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As provas do Alcorão e da Sunnah autêntica sobre o Tawassul (intercessão)

O Tawassul Segundo a Tradição Islâmica

É necessário tirar os argumentos do Alcorão, da Sunna e da vida dos Companheiros para uma prática que suscita muita polêmica, apesar de que faça parte da prática dos primeiros muçulmanos piedosos e virtuosos: trata-se do tawassul (as súplicas a Allah através da invocação do favor do Mensageiro e dos santos: tendo a certeza de que somente Allah dá e priva, obviamente):

Os sábios da “salafiyya Fiqhiyya” relatam mais de dezessete provas tiradas do alcorão e da Sunna autêntica a respeito dos méritos da súplica a Allah pelo favor do Mensageiro ou dos santos, vivos ou mortos.

O Mensageiro de Allah Muhammad (a Paz e as Bênçãos estejam com ele e sua descendência) é o mestre dos primeiros e dos últimos, e Allah –exaltado seja- nos ordena magnificar-lhe e respeitar-lhe. Allah –exaltado seja-, diz no Alcorão:
“Em verdade, enviamos-te por testemunha, alvissareiro e admoestador, para que creiais (ó humanos) em Allah e no Seu Mensageiro, socorrendo-o, honrando este e glorificando-O (Allah)…”
[Al-Fath (48):8-9.]

A invocação de Allah que se antepõe à estação elevada do Profeta (al-Tawassul) e a busca de bênçãos por ele (al-Tabarruk), assim como as súplicas a Allah pelo favor de todos os Profetas, os santos e piedosos virtuosos, é um bem e uma bênção. É um meio de se aproximar da complacência de Allah –exaltado e magnificado seja-, e acrescentar graça às recompensas; isto não é nem harâm, nem uma adoração de ídolos, nem uma associação a Allah como pretendem dizer os que rechaçam o tawassul, os privados de sua bênção, estes mesmos que têm um coração duro.

Allah –exaltado seja- diz no Alcorão:
“Ó crentes, temei a Allah, tratai de acercar-vos d’Ele…”
[Al-Mâ’ida (Sura 5), versículo 35]

Também diz:
“Se, quando se condenaram, tivessem recorrido a ti e houvessem implorado o perdão de Allah, e o Mensageiro tivesse pedido perdão por eles, encontrariam Allah, Remissório, Misericordiosíssimo.”
[An-Nisâ’ (Sura 4), versículo 64]

E diz:
“Quando, da parte de Allah, lhes chegou um Livro (Alcorão), confirmante do deles (a Torá) – apesar de antes terem implorado a vitória sobre os incrédulos (pelo favor do último Mensageiro)…”
[Sura 2, versículo 89]

Os judeus contumavam estar em guerra contra as tribos árabes de origem iemenita (Aus e Khazraj) antes do Islã. Os judeus imploravam a Deus pelo favor do último mensageiro (que encontravam descrito na Torá), para ter a vitória… Mas quando este profeta foi efetivamente enviado, renegaram-no porque não era judeu! Allah reprovou neste versículo sua infidelidade, não seu tawassul.

Várias palavras do Profeta (Paz e Bênção sobre ele) e práticas dos Companheiros demonstram a licitude de pedir um favor a Allah por meio do Profeta ou dos santos…
Está relatado a propósito de Salât al-Hâja, neste sentido:
O Companheiro ‘Uthmân Ibn Hunaif relata: “Fui testemunha na casa do Mensageiro de Allah de quando um cego veio se queixar de sua cegueira ante ele. O Mensageiro lhe disse: “Se quiser, persevere (seja paciente) e se quiser, suplicarei a favor seu.” Disse então o cego: “Ó Mensageiro de Allah, minha cegueira é difícil e não tenho ninguém para me guiar.”

Então o Profeta lhe pediu que fizesse bem a ablução, que fizesse depois duas rak’as e que suplicasse no final com esta súplica: “Ó Senhor meu! Rogo e me dirijo a Você pelo Seu Profeta, o Profeta da misericórdia. Ó Muhammad! Dirijo-me por você a Allah para que aceite meu voto. Senhor meu, faça que interceda ao favor meu”.
Ibn Hunaif disse então: “Por Allah, ainda não estávamos separados e não tivemos que esperar muito antes de que voltasse para nós o homem, havia recuperado a vista como se fosse que nunca houvesse sofrido nenhuma moléstia.” [Hadîth autêntico relatado por al-Tabarânî em seu Mu’jam al-Kabîr. Al-Tabarâni considera esta palavra atribuída a um Companheiro autêntica (sahîh).] Graças a este hadîth sahîh (autêntico), sabemos que o Mensageiro (Paz e Bênçãos estejam com ele e sua descendência) ensinou a este cego como se dirigir a Allah por seu intermédio. E se o tawassul fosse harâm, ou se fosse associação como o pretendem os que estão privados de suas bênçãos, o Mensageiro de Allah não o teria ensinado a este cego.

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‘Umar Ibn al-Khattâb relatou que o Profeta (Paz e Bênçãos estejam sobre ele) disse, nesse sentido: “Quando Adão (o pai da humanidade) (a Paz esteja com ele) cometeu o erro e pecou, disse: ‘Ó Allah, me dirijo a Você pelo direito acordado a Muhammad e por sua graça, pois outorgue-me Seu perdão.’
Allah, exaltado seja, lhe disse (isto para devolver manifesto o conhecimento de Adão): ‘Ó Adão, como conhece Muhammad se ainda não o criei? ‘Adão disse: ‘quando me criou, levantei a cabeça e vi inscrito sobre Seu Trono: ‘Não há divindade além de Allah, Muhammad é o Mensageiro de Allah’, então soube que não teria acompanhado Seu nome senão o da criatura mais amada Sua.’ Allah revelou então a Adão que Muhammad era o último dos profetas de sua descendência e que sem ele, não o teria criado.” [Relatado por al-Hâkim no “Mustadrak” (2/615) e Ibn ‘Asâkir: (2/147).]

Está relatado na Shifâ do Qâdî ‘Iyâd de Ceuta:
O Califa al-Mansûr o Abássida interrogou o Imâm Mâlik na peregrinação: durante a visita da tumba do Profeta, me dirijo à qibla para suplicar a Allah, ou me dirijo ao Profeta?
Ao que respondeu o Imâm Mâlik: “Por que não se dirige com seu rosto a ele (o Profeta)? É seu intermediário e o intermediário de seu pai Adão (a Paz esteja com ele)! Pois se dirija a ele e lhe peça sua intercessão, e Allah lhe fará interceder.”

Os companheiros praticavam o tawassul pelo Profeta e buscavam os rastros de suas bênçãos quando estava com eles e depois de sua morte, os muçulmanos depois deles e até agora não deixam de fazer isto.
Foi relatado de fonte segura que durante o período de al-Ramda, quando teve uma falta de chuva e que a prova se tornou difícil para os muçulmanos (passaram seca e fome durante um período, na época do Califa bem-guiado ‘Umar Ibn al-Khattâb), o grande compaheiro Bilâl Ibn al-Hârith al-Muzanî se dirigiu em direção à tumba do Profeta (Paz e Bênçãos sobre ele) para se beneficiar das bênçãos e disse: “Ó Mensageiro de Allah, peça chuva para sua comunidade porque está perecendo.” Mais tarde, este homem viu o Profeta (Paz e Bênçãos sobre ele) em sonhos, que lhe disse: “Transmita meu salâm a ‘Umar e informe-lhe que vão receber chuva.” Este companheiro foi ver nosso mestre ‘Umar e lhe informou do que lhe havia dito o Mensageiro, então ‘Umar chorou de desejo e de enternecimento pelo Profeta. Nem ‘Umar, nem ninguém entre os companheiros reprovou o que havia feito Bilâl Ibn al-Hârith: dirigir-se à tumba do Profeta (Paz e Bênçãos sobre ele) para fazer o tawassul e pedir ajuda para o Profeta.

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Al-Tabarânî em al-Kabîr, Ibn Hibbân e al-Hâkim relatam o hadîth seguinte que é segundo eles autêntico e fiável: segundo Anas Ibn Mâlik:
“Quando morreu Fâtima Bint Asad (que Allah esteja satisfeito com ela): – ela que criou o Profeta (Paz e Bênçãos sobre ele) e que também era a mãe de ‘Ali Ibn Abî Tâlib (que Allah esteja satisfeito com ele) – o Profeta se sentou perto de sua cabeça e disse: “Que Allah seja misericordioso contigo, ó mãe depois de minha mãe”…fez elogios sobre ela e lhe pôs sua Burda como Kafan (mortalha)… Quando as pessoas começaram a cavar sua tumba, o Profeta mesmo cavou e tomou com suas mãos um pouco de terra desta tumba. Quando terminou o trabalho, deitou-se na tumba e disse: “Ó Allah, que revivifica e que dá a morte e que é o Vivo que não morre: perdoe minha mãe Fâtima Bint Asad e amplia sua entrada pelo direito acordado a Seu Profeta e aos Profetas que vieram antes de mim porque é o mais Misericordioso dos misericordiosos.”

 

Quanto ao tawassul pelos santos e seu patamar ante Allah:

Um dia, enquanto os muçulmanos estavam passando pela seca, o Califa ‘Umar Ibn al-Khattâb pediu a Allah para fazer cair chuva pelo favor de al-‘Abbâs (tio do Profeta), e Allah lhes mandou uma chuva abundante…

O Imâm piedoso al-Shâfi‘î (fundador da Escola Shâfi’i, “shâfi’ismo”) disse:
“Faço o tabarruk pelo Imâm Abû Hanîfa e todo dia vou visitar sua tumba.
Quando tenho uma necessidade rezo duas rak’as depois do que me vou a sua tumba e peço a Allah – exaltado seja – que satisfaça minha necessidade enquanto estou perto de sua tumba, e pouco tempo passa antes de que meu desejo seja satisfeito.”

Al-Khatîb al-Baghdâdî relata em Târîkh Baghdâd, que é um dos grandes Salaf que viveram na época do Imâm Ahmad Ibn Hanbal e a quem este mandava seu próprio filho para que aprendesse a ciência do hadîth, trata-se do grande sábio e jurista Ibrâhim Al-Harbî Abû Ishâq; dizia: a tumba de Ma’rûf al-Karkhî é um remédio eficaz por experiência.

 

A súplica pela intercessão dos santos, estejam vivos ou mortos, é totalmente lícita como o temos demonstrado: em realidade nos aproximamos de Allah e estamos satisfeitos (entre outras coisas) por este tawassul: graças a seus atos e por sua estação ante Allah si lhes amamos e lhes respeitamos: “o homem segue a religião de seu amigo íntimo..” ou também: “o homem está com aquele que ama…” como o disse do Profeta (Paz e Bênçãos sobre ele). Assim, nossa petição está formulada para Allah somente, pelas boas ações de seus santos.
Vários hadîths encorajam o tawassul a Allah pelos atos dos mais piedosos… Citemos por exemplo: Abû Sa’îd al-Khudrî relata que o Profeta, Paz e Bênçãos sobre ele, disse, nesse sentido: “Quem sai de sua casa para ir para a reza e diz: “Ó Allah, te imploro pela graça dos que te adoram e pela minha caminhada (até a mesquita), porque não saí nem por ostentação nem para a honra, saí por temor de Sua ira, buscando sua complacência. Peço que me preserve do Inferno e que me perdoe de meus pecados, porque ninguém perdoa os pecados senão Você.” Allah vem até ele e setenta mil anjos pedem perdão por ele.”

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Al-Bukhârî cita em seu Sahîh o hadîth do Profeta (a Paz e as Bênçãos estejam sobre ele) a respeito da história de três homens da caverna que foram bloqueados por uma grande pedra e decidiram suplicar a Allah por seus atos piedosos. Foi assim que foram satisfeitos.

O Sheikh al-Mukhtâr Fâl al-‘Alawi al-Shanghîtî diz em resposta aos que limitam o Tawassul pelos vivos:
“Não podemos pretender que o Tawassul feito por ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) por al-‘Abbâs para pedir chuva (Hadîth citado em Sahîh al-Bukhârî) mostre que a pessoa deva estar viva: isso é falso. Pois de fato outros hadîths autênticos, como temos demonstrado, provam que os companheiros fizeram o Tawassul pelo Profeta (Paz e Bênçãos sobre ele) depois de sua morte: como ‘Uthmân Ibn Hanîf e Bilâl Ibn al-Hârith…
A escola dos Ahl al-Sunna wa’l-Jamâ’a diz, exceto os discípulos de Muhammad Ibn Abd al-Wahhâb: o Tawassul é correto e lícito pelo Profeta durante sua vida e depois de sua morte, assim como com os outros Profetas e santos vivos e mortos, como foi demonstrado: porque nós, Povo da Sunna e do Grupo, não cremos que uma pessoa, até mesmo o Profeta, possa dar ou privar ou influenciar por si mesmo sobre o que seja, senão que é Allah só sem sócios que dá, priva e influencia. Pois não há diferença entre o Tawassul pelos mortos ou os vivos já que o Tawassul concerne a se pôr diante da estação (jâhi) e dos bons atos dessas pessoas…
Quanto aos que fazem a diferença entre os vivos e os mortos: creem – desgraçadamente para eles – que estes vivos poden influenciar… E nós dizemos: “É Allah que criou todas as coisas” e “Allah criou vocês e tudo o que fazem”; pois os que autorizam o Tawassul pelos vivos e o proíbem pelos mortos, esses são os que têm shirk (associação) em seus corações: dado que creem que outro que Allah possa influenciar… O Tawassul, o tashaffu’ e al-istighâtha têm todos o mesmo sentido, e nos corações dos crentes isto significa o Tabarruk e a petição a Allah somente bijâhi (pela causa, os bons atos e a estação) de seus amados; sendo que o que influencia, dá, priva e cria é Allah somente, estas pessoas têm uma causa (sabâb), como todas as outras causas normais conhecidas, e em seu livro Shawâhid al-Haqq fi al-Istighâtha biSayyid al-Khalq o grande sábio al-Nabahânî, página 161, relata:
“Entre as provas da licitude do Tawassul pelo Profeta depois de sua morte: o que relata al-Dâramî em seu sahîh segundo Abî al-Jauzâ:
os habitantes de Medina passaram uma grande seca e se queixaram a ‘Â’isha (que Allah esteja satisfeito com ela) e ela lhes disse:”Vão ver a tumba do Profeta e façam-lhe uma Kuwwa até o céu,” e tiveram uma chuva abundante. O sábio al-Murâghî diz, comentando este hadîth:
“Fazer uma abertura (al-kuwwa) se tornou uma sunna do povo de Medina na seca…” O sábio al-Samhudî acrescenta:
“Fazem uma abertura debaixo da câmara iluminada… abrem a porta em frente ao Profeta (Paz e Bênçãos sobre ele), reúnem-se para fazer o Tawassul e al-Istishfâ’ pelo Profeta a Allah para levantar a provação de cima deles…”

Fonte: Risâlat al-Bayân, página 109 e 110.
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Fonte: http://fiqh-maliki.blogspot.com.br/2010/09/las-pruebas-del-coran-y-de-la-sunna.html

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