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6 Atitudes Erradas para um Novo Convertido ao Islam

6 Atitudes Erradas de um Novo Convertido ao Islam

Volta e meia, quando vejo alguém se convertendo ao Islam, sempre vejo a pessoa cometendo um dos erros (ou vários deles) que eu cometi após a minha conversão. Alguns desses erros persistem nos convertidos ao Islam muitos anos depois de sua conversão e acabam gerando má impressão sobre o Islam aos familiares dos convertidos ou divisão na comunidade Islâmica, esta que sofre da boa intenção porém dos maus modos desses queridos irmãos e irmãs.

Fiz uma lista de 6 atitudes erradas, eu poderia estende-la à dezenas de erros porém decidi escolher os mais notáveis:

1 – Tentar converter todo mundo

A descoberta do Islam é algo muito empolgante, principalmente se você vive em uma país ocidental onde só se ouve falar mal do Islam. Além disso, o fato de conhecer uma religião pura de idolatrias (que é o que muitas pessoas buscam) é simplesmente maravilhoso, é um momento de libertação espiritual e intelectual já que não é preciso condicionar a crença em Deus à crença em um Deus homem, o que é em si é estranha para muitas pessoas e quem sabe, a raiz de boa parte do ateísmo no mundo ocidental.

Sobre a tentativa de converter todas as pessoas em volta, acredito que é um erro que acontece em 99% das conversões e muitas vezes este novo muçulmano não está preparado espiritualmente e intelectualmente para lidar com as divergências de opiniões e até mesmo confusões que podem surgir desse ato de divulgação. Além disso, o Islam é prática, Islam significa submissão e deve-se mostrar às pessoas o Islam em prática e não o Islam das palavras.

O muçulmano deve disponibilizar informações para as pessoas conhecerem o Islam ao invés de ficar tentando convencer as pessoas de que o Islam é a religião de Deus. Afinal, todos aqueles que são capazes intelectualmente podem compreender a mensagem do Islam e se eles escolhem não fazê-lo já não é problema seu e nem meu.

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2 – Assumir um posicionamento político

Quantos novos muçulmanos não abraçam de vez a bandeira palestina, saudita, turca e de vários outros países islâmicos de forte atuação no cenário político internacional? O problema não é gostarem desses países, o problema é deixar que isso gere divisões na comunidade. Afinal, os líderes políticos da nossa ummah atualmente não são lá bons exemplos em tudo que fazem e assumir uma posição de apoio incondicional às atitudes deles chega a ser anti islâmico. Vale a pena brigar por eles?

3 – Virar árabe

Virei muçulmano e agora meu restaurante favorito é o Habib´s? Errado, não tem nada a ver. Uma das características da Sharia é a de respeitar a cultura local dos muçulmanos contanto que tal cultura não vá contra regras bem estabelecidas na Sharia como por exemplo o consumo de carne de porco ou álcool (entre outras coisas).

O muçulmano não só pode mas deve manter seus costumes locais, evitando se transformar em um estranho em sua própria casa ou em sua própria cultura. Como vamos falar do Islam para as pessoas se elas acham no mínimo bizarro essa mudança cultural? Saiba separar a sunnah do Profeta Muhammad das práticas dos árabes e não leve totalmente ao pé da letra que “no fins dos tempos o Islam seria algo estranho novamente” conforme o hadith do Profeta Muhammad. O Islam não precisa das nossas esquisitices para ser estranho à um mundo de desejos como é o que vivemos atualmente.

4 – Mudar radicalmente de vida de uma só vez

Você se converteu hoje, adotou um nome árabe (que é sunnah quando se tem um nome relacionado ao paganismo), começou a praticar todas as sunnahs do Profeta Muhammad na primeira semana… será que isso é saudável? Alguém consegue sair de uma vida totalmente não islâmica para uma vida islâmica e espiritual em pouquíssimo tempo? É claro que não e o próprio Profeta Muhammad nos orientou a não nos afobarmos, à mudarmos passo a passo mas em uma mudança consistente.

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Dê um passo de cada vez, não se sufoque e não sufoque os outros ao seu redor. Procure não parecer um bicho do mato, explique as coisas para as pessoas que convivem com você pois ninguém vive sozinho neste mundo e você também não vai querer deixar as pessoas preocupadas com você, achando que você está se tornando um “radical islâmico”.

5 – Só estudar o Islam

Quem foi que disse aos muçulmanos que estudar o Islam é tudo que importa? Vários de nós acabam querendo estudar o Islam fora do país para poder divulgar o Islam com qualidade, etc e tal. O que a maioria esquece (e esquece MESMO) é que a divulgação do Islam hoje depende muito mais de técnicas de comunicação do que de conhecimento Islâmico. Não adianta mais se formar em uma faculdade islâmica e decidir divulgar o Islam com qualidade se você não tem um bom português, não sabe administrar um website, uma página do Facebook, não sabe editar um vídeo, etc.

Estamos no século XXI e as pessoas buscam informações na internet. É importante sim termos mesquitas e pessoas preparadas para receberem as pessoas nelas. Porém se você quer ajudar à divulgar o Islam, estude ciências seculares e suba o nível de conhecimento da nossa comunidade através do seu aprendizado. Nossa comunidade não pode ser formada apenas por sheikhs estudados e alguns sábios que se formaram no Google, precisamos de algo mais.

6 – Entrar em brigas sectárias

Sufi, salafi e xiita. Quem nunca se viu no meio de uma discussão sobre isso mas não faz ideia das diferenças reais por trás de cada divisão. E se sabe as diferenças, será que até hoje não percebeu que essas diferenças não fazem a menor diferença no mundo atual e que ficar dividindo a comunidade em seitas é coisa dos séculos passados? Hoje temos problemas como guerras, ateísmo, drogas, álcool, tudo isso são coisas que geram problemas nas comunidades islâmicas mundo afora e vamos ficar debatendo sobre temas teológicos que só interessam à acadêmicos? E muitas vezes tais acadêmicos não tem ideias de como combater os problemas que citei acima, seu conhecimento é confinado à área teológica não prática.

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Além disso, essas brigas sectárias são usadas por certos países para manobrarem e influenciarem pessoas para apoiarem suas ações. Você, como um muçulmano consciente, que libertou sua mente da idolatria, vai querer ficar repetindo igual papagaio o que certos países lhe dizem pra dizer?

Conclusão

Seja apenas muçulmano, um bom muçulmano, assim Allah vai estar satisfeito com você, in sha Allah. É claro, aprenda o Islam de acordo com o entendimento dos sábios consagrados e respeite as diferenças. Islam é respeitar, é entender e acima de tudo é refletir sob a luz do Alcorão. O intelecto é o que Allah nos deu de mais valioso pois é ele que nos permite compreender o Islam e através dele nos elevamos. Não se atrase com bobagens, foque no que importa.

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