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Afinal, Aisha se casou quando era criança? – Expondo um mito antigo.

Um amigo cristão me perguntou uma vez, ”Você vai casar sua filha de sete anos com um homem de cinquenta anos?” Eu me mantive em silencio. Ele continuou, ”Se você não iria, como você pode apoiar o casamento de uma inocente de sete anos de idade, Aisha, como seu profeta?” Eu respondi a ele, ”Eu não tenho resposta para sua pergunta agora. ” Meu amigo sorriu e me deixou com um espinho no coração de minha fé. A maioria dos muçulmanos responderia que tais casamentos eram aceitáveis naqueles dias. Se não fossem, as pessoas iriam se opor ao casamento do profeta com Aisha.

No entanto, tal explicação seria crédula o suficiente apenas para aqueles que são ingênuos demais para acreditar nela. Mas infelizmente, eu não estava satisfeito com a resposta.

O profeta foi um homem exemplar. Todas as suas ações eram as mais virtuosas, para que assim, nós, muçulmanos pudêssemos encorpora-las. Entretanto, a maioria das pessoas em nosso Centro Islâmico de Toledo, incluindo eu, nem mesmo pensaríamos em dar a mão de uma filha de sete anos de idade para um homem de cinquenta e dois anos. Se um pai aceitasse tal casamento, a maioria das pessoas, se não todas, desprezariam o pai e o velho marido.

Em 1923, registradores de casamento no Egito eram instruídos a não registrarem ou emitirem certificados oficiais de casamento para noivas com menos de dezesseis anos, e noivos com menos de dezoito anos de idade. Oito anos depois, a Lei de Organização e Processo dos tribunais da Sharia de 1931 consolidou a disposição acima por não ouvir as disputas matrimoniais envolvendo noivas com menos de dezesseis anos e noivos com menos de dezoito anos de idade. (Women in Muslim Family Law, John Esposito, 1982). Isso mostra que até no majoritariamente muçulmano Egito, casamentos com crianças eram inaceitáveis.

Então, eu acreditava, sem uma sólida evidencia outra que não minha reverencia pelo profeta, que estas histórias do casamento de Aisha de sete anos de idade com o profeta com cinquenta anos eram apenas um mito. Contudo, minha longa perseguição em busca da verdade deste assunto, provou que minha intuição estava correta. Meu profeta era um homem honrado. E ele não se casou com uma garota inocente de sete ou nove anos de idade.  A idade de Aisha foi erroneamente reportada na literatura dos hadiths. Além disso, penso que as narrativas que reportam este evento são fortemente não confiáveis. Alguns dos hadiths (tradições do Profeta) em relação a idade de Aisha no tempo de seu casamento com o profeta são problemáticos. Eu apresento as seguintes evidencias contra a aceitação das ficticias histórias de Hisham ibn ‘Urwah, para limpar o nome do meu Profeta como um homem velho irresponsável predando uma menina inocente.

 

Evidência #1: Confiabilidade da Fonte

A maioria das narrativas que se encontram nos livros de hadiths (com relação a este assunto) são reportadas apenas por Hisham Ibn ‘Urwah, que narrava tais hatihs sob a autoridade de seu paí. Primeiramente, mais pessoas do que apenas um, dois ou três devem logicamente ter relatado. É estranho que ninguém de Medina, onde Hisham ibn `Urwah viveu os primeiros 71 anos de sua vida narrou o evento, apesar do fato de que entre seus alunos de Medina incluíam o bem respeitado Malik ibn Anas. As origens dos relatos das narrativas deste evento são de pessoas do Iraque, para onde Hisham se mudou depois de viver em Medina durante a maior parte de sua vida.

Tehzibu’l-Tehzib, um dos mais bem conhecidos livros sobre a vida e confiabilidade dos narradores das tradições do profeta, reporta que de acordo com Yaqub Ibn Shaibah: ”Ele (Hisham) é altamente fiável, suas narrativas são aceitáveis, exceto oque ele narrou após se mudar para o Iraque.” (Tehzi’bu’l-tehzi’b, Ibn Hajar Al-`asqala’ni, Dar Ihya al-turath al-Islami, século 15. Vol 11, p. 50).

E ainda afirma que Malik Ibn Anas objetou-se a estas narrativas de Hisham que foram relatadas através de pessoas do Iraque: ”Me foi dito que Malik se objetou aquelas narrativas de Hisham que foram transmitidas através de pessoas do Iraque.” (Tehzi’b u’l-tehzi’b, Ibn Hajar Al-`asqala’ni, Dar Ihya al-turath al-Islami, Vol.11, p. 50).

Mizanu’l-ai`tidal, outro livro sobre os esboços das vidas nos narradores das tradições do profeta diz: ”Quando estava velho, a memoria de Hisham sofreu danos” (Mizanu’l-ai`tidal, Al-Zahbi, Al-Maktabatu’l-athriyyah, Sheikhupura, Pakistan, Vol. 4, p. 301).

 

Conclusão: Apartir destas referencias,  a memoria de Hisham estava falhando e suas narrativas enquanto estava no Iraque não são confiáveis. Assim sendo, suas narrativas sobre o casamento e idade de Aisha não são confiáveis.

Cronologia: É vital também ter em mente algumas datas pertinentes na história do Islã:

  • pre-610: Jahiliya (idade pré-islâmica) antes da revelação.
  • 610 : Primeira revelação.
  • 610 : Abu Bakr aceita o Islã
  • 613 : O profeta Muhammad inicia a pregação pública.
  • 615 : Emigração para Abissínia (Etiópia)
  • 616 : Umar bin al Khattab aceita o Islã
  • 620 : Geralmente aceito sobre quando o profeta noivou Aisha
  • 622 CE: Hijrah (emigração para Yathirib, que mais tarde seria renomeda como Medina)
  • 623/624 : Anos geralmente aceitos de quando Aisha começou a viver com o profeta.
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Evidência #2: O Noivado

De acordo com Tabari (também de acordo com Hisham Ibn ‘Urwah, Ibn Hunbal e Ibn Sad), Aisha noivou com a idade de sete anos e começou a viver com o profeta com a idade de nove anos.

Entretanto, em outro trabalho, Al-Tabari diz: ”Todos os seus quatro filhos (de Abu Bakr, pai de Aisha) nasceram de suas duas esposas durante o período pré-islâmico” (Tarikhu’l-umam wa’l-mamlu’k, Al-Tabari (died 922), Vol. 4, p. 50, Arabic, Dara’l-fikr, Beirut, 1979).

Se Aisha noivou em 620 (com a idade de sete anos) e começou a viver com o profeta em 624 (com a idade de nove), isso indicaria que ela nasceu em 613 e tinha nove anos quando ela começou a viver com o profeta. Portanto, com base em uma conta de Al-Tabari, os números mostram que Aisha deveria ter nascido em 613, três anos depois do inicio da revelação (no ano 610). Tabari também afirma que Aisha nasceu no período pré-Islâmico (na Jahiliya). Se ela nasceu antes de 610, ela deveria ao menos ter 14 anos quando começou a viver com o profeta. Essencialmente, Tabari contradiz a si mesmo.

Conclusão: Al-Tabari é questionável no que se refere a determinar a idade de Aisha.

 

Evidência # 3: A Idade de Aisha em relação a Idade de Fatima 

De acordo com Ibn Hajar, ”Fatima nasceu no período em que a Caaba foi reconstruída, quando o profeta tinha 34 anos de idade…ela era cinco anos mais velha que Aisha” (Al-isabah fi tamyizi’l-sahabah, Ibn Hajar al-Asqalani, Vol. 4, p. 377, Maktabatu’l-Riyadh al-haditha, al-Riyadh, 1978).

Se a declaração de Ibn Hajar é factual, Aisha nasceu quando o profeta tinha 40 anos de idade. Se Aisha se casou com o profeta quando ele tinha 52 anos, a idade de Aisha ao casar-se seria de 12 anos.

Conclusão: Ibn Hajar, Tabari, Ibn Hisham e Ibn Hunbal contradizem-se mutuamente, Então, o casamento de Aisha aos sete anos de idade é um mito.

 

Evidência #4: A Idade de Aisha em Relação com a Idade de Asma

De acordo com  Abda’l-Rahman ibn abi zanna’d: ”Asma era 10 anos mais velha que Aisha” (Siyar A`la’ma’l-nubala’, Al-Zahabi, Vol. 2, p. 289, Arabic, Mu’assasatu’l-risalah, Beirut, 1992).

De acordo com Ibn Kathir: ”Ela (Asma) era mais velha de que sua irmã (Aisha) por 10 anos” (Al-Bidayah wa’l-nihayah, Ibn Kathir, Vol. 8, p. 371, Dar al-fikr al-`arabi, Al-jizah, 1933).

De acordo com Ibn Kathir: ”Ela (Asma) viu a morte de seu filho durante aquele ano [73 AH], como já mencionamos, e cinco dias depois ela mesma morreu. Segundo outras narrativas, ela morreu não após cinco dias, mas após dez ou vinte, ou alguns dias entre 20, ou 100 dias depois. A mais bem conhecida narrativa é a de 100 dias depois. No momento de sua morte, ela tinha 100 anos de idade” (Al-Bidayah wa’l-nihayah, Ibn Kathir, Vol. 8, p. 372, Dar al-fikr al-`arabi, Al-jizah, 1933).

De acordo com Ibn Hajar Al-Asqalani: ”Ela (Asma) viveu cem anos e morreu em 73 ou 74 AH.” (Taqribu’l-tehzib, Ibn Hajar Al-Asqalani, p. 654, Arabic, Bab fi’l-nisa’, al-harfu’l-alif, Lucknow).

De acordo com quase todos os historiadores, Asma, a irmã mais velha de Aisha era 10 anos mais velha que Aisha. Se Asma tinha 100 anos de idade em 73 AH, ela deveria ter 27 ou 28 anos de idade no tempo da hijirah (emigração para Medina).

Se Asma tinha 27 ou 28 anos no tempo da Hijirah, Aisha deveria ter 17 ou 18 anos. Então, Aisha, tendo 17 ou 18 anos no tempo da hijrah, ela começou a coabitar com o profeta entre 19 ou 20 anos de idade.

Baseado em Ibn Hajar, Ibn Kathir e Abda’l-Rahman ibn abi zanna’d, a idade de Aisha no momento em que ela começou a viver com o profeta seria de 19 ou 20. Na evidencia #3 Ibn Hajar sugere que Aisha tinha 12 anos de idade e na evidencia #4 ele contradiz ele mesmo com uma Aisha de 17 ou 18 anos. Qual a idade correta, doze ou dezoito?

Conclusão: Ibn Hajar não é uma fonte confiável para determinar a idade de Aisha.

 

Evidencia#5: As Batalhas de Badr e Uhud

A narrativa em relação a participação de Aisha em Badr é dada em um hadith de Muslim (Kitabu’l-jihad wa’l-siyar, Bab karahiyati’l-isti`anah fi’l-ghazwi bikafir). Aisha, ao narrar a viagem para Badr e um dos eventos importantes que ocorreram nessa jornada, diz: ”quando chegamos a Shjarah”. Obviamente, Aisha estava com o grupo viajando em direção a Badr. A narrativa em relação a participação de Aisha na batalha de Uhud é dada em Bukhari (Kitabu’l-jihad wa’l-siyar, Bab Ghazwi’l-nisa’ wa qitalihinna ma`a’lrijal): ”Anas relata que no dia de Uhud, as pessoas não podiam estar no campo ao redor do profeta. (Naquele dia,) eu vi Aisha e Umm-i-Salaim, elas tinham puxavam seus vestidos em cima de seus pés [para evitar qualquer obstáculo em seu movimento]. “Mais uma vez, isso indica que Aisha estava presente nas batalhas de Uhud e Badr.

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É narrado em Bukhari (Kitabu’l-maghazi, Bab Ghazwati’l-khandaq wa hiya’l-ahza’b): “Ibn` Umar afirma que o profeta não permitiu-me participar de Uhud, pois naquela época, eu tinha 14 anos de idade. Mas no dia da Khandaq, quando eu tinha 15 anos, o profeta permitiu a minha participação. ”

Com base nos relatos acima, (a) as crianças com menos de 15 anos foram enviadas de volta e não foram autorizadas a participarem na batalha de Uhud, e (b) Aisha participou nas batalhas de Badr e Uhud.

Conclusão: A participação de Aisha nas batalhas de Badr e Uhud claramente indicam que ela não tinha nove anos, e sim ao menos quinze anos de idade. Afinal, mulheres costumavam acompanhar os homens no campo de batalha para lhes ajudar, e não para serem um fardo. Esta conta é outra contradição em relação à idade de Aisha.

 

Evidencia #6: Surat al-Qamar (Surata da Lua)

Segundo a tradição geralmente aceita, Aisha nasceu por volta de oito anos antes da hijrah. Porém, de acordo to outra narrativa em Bukhari, Aisha é relatada por ter dito: ”Eu era uma jovem garota (jariyah em árabe)” quando a Surah al-Qamar foi revelada (Sahih Bukhari, kitabu’l-tafsir, Bab Qaulihi Bal al-sa`atu Maw`iduhum wa’l-sa`atu adha’ wa amarr).

O capitulo 54 do Alcorão foi revelado oito anos antes da hijirah (The Bounteous Koran, M.M. Khatib, 1985), indicando que ele foi revelado em 614. Se Aisha começou a viver com o profeta com nove anos de idade em 623 ou 624, ela era uma recém-nascida (sibyah em árabe) no tempo em que a Surah al-Qamar (Surata da Lua) foi revelada. De acordo com a narração acima, Aisha era na realidade um jovem menina, não uma bebê no ano da revelação de al-Qmar.  Jariyah significa ”menina nova brincalhona” (Lane’s Arabic English Lexicon). Então, Aisha, sendo uma jariyah e não uma sibyah (bebê), deveria ter entre 6 e 13 anos no tempo da revelação de al-Qamar, e, portanto, deve ter tido entre 14-21 anos no momento em que ela se casou com o profeta.

Conclusão: Esta tradição também contradiz o casamento de Aisha com a idade de nove.

 

Evidencia #7: Terminologia Árabe

Segundo uma narrativa relatada por Ahmad Ibn Hanbal, após a morte da primeira esposa do profeta, Khadija, quando Khaualah veio ao profeta recomendando que ele se casasse novamente, o profeta perguntou a ela sobre as opções que ela tinha e mente. Khaualah disse: ”Você pode casar-se com uma virgem (bikr) ou com uma mulher que já foi casada (thayyib)”. Quado o profeta perguntou a identidade da bikr (virgem), Khaulah mencionou o nome de Aisha.

Todos aqueles que conhecem o idioma árabe estão cientes que a palavra bikr (virgem) no árabe não é usada para uma garota imatura de nove anos. A palavra correta para garota jovem brincalhona, como mencionado anteriormente, é  jariyah. Bikr por outro lado, é usado para uma dama solteira sem experiência conjugal antes do casamento, como nós entendemos a palavra “virgem” em português. Portanto, obviamente uma menina de nove anos não é uma ”dama” (bikr) (Musnad Ahmad ibn Hanbal, Vol. 6, p. .210, Arabic, Dar Ihya al-turath al-`arabi, Beirut).

Conclusão: O significado literal da palavra bikr (virgin), no hadith acima é ”mulher adulta se experiencia sexual anterior ao casamento”. Portanto, Aisha era uma mulher adulta no tempo de seu casamento.

 

Evidencia #8. O Texto Corânico 

Todos os muçulmanos concordam que o Alcorão é um livro de orientação. Assim, nós precisamos buscar a orientação do Alcorão para clarificar a fumaça e confusão criada pelo homem eminente do período clássico do Islã sobre o assunto da idade de Aisha no momento de seu casamento. Será que o Alcorão permite ou reprova o casamento de uma criança imatura de sete anos de idade?

Não há versos que explicitamente permitam tal casamento. Existe um verso, entretanto, que guia muçulmanos no seu dever de criar crianças órfãs. A orientação do Alcorão sobre o tema de criar órfãos também é válida no caso de os nossos próprios filhos. Os versículos afirmam :  Não entregueis aos néscios o vosso patrimônio, cujo manejo Deus vos confiou, mas mantende-os, vesti-os e tratai-os humanamente, dirigindo-vos a eles com benevolência. Custodiai os órfãos, até que cheguem a idades núbeis. Se porventura observardes amadurecimento neles, entregai-lhes,então, os patrimônios; porém, abstende-vos de consumi-los desperdiçada e apressadamente, (temendo) que alcancem a maioridade. Quem for rico, que se abstenha de usá-los; mas, quem for pobre, que disponha deles com moderação. (Alcorão: 5-6)

Em matéria de crianças que perderam os pais, o muçulmano é ordenado a: (a) alimenta-los (b) vesti-los (c) educa-los, e (d) testa-los para maturidade ”até que cheguem a idades núbeis” antes de lhes entregar a administração das finanças.

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Aqui, os versículos corânicos demandam provas meticulosas de sua maturidade física e intelectual, por testes objetivos antes da idade de casamento para confia-los com sua propriedade.

À luz dos versos acima, nenhum muçulmano responsável iria entregar a gestão financeira para uma menina imatura de sete ou nove anos de idade. Se não podemos confiar em uma menina de sete anos de idade, para gerir as questões financeiras, ela não pode estar intelectualmente ou fisicamente apta para o casamento. Ibn Hambal (Musnad Ahmad ibn Hambal, vol.6, p. 33 e 99) afirma que afirma que Aisha aos nove anos de idade era muito mais interessada em brincar com seus cavalos de brinquedo do que assumir a tarefa responsável de uma esposa. É difícil de acreditar, portanto, que Abu Bakr, um grande crente entre os muçulmanos, iria desposar sua imatura filha de sete anos de idade, ao profeta com 50 anos. Igualmente difícil de imaginar é que o Profeta iria se casar com uma menina de sete anos de idade imatura.

Outro importante dever exigido do tutor de uma criança é educá-la. Vamos fazer a pergunta: “Quantos de nós acreditamos que podemos educar nossos filhos de forma satisfatória antes que eles atinjam a idade de sete ou nove anos?” A resposta é nenhum. Logicamente, é uma tarefa impossível para educar uma criança de forma satisfatória antes que a criança atinja a idade de sete. Então, como podemos acreditar que Aisha foi educada de maneira satisfatória com a idade reivindicada de sete anos na época do seu casamento?

Abu Bakr era um homem mais criterioso do que todos nós. Então, ele definitivamente teria julgado que Aisha era uma criança de coração e não foi satisfatoriamente educada como exigido pelo Alcorão. Ele não teria casado ela com a ninguém. Se uma proposta de se casar com a imatura e ainda a ser educada de sete anos de idade, Aisha viesse ao profeta, ele teria rejeitado de imediato porque nem o Profeta, nem Abu Bakr violaria qualquer cláusula no Alcorão.

Conclusão: O casamento de Aisha com a idade de sete anos iria violar a clausula de maturidade ou requerimento do Alcorão. Portanto, a história do casamento da imatura Aisha com sete anos de idade é um mito.

 

Evidencia #9: Consentimento no Casamento

A mulher precisa ser consultada e precisa concordar para fazer com que o casamento seja válido (Mishakat al Masabiah, tradução por James Robson, Vol. I, p. 665). Islamicamente, a permissão credível das mulheres é um pré-requisito para que um casamento seja válido.

Por qualquer trecho da imaginação, a permissão dada por uma menina de sete anos de idade imatura não pode ser autorização válida para um casamento.

É inconcebível que Abu Bakr, um homem inteligente, levaria a sério a permissão de uma menina de sete anos de idade para se casar com um homem de 50 anos de idade.

Da mesma forma, o Profeta não teria aceitado a permissão dada por uma menina que, de acordo com o hadith de Muslim, levou seus brinquedos com ela quando foi viver com o profeta.

Conclusão: O profeta não se casou com uma criança de sete anos de idade, Aisha, porque isso teria violado a exigência da cláusula de autorização válida do casamento islâmico. Portanto, o profeta se casou com Aisha, uma dama intelectual e fisicamente madura.

 

RESUMO:

Não era nem uma tradição árabe dar meninas em casamento em uma idade tão jovem como sete ou nove anos, nem o profeta se casou com Aisha em uma idade tão jovem. Os povos da Arábia não se opuseram a esse casamento, porque isso nunca aconteceu da forma como foi narrado.

Obviamente, a narrativa do casamento de Aisha aos nove anos de idade, por Hisham ibn `Urwah não pode ser considerada verdadeira quando se está em contradição com muitas outras narrativas relatadas. Além disso, não há absolutamente nenhuma razão para aceitar a narrativa de Hisham ibn `Urwah como verdadeira quando outros estudiosos, incluindo Malik ibn Anas, veem sua narrativa, enquanto no Iraque, como não confiáveis (devido a sua idade avançada e perca de memoria). As citações de Tabari, Bukhari e Muslim mostram que contradizem umas as outras em relação à idade de Aisha. Além disso, muitos desses estudiosos se contradizem em seus próprios registros. Assim, a narrativa da idade de Aisha no momento do casamento não é fiável devido às contradições claras vistas nas obras de estudiosos clássicos do Islam.

Portanto, não há absolutamente nenhuma razão para acreditar que as informações sobre a idade de Aisha são aceitas como verdadeiras quando existem motivos suficientes para rejeitá-las como um mito. Além disso, o Alcorão rejeita o casamento de meninas e meninos imaturos, bem como confiar-lhes responsabilidades.

 

Fonte: http://www.ilaam.net/articles/ayesha.html

 

Sobre Victor Peixoto

Victor Peixoto é um brasileiro convertido ao Islam, leitor frequente de livros sobre história islâmica e estudante de árabe clássico, que aprendeu no Egito durante sua morada naquele país.