ashari e Maturidi: correntes principais de crenças sunita

É por isso que os estudiosos consideraram as vias predominantes Ashari e Maturidi serem o “padrão” pelo qual as crenças de qualquer pessoa seriam julgadas. Se essas crenças – seja referidas como “Athari aqida” ou qualquer outra coisa – corresponderam ao conteúdo e para as implicações às crenças aceitáveis para as escolas sunitas convencionais, então essas crenças foram aceitas e abrangidas por Ahl al-Sunna; e na medida em que não o fizeram, em conteúdo ou implicações, não eram.

Imam Ashari e Imam Maturidi eram Salaf

Imam Abu’l Hasan al-Ash`ari e Imam Abu Mansur al-Maturidi eram Salaf (primeiros muçulmanos, geralmente referidos como: piedosos que viveram nos primeiros três séculos após a era profética). Ambos os Imams simplesmente defenderam e confirmaram as crenças transmitidas do Alcorão e da Sunna, conforme entendido pelo islã sunita em cada geração antes deles, divergindo dos extremos do literalismo excessivo e do racionalismo excessivo.

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Seus ensinamentos e metodologias foram aceitos como padro do islam sunita convencional por um consenso geral claro da comunidade acadêmica em seus próprios tempos e em todas as gerações desde então – um sinal de aceitação divina pela clara promessa de Allah e Seu Mensageiro (Que a paz e bênçãos de Deus estejam sobre ele), pois é uma promessa divina que os ensinamentos de Sua revelação final serão preservados e uma promessa profética de que sua umma não concordará com o erro.

Os atributos Divinos e o modo de consignar (tafwid) o significado de suas descrições para com Deus

Quando se trata de entender esses atributos Divinos que podem parecer indicar alguma semelhança entre o Criador e a criação, as opiniões preferidas dos Ashari e dos Maturidis são:

[1] Afirmar o que Allah afirmou, como istiwa (ato Divino), ou Sua Mão ou Olhos, não mais e nem menos.

[2] Negar o que Allah negou decisivamente, que é qualquer semelhança entre o Criador e a criação – uma negação que o intelecto sadio discerne prontamente, e que foi afirmado pelas palavras de Deus: “Não há absolutamente nada parecido com Ele”. (Alcorão)

[3] Consignar (tafwid) o significado específico e detalhes de tais assuntos para com Deus O Altíssimo.

[Bajuri, Tuhfat al-Murid `ala Jawharat al-Tawhid; Nablusi, Sharh Ida’at al-Dujunna; Abu Mu`in al-Nasafi, Tabsirat al-Adilla; Qari/Abu Hanifa, Sharh al-Fiqh al-Akbar; Maydani/Tahawi, Sharh al-Aqida al-Tahawiyya; Bouti, Kubra al-Yaqiniyyat]

Este foi o caminho dos Salaf

Este foi claramente o caminho dos predecessores piedosos (salaf). Suas declarações de afirmação, que nossos irmãos metodologicamente divergentes se encaixam apaixonadamente, não eram declarações de literalismo excessivo. Em vez disso, eles simplesmente estavam afirmando o que Allah afirmou e condenaram fortemente aqueles que negariam qualquer coisa que Allah afirmou (pois isso implica descrença, portanto, eis o motivo pelo qual algumas declarações eram tão firmes). No entanto, eles não afirmaram mais do que isso e não insistiram em entender tais afirmações como sendo “literais” na natureza. Isso ocorre porque o significado literal (isto é, primário) de tais assuntos implica a afirmação da semelhança entre o Criador e a criação e essa similitude foi claramente e decisivamente negada em todo o Alcorão.

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E quanto à interpretação figurativa (ta’wil)?

Quando a necessidade surgiu, alguns dos primeiros estudiosos muçulmanos (salaf) e muitos dos estudiosos muçulmanos que vieram imediatamente após eles (khalaf) usaram interpretação figurativa para dar um significado a esses textos primários “aparentemente problemáticos”, usando os princípios sólidos da linguística, e de interpretação textual.

Esses estudiosos tinham um precedente claro nas interpretações de muitos dos companheiros do Profeta (Que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele), mais notavelmente Ibn Abbas (Que Allah esteja satisfeito com ele), que também se envolveu em tais interpretações quando havia necessidade. Isto é claramente encontrado em muitos dos primeiros tafsirs mais confiáveis do Alcorão, como Tafsir al-Tabari, e também no próprio tafsir de Imam Maturidi, Ta’wilat Ahl al-Sunna.

Os estudiosos posteriores envolveram-se na interpretação figurativa mais do que os estudiosos anteriores, devido à maior prevalência de excessos literais e danos causados aos leigos entre os crentes.

Interpretação figurativa implica em negar o que Allah afirmou (ta`til)?

A interpretação figurativa não implica em negar o que Allah afirmou, porque de modo semelhante, o modo de “consignar o significados das descrições dos atributos Divinos para com Deus” (tafwid), também implica:

[1] Afirmar o que Allah afirmou, como istiwa (ato Divino), ou Sua Mão ou Olhos.

[2] Negar o que Allah negou decisivamente, que é qualquer semelhança entre o Criador e a criação – uma negação que o intelecto sadio discerne prontamente, e o que foi afirmado pelas palavras de Deus: “Não há absolutamente nada parecido com Ele”. [Alcorão]

Mas isso difere na medida em que afirmar um significado para esses textos, usando os princípios do uso linguístico estabelecido e interpretação textual sólida (como o poder ou o favor Divino, usando símbolos como “mão”, conforme entendido a partir do contexto). É muito importante notar que esta interpretação figurativa implica afirmar um significado ortodoxo possível não literal – e não uma afirmação exclusiva de significado (Como por exemplo, A = B, significando que o texto A significa B e nada mais). [Para ver exemplos de tal interpretação, veja Ibn `Abd al-Salam e Ash`ari Ta’wil de Shaykh Gibril Haddad.]

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O modo de interpretação figurativa (ta’wil), tal como exercido pelos estudiosos sunitas das escolas Ashari e Maturidi, é uma afirmação do que é entendido por tais expressões e não uma especificação exclusiva, e portando excludente, do significado do texto. A interpretação figurativa (ta’wil), os estudiosos recorreram a ela apenas quando havia necessidade genuína, e com grande cautela, coisa que também implica algum coeficiente de referencia ao significado último das palavras de Deus O Altíssimo (tafwid). Este é um assunto importante, mas sutil, então entenda-o!
É somente Deus que outorga o êxito!

Sheykh Faraz Rabbani

Fonte: http://seekershub.org/ans-blog/2009/11/19/the-asharis-maturidis-standards-of-mainstream-sunni-beliefs/

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